Boletim IPCO - Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Domingo de Ramos
Posted: 20 Mar 2016 06:12 AM PDT
Ora, quantas e quantas vezes, é depois de termos glorificado a Nosso Senhor ardentemente, por nossos atos ou ao menos depois de termos tomado com os lábios ares de quem O glorifica, que caímos em pecado e O crucificamos em nosso coração!
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Domingo de Ramos
Por Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de março de 2016Sem comentários
Ora, quantas e quantas vezes, é depois de termos glorificado a Nosso Senhor ardentemente, por nossos atos ou ao menos depois de termos tomado com os lábios ares de quem O glorifica, que caímos em pecado e O crucificamos em nosso coração!
Conjunto escultural no claustro da igreja paroquial de Altötting (Baviera)
Um defeito, que diminui frequentemente a eficácia das meditações que fazemos, consiste em meditar os fatos da vida de Nosso Senhor sem qualquer aplicação ao que sucede em nós, ou em torno de nós. Assim, espanta-nos a versatilidade e ingratidão dos judeus, já que estes, depois de proclamarem, com a mais solene recepção, o reconhecimento que deviam ao Salvador, pouco depois O crucificaram com um ódio que a muitos chega a parecer inexplicável.
Entretanto, essa ingratidão e essa versatilidade não existiram apenas nos judeus dos tempos da existência terrena de Nosso Senhor. Hoje ainda, no coração de quantos fiéis, tem Nosso Senhor a suportar essas alternativas de adorações e de vitupérios? E isto não se passa apenas no recesso geralmente indevassável das consciências. Em quantos países, Nosso Senhor tem sido sucessivamente glorificado e ultrajado, a curtos intervalos de tempo?
Não empreguemos nosso tempo exclusivamente em nos horrorizarmos diante da perfídia do povo deicida.Para nossa salvação nos será utilíssimo refletirmos em nossa própria perfídia. Olhos postos na bondade de Deus, poderemos, assim, conseguir a emenda de nossa vida.
Ninguém ignora que o pecado é um ultraje feito a Deus. Quem peca mortalmente expulsa Deus de seu coração, rompe com Ele as relações filiais que Lhe deve como criatura, e repudia a graça.
Assim, há uma frisante analogia entre o gesto dos judeus, matando o Redentor, e nossa situação, quando caímos em pecado mortal.
Ora, quantas e quantas vezes, é depois de termos glorificado a Nosso Senhor ardentemente, por nossos atos ou ao menos depois de termos tomado com os lábios ares de quem O glorifica, que caímos em pecado e O crucificamos em nosso coração!
O mesmo se dá com muitas nações contemporâneas. Reúnem manifestações católicas imponentes, em que glorificam publicamente Nosso Senhor. Ao mesmo tempo, os estadistas por elas mantidos no poder tramam, ora em silêncio, ora de maneira apenas disfarçada, a ruína das instituições católicas e a derrocada da civilização contemporânea, nos seus lineamentos ainda cristãos! Assim, enquanto tais católicos proclamam seu amor à Igreja de Cristo, por sua negligência, por sua tibieza, por sua indiferença, permitem que a Igreja seja lentamente manietada, que sua influência seja sabiamente solapada, que sua atividade seja disfarçadamente impedida, a fim de que, no dia em que soar a hora do ataque violento, a reação se tenha tornado inteiramente impossível.
Evidentemente, povos como esses, depois de terem aclamado Nosso Senhor como Rei ou enquanto o faziam, preparavam perseguições e tristezas que pouco variavam da grande e divina tragédia da Semana Santa.
Graças a Deus, porém, não é apenas a versatilidade e a perfídia dos judeus que sobrevive em nossos dias. Também se encontram – e como são comovedores – gestos que lembram de modo irresistível a piedade tão meiga para com Cristo e tão sobranceira perante seus perseguidores, de Verônica.
Se é certo que nossa época se assinala por grandes e inesperadas defecções, não é menos certo que o historiador verá nela, futuramente, uma época de grandes santos, admiráveis pela virtude da fortaleza, da prudência, da temperança e da justiça, das quais o mundo parece tão radicalmente esquecido.
Nosso Senhor, indubitavelmente, é muito ultrajado em nossos dias. Sejamos nós algumas daquelas almas reparadoras, que, se não pelo brilho de nossa virtude, ao menos pela sinceridade de nossa humildade – humildade inteligente, razoável, sólida, e não apenas humildade de palavrório sonoro e pescoço torto – reparemos nestes dias santos, junto ao trono de Deus, tantos ultrajes que, incessantemente, Lhe são feitos.
Publicado originalmente em “O Legionário”, nº 447, 6 de abril de 1941 com o titulo: “Ramos”
Domingo de Ramos, Jesus Cristo, meditação, O Legionário, Plinio Corrêa de Oliveira, Quaresma
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Sobre Plinio Corrêa de Oliveira
Homem de fé, de pensamento, de luta e de ação, Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) foi o fundador da TFP brasileira. Nele se inspiraram diversas organizações em dezenas de países, nos cinco continentes, principalmente as Associações em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização Cristã. Ao longo de quase todo o século XX, Plinio Corrêa de Oliveira defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente Cristão contra os totalitarismos nazista e comunista, contra a influência deletéria do "american way of life", contra o processo de "autodemolição" da Igreja e tantas outras tentativas de destruição da Civilização Cristã. Considerado um dos maiores pensadores católicos da atualidade, foi descrito pelo renomado professor italiano Roberto de Mattei como o "Cruzado do Século XX".
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