Alerta Total
STF pode soltar Cunha, Palocci e outros na Lava Jato
Prioridade Zero
E se Lula voltar a ser Presidente?
Trégua
A violência que a lei protege (3)
Horror Jurídico
A Ditadura do Proletariado e as relações de classe logo após os acontecimentos de outubro
STF pode soltar Cunha, Palocci e outros na Lava Jato
Posted: 13 Mar 2017 01:37 PM PDT
2ª Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Não serão apenas as prisões preventivas da Lava Jato, antes de condenação final, que podem ser revisadas pelo Supremo Tribunal Federal – conforme uma "fonte" não identificada vazou para a Reuters. Além de soltar empresários e políticos presos em Curitiba e adjacências, o STF pode rever a posição sobre a prisão de réus condenados em segunda instância, antes do famoso "trâmite transitado em julgado". O problema é a repercussão negativa que as libertações terá em uma opinião pública que elegeu o combate à corrupção como prioridade.
Há dois motivos para a "reinterpretação". O primeiro é uma violenta pressão de bastidores – ainda mais que as delações da Odebrecht tendem a tornar mais de uma cento e setenta e tantos políticos candidatos à "presidiário". O segundo argumento – também fruto de pressão interna fortíssima nos meios jurídicos – é que a Constituição brasileira e a nossa tradição jurídica asseguram que alguém é inocente até prova em contrário, depois de esgotados todos os recursos judiciais (que no Brasil parecem infindáveis, sobretudo para quem pode pagar bancas de advocacia caríssimas).
Reportagem de Lisandra Paraguassu e Antony Boadle, da Agência Reuters, antecipou a indiscrição de "uma fonte com conhecimento direto do assunto": "O Tribunal vai daqui a pouco, em poucos meses, talvez no próximo mês, começar a liberar pessoas da Lava Jato que estão presas em Curitiba. Certamente isso vai acontecer".
Ficou claro que a decisão de revisar prisões decretadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro será tomada pela 2ª turma do STF – formada pelos ministros Edson Fachin (relator da Lava Jato), Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello.
Gilmar Mendes é apontado como um dos defensores da revisão: "Acho que temos um encontro marcado com essas alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre esse tema que em grande estilo discorda e conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos".
Nos bastidores, é violenta a pressão para que sejam libertados dois ilustres presos, ainda sem condenação pela Lava Jato: Antonio Palocci Filho e Eduardo Cunha. O primeiro hoje se tornou ainda mais suspeito, depois que o empreiteiro Emílio Odebrecht admitiu, em depoimento a Sérgio Moro, que Palocci pode ter sido um grande operador de propinas do PT... O segundo dá sinais de que, mesmo de dentro da cadeia, continua influindo nas grandes decisões na Câmara Federal...
A Força Tarefa da Lava Jato tem todos os motivos para temer que o STF reveja a decisão sobre prisões preventivas. A "revisão" do STF pode ocorrer antes de 3 de maio, quando o juiz Sérgio Moro marcou o depoimento esperadíssimo de Luiz Inácio Lula da Silva – que antes ameaça se lançar candidato ao Palácio do Planalto pela sexta vez. Tudo para gerar um factóide que tente reduzir o impacto da vergonha de ficar frente a frente com Moro, no papel de réu.
Lula, que é um legítimo "Walking dead", promete shows se fingindo de vítima... Mas as provas robustas de corrupção contra o PT que ele sempre chefiou tornam o teatrinho muito complicado de ser encenado com sucesso eleitoral.
Feminicídio no Brasil
O conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e coordenador da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), Valter Shuenquener, apresenta nesta quarta-feira, em Nova York, o painel "Femicide in Brazil: a national strategy to avoid impunity" (Feminicídio no Brasil: uma estratégia nacional de enfrentamento à impunidade).
O evento é organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Europeia.
O convite para o evento foi feito pelo embaixador do Brasil nas Nações Unidas, Mauro Vieira, motivado pela redução expressiva do número de inquéritos policiais sobre o crime em razão do oferecimento de centenas de denúncias no âmbito do projeto.
De um total de 3.213 inquéritos que investigam o feminicídio nos 27 estados da Federação, 1.540 já tiveram denúncia oferecida à Justiça, 192 foram arquivados, 86 desclassificados e 1.395 investigações estão em curso.
Prêmio CNMP 2017
As unidades do Ministério Público têm até o dia 29 de março para inscrever suas iniciativas bem-sucedidas no Banco Nacional de Projetos e concorrer ao Prêmio CNMP 2017.
As melhores práticas serão escolhidas por uma comissão julgadora e divulgadas durante a solenidade de abertura do 8º Congresso Brasileiro de Gestão do Ministério Público, prevista para o dia 2 de agosto, em Brasília.
Concorrerão trabalhos nas categorias: Defesa dos Direitos Fundamentais; Transformação Social; Indução de Políticas Públicas; Redução de Criminalidade; Redução de Corrupção; Unidade e Eficiência da Atuação Institucional e Operacional; Comunicação e Relacionamento; Profissionalização de Gestão; Tecnologia da Informação.
Mais informações sobre o Prêmio CNMP 2017 podem ser obtidas pelo e-mail cpe@cnmp.mp.brou pelos telefones (61) 3366-9268 e 3366-9237.
Releia a primeira edição desta segunda-feira: E se Lula voltar a ser Presidente?
Leia, também, o artigo de José Padilha: Prioridade Zero
Homem bomba
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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 13 de Março de 2017.
Prioridade Zero
Posted: 13 Mar 2017 01:22 PM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Padilha
Em minhas duas últimas colunas, escrevi acerca do que chamei de mecanismo. Ao fazê-lo, defendi uma tese: a de que a política e a administração pública brasileiras se organizam em função de uma estrutura de exploração do contribuinte por quadrilhas de políticos e de fornecedores do Estado.
Argumentei que essa estrutura afeta negativamente a economia do país, dado que seu mecanismo de funcionamento é incompatível com princípios básicos da boa administração, tais como a transparência e a eficiência no controle de custos. Além disso, disse que o mecanismo afeta negativamente a qualidade da administração pública, dado que ocupa os cargos-chave da administração com seus operadores e não com profissionais qualificados.
Acrescentei ainda que o fato disso ocorrer em todos os níveis da administração pública explica, pelo menos em parte, a situação falimentar recorrente de quase todos os municípios, estados e do governo federal, além de explicar a baixíssima qualidade da Segurança, da Saúde e da Educação pública. Sugeri ainda que os problemas que o mecanismo traz para a administração pública faz com que o país tenha uma propensão estrutural ao desequilíbrio nas contas públicas e que isso pode estar por trás dos recorrentes ciclos econômicos brasileiros.
Não propus, evidentemente, uma teoria geral dos ciclos econômicos. Me ative apenas aos tais voos de galinha do PIB nacional, fenômeno eminentemente tupiniquim. Finalmente, afirmei que o mecanismo não tem caráter ideológico, operando em todos governos, sejam eles de esquerda ou de direita, do PT, do PSDB, do DEM ou do PMDB.
Pois bem, a minha tese suscitou uma série de comentários em artigos e em posts na internet. Ótimo, um dos meus objetivos é gerar debate. Todavia, muitos comentários me pareceram preocupados com questões marginais, que ao meu ver apenas mistificam a situação grave em que o país se encontra. O fato do mecanismo ter existido em governos anteriores ao de Lula desculpa a corrupção do PT? O fato do PT ter exacerbado o impacto do mecanismo desculpa a corrupção do PSDB? Estas e outras questões de caráter político, ético e moral nada tem haver com a veracidade ou com a falsidade da tese que defendi.
A minha tese é verdadeira se o mecanismo existir e causar os problemas que atribui a ele, e falsa se este não for o caso. Note ainda que se o mecanismo existir, as questões colocadas acima são marginais. Neste caso, a prioridade dos formadores de opinião deveria ser a defesa de medidas que enfraqueçam ao mecanismo mesmo que estas medidas afetem negativamente a seus partidos e políticos preferidos, posto que na vigência do mecanismo não há democracia nem crescimento econômico de fato.
José Padilha é Cineasta.
E se Lula voltar a ser Presidente?
Posted: 13 Mar 2017 04:44 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
A pergunta que mais encagaça a politicagem brasileira não é quem está na lista do Procurador-Geral da República, a partir das 78 delações premiadas da Odebrech. A grande novidade é quem conseguirá ficar de fora da denúncia que deve ser oferecida nesta segunda-feira por Rodrigo Janot, envolvendo a turma com foro privilegiado na Lava Jato. Já circula uma brincadeira nas redes sociais advertindo que Paulo Maluf (eternamente vilanizado pela petelândia) não aparece na apavorante listagem...
Menos eletrizante que a lista de Janot – já que todos os corruptos profissionais sabem que estão nela – é a expectativa sobre o depoimento de Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 3 de maio, ao juiz Sérgio Fernando Moro. A malandra petelândia já tira até proveito do encontro forçado que pode ser juridicamente trágico. A cúpula do PT insiste para que Lula anuncie que concorrerá, pela sexta vez, ao Palácio do Planalto, alguns dias antes de sentar na 13ª Vara Federal da tal "República de Curitiba".
Lula depende da própria vontade para concorrer. No entanto, independe dele se terá condições legais para a aventura. Lula é tido como a cereja do bolo da Lava Jato, com grande chance de acabar condenado. O raciocínio é: se pegaram Sérgio Cabral Filho, imagina o que pode acontecer com o chefão de José Dirceu, Antônio Palocci e tantos tesoureiros petistas já condenados e sem previsão de deixar a cadeia tão cedo?
Nunca se pode nem deve subestimar Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, é bom deixar claro que o prazo de validade dele já acabou há muito tempo. O nome dele não interessa mais ao poder globalitário financeiro que controla o Brasil. Ou seja, ele é peça absolutamente descartável e carta completamente fora do baralho – exceto na cabeça de seus fiéis seguidores. O tal "Queremismo" (Queremos Lula) não tem consistência. É um desejo de gente fanática, sem noção ou corrupta.
Apesar de descartado, nada impedirá que faça muito barulho, sobretudo contra Michel Temer – que considera um traidor. Lula só pode ser contido, de verdade, se acabar condenado por Sérgio Moro. Assim mesmo, como sempre faz, ainda pode tirar proveito de ter sido transformado em vítima.
Independentemente do futuro de Lula, vamos mergulhar em uma etapa de radicalização política até a eleição de 2018.
Cabral que era o bom...
A sensibilidade de Lula na indicação de um candidato é comovente...
Cabralzinho daria um ótimo vice para o Lula, se já não estivesse preso...
Verbo da moda
Releia o artigo de domingo: Intervenção na Suruba Brasileira
A Dinamarca é aqui
O retorno do Padilha
Perigosas relações exteriores
Cuspe para o alto
Hiper desespero
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Trégua
Posted: 13 Mar 2017 04:09 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios".
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Aos estimados leitores, uma trégua de assuntos graves e preocupantes.
Faço sugestões de leitura aos interessados em conhecer um pouco mais sobre Nápoles; pátria de nossa Imperatriz Teresa Cristina, consorte de D. Pedro II.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teresa_Cristina_de_BourbonDuas_Sic%C3%ADlias
livros:
"Napoli" ed. Electa Napoli, ISBN 8843556339
"Napoli nell'Ottocento ed. Electa Napoli, ISBN (10) 8843542206 ou (13) 9788843542208
"Pietro Bianchi 1.787- 1.849" ed. Electa ISBN 8843553453
São livros maravilhosos sobre a cidade que foi um dia a mais importante da Europa.
Como as edições não são muito antigas, talvez possam ser encontradas (ou encomendadas) em nossas grandes livrarias.
Há também a possibilidade de encontrá-las no site AbeBooks.
https://www.abebooks.com/
Entendam pois, porque a canção "Santa Lucia" a ela se refere como "Ó dolce Napoli, ó suol beato..."
Nesses tempos bicudos em que quase a totalidade da juventude pensa que "Mcbeth" é o banheiro do McDonald's, que haja um parente mais velho para ensinar o caminho das pedras.
Mais tarde, retomaremos a política.
Por enquanto, estou com onçia de vômito.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
A violência que a lei protege (3)
Posted: 13 Mar 2017 04:06 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana
Ninguém põe limite à bandidagem! E a população não está segura nem dentro de casa. Pior é para quem mora no campo: NENHUMA DEFESA!
Os jornais falaram de "agricultor morto por ladrões", inexatidão que oculta a complexidade da tragédia. Depois de trabalhar por 29 anos na Fras-le, indústria de Caxias do Sul, há quatro anos Edgar Kershner Carneiro mudou-se para um sítio no interior de São Francisco De Paula:
"O sonho de curtir a aposentadoria num lugar tranquilo ao lado da companheira", dizem familiares. Na madrugada de 09/01/2017, três criminosos invadiram a residência e o assassinaram (aos 64 anos), golpeando-lhe a cabeça com uma barra de ferro e queimando o corpo. "As informações nos levam a crer que seja homicídio [não latrocínio], pela forma como os indivíduos chegaram. Eles sabiam quem estavam abordando", disse a delegada de polícia Fernanda Seibel Aranha. A esposa e uma filha de 17 anos foram amarradas para morrerem queimadas: os bandidos atearam fogo à casa. Mas a adolescente conseguiu soltar-se e buscar socorro.
Um dos assassinos, falando à mulher, deixou patente: os criminosos achavam que Carneiro havia denunciado crimes praticados na região (roubo de gado e de tratores), pretexto para uma cruel vingança. E a polícia, que tem suspeitos, entende haver ligação dos bandidos com um narcotraficante de Caxias.
A família está destroçada. "Isso era um xodó [o sítio], era a vida dele. Construiu o galpão sozinho, cuidava dos bichos e da horta, não devia nada para ninguém. Não tem mais como a gente ficar aqui", disse uma filha da vítima.
Pois é. Os brasileiros são cada vez mais forçados a abandonar a vida no campo. É que o governo Lula não respeitou as urnas: em 2005, no plebiscito, o povo disse "não!" ao desarmamento. Mas o PT escolheu o lado do crime e desarmou a população. Agora, morar no campo é suicídio.
Além da generalizada sensação de impunidade, hoje os bandidos agem sabendo que as vítimas estão desarmadas. Eis o que o PT fez com o Brasil, seguindo diretrizes do nefasto Foro de São Paulo.
Leia no Alerta Total o caso anterior da série (que continua) em:
http://www.alertatotal.net/2017/03/a-violencia-que-lei-protege-2.html
Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.
Horror Jurídico
Posted: 13 Mar 2017 04:04 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli
Depois de convivermos com os horrores econômico e político que desgraçaram tanto o Brasil, a indagação que se faz é se há um horror jurídico que causa o desgoverno do País e arrebenta com as empresas solventes. Depende do prisma de visão que tivermos, se o foco
for a quantidade de decisões conflitantes, monocráticas e por meio de liminares, a resposta será positiva, mas se olharmos o conjunto e observarmos o que tem sido feito para espargir a corrupção e sepultar sua chaga em metástase pelas instituições brasileiras, a resposta
que ouso formular será um sonoro não. Discutimos o desequilibrio institucional e a grave crise entre os poderes da república, mas enquanto não cumprirem seus papéis e estigmatizarem dentro do bem comum e do interesse público continuaremos a mendigar por justiça.
Ninguém tinha noção ou fazia idéia que uma só empresa pudesse gestar mais de 3 bilhões de dólares em pagamento de propina, uma multinacional eficiente e revestida de habilidade no trato com a lucratividade e as mazelas com o dinheiro público. O Brasil pendular de tantas belezas naturais e de horrores político e econômico tenta crucificar a justiça para dizer que estamos criminalizando a política e com isso não haverá saída para a crise. Caixa dois, dinheiro de campanha, contas a serem analisadas pelos tribunais eleitorais, tudo isso para nossa nobre classe política não passa de mero detalhe.
O nosso parlamento custa para a população no bolso do contribuinte um bilhão ano, e se formos customizar a corrupção poderia chegar a um trilhão ano ou seja um terço do produto interno bruto. Passaram dos limites nossos dirigentes e classe empresarial, emasculando a constituição federal e rasgando carta de princípios, já que os favores e benesses nutriam uma só finalidade de se perpetuar no poder a qualquer custo.
O nosso poder judiciário depois de séculos sem um papel relevante não caiu de paraqueda ou de gaiato no navio da corrupção, por meio de servidores públicos competentes, delegados, promotores e procuradores e da justiça colheram provas irrespondíveis sobre o maior escândalo de corrupção na história do Brasil.
Os tentáculos do crime organizado foram solapados e centenas de delações premiadas somente evidenciaram que tudo não passava de uma regra, dos usos e costumes,com propinas já previamente combinadas,acertadas e concatenadas. Pobre contribuinte que nada sabe e somente recolhe compulsoriamente e na fonte seu valor em prol da camaradagem de uma roubalheira sem tréguas na história do Brasil. E tentam marginalizar o papel do judiciário mediante chavões, palavras de efeito, e da crise que o País atravessa,como se a devastação da corrupção fosse algo impensável ou proibido.
Nossas empresas estavam acostumadas com as facilidades e ganhos espetaculosos, quando a ficha caiu, milhares delas foram para recuperação judicial e tantas mais faliram, a simbolizar que não temos
um modelo,um sistema de transparência ou de proteção ao mercado e à sociedade civil. Malogramos em muitos fundamentos, o desgoverno da última década imporá, minimamente, duas décadas para soerguer a estrutura e sair do marasmo o qual nos encontramos por práticas espúrias,pedaladas fiscais e mais gargalados de falta de uma democratização da oferta.
O Brasil decolou sim dos demais Países mas em acelerada marcha ré, e nos últimos dois anos com pico de produto interno bruto negativo quase saímos do mapa e ingressamos naquele da pobreza infinita. Os horrores são político e econômico, nada jurídico aos que tentam transferir para a justiça a responsabilidade do que estamos convivendo e nada palatável, apenas uma palavra na quaresma olhem e se convertam troquem a farra da corrupção pela organização da produção.
E se a corrupção não for refreada e nossos negócios saírem de propinas espalhadas em todos os cantos, ficaremos em posição lamentável na pobre América Latina. Os tratados internacionais foram esquecidos e
nossa rotina do Mercosul está superada e atrasada. Não se pode culpar irrefletida e inconsequentemente a estrutura da justiça pelo Brasil de hoje. A nossa justiça padece de múltiplos e sérios defeitos e vicissitudes, mas apontar para o seu rosto o subdesenvolvimento de uma sociedade sofrida e descompromissada com o desenvolvimento parece ser um discurso estonteante daqueles que foram pilhados em flagrante e jamais acreditavam que houvesse, sequer em tese, uma posição corajosa e enérgica de magistrados e do ministério publico federal para desfazer as falcatruas e oportunizar um Brasil para todos os que desejam viver com honestidade e acima de tudo com serviços públicos eficientes pela montanha de impostos pagos.
Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
A Ditadura do Proletariado e as relações de classe logo após os acontecimentos de outubro
Posted: 13 Mar 2017 04:00 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo é um dos capítulos do livro "A Luta de Classes na União Soviética", escrito por Charles Betelheim, editora Paz e Terra. Charles Bettelheim (20 de Novembro de 1913 - 20 de Julho de 2006) foi um economista e historiadorfrancês. Fundador do CEMI ("Centre pour l'Étude des Modes d'Industrialisation" - Centro para o Estudo de Modos de Industrialização) na Sorbonne; foi também consultor econômico em governos de vários países em desenvolvimento durante a descolonização. Foi muito influente na Nova Esquerda Francesa, e é considerado "um dos mais notáveis marxistas do mundo capitalista" (Le Monde, 4 de Abril de 1972) em França, mas também em Espanha, Itália, América Latina e Índia.
"A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição de riquezas. A vantagem do socialismo é a igual distribuição da miséria" (Winston Churchil)
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A Insurreição de Outubro pôs fim à ditadura da burguesia e instaurou a ditadura do proletariado na Rússia. Ela permitiu que o proletariado se tornasse a classe dominante, a fim de continuar a revolução, prosseguir com as tarefas da revolução democrática, e dar os primeiros passos em direção ao socialismo.
A Insurreição de Outubro permitiu destruir o Poder da burguesia, porque constituiu um momento de todo um processo revolucionário que atingiu, então, certo grau de maturidade.
Não foi, evidentemente, a ocupação de alguns edifícios nem a prisão de ministros – que a burguesia, se tivesse tido capacidade, poderia facilmente substituir – que permitiu ao proletariado suplantar o poder da burguesia. O que possibilitou essa mudança, de importância mundial, foi a nova relação de forças entre as classes que a vitória da Insurreição de Outubro revela, ao mesmo tempo em que contribui para o seu estabelecimento, poiso Poder é uma relação entre as classes e não um objeto que se toma.
A Insurreição de Outubro tem esta capacidade de revelar a existência de uma nova relação entre as classes, contribuindo para estabelecê-la, porque deixa bem claro que não e a burguesia, mas o proletariado, assim como seu Partido "quem comanda pela força das armas". A Insurreição revela que a nova classe dominante adquiriu a força militar decisiva, e que a antiga classe dominante a perdeu.
Em outubro de 1917, o proletariado dispôs da força militar decisiva porque as Forças Armadas que podiam decidir a sorte da revolução não estavam mais prontas a combater pela burguesia. Eles aderiram à revolução por razões ideológicas e políticas, porque não podia escapar à pressão e à ação das massas populares. As massas eram impulsionadas pela situação sem saída em que a burguesia russa mantinha o país. O avanço das massas operárias tornou-se irresistível graças ao Partido Bolchevique, que as ajudou a compreender a natureza da situação e agir de modo coeso e no momento justo. Foi, portanto, a combinação das ações revolucionárias com a ação do Partido Bolchevique que permitiu a vitória da Insurreição de Outubro e a instauração da ditadura do proletariado.
Entre os diversos elementos que possibilitaram a vitória de Outubro – situação sem saída, desespero as massas, pressão destas fazendo pender uma fração decisiva das Forças Armadas para o campo da Revolução, papel dirigente do Partido Bolchevique, etc –, foi a liderança do movimento das massas urbanas do Partido, sobretudo das massas operária de Petrogrado, Moscou e outros grandes centros industriais que determinou o caráter proletário do Poder nascido dessa vitória.
Do ponto de vista do conteúdo de classe da Revolução de Outubro e do Poder que daí surgiu, o aspecto decisivo foi o papel dirigente do Partido Bolchevique.
Todas as revoluções decorrem do papel decisivo e do heroísmo das passas populares e, particularmente, desde que exista, da classe operária. Tal foi o caso da Revolução de Fevereiro de 1917, na qual a classe operária de Petrogrado, Moscou, e outras cidades, desempenhou o papel determinante, sem, no entanto, chegar à instauração de um Poder Proletário. A Revolução de Outubro distinguiu-se de todas as revoluções anteriores – à exceção da Comuna de Paris – pelo fato de ter-se realizado sob a direção das idéias proletárias.
Coube ao Partido Bolchevique – portador organizado dessas idéias – permitir que o proletariado russo se constituísse em classe dominante. Graças aos laços de confiança estabelecidos entre ele e as camadas mais combativas do proletariado, o Partido tornou-se instrumento da Ditadura do Proletariado. Por muito tempo tais laços foram mantidos, e o Partido continuou a ser o portador da ideologia e das práticas proletárias, sendo que estas desempenharam sempre o papel decisivo – um Partido pode ter, com efeito, uma ampla base operária e não passar de um "Partido operário burguês", por falta de suporte da ideologia e das práticas proletárias -.
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
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Da Justiça a clava forte