Páginas

quarta-feira, 15 de março de 2017

Alerta Total






Alerta Total


  • Verdades que incomodam a Petrobras

  • O demagógico teto salarial dos magistrados

  • Um prejuízo para o Foro de São Paulo de Lula

  • Rabo de Foguete

  • A violência que a lei protege (4)

  • Governadores e Finanças Estaduais

  • Caçados x Cassadores

  • Rússia – Outubro de 1917



Verdades que incomodam a Petrobras

Posted: 14 Mar 2017 02:46 PM PDT







2ª Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net






Soou como "chantagem emocional inútil" a velada ameaça feita pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente, de que, se a empresa ao vender ativos, pode ser obrigada a reduzir custos ou investimentos, além de "reajustar o preço dos combustíveis", porque a petrolífera tem uma dívida líquida superior a US$ 100 bilhões. Em entrevista a O Globo, Parente reclamou da "reação ideológica contra a venda de ativos", mas ressaltou que o programa de "desinvestimento" é fundamental para garantir o futuro da companhia.






A direção da Petrobras deveria atentar para algumas verdades que a mídia amestrada prefere não tratar. O rombo que compromete o futuro da Petrobras é causado pelo maior crime societário da História – que nem a competente investigação da Lava Jato tem força política suficiente para investigar, processar e condenar de maneira ampla, total e irrestrita. Não foi à toa nem de graça que a Comissão de Valores Mobiliários, em recente decisão, mandou a Petrobras republicar seus balanços a partir de 2013. A combinação entre corrupção e incompetência arrasaram com a Petrobras, causando prejuízos aos seus acionistas e à sociedade brasileira.






Falar de aumento do preço da gasolina e do diesel chega a ser um deboche com quem tem neurônios funcionando minimamente. A manipulação da política de preços da Petrobras, feita sem transparência, é uma das causas do desastre da estatal de economia mista. Alega-se que a empresa vende combustíveis abaixo do preço real – influindo até no etanol (que não é derivado de petróleo). Como o transporte no Brasil é majoritariamente rodoviário, as decisões influem diretamente no índice de inflação.






Também tem um outro lado da moeda. Embora o preço do barril de petróleo esteja na faixa de US$ 50 dólares, fica muito complicado explicar para a massa ignara como os EUA conseguem vender gasolina tão barata, ao contrário do que acontece no Brasil. Curioso também é como as reduções de preços praticadas pela Petrobras não beneficiam o consumidor na bomba, certamente por causa dos cartéis... Agora, quando Pedro Parente fala em subir os preços, ninguém entende por que, recentemente, ele baixou tanto...






Na verdade, a Petrobras é influenciada politicamente por sua acionista majoritária – a União Federal. O Presidente Michel Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mandam segurar os preços do diesel e da gasolina. A Petrobras obedece... Na Era Lula-Dilma era a mesma coisa... O objetivo é sempre impedir a alta da inflação – cujo índice oficial fica sempre muito distante daquela desvalorização real da moeda medida pela "sabedoria das donas de casa" (como diria o maridão da bela Marcela).






A inflação verdadeira no Brasil está em 11 por cento. A selic em 12,5. O juro real fica em torno de 1,5 a 2 por cento. Os juros norte-americanos são de 0,75 ao ano. Como a inflação de lá é maior que isto, os juros reais nos EUA são negativos. Por isso, o temor mundial com o efeito que pode gerar uma subidinha dos juros pelo Federal Reserve – o banco central privado dos states.






Voltando à Petrobras, seus dirigentes precisam cair na real. Até agora, na Lava Jato, a empresa foi tratada como "vítima". A Força Tarefa concorda com tal tese. Investidores da companhia, no entanto, discorda, abertamente. Tanto que processam a petrolífera na Corte de Nova York. Já os defensores dos investidores brasileiros se dividem: uns apostam que ações cíveis públicas vão resolver o problema, enquanto outros estudam como partir para a "arbitragem" prevista no Estatuto da companhia.






Uma outra via pode surgir, comprovando que a Petrobras não é vítima, mas sim a causadora direta de prejuízos mi ou bilionários contra quem apostou alto em seus planos de negócios.






Independentemente da tese que for escolhida, um consenso no mercado é que o Ministério Público e o Poder Judiciário precisam debruçar toda a atenção sobre os crimes societários ainda não claramente expostos nos processos da Lava Jato.
Releia a primeira edição desta terça-feira: Um prejuízo para o Foro de São Paulo de Lula






Dia de Fúria?






Caso se confirmem as paralisações de transportes em São Paulo e em outras grandes capitais, a quarta-feira tem tudo para registrar uma onda de protestos contra tudo e contra todos.






È enorme a chance de pequenas – porém qualitativas – manifestações se transformem, brevemente, em grandes atos públicos – semelhantes aos que derrubaram Dilma Rousseff.






Colabore com o Alerta Total






Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente com o Alerta Total poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades.

Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções:

I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil.


Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão.






II) Depósito em Conta Poupança da Caixa Econômica Federal ou em agências lotéricas: 2995 013 00008261-7, em favor de Jorge Serrão.

OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim.

III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.






Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!





O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 14 de Março de 2017.


O demagógico teto salarial dos magistrados

Posted: 14 Mar 2017 02:43 PM PDT








Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Francisco Pinheiro Rodrigues






Cada vez com maior franqueza — com verdades e meias verdades —, políticos, jornalistas e advogados investem contra o Poder Judiciário e o Ministério Público. Eles têm razão apenas com relação aos "penduricalhos" remuneratórios que procuram contornar o "teto" salarial imposto aos ministros do Supremo Tribunal Federal, agora — a partir de janeiro de 2017 —, no valor de R$39.293,00.






A "suculenta" cifra sugere nababesca riqueza mensal, como se ela viesse inteirinha para o patrimônio do juiz, ou do promotor, vez que ambos costumam ser igualmente remunerados.






Essa gorda e invejável remuneração máxima sofre, porém, um forte regime de emagrecimento já "na boca do caixa", antes dela chegar às mãos dos magistrados, tornando-se algo efetivamente "usufruível" pelos destinatários. Vejamos, a seguir, se esse teto salarial é realmente milionário.






Friso que na demonstração abaixo levo em conta apenas o ganho mensal dos juízes que mais recebem no país, os, digamos, "marechais" togados — onze ministros do Supremo Tribunal Federal. Os demais magistrados, a "tropa" — cerca de 15 mil "soldados" de primeira instância —, ganham progressivamente menos, conforme a escada remuneratória da carreira.


Vejamos o que acontece com a mais alta remuneração do magistrado brasileiro. Antes, porém, para quem não sabe, uma rápida explicação sobre a carreira dos juízes.






Magistrados de carreira começam — após difíceis concursos públicos de títulos e provas, em geral prestados mais de uma vez — como juízes substitutos de primeira instância. Muitos candidatos desistem, depois de várias tentativas. Os aprovados, subindo gradativamente na carreira, de entrância para entrância, são forçados a mudar de residência, a cada promoção, porque o juiz é obrigado a residir na comarca em que trabalha. Isso, obviamente, é um incômodo para ele e sua família, o que explica porque muitos bacharéis, bem preparados, prefiram advogar no conforto dos grandes centros, ou nas cidades onde cresceram.






Convém também esclarecer que muitos juízes se aposentam sem chegar à segunda instância, onde ser transformariam em desembargadores. Não chegando ao ápice da carreia, sua remuneração será bem inferior à do ministro do STF.






A propósito da chegada ao "topo", é um tanto paradoxal que, por exemplo, na atual composição do STF, dos onze ministros, só três deles se tornaram magistrados após concurso público de ingresso na carreira: o decano Celso de Mello, que ingressou — em 1º lugar — no Ministério Público de São Paulo; Rosa Weber, aprovada, com distinção, na Justiça do Trabalho, e Luiz Fux, que passou, também em 1º lugar, em concurso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Os oito Ministros restantes são oriundos da advocacia, do magistério, ou do Superior Tribunal de Justiça, onde foram juízes, mas não de carreira, isto é, não concursados. Estavam no STJ por força do quinto constitucional. Trabalhavam antes como advogados ou promotores de justiça escolhidos pelas respectivas classes para "oxigenar" os tribunais com gente de fora da magistratura, com diferente visão dos fenômenos sociais.






Não obstante o conjeturável "calo", ou "boca entortada pelo cachimbo


profissional", tais juízes, no geral, têm se revelado bons julgadores, comprovando a capacidade de adaptação do ser humano a novas profissões. Se houver algum resíduo de influência da profissão anterior, essa influência vai, com o tempo se enfraquecendo, ainda que possam, talvez, não desaparecer inteiramente, o que nem sempre é um mal. Mais difícil de modificar é o temperamento de todo juiz, não a profissão exercida antes.






A propósito dessa maior proporção de não-concursados no STF, convém alertar os juízes de carreira — aqueles com ambições mais altas — que não se limitem "apenas" a trabalhar incansavelmente, julgando o máximo de processos possível no mês, gastando a totalidade de seu tempo e energia no trabalho de ler processos, pensar e decidir dando o melhor de si, em estilo direto e simples, sem "adornar" seu trabalho com citações eruditas. "Curto e grosso", no bom sentido, mas certeiro, embora sem brilho teórico.






Esse trabalho, algo anônimo, infelizmente não impressionará o mundo político na hora de escolher nomes para ocupar as vagas nos Tribunais Superiores, em Brasília. É aconselhável, quase imprescindível, fazer cursos no Exterior, escrever livros, artigos, aprender novas línguas, lecionar, frequentar mestrados, doutorados e academias. Transcrever, nas suas sentenças, doutrinas estrangeiras e, finalmente — cereja no bolo —, ser sociável. Não só ampliando seus conhecimentos de Direito Comparado mas também criando "visibilidade jurídica", sem a qual nunca será lembrado no mundo político, ou jurídico-político. Modesto demais, será considerado "um juiz provinciano". Em suma, sem "vitrine", seu futuro não será "brilhante". Será apenas um "pé de boi"; esforçado, "até bom juiz, mas provavelmente de não muitas luzes". Não lhe bastará ser infatigável abelha, precisa também ser vagalume.






Ocorre que essa "vitrine" custa dinheiro. Viagens, estadias, cursos, aulas particulares não saem de graça. Daí a necessidade do juiz ganhar bem.






Pelo visto, a mídia acha que todo juiz tem a obrigação de fazer voto de pobreza. Ele, na quase totalidade, não faz voto nem de pobreza, nem de riqueza, mas acha-se com o direito de manter seus filhos — convém, por economia, ter no máximo dois, e olhe lá... — em escola particular, geralmente cara; contratar plano de saúde que dê cobertura total à família inteira; pagar serviço odontológico de qualidade, etc. Enfim, manter um padrão de vida de classe média.






Se o juiz passa a viver no estilo de São Francisco de Assis — parecendo um "pobretão" —, sabe o leitor como será visto pela população em geral? Como um "juizéco", ou "funcionariozinho mequetrefe", tal a automática associação de ideias entre "dinheiro " e prestígio profissional. O taxista, o açougueiro, o cozinheiro, o PM, vendo o juiz malvestido entrando no seu carro velho logo pensa: "Esse cara não pode ser mais importante do que eu..."






Já o arrogante milionário, chefão do tráfico de entorpecente, mesmo preso, vendo uma foto do juiz que o condenou, será mais severo: — "Foi esse mendigo, esse bos..., esse inseto — incapaz de ganhar dinheiro como homem de verdade —, que me condenou? Que ingrato! Será que ele não sabe que só continua vivo porque eu não decidi mandar apagá-lo?"






Voltando ao ganho dos ministros do STF, o Imposto de Renda, descontado na fonte, de 27,5%, "come" R$10.805,57. A esse desconto some-se o percentual de 11% (R$4.322,23) para efeitos previdenciários, mesmo que o magistrado já esteja aposentado (?!). Enfim, resta o ganho mensal, desfrutável, de R$24.127,00.






Ocorre que quanto mais velho o indivíduo, mais alta a mensalidade cobrada pelos planos de saúde. Para não ter que depender do SUS — talvez deitado em corredores de hospitais, sujeito a infecção hospitalar —, ele vê-se forçado a contratar planos de saúde que deem cobertura total, para todas as doenças.






Falei em cobertura? Nem sempre ela funciona inteiramente. Os médicos mais prestigiados não mais atendem aos segurados dos planos de saúde, porque a remuneração deles, pelos planos, é muito baixa. Só atendem com consultas particulares, cobrando entre seiscentos e mil reais cada consulta. Tenho conhecimento próprio do assunto. E o "reembolso" é mínimo, ridículo.






Por que, mesmo assim, há necessidade de um plano de saúde? É que corpos humanos antigos, ainda caminhando, têm o mau costume de manifestar os mais variados sintomas, a exigir exames e mais exames, com tratamentos sofisticados. Como os juízes, na ativa ou aposentados, na sua maioria, são conservadores em termos conjugais, o mais comum é que, idosos, tenham como esposas senhoras igualmente idosas, que também merecem uma boa cobertura de saúde, caríssimo.






Como mero exemplo, aposentado, pago à SulAmérica, mensalmente, a quantia de R$5.850,00, pelo casal. Resta, portanto, como quantia "gastável", o valor de R$18.316,00 para o ministro do Supremo. E não seria justo, nem cristão, que os magistrados fossem aconselhados — por mero cálculo financeiro —, a trocar periodicamente de esposa, casando com mulher nova, com isso pagando mensalidade menor no plano. Trocas semelhantes costumam agravar a situação do romântico tardio, porque esposa desprezada fica com direito de receber uma pensão bem superior ao lucro oriundo da diminuição da despesa com troca de mulher idosa por mulher nova. E se o magistrado foi imprudente a ponto de ter que pagar duas pensões alimentícias, seu destino financeiro será horrendo. Viverá angustiado, suado, pendurado em bancos, tendo que lecionar — a única atividade permissível ao juiz em atividade — e apertar o cinto continuamente na. Mas, com o número excessivo de processos aguardando julgamento, é até impatriótico o juiz dedicar horas preciosas preparando e dando aulas. Quanto mais aulas, menos sentenças.






Outra despesa, praticamente inevitável, que vai "roendo" o vistoso "teto salarial do STF": a contratação de uma empregada doméstica mensalista. Um salário razoável para um doméstica, de R$1.300,00 transforma-se em R$2.000,00, considerando os encargos de INSS,FGTS, 13º, etc. Restam, portanto, R$16.316,00.






Muitos magistrados moram em condomínios. Tendo em vista despesas condominiais e frequentes "extras" no prédio, pagando, digamos uma despesa mensal de R$2.000,00 mensais, sobram R$14.316,00. Agora, meus amigos, se ele tiver filhos em faculdade particular — nem todos podem entrar na USP — o que sobra ficará próximo, ou abaixo, do ganho de um taxista com carro próprio.






O custo mensal em uma faculdade particular de medicina, em outra cidade, não sai por menos de R$7.500,00, incluída a despesa com estadia. Se forem dois os filhos nessas faculdades, terá que cobrir o rombo com empréstimos bancários.






Magistrados não se locomovem de bicicleta. Usam, ou deveriam usar, automóveis particulares. Além disso, têm o mau hábito de comer, vestir, e todas as despesas inevitáveis nas grandes cidades. O que sobra, raramente "sobra", como comprova a situação de centenas ou milhares de juízes endividados em bancos.






No teto salarial do funcionalismo há muita demagogia. Prefeitos e governadores, até de estados importantes, recebem salários que só podem ser considerados como "simbólicos". Esse simbolismo é premeditado. Permite que o governador, quando nega aumento ao funcionário de alta especialidade sempre pode dizer, escorado na hipocrisia remuneratória: "— Como?! Você, engenheiro nuclear, quer ganhar mais do que eu, governador?!"






Se, porém, a justiça brasileira fosse rápida e funcional a população, muito grata, não faria críticas quanto à sua remuneração. Até faria questão de que os magistrados recebessem um salário superior ao atual. Isso porque a população, frustrada com conflitos de toda ordem, está com uma sede acumulada de justiça, que não pode ser excessivamente lenta. E por que ela não é nem rápida, nem eficaz?






A resposta é óbvia: porque nossa legislação processual é disfuncional, elaborada por quem não nunca foi juiz. Porém, como este artigo já está longo demais, cuidarei desse assunto, em outro artigo, daqui a alguns dias.






Voltando às críticas, na essência verdadeiras, contra os "super-salários", o que tenho a dizer, com resumida franqueza, é o seguinte: os "penduricalhos" são realmente artifícios para contornar um "teto" que a maioria dos juízes considera mera demagogia salarial. Eu, pelo menos, assim considero, mas também não aprovo algumas quantias exageradas, mencionadas na mídia, pagas em casos individuais.. Não as examinei, matematicamente, mas parecem altíssimas. Se referem-se a férias não gozadas, é o caso de a lei estabelecer limites para tais acúmulos de férias, pois se alguns desembargadores nunca utilizam suas férias e ainda estão vivos, sadios, elas, pelo visto não são necessárias.






Examinando, pela rama, reportagens comparativas de ganho nos jornais, parece-me que elas não refletem bem a realidade. Artigo de Alexa Salomão, de 20-8-16, no Estadão, diz que os juízes da corte máxima de Portugal ganham, por ano, R$134.000,00. Por mês, seria um salário, baixo, de R$11.166,00. Se descontados, como no Brasil, R$4.298,00 (IR e Previdência), restariam apenas R$6.869,00. Provento ridículo para um juiz da corte mais alta de Portugal. Quase isso eu pago mensalmente na SulAmérica, só no plano de saúde, como relatado no início.






Fala-se que o ministro da Corte Suprema americana ganha pouco. Pode ser, mas isso é facilmente explicável. É que influentes advogados, integrantes de grandes escritórios, quando os deixam, para trabalhar no órgão judiciário máximo, talvez continuem com alguma participação nos lucros do escritório, que não encerra suas atividades só porque seu "cabeça" passou a condição de ministro da Corte Suprema. Esse escritório, uma sociedade de advogados, torna-se particularmente atraente para novos clientes.






Não sei bem como funciona a coisa, nos bastidores, mas não acredito que os ministros da Suprema Corte americana vivam pobremente. Quem faz tais pesquisas comparativas talvez não conheça a fundo a realidade do país. Por exemplo, os ministros americanos têm assistência médica paga pelo governo? Para se saber, com exatidão, como são remunerados, comparativamente, os juízes nos vários países, seria preciso investigar os bastidores de cada Estado, não apenas pedindo uma informação burocrática, teórica, para comparar os ganhos com o nosso teto salarial. Talvez, também em outros países, os magistrados procurem aparentar um ganho, direto e indireto, menor do que o verdadeiro. Faz parte da natureza humana.






Os juízes brasileiros, que tanto estudaram, pretendem continuar sendo "classe média, média", e não "média, baixa". Constataram que, com as despesas mensais familiares — todas normais na classe média, como exemplificadas no início —, só escaparão de um progressivo endividamento bancário criando os tais "penduricalhos". Sem eles, teriam que tirar filhos de escola particular, usar contratar planos de saúde mais restritivos na cobertura, etc.






A Constituição Federal não estabelece qual o "quantum" do "teto". Diz apenas que ele não pode ser ultrapassado, seja qual for o argumento. O assunto, portanto é econômico e político, e assim terá que ser tratado.






A única solução para esse problema, que desprestigia enormemente um Poder, o Judiciário — que, sendo desarmado, depende muito da forma como é encarado pela população —, está na criação de uma Comissão Especial, dos três Poderes, na qual será estudada uma elevação do vigente "teto" com o simultâneo cancelamento de todos os "artifícios" remuneratórios atualmente pagos aos magistrados em atividade. Os aposentados não recebem esses acréscimos, que eu saiba.






Em "retribuição" a esse aumento, essa mesma Comissão Especial — composta de pessoas indicadas pelos três poderes — se comprometerão a apresentar, em três meses, um conciso e claro projeto de lei que modifique a legislação processual, penal e civil, atualmente em vigor, visando apenas acelerar e dar real eficácia à prestação jurisdicional. A legislação trabalhista não será cogitada nessa comissão porque o assunto já está sendo discutido no Congresso Nacional.






Aprovada a conclusão dessa Comissão — que tratará da elevação ou mesmo da abolição de "teto", e fará as alterações processuais visando a celeridade —, o projeto será enviado ao Congresso para votação. O que for aprovado, no aumento, cancelará o conjunto das vantagens que ultrapassam o teto então em vigor. Todos os "penduricalhos" serão cancelados, o que agradará a população.






Alguém poderá dizer que "isso tudo é muito complicado". É e não é. Tudo depende de como serão tratados os dois temas e quem serão os representantes dos três poderes nessa Comissão, que não deve ter mais de três ou cinco representes para cada Poder, com isso evitando o inevitável acúmulo de vaidades, protagonismos e autopromoção.






Devido à extensão deste artigo, não menciono quais seriam as alterações processuais saneadores do grande mal da morosidade. Posso apenas garantir ao leitor que a morosidade da nossa justiça é muito mais causada pela disfuncional, ingênua e vesga legislação do que pela suposta preguiça de nossos juízes. Há muita coisa, na justiça, que não passa de ritual inútil.






A mídia parece ignorar que o juiz — na área processual, principalmente —, é um escravo da lei. Ele frequentemente tem que trabalhar como que constrangido por uma "tornozeleira" mental. Não pode suprimir um caminho procedimental que está na lei. E não estou aqui incentivando o abuso do "ativismo", remédio que só deve ser usado com grande moderação, porque as cabeças não são iguais e a justiça não pode ser uma arca cheia de bússolas, cada qual com um norte diferente.






Em futuro artigo, direi o que deve ser feito para "acelerar". Com desculpa pela pretensão.





Francisco Pinheiro Rodrigues é Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo.


Um prejuízo para o Foro de São Paulo de Lula

Posted: 14 Mar 2017 03:25 AM PDT







Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net






Hoje tem Lula no cardápio da Lava Jato. Sérgio Moro ele só encontra, frente à frente, em 3 de maio. Nesta terça-feira, o "presidenciável" vai sentar na 10ª Vara Federal em Brasília. O juiz substituto Ricardo Leite ouvirá o réu petista no processo que apura se colaborou ou não para obstrução do judiciário nas investigações da Lava Jato. É previsível que Lula vai negar tudo, e aproveitará para posar de vítima de perseguição – como tem sido habitual.






O Grande Líder queria depor por videoconferência, mas o juiz exigiu presença. Lula e mais seis pessoas, incluindo o ex-senador Delcídio Amaral e o banqueiro André Esteves, são acusados de ter tentado comprar o silêncio de Nestor Cerveró, quando o ex-diretor internacional da Petrobras negociava uma delação com o Ministério Público Federal (MPF). Também são réus no caso o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula; o filho dele, Maurício Bulai; Diogo Ferreira, ex-assessor de Delcídio; e Edson Ribeiro, ex-advogado de Cerveró.






Lula não perde viagens para fazer campanha – sobretudo contra a Lava Jato. Ontem, na abertura do 12º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, Lula plantou ataques em seus inimigos preferenciais. O primeiro alvo foi o Presidente Michel Temer: "É o país de um golpista, da corrupção, os pobres estão desgraçados para o resto da vida". Lula também avisou qual será sua tática, antes mesmo de oficializar uma candidatura presidencial que pode nem se viabilizar: "Vou andar pelo País alertando o que está em jogo".








Lula fazendo demagogia ou depondo como investigado ou réu não é mais novidade. Notícia mais importante foi o grande golpe sofrido ontem pela bandidagem do Foro de São Paulo – aquela entidade fundada por Lula e Fidel Castro, em 1990, que mistura prática revolucionária radical com ações violentas de terrorismo urbano e rural. A Polícia do Rio de Janeiro encontrou nada menos que 40 milhões em notas de Bolívares (moeda da Venezuela) em posse de traficantes na zona portuária da Cidade Maravilhosa cheia de criminosos mil.






Equivalente a R$ 12 milhões, a grana estava em dois carros roubados. Não será difícil responder por que marginais cariocas optaram por guardar tanta quantidade de uma moeda de difícil transação internacional. A explicação mais fácil é que os recursos seriam usados na aquisição de drogas e, sobretudo, armas. Na Venezuela de Nicolas Maduro é fácil encontrar armamento ilegal e velho, porém letal, de países da velha cortina de ferro comandada pela União Soviética que se extinguiu no papel geopolítico, mas que continua viva na ideologia criminosa dos membros do Foro de São Paulo.

A grana achada com os bandidos foi adquirida em "operações legais" ou vem de "caixa dois" – que os marginais de fino trato no Congresso Nacional brasileiro desejam separar da grana obtida por vias corruptas. A quantidade de Bolívares só confirma como o Foro de São Paulo opera de modo financeiramente profissional. Este é um dos mecanismos de empoderamento da corrupção que merecem ser combatidos e destruídos imediatamente, antes que cause mais estragos ao País.






O assunto diz respeito à inteligência financeira. Merece atenção e atuação repressiva das Forças Armadas. Se a grana não veio em transações de câmbio autorizadas pelo Banco Central (pouco provável), certamente chegou ao tráfico carioca pelo mesmo sistema que entrega armas e drogas através de nossas desprotegidas fronteiras. A Polícia Federal, a Receita Federal e a inteligência do Exército, Marinha, Aeronáutica devem explicações à sociedade brasileira sobre o "achamento" de tanta nota com a efígie do Simon Bolívar.






De qualquer forma, vale comemorar o grande prejuízo imposto ao Foro de São Paulo cujo grande padrinho é Luiz Inácio Lula da Silva, o "walking dead" da politicagem tupiniquim. Lula deveria se candidatar à Presidência de Cuba ou da Venezuela. A ética e a decência não podem permitir que ele ouse retornar ao Palácio do Planalto, onde o petismo reinou por 13 corruptos anos, em parceria com as mesmas forças que permanecem por lá...






É por isso que não basta combater Lula ou o Foro de São Paulo. O fundamental é lutar pela mudança estrutural do Estado Brasileiro. Com Lula ou sem Lula, o mecanismo continua o mesmo. O Crime Institucionalizado seguirá promovendo sua Corrupção Sistêmica, enquanto a sociedade brasileira não acordar que a Intervenção Institucional é a única solução possível.




Retorno impossível





Releia a segunda edição de segunda-feira: STF pode soltar Cunha, Palocci e outros na Lava Jato
Leia, também, o artigo de José Padilha: Prioridade Zero






Bosta rain











Médicos e monstros











O craque voltou











Amigos para sempre






Canção tocada por Padilha e Moreira para Temer...













Colabore com o Alerta Total






Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente com o Alerta Total poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades.

Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções:

I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil.


Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão.






II) Depósito em Conta Poupança da Caixa Econômica Federal ou em agências lotéricas: 2995 013 00008261-7, em favor de Jorge Serrão.

OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim.

III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.






Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!





O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 14 de Março de 2017.


Rabo de Foguete

Posted: 14 Mar 2017 03:21 AM PDT








"País Canalha é o que não paga precatórios".






Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Carlos Maurício Mantiqueira






Será que a fruta agora cai da árvore?






Se for num zoológico o morango pode ser comido por um orangotango?






Será que o pinguim está perto do fim?






"Delator da Odebrecht diz que Padilha tinha 4 senhas para receber caixa 2


Segundo ex-executivo da empreiteira ao TSE, os códigos usados foram Foguete, Árvore, Morango e Pinguim" Estadão, edição digital, 11/03/2.017, às 16:58



Pantomima de quinta, não há mais quem graça sinta.






Vivemos a era do "Todos nos salvemos"?






Tropeçando no próprio cadarço, cairão ainda em março?






De nós fizeram de gato e sapato. Irão agora se esconder no mato?






Ouvirão o canto do uirapuru? Ou estão prestes a tomar na rima?






Quando dona Onça cair-se-lhes-á em cima?






Os que vivem na da fantasia ilha, apiadar-se-ão do que já entrou na trilha?






Termo catalão gravado no camburão.






Caminho da perdição batráquia ou morte em combate.






Pobre apedeuta, pobre vate.






Antes que a coisa expluda, a verão o bócio da desnuda?









Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador




A violência que a lei protege (4)

Posted: 14 Mar 2017 03:20 AM PDT








Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Renato Sant.Ana






Um juiz de direito reagiu a um assalto e matou dois bandidos. Em 09/02/2017, Ele estava numa lanchonete, em Uberlândia (MG), quando três assaltantes armados invadiram o local. Dois bandidos posicionaram-se em pontos estratégicos, dando cobertura a um terceiro que, encapuzado e portando um revólver, dirigiu-se ao caixa, ameaçando o proprietário da lanchonete.






Diz-se que ele se virou bruscamente na direção do magistrado (detalhe irrelevante). O juiz sacou uma pistola e, com grande perícia, deu-lhe um tiro letal e, ato contínuo, alvejou um segundo bandido, matando-o. O terceiro fugiu, sendo recolhido por um quarto que aguardava num automóvel.






Todos os dias, a toda hora, uma lanchonete, um supermercado, um ônibus, uma residência, um transeunte, alguém é alvo de bandidos que agem na certeza de que não haverá reação: a população está desarmada. O que se deu em Uberlândia é exceção!






Será que, além das figurinhas carimbadas que usam um falsificado discurso sobre "direitos humanos" para enganar a população, alguém negará que o juiz agiu em "legítima defesa"? Caberá dizer que houve excesso?






Poucas pessoas estarão, como aquele juiz, preparadas para usar uma arma de fogo. E farão melhor em não ter arma. Mas os bandidos não têm que saber quem está ou não preparado!






Quando o governo Lula desrespeitou o que a maioria dos brasileiros decidiu nas urnas (no plebiscito de 2005), o que fez foi desarmar o cidadão honesto e dar sinal verde à bandidagem. O resultado é violência urbana fora de controle, moradores do campo completamente desprotegidos e toda a população com a rotina alterada pelo medo.






Mas, são as "reformas por dentro" de que falam os petistas... Quanto tempo levaremos para restaurar todo o estrago que essa corja "empoderada" fez no Brasil?






Leia no Alerta Total o caso anterior da série (que continua) em:






http://www.alertatotal.net/2017/03/a-violencia-que-lei-protege-3.html





Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.


Governadores e Finanças Estaduais

Posted: 14 Mar 2017 03:18 AM PDT








Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Hélio Duque






A situação das administrações estaduais, nas unidades federativas de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, expressam-se na calamidade financeira. Em outros Estados, a crise fiscal demonstra que a saúde financeira da grande maioria não é confortável. Agravada nos últimos anos com a redução de tributos como o ICMS. Aqueles Estados buscaram a ajuda do governo da União, mergulhado em brutal recessão. Tornou-se impossível construir solução consistente para remediar a conjuntura calamitosa. Neles, o que mais pesa é a folha salarial dos ativos e inativos e as dívidas na escala dos bilhões de reais.






O Tesouro nacional aponta que, na relação dos 27 Estados, os gastos das despesas de pessoal com servidores ativos e inativos, em 9 deles, está acima dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Significa que o endividamento consolidado líquido é superior a duas vezes a receita corrente líquida. São eles: Paraná, Goiás, Paraíba, Distrito Federal, Roraima, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.






Em 2016, o déficit da previdência brasileira foi de R$ 316,5 bilhões. Nesse total, R$ 89,6 bilhões foi o déficit dos Estados e Distrito Federal. Existem Estados onde, para cada aposentado, existe um servidor na ativa. O déficit da previdência dos servidores estaduais é autêntica bomba relógio. Cresceu entre 2015 e 2016, em 22,5%. Projeta-se que, para 2020, deve ultrapassar R$ 120 bilhões. Os maiores desajustes estão em São Paulo, R$ 17,4 bilhões; Minas Gerais, R$ 13,9 bilhões; Rio de Janeiro, R$ 8,7 bilhões; e, Rio Grande do Sul, R$ 7,7 bilhões. A lista decrescente, em valores, atinge a totalidade dos Estados brasileiros.






O cientista político Fernando Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, observa: "Os Estados, vivem um paradoxo. Por um lado, são centrais de provimento dos serviços públicos: educação, saneamento, saúde, segurança e transporte. Por outro, as condições fiscais e financeiras para isso são muito ruins. As demandas por serviços públicos de qualidade só vão aumentar. Resolver a crise do Rio não resolve a crise dos Estados".






Na mesma direção o economista José Roberto Afonso, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, faz o alerta: "Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerias antecipam a crise de todos os Estados e, por algumas peculiaridades, a potencializam. Não por acaso, são os três em que mais pesam os inativos na folha salarial."






Observem que a grande maioria dos Estados nominados integram relação dos mais ricos e desenvolvidos, com expressiva população. A origem dos desajustes está em más administrações e pouco comprometimento com o equilíbrio das finanças públicas, ao longo de duas décadas. O caso do Rio de Janeiro é emblemático. Em 2010, recebeu da agência "Standard & Poor's", grau de investimento, passando a ser o Estado brasileiro classificado porto seguro para investimentos. Além dos fatos policiais envolvendo o seu então governador Sergio Cabral, no presente, a gastança irresponsável, sustentada pelo sonho e esperança na receita do petróleo, produziu o desastre com um rombo nas suas contas públicas de R$ 26 bilhões.






A situação de crise das finanças estaduais é preocupante e o diagnóstico do economista José Roberto Afonso, de que ela está presente em todos os Estados, potencializa realidade que não pode ser ignorada. Recorde-se que na década de 90, alicerçado no Plano Real, a União assumiu as dívidas dos Estados. A exigência foi o ajuste das contas estaduais e a limitação de se financiar e endividar. Os bancos públicos estaduais foram privatizados, à exceção, surpreendentemente, do banco estadual do Rio Grande do Sul. A Lei de Responsabilidade Fiscal definiria metas que não poderiam ser desrespeitadas. A conjuntura da economia brasileira, com a estabilização implantada pelo real, produziria dividendos positivos.






Hoje a realidade é adversa ante a crise profunda da economia brasileira mergulhada em monstruosa recessão. Agravada com a impossibilidade de praticar a "contabilidade criativa", que transformava dívida estatal em receita primária. Alguns governadores buscam a justiça para aprovar alterações nas suas responsabilidades de pagamento do passivo. Recentemente, o STF, (Supremo Tribunal Federal) em liminar, aprovou que as dívidas, ao invés dos juros compostos, que é norma elementar na economia, deveriam ser pagas fantasiosamente com juros simples. O absurdo kafkiano foi depois corrigido. A mudança significaria um encargo de R$ 400 bilhões para o governo federal.






Em uma palavra: a crise das finanças públicas dos Estados brasileiros é estrutural e exige que os seus governadores enxerguem essa realidade.









Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.




Caçados x Cassadores

Posted: 14 Mar 2017 03:15 AM PDT








Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli






Somos um País privilegiado, não apenas em relação ao foro, mas simplesmente por nos deparar com um admirável Brasil velho, carcomido pela corrupção no qual todos mostram suas armas e pretendem seguir o adágio quanto pior melhor. Está evidente que a representatividade
está morta e não funcionamos em termos de equilibrio entre sociedade civil e o parlamento.






O desserviço do desgoverno é gritante e os ventos dessa relação não são apenas em território nacional, mas em muitos países nos quais os radicais de esquerda e direita namoram com o poder. O mecanismo de empoderamento da corrupção precisa ser destruído e destronado. O nosso STF deve agir com celeridade e montar uma força tarefa para julgamento de todos os envolvidos direta ou indiretamente na corrupção.






Enfrentamos um sistema falido e ao mesmo tempo quase no terceiro ano do mandato do chefe de executivo. Somente agora a chapa corre o sério risco de ser cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral. No coração da globalização e no bojo da internet as notícias circulam com força quase vinculante, de um lado os que gostam de caçar empunhando armas de toda a espécie e natureza e doutro os cassados na política, no mundo empresarial e submetidos ao rumores de uma sociedade dividida e sem uma união nacional que fortaleça a representação.






Temos políticos em excesso mas nos falta um caminho político. Quem esta no poder procura dele se servir quem está fora quer destruir e esmagar por meio do comando da notícia e a exploração da mídia que defenestra as boas idéias e submete ao estado servil a nossa pequenez de cidadania.






Ninguém em sã consciência conseguiria imaginar que o Brasil do século XXI estaria assaz atrasado e corroído em toda a sua tessitura pelo contexto da fraude, do engano, do ludibrio e da pecha que torna esquelético o estado de direito, mediante a conduta temerária do crime organizado e de facções que nos impelem á irracionalidade, de total falta de segurança e completa anomalia dos serviços públicos.






Há saída para o Brasil de hoje? Dificil responder de chofre e numa previsão da sinalização do que poderá acontecer doravante. Todas as reformas nos bafejam, mas a principal e talvez a mais essencial seria da política e do modelo do voto, eliminar os profissisonais de plantão, e finalizar o voto obrigatório.






A espúria ligação entre público e privado se associa nas parcerias e o ganho é maior de poucos e os prejuízos maiores da muitos, assim a curto prazo não há uma solução sem o esmagamento de direitos e garantias conquistados desde a lei maior de 1988. Separar o dinheiro honesto do desonesto parece ser o nó górdio da questão,vejam que uma construtora ou incorporadora compra por uma bagatela um terreno e aumenta substancialmente o metro construído fatura milhões e quem paga o imposto sobre o ganho imobiliário é o consumidor o adquirente na oportunidade da alienação.






E assim caminha o Brasil privilegiando os que podem pressionar nosso parlamento e estabelecer regras que acabem com o contribuinte. Estados e comunas falidos e continuam caçadores a apregoar um País das trevas,e doutro ponto de vista os cassados políticamente ou pela vontade do eleitor querem ser libertos e propagar que a verdade é diferente e que mergulhemos na mentira que nos circunda desde o descobrimento.






Os marqueteiros conseguiram eleger nulidades e os valores desviados podem alcançar um terço do produto interno bruto, e sem uma renúncia coletiva de todos os políticos que formam o parlamento a solução é mais complexa. Noutro giro executivo, legislativo e judiciário chegaram ao extremo do desserviço e não realizam como esperado as funções destinadas pela constituição federal.






Vivemos de remendos e quase cem emendas constitucionais,a cravar a necessidade inadiável de uma carta política enxuta e mais funcional. Sem uma reforma da representatividade e extinção da maioria dos partidos políticos desnecessários, perdulários e visionários, além da mudança do poder de controle de empresas envolvidas na corrupção,o resultado será inócuo e pífio.






Institucionalizou-se no Brasil a corrupção sistêmica e todos se defendem pilhados em flagrante ao atribuir o modo comportamental a cultura e a mentalidade reinantes no Brasil. De uma população que supera duzentos milhões de habitantes,a grande maioria vive de parcos salários e com preços inflacionários,um desemprego que atinge 13 milhões e tudo isso não se altera.






Quem pode se manda para o exterior ou tenta com todo o empenho uma boquinha com cargo de indicação para minar a concorrência e robustecer
a nossa silenciosa revolução que costuma ser destoante da vontade popular. Os leigos falam na judicialização de tudo, mas executivo e legislativo somente fazem tudo em causa própria o equiíbrio entre os poderes se resume no cumprimento de suas funções.






O judiciário não age sem provocação, mas sim por iniciativa dos interessados e se a falência é moral, ética de valores pessoais, o judiciário tem bem menos corrupção e sua instrumentalização busca uma solução a qual não chegaram os demais poderes. A facilitação do acesso à justiça criada pela carta cidadã esfacelou as funções da jurisdição e tornou inviável a nossa própria justiça.






Eis que os detentores do foro privilegiado têm a presunção de inocência e quando não acontece a prescrição ela- a nossa classe política- desacredita da legalidade e da legitimidade e esbanja sinais evidentes de enriquecimento ilícito. Pensar, sonhar e redesenhar o Brasil de amanhã pugna ser uma luta constante, mas enquanto permanecermos na mesmice dos caçadores que jogam quanto pior melhor e para os cassados que se apresentam inocentes.






Não deflagaremos uma verdadeira e autêntica Nação, e o que nos falta, sobretudo, é uma sociedade unida e que abrace a representatividade,sob pena de no futuro convivermos com as idiossincrasias do passado não debeladas pela covardia das instituições no presente.









Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.




Rússia – Outubro de 1917

Posted: 14 Mar 2017 03:13 AM PDT








Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Carlos I. S. Azambuja






O texto abaixo é um dos capítulos do livro "A Luta de Classes na União Soviética", escrito porCharles Betelheim, editora Paz e Terra. Charles Bettelheim (20 de Novembro de 1913 - 20 de Julho de 2006) foi um economista e historiadorfrancês. Fundador do CEMI ("Centre pour l'Étude des Modes d'Industrialisation" - Centro para o Estudo de Modos de Industrialização) na Sorbonne;foi também consultor econômico em governos de vários países em desenvolvimento durante a descolonização. Foi muito influente na Nova Esquerda Francesa, e é considerado "um dos mais notáveis marxistas do mundo capitalista" (Le Monde, 4 de Abril de 1972) em França, mas também em Espanha, Itália, América Latina e Índia.




"Poder concentrado sempre foi inimigo da liberdade" (Ronald Reagan)




-----------------------




Em outubro de 1917, o papel dirigente do Partido bolchevique sofreu algumas limitações que acarretaram conseqüências importantes ao curso posterior da revolução e às relações entre os diferentes aparelhos do Estado.




A primeira dessas limitações – que constitui um traço específico da situação revolucionária do momento – trata-se do fato de, por ocasião da Insurreição de Outubro, o papel dirigente do Partido Bolchevique afirmar-se, essencialmente, em relação às massas operárias, enquanto mostrava-se ainda relativamente débil n o tocante ao campesinato. Essa limitação terá conseqüências muito importantes, pois o Partido encontrará, depois, dificuldades para modificar radicalmente a situação nesse aspecto.






É verdade que durante a guerra civil uma parte decisiva do campesinato aceitou a direção política – sobretudo no domínio militar – do Partido Bolchevique. Ao combater sob sua direção, ela permite que o poder soviético derrote os guardas brancos e as tropas de intervenção estrangeiras, mas tal adesão não significa que as massas camponesas tenham aceito integralmente as idéias revolucionárias, nem mesmo no tocante a uma parte das medidas imediatas.




A segunda limitação do papel dirigente do Partido Bolchevique diz respeito a fato de que, mesmo no seio da classe operária, seu papel ideológico é dominantemente político. O eu penetrou amplamente numa parte decisiva das massas operárias não foram as idéias fundamentais do marxismo revolucionário – as que explicitam as perspectivas socialistas e permitem compreender as exigências da marcha para o comunismo -, mas, acima de tudo, as que correspondem ao que Lenin chama de "tarefas imediatas".




Em conseqüência dessas diversas limitações e das tarefas imediatas da Revolução, o Partido Bolchevique não podia fixar como objetivo – uma vez implantado o Poder Soviético - o início imediato das tarefas de transformação socialista. Assim, em 1917, e princípio de 1918, o Partido considerou, a justo título, que procurar alcançar imediatamente os objetivos socialistas, exceto em determinados pontos, seria utópico, e, portanto, mortalmente perigoso.




Esta limitação necessária e momentânea das tarefas é, então, objetivo de numerosas observações de Lenin – e de outros dirigentes bolcheviques -. Nas Teses de Abril, por exemplo, Lenin afirma:




"Nossa tarefa imediata não é "introduzir" o socialismo,mas apenas passar imediatamente ao controle da produção social e à repartição dos produtos pelos sovietes de deputados operários".




Essa tarefa foi reafirmada pouco antes da Revolução de Outubro, proclamada novamente no dia da insurreição e reiterada com vigor seis meses depois.




Veremos que Lenin recorda então constantemente que a Rússia apenas iniciou a passagem para o socialismo. Assinala que as realizações de Outubro de 1917 e do período entre Outubro e abril de 1918, embora essenciais, são ainda os primeiros passos em direção ao socialismo.




Lendo a maior parte das obras de Lenin, constata-se que a razão principal pela qual ele considera que não se pode ir mais depressa e mais longe na direção do socialismo, inscreve-se na conjuntura constituída pela desordem econômica, a desorganização, a fome etc. Mas essa razão principal é efeito de uma razão fundamental ligada ao tipo de direção que o Partido Bolchevique pôde então exercer. Isto é, às limitações que caracterizaram na ocasião o papel dirigente do Partido. Constata-se, assim, que o Partido acredita ser possível passar diretamente ao comunismo desde a segunda metade de 1818, quando a situação econômica é ainda grave, mas lhe parece que as condições políticas e ideológicas modificaram-se profundamente com as massas camponesas aliando-se ao Poder Soviético a fim de se opor com sucesso aos guardas brancos e às tropas imperialistas.




Nesse período da guerra civil, o papel dirigente do Partido ampliou-se consideravelmente, mas não a ponto de lhe permitir, sem graves riscos, afastar-se fundamentalmente da linha traçada em 1917, fato que o levou a levantar o problema das condições da marcha para o socialismo, em termos essencialmente análogos, embora modificados em alguns pontos fundamentais, aos que foram impostos quase quatro anos antes.




O que foi dito sobre o papel dirigente do Partido Bolchevique, suas característica e limitações, em Outubro de 1917 e logo após, permite-nos discutir o problema das formas do Poder Proletário e de suas características específicas nessa época.





Carlos I. S. Azambuja é Historiador.



You are subscribed to email updates from Alerta Total.

To stop receiving these emails, you may unsubscribe now.

Email delivery powered by Google


Google Inc., 1600 Amphitheatre Parkway, Mountain View, CA 94043, United States

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Da Justiça a clava forte