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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Revolução Russa de Stálin devorou Maiakóvski | Revista Bula










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Revolução Russa de Stálin devorou Maiakóvski



No prefácio de “Maiakóvski — O Poeta da Revolucão” (559 páginas), do russo Aleksandr Mikhailov, com tradução esmerada de Zoia Prestes, Alexei Bueno nota “a riqueza metafórica e rítmica da poesia de Vladímir Maiakóvski, sua mestria no uso de hipérboles, seu humor cáustico, seu virtuosismo no jogo de palavras”. Àquele leitor que não quer apenas saber os fatos da vida do poeta, que dizia detestar fofocas, recomendo três livros: “Poemas”, de Maiakóvski, com traduções de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos, “Poesia Russa Moderna”, com traduções do mesmo trio, e “Antologia PoétiCa”, de Maiakóvski, com tradução de E. Carrera Guerra.

Maiakóvski matou-se, aos 36 anos, em 1930, quando Stálin, senhor do poder, havia expurgado adversários de peso como Liev Trotski e enquadrava aqueles que pensavam diferentemente da ortodoxia do partido.

Por que Maiakóvski se matou, com um tiro no peito, se havia condenado o suicídio do poeta Sierguéi Iessiênin, em 1925? Mikhailov escreve, com pertinência: “A pessoa que deixa voluntariamente a vida leva consigo o mistério de sua decisão. Nenhuma explicação (inclusive as de Maiakóvski) penetra na essência real da atitude tomada. Elas somente entreabrem a cortina sobre o segredo, mas o próprio segredo permanece escondido atrás do final triste da vida. (…) Encontramos os motivos, mas o segredo permanece em segredo”.

Há dois pontos centrais. Primeiro, a Revolução que Maiakóvski havia colaborado para criar e formular saía dos eixos e trabalhava para enquadrar, cercar e subordinar a literatura, sugerindo que só a literatura proletária era literatura. O poeta tentou se enquadrar, fez poemas engajados-proletários, produziu cartazes revolucionários, mas sua criatividade, tida como excessiva e contagiante, chocava os comunistas retrógrados e não era entendida pelas massas. Escritores geniais como Maiakóvski têm seu estoque de ingenuidade política e acreditam que podem influenciar as revoluções e os políticos, sem perceberem que, adiante, as revoluções, como a Bolchevique, começam a devorar seus próprios filhos. O saturno comunista de Lênin e Stálin devastou escritores, matando-os, enviando-os para morrer no Gulag ou exilando-os. Maiakóvski avaliou, errado, que poderia se adaptar. Acabou rejeitado pela política da literatura proletária, mais proletária, em termos de qualidade, do que literatura. Chegaram a boicotar a encenação de sua peça teatral “Os Banhos”. O biógrafo Mikhailov diz: “As circunstâncias de sua vida pessoal eram-lhe incontornáveis. Vivia em profundo estado de depressão e passava por uma crise de criação em face de confronto com o poder soviético, mesmo sem ainda ter a consciência do que seria no futuro, mas sentindo uma enorme pressão que privava a literatura do ar de liberdade”. Imagine, para um criador do porte de Maiakóvski, ter de produzir uma poesia de baixa qualidade, para ser compreendido pelas maiorias e aceito pela burocracia, que ele abominava. Essa burocracia medíocre não aceitava a sua sátira, seu modernismo.

Segundo, Maiakóvski nutria paixão por duas mulheres casadas — Lília Brik e, nos últimos anos, Verônica Vitoldovna Polonskaia, a Nora. Quis se casar com Nora, chegou a procurar um apartamento, mas sua depressão e certa violência, assustadora num gigante como ele, incomodavam a atriz, que o amava.

Provavelmente, ao sentir que a Revolução não era o paraíso libertário que imaginara e que era infeliz no amor, roído pela depressão, Maiakóvski optou por matar-se. Tinha certa consciência de que o futuro o aguardava… para entendê-lo. Mas, depois de sua morte, quando não mais incomodava, Stálin o transformou no poeta da revolução e, numa carta a Iejov, escreveu: “Peço que dê atenção à carta de Lília Brik. Maiakóvski foi e continua sendo o melhor e mais talentoso poeta da época soviética. A indiferença com a sua obra é um crime”.

O bilhete do suicida

Vladímir Maiakóvski matou-se no dia 14 de abril de 1930 e deixou um bilhete.

A todos
De minha morte não acusem ninguém, por favor, não façam fofocas. O defunto odiava isso.
Mãe, irmãs e companheiros, me desculpem, este não é o melhor método (não recomendo a ninguém), mas não tenho saída.
Lília, ame-me.
Ao governo: minha família são Lília Brik, minha mãe, minhas irmãs e Verônica Vitoldovna Polonskaia.
Caso torne a vida delas suportável, obrigado.
Os poemas inacabados entreguem aos Brik, eles saberão o que fazer.
Como dizem:
caso encerrado,
o barco do amor
espatifou-se na rotina.
Acertei as contas com a vida
inútil a lista
de dores,
desgraças
e mágoas mútuas.
Felicidade para quem fica.


Não entendem nada

Entrei na barbearia e disse, sem espera:
“Por gentileza, penteie-me as orelhas.”
O meloso barbeiro ficou cheio de abelhas,
seu rosto se alongou com uma pêra.
“Mentecapto!
Palhaço!” —
saltaram as palavras.
Insultos relincharam pelo espaço,
e l-o-o-o-o-ngamente
ouviu-se o rinchavelho
de uma cabeça que brotou por entre a gente
como um rabanete velho.

O poema é de 1913, quatro anos antes da Revolução Russa de 1917. Mas a burocracia soviética, que queria poemas úteis à causa, podia compreender a sátira de Maiakóvski? Não, certamente. Tradução de Augusto de Campos.


Hino ao crítico

Da paixão de um cocheiro e de uma lavadeira
Tagarela, nasceu um rebento raquítico.
Filho não é bagulho, não se atira na lixeira.
A mãe chorou e o batizou: crítico.
O pai, recordando sua progenitura,
Vivia a contestar os maternais direitos.
Com tais boas maneiras e tal compostura
Defendia o menino do pendor à sarjeta.
Assim como o vigia cantava a cozinheira,
A mãe cantava, a lavar calça e calção.
Dela o garoto herdou o cheiro de sujeira
E a arte de penetrar fácil e sem sabão.
Quando cresceu, do tamanho de um bastão,
Sardas na cara como um prato de cogumelos,
Lançaram-no , com um leve golpe de joelho,
À rua, para tornar-se um cidadão.
Será preciso muito para ele sair da fralda?
Um pedaço de pano, calças e um embornal.
Com o nariz grácil com um vintém por lauda
Ele cheirou o céu afável do jornal.
E em certa propriedade um certo magnata
Ouviu uma batida suavíssima na aldrava,
E logo o crítico, da teta das palavras
ordenhou as calças, o pão e uma gravata.
Já vestido e calçado, é fácil fazer pouco
Dos jogos rebuscados dos jovens que pesquisam,
E pensar: quanto a estes, ao menos, é preciso
Mordiscar-lhe de leve os tornozelos loucos.
Mas se se infiltra na rede jornalística
Algo sobre a grandeza de Púchkin ou Dante,
Parece que apodrece ante a nossa vista
Um enorme lacaio, balofo e bajulante.
Quando, por fim, no jubileu do centenário,
Acordares em meio ao fumo funerário,
Verás brilhar na cigarreira-souvenir o
Seu nome em caixa alta, mais alvo do que um lírio.
Escritores, há muitos. Juntem um milhar.
E ergamos em Nice um asilo para os críticos.
Vocês pensam que é mole viver a enxaguar
A nossa roupa brancos nos artigos?

Poema de 1915, tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman.

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19 capas de jornais e revistas: em 1964, a imprensa disse sim ao golpe - Notícias - UOL Notícias





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19 capas de jornais e revistas: em 1964, a imprensa disse sim ao golpe



Mário Magalhães31/03/2014 09:50
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( O blog está no Facebook e no Twitter )

Na semana dos 50 anos do golpe de Estado, o blog compartilha uma coleção de 19 primeiras páginas de jornais e capas de revistas publicadas nas horas quentes do princípio de abril de 1964.

Mais do que informação, constituíam propaganda, notadamente a favor da deposição do presidente constitucional João Goulart.

Até onde alcança o conhecimento do blogueiro, as imagens configuram a mais extensa amostra (ficarei feliz se não for) do comportamento do jornalismo brasileiro meio século atrás.

Trata-se de documento histórico, seja qual for a opinião sobre os acontecimentos.

Desde já o blog agradece novas capas que eventualmente sejam enviadas por meio do Facebook e do Twitter. Caso venham, serão acrescentadas a esta exposição.

Dos 19 periódicos aqui reunidos, oriundos de cinco Estados, 17 são jornais diários, alguns dos quais já não circulam, e dois são revistas hoje extintas.

Apenas três se pronunciaram em defesa da Constituição: ''Última Hora'', ''A Noite'' e ''Diário Carioca''. Nos idos de 1964, os dois últimos não tinham muitos leitores.

Os outros 16, em diferentes tons, desfraldaram a bandeira golpista.

As fontes da garimpagem foram: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional; Google News Newspaper Archive; sites e versões impressas de jornais; não menos importantes, blogs e sites, aos quais sou imensamente grato.

É muito provável que, quanto mais capas se somarem, maior seja a proporção das publicações que saudaram o movimento que pariu a ditadura de 21 anos.

Para não ser original e repetir uma expressão consagrada: em 1964, a imprensa disse sim ao golpe.

* * *

A Noite (Rio), 1º de abril de 1964: ''Povo e governo superam a sublevação''.

Contrário ao golpe, jornal aposta no triunfo de Jango.




Correio da Manhã (Rio), 1º de abril de 1964: ''(?) Estados já em rebelião contra JG''.

Editorial clama pela deposição de João Goulart: ''Fora!''.




Diário Carioca, 1º de abril de 1964: ''Guarnições do I Exército marcham para sufocar rebelião em Minas Gerais''.

O jornal defendeu a Constituição.




Diário da Noite (São Paulo), 2 de abril de 1964: ''Ranieri Mazzilli é o presidente''.

O jornal dos Diários Associados trata a nova ordem como ''legalidade''




Diário da Região (São José do Rio Preto, SP), 2 de abril de 1964: ''Exército domina a situação e conclama o povo brasileiro a manter-se em calma''.

Depois do golpe com armas, o apelo por calma.




Diário de Notícias (Rio), 2 de abril de 1964: ''Marinha caça Goulart''.

''Ibrahim Sued informa: É o fim do comunismo no Brasil.''




Diário de Pernambuco, 2 de abril de 1964: ''Jango sai de Brasília rumo a Porto Alegre ou exterior: posse de Mazilli''.

Governador constitucional Miguel Arraes, vestido de branco no Fusca, é preso e cassado.




Diário de Piracicaba (SP), 2 de abril de 1964: ''Cessadas as operações militares: A calma volta a reinar no país''.

No dia seguinte: ''Relação de deputados que poderão ser enquadrados: Comunistas ou ligações com o comunismo''.




Diário do Paraná, 2 de abril de 1964: ''Auro Andrade anuncia posse de Mazzilli com situação normalizada''.

No alto: ''Povo festejou na Guanabara vitória das forças democráticas''.




Fatos & Fotos, abril de 1964 (data não identificada): ''A grande rebelião''.

Uma revista em júbilo.




Folha de S. Paulo, 2 de abril de 1964: ''Congresso declara Presidência vaga: Mazzilli assume''.

''Papel picado comemorou a 'renúncia' de João Goulart.''




Jornal do Brasil (Rio), 1º de abril de 1964: ''S. Paulo adere a Minas e anuncia marcha ao Rio contra Goulart''.

'''Gorilas' [pró-Jango] invadem o JB.''




O Cruzeiro, 10 de abril de 1964: ''Edição histórica da Revolução''.

Revista celebra um herói da ''Revolução'', o governador de Minas, Magalhães Pinto, um dos artífices do golpe.




O Dia, 3 de abril de 1964: ''Fabulosa demonstração de repulsa ao comunismo''.

Jango chegou ao Rio Grande do Sul no dia 2. De lá, iria para o Uruguai. ''O Dia'': ''Jango asilado no Paraguai!''.




O Estado de S. Paulo, 2 de abril de 1964: ''Vitorioso o movimento democrático''.

É a contracapa, porque a primeira página, era o padrão, só tinha notícias do exterior.




O Globo (Rio), 2 de abril de 1964: ''Empossado Mazzilli na Presidência''.

Título do editorial: ''Ressurge a democracia!''




O Povo (Fortaleza), sem data: ''II e IV Exércitos apoiam movimento mineiro''.

Quartel-general do IV Exército, no Recife, comandava a Força no Nordeste.




Tribuna do Paraná, 2 de abril de 1964: ''Rebelião em Minas''.

''General Mourão Filho abre a revolta: 'Jango tem planos ditatoriais'.''




Última Hora, 2 de abril de 1964: ''Jango no Rio Grande e Mazzilli empossado''.

Jogando a toalha: ''Jango dispensa o sacrifício dos gaúchos''.

A Lava Jato foi premiada em 2 edições do Global Investigations Review








Marlos Ápyus em Notas

A Lava Jato foi premiada em 2 de 3 edições do Global Investigations Review Awards

Em 2017, a Lava Jato "derrotou" agência inglesa que investiga fraude, suborno e corrupção



Em 2017, ocorreu a terceira edição do Global Investigations Review Awards, premiação que reconhece o trabalho de grandes investigações em todo o mundo. É uma iniciativa de publicação homônima especializada no noticiário jurídico.

E, por causa da Lava Jato, o Brasil foi novamente premiado. A exemplo do que já havia ocorrido na primeira edição, a operação ganhou na categoria Enforcement Agency or Prosecutor – em tradução livre, Agência de Execução ou Procurador.

O Ministério Público Federal derrotou a vencedora de 2016, um agência inglesa que investiga fraude, suborno e corrupção.


Em três anos e meio, a Lava Jato emplacou forças-tarefas em quatro capitais (Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Há ainda, por causa do foro privilegiado de alguns investigados, um “grupo de trabalho” atuando na Procuradoria-Geral da República – mas este costuma mais atrapalhar do que ajudar.

Neste intervalo, foram oferecidas 130 denúncias criminais.

Assassinatos do Brasil equivalem a bomba nuclear detonada no Japão








Marlos Ápyus em Notas

Assassinatos do Brasil equivalem às mortes de bomba nuclear detonada no Japão

Foram 61.619 "mortes violentas intencionais" somadas só no ano de 2016



O Anuário Brasileiro de Segurança Pública foi atualizado com os dados de 2016. E infelizmente confirmou-se o que todos temiam. O Brasil está mais violento do que nunca. Foram somadas 61.619 mortes violentas intencionais, o pior resultado já registrado. Na prática, é como se a cada horas sete brasileiros fossem assassinados.

Proporcionalmente, de cada grupo de cem mil habitantes, 29,9 brasileiros são vítimas de homicídios. Mas a taxa piora bastante a depender da unidade da Federação. A pior foi medida em Sergipe, que atingiu 64 de média.

O próprio anuário encontrou a comparação. “Os mais de 61,5 mil assassinatos cometidos em 2016 no Brasil equivalem, em números, às mortes provocadas pela explosão da bomba nuclear que dizimou a cidade de Nagasaki, em 1945, no Japão“.


É uma tragédia humanitária. Mas, em Brasília, quem deveria se focar no problema segue mais preocupado em fugir da cadeia.
Rio de Janeiro

  • TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM MEAM

  • A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las. (Santo Agostinho)



  • Não é o suplício que faz o mártir, mas a causa. (Santo Agostinho)

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