Alerta Total
Petelândia retalia Bispo Macedo por reportagens da Record sobre empréstimos externos do BNDES
Dificilmente Temer cairá antes de acabar mandato
Temer dá enjoo
Inconformados com o voto livre
A razão e o monstro da recessão
“A Utopia Desarmada” – Intrigas, dilemas e promessas da esquerda Latino-Americana
Petelândia retalia Bispo Macedo por reportagens da Record sobre empréstimos externos do BNDES
Posted: 07 Mar 2017 07:14 AM PST
2ª Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
A máquina de contrapropaganda da Petelândia não perdoa nem perde tempo. Bastou o Jornal da Record divulgar e veicular, a partir de ontem, uma séria de cinco reportagens sobre irregularidades nos empréstimos externos do BNDES nas Eras Lula-Dilma, para que o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Bispo Edir Macedo Bezerra, fosse transformado em alvo de desmoralizantes vídeos que viralizam nas redes sociais.
Usando pregações de Edir Macedo sobre "a vida humilde dele e dos pastores", o vídeo revela que o "proprietário da RecordTV" também seria o proprietário de dois imóveis em prédios super luxuosos de Miami, nos EUA. A produção apócrifa, sem autoria definida, denuncia que Macedo teria usado R$ 60 milhões de reais da Igreja Universal do Reino de Deus para adquirir os imóveis.
Os fiéis seguidores de Macedo também dão o troco. Além de espalharem mensagens recomendando que todos assistam ao Jornal da Record nesta semana, eles também espalham um outro vídeo apócrifo que detona a já explodida imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. As guerras nada santas, político-religiosas, prometem capítulos de muita baixaria em Bruzundanga.
Vídeo contra o Bispo Macedo
Vídeo contra Lula
Blindadíssimo
Releia a primeira edição desta terça-feira: Dificilmente Temer cairá antes de acabar mandato
Presos pelo amor
Censura pode, Arnaldo?
Embora a Constituição Federal não permita tal aberração, a 3ª Vara Cível da comarca de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, mandou apreender todos os exemplares de um jornal publicado pela CUT-RS sobre a reforma da Previdência proposta pelo governo.
A apreensão atendeu pedido de liminar em ação movida pelo deputado Heitor Schuch (PSB/RS), membro da Comissão Especial da Reforma da Previdência (PEC 287/16).
Conheça e divulgue a campanha: http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/calar-jamais/
Veja aqui o jornal censurado: http://tinyurl.com/hfz54sw
Inutilidade
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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 7 de Março de 2017.
Dificilmente Temer cairá antes de acabar mandato
Posted: 07 Mar 2017 03:00 AM PST
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Respiram, aliviados, os deuses do rentismo – cuja força econômica não permitirá o afastamento de Michel Temer antes do término do mandato em 2018. É altíssima a aposta de que, antes do meio do ano que vem, o Tribunal Superior Eleitoral não conseguirá tomar uma decisão final sobre a eventual cassação da chapa Dilma/Temer. A crença é que, se ficar muito próxima de outubro, a decisão do TSE tem grandes chances de deixar tudo como está...
Cada nova delação premiada de dirigente da Odebrecht apenas confirma que Michel Temer (então presidente do PMDB) efetivamente pediu apoio financeiro de empreiteiras para o caixa reeleitoral de 2014. A torcida maior de Michel Temer é que a protelação no processo acabe emplacando. Um dos "planos" é que articulações de bastidores sugiram que novas e infindáveis diligências sejam pedidas, antes que o caso seja efetivamente colocado em julgamento final no TSE.
Mesmo que cause mais desgaste político, a "embromação" é o negócio mais seguro para Temer. Ainda este ano, o Presidente terá a chance de indicar três ministros para o TSE. A aposta é que os apadrinhados ajam com "independência e rigor", exigindo mais diligências. A defesa de Michel Temer também poderá armar recursos ao Supremo Tribunal Federal – o que também ajudaria a atrasar o andamento do processo.
Caso a chapa Dilma/Temer seja cassada, o Congresso Nacional deverá realizar uma eleição indireta para escolher o "novo" Presidente-tampão". Os "candidatos" citados em tal hipótese são Nelson Jobim e Carlos Ayres de Britto (dois ex-ministros do STF). Especula-se até sobre o nome do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.
A instabilidade política tende a se ampliar com as 77 delações da Odebrecht que complicam a vida de pelo menos 170 congressistas. No entanto, os deuses do mercado não ligam para isto. O negócio, para eles, é a estabilidade econômica para fazer os grandes negócios previstos na agenda de Temer. O resto que se dane...
Assim caminha o Brasil, em ritmo de ruptura institucional e com risco de explosão de violência que pode gerar desintegração, porém com uma economia (prejudicada pela corrupção) que pode voltar a crescer, ironicamente, com muito dinheiro roubado que voltará ao País nas repatriações ou disfarçado de "investimentos estrangeiros diretos". No final das contas, o crime institucionalizado sempre compensa... E como...
Alguns bodes expiatórios serão detonados pela Lava Jato, para que o "sistema" continua intocável, apenas "reformado" para enganar os "verdadeiros otários" e "bobos da corte" que somos nós, os cidadãos-eleitores-contribuintes extorquidos pelo Capimunismo Tupiniquim.
Grandes enigmas tucanos
Faltando 19 meses para a eleição presidencial de 2018, o PSDB, hoje aliado principal de Michel Temer, vive vários dilemas difíceis de responder imediatamente:
Geraldo Alckmin continuará no PSDB ou trocará de legenda para garantir sua candidatura a presidente?
João Dória vai ampliar sua popularidade e vai atropelar o padrinho Alckmin, disputando o Palácio do Planalto?
Aécio Neves vai encarar uma nova disputa presidencial (com chance de derrota) ou vai preferir garantir o foro privilegiado, disputando a reeleição ao Senado?
José Serra também fará a mesma opção de Aécio, largando o foro senatorial para concorrer ao lugar de Temer?
Ou algum dos tucanos acabará com um prêmio de consolação: terminar candidato a vice na chapa de Henrique Meirelles, o ainda não declarado candidato predileto de Michel Temer para 2018?
A grande chance é que se consolide essa última hipótese...
Fuga dos amigos
Michel Temer não consegue emplacar seus amigos para ocupar função ministerial ou afim em seu governo.
O advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira – um dos mais fervorosos críticos públicos dos procedimentos judiciais na Lava Jato – abandonou a idéia de participar da missão quase impossível de reformular o sistema penitenciário nacional:
"Eu estava pensando, consultei meus sócios e meus familiares e concluí que não posso ir à Brasília, receber pelo governo. Não posso trabalhar para esse governo, nem para nenhum outro governo. Isso traria dificuldades para o meu escritório e para a minha família e impactaria em questões que não quero abrir mão".
Mariz repetiu o gesto do ex-ministro do STF, Carlos Velloso, um outro velho amigão de Temer que preferiu não encarar o Ministério da Justiça – que acabou ocupado pelo deputado paranaense Osmar Serraglio...
Matemática fácil
Releia a segunda edição desta segunda-feira: A Matemática é muito mais fácil que parece!
Petrobras vendendo
Luiz Nelson Guedes de Carvalho, Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, convoca para a Assembleia Geral Extraordinária, no dia 27 de março de 2017, às 15 horas, no auditório do Edifício-Sede, na Avenida República do Chile 65, 1º andar, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Acionistas vão deliberar sobre duas matérias:
Primeiro, a eleição de membro titular do Conselho Fiscal indicado pelo acionista controlador.
Depois, a proposta de aprovação da alienação de 100% (cem por cento) das ações detidas pela Petrobras na Petroquímica Suape e na CITEPE por R$ 385 milhões de reais.
Os compradores são o GRUPO PETROTEMEX e a DAK AMERICAS EXTERIOR, subsidiárias da Alpek.
Crise real
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III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).
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Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!
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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 7 de Março de 2017.
Temer dá enjoo
Posted: 07 Mar 2017 02:55 AM PST
"País Canalha é o que não paga precatórios".
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
O medo provoca alterações na saúde da pessoa afetada.
No caso, todos os trabalhadores ameaçados com as mudanças das regras da previdência.
Antes de tentar nos enfiá-la goela abaixo, os poderosos corruptos deverão estar todos na cadeia.
Toda dívida de empresas privadas, cobrada com rigor.
Empréstimos bilionários a países estrangeiros, recebidos de volta ou, se tomamos o calote, relações diplomáticas cortadas.
Sei que é um sonho de uma noite de verão.
O novo Cãoceler está mais para rufião do que para campeão das causas brasílicas.
Mas a classe polititica não percebeu ainda o enorme risco que corre.
Condenados a trabalhar até a morte, os desgraçados preferirão vingar-se de seus algozes.
Bellum omnium contra omnes
Aí então, dona Onça será forçada a entrar na dança.
Muito a contra gosto, verá que seu cudocismo não funcionou.
As instituicães estão funcionando pra … (vocês sabem).
O vértigo final: enfrentar um sentimento separatista crescente.
É tempo de murici, cada um cuide de si.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
Releia o artigo de Antônio José Ribas Paiva: Vácuo Institucional
Inconformados com o voto livre
Posted: 07 Mar 2017 02:53 AM PST
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso
A toda hora, pela TV basicamente, comentaristas, apresentadores e convidados escolhidos a dedo, nos "brindam" com chavões carcomidos e encobertos pela poeira que restou do Muro de Berlim. A democracia deles só tem um lado, um viés, uma cor. Quando seus ídolos perdem nas eleições ou não estão bem nas campanhas eleitorais e nas pesquisas, os rótulos repetitivos ecoam pelo éter a denegrir a imagem dos que consideram de oposição às suas premissas ideológicas, ainda que distante fisicamente e não submetidos ao voto na Terra de Santa Cruz.
Claro, que tal orquestração mesmo se referindo ao exterior tem objetivo de fomentar a animosidade interna e fazer prevalecer o esquerdismo de vários matizes disputando o poder, cujas bandeiras são bastante conhecidas. Antes, o candidato populista era aquele chegado ao assistencialismo; compra do voto pela boca do eleitor, do peixe posto na mesa; votando é que se recebe.
Agora, o populista nasce pela aspiração da sociedade em se sentir prioridade no recebimento da contrapartida em benefícios, como saúde, educação e segurança, na proporção do imposto que paga, e, rejeição à classe política putrefata mancomunada com empresários, ambos insaciáveis, que como reles roedores perambulam pelos esgotos do crime.
As cenas da campanha eleitoral nos Estados Unidos foram marcadas pelo apoio dessa mídia à candidata Hilary Clinton, quase unanimidade estampada nas faces de desânimo, desencanto, diante da vitória de Trump. E daí, o que se viu?
Os inconformados com o voto, black blocs, que como no Brasil, vandalizaram em várias cidades americanas, a quebrar vitrines e a promover o caos. Segue-se a marcha das mulheres e a sequência de manifestações de astros e estrelas. Cartazes pro aborto, contra o assalto racista e sexista. Mais traslados para o Brasil: "misoginia" que houve nos discursos contra a ex-presente Dilma, carregados de ódio ou desprezo pela figura feminina.
Como? Parece ficção, deslumbramento, alucinação? Que tipo de gente tem aversão, repulsa pela mulher, pelo fato de ser mulher? E a figura materna, presente na concepção e geração da vida? Fora as anomalias, doenças, transtornos, desavenças, tratadas ou puníveis, não há filho que se volte contra a mãe-mulher, esposo que não respeite a sua mulher-mãe, pai que não ame a sua filha; homens e mulheres em harmonia na sociedade.
Na linha dos inconformados, as caravanas, a custa do tesouro, apregoam o impeachment como golpe, os black blocs depredam e outros grupos invadem...
Nos EUA, como recentemente divulgado, um professor da Saint Joseph University comentou com alunos que as mulheres e negros não deveriam abrir seus corações aos eleitores de Trump e que pessoas morrerão por causa dessa eleição. Escola sem partido?!?!?!
De estranhar tudo isso, ou não... Sei lá.
Por que, na vitória de um esquerdista, não há depredação das propriedades privadas e públicas? É apatia, acomodação, ou princípio, a preponderar e ditar comportamento de acordo com as regras de civilidade e respeito ao voto. Deve ter uma razão.
Isto não quer dizer que Donald Trump será o presidente bem-visto, benquisto ao longo e ao final do seu mandato pelos norte-americanos, seus eleitores ou não, e perante o concerto das Nações. Fanfarronices à parte.
Na Europa que vive momentos de campanha e eleição para presidente, as cenas e comentários se reproduzem. Na França, Marie Le Pen, é taxada de ultra direitista. Esquerda é só de esquerda "a favor do povo", também nunca é chamado de polêmico.
Não ser de esquerda, é ser rotulado de conservador, retrógrado. No que concerne à concepção do Estado; máximo, o mais admirado, a variar o grau de aceitação, socialista ou comunista (Cuba, Coréia do Norte), mínimo, tipo neoliberal ou na medida certa.
Eles, esquerdistas, comunistas, se autoproclamam progressistas, mesmo com a miséria dividida por todos.
Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.
A razão e o monstro da recessão
Posted: 07 Mar 2017 02:52 AM PST
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque
A opinião pública, quando manipulada, alimenta-se no conformismo em relação aos grandes problemas da nação. Acredita nas soluções mágicas e joga o futuro na fé e em governantes ilusionistas. Aí mora o perigo e leva a sociedade a mergulhar em cenário populista, seja de esquerda ou de direita.
O professor José Eduardo Faria, titular da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), analisou em artigo que o pessimismo deve ser encarado como um dever civil, pela razão direta de a democracia ser um instrumento de vigilância, de crítica e protesto, quando a corrupção invade a esfera pública levando à degeneração ética. A operação Lava Jato, que atravessou as fronteiras brasileiras, transformando-se numa ação multinacional contra a corrupção, é um acontecimento a demonstrar como é possível perseguir a busca da regeneração de valores.
Rigoroso nas suas análises de conjuntura, o professor Faria recorreu a situação de crise institucional vivida há quatro décadas na Itália. Foi quando o notável pensador e político Norberto Bobbio afirmou: "Deixo para os fanáticos, aqueles que desejam a catástrofe, e para os insensatos, aqueles que pensam que no fim tudo se acomoda, o prazer de serem otimistas. O pessimismo é um dever civil porque só um pessimismo da razão pode despertar aqueles que, de um lado ou de outro, mostram que ainda não se deram conta de que o sono da razão gera monstros".
Transplantando para o Brasil, o pensamento de Norberto Bobbio, se traduz no monstro da maior recessão econômica da história republicana. A catástrofe foi construída ao longo de anos, com a omissão da maioria da sociedade, em todos os níveis. Cultivou otimismo marqueteiro sem se dar conta do que apontava a realidade.
A ilha da fantasia, sustentada no voluntarismo ideológico e pelo aparelhamento da administração pública, marginalizava a meritocracia, ampliando os poderes de um estado perdulário onde "nós" e "eles" foi erigida à filosofia de governabilidade. O corporativismo empresarial, sindicais e afins adonou-se do poder surfando no privilégio e na onda de notícias plastificadas, enganadoras da opinião pública.
Ao final de uma década o cenário da realidade eclodiu como um "tsunami asiático". Recessão econômica de três anos; déficit público em nível recorde; dívida pública multiplicada; taxa de juros em padrão de recorde mundial; inflação mais de que o dobro da meta primária; carga tributaria crescendo e sugando a produção; além do desemprego atingindo mais de doze milhões de trabalhadores. A ilusória popularidade, apoiada pela maioria da sociedade deixou como herança uma economia em frangalho. O que fazer para retirar o País dessa realidade dolorosa?
É despertar do sono da razão e entender que o atual governo, também responsável pela situação de caos econômico, por integrar pela sua maioria a base de sustentação dos governos Lula e Dilma, passou a enxergar a realidade. Impopular e desaprovado pela maioria da população, vem surpreendentemente propondo reformas básicas para retirar o Brasil da UTI.
Se pelo lado político vem enfrentando cenário negativo, com nefastos personagens do passado, na área econômica promoveu mudanças estruturais positivas com equipe econômica competente. Destacadamente no Banco Central, na Petrobrás, no BNDES, no Ministério da Fazenda e áreas afins. A aprovação do teto dos gastos públicos, as propostas de reformas da previdência, do setor tributário, na área trabalhista, herdeira da "Carta del Lavoro" de Mussolini e mesmo alteração limitada na vida partidária, são propostas positivas.
Na economia pode-se afirmar que o fundo do poço da crise foi atingido. Mas exigirá tempo para recolocar a água em padrão aceitável para retomada do crescimento econômico. Felizmente a reação já começa a ser sentida superando o momento de desespero. A estabilização com evolução dos indicadores econômicos, nos últimos trimestres, demonstra que a transição se iniciou.
O caminho ainda será longo para a retomada de um ciclo econômico de expansão. O desemprego continuará elevado, mas a ancoragem para o futuro vem sendo buscada e, gradativamente, o emprego voltará a crescer.
Nesse cenário o governo, convivendo com a banda marginal da politica, paga o preço da impopularidade. Não deve temê-la: precisa fazer o que deve ser feito. A prioridade deve ser a retomada do crescimento e aprofundamento das reformas estruturais.
Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.
“A Utopia Desarmada” – Intrigas, dilemas e promessas da esquerda Latino-Americana
Posted: 07 Mar 2017 02:50 AM PST
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo foi pinçado de várias páginas do livro acima, que relata as atividades guerrilheiristas de Manuel Piñero Losada, membro do Comitê Central, e fundador do Departamento América do Partido Comunista Cubano.
Manuel Piñeiro Losada (Matanzas , Cuba , 14 de março de 1933 - Havana , 11 de março de 1998), conhecido como Barba Roja, foi uma figura política e militar de Cuba, um personagem principal da Revolução cubana, como primeiro chefe de Fidel Castro no aparato de segurança, conhecido como Dirección General de Inteligência (DGI). Ao apoiar a luta armada na América Latina, a DGI iria tentar promover a expansão dos radicais esquerdistas dos grupos guerrilheiros no subcontinente.
Piñero foi chefe da DGI cubana no período de 1961 a 1964. Em seguida, tornou-se Vice-Ministro do Interior, encarregado do aparelho de segurança do Estado em 1964-1968. As origens prematuras:
Piñero participou de protestos estudantis e manifestações contra o 10 de março de 1952 -golpe de Estado -, que levou ao Poder o ditador Fulgêncio Batista.
Em setembro de 1953, sua família, relativamente próspera (ele era o filho de um executivo da Bacardí), enviou-o para estudar Administração de Empresas na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, a fim de levá-lo para longe da agitação política da época, em Cuba. Enquanto estudava em os EUA, ele começou a se opor à discriminação social, racial e política que observou nos Estados Unidos, naquela época, sentindo necessidade de voltar a Cuba .
Ele retornou à sua cidade natal em 1955 e tornou-se um dos fundadores do Movimento 26 de Julho. Pouco depois de seu retorno, foi preso pelas agências de segurança de Fulgêncio Batista, por causa de suas atividades políticas subterrâneas. Após sua libertação, continuou com as atividades clandestinas em Havana.
Ao descobrir que estava sob vigilância policial, ele decidiu que era melhor juntar-se aos guerrilheiros encabeçados por Fidel Castro, na Sierra Maestra.Em março de 1958, foi reconhecido por seus méritos e foi escolhido pessoalmente por Fidel Castro para ser o oficial encarregado de integrar a recém-criada Frente Oriental II, "Frank País", sob o comando do irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro.
Durante esse tempo, ele manteve várias reuniões com membros do exército regular cubano. Posteriormente, foi nomeado Chefe de Pessoal e Inspeção, uma posição que incluía responsabilidades para o Serviço de Inteligência e da recém-criada Policía Rebelde (antecessora da Polícia Revolucionária de Castro).
Durante a batalha de Santiago de Cuba, foi promovido a Comandante da Revolução Cubana. Após o triunfo da Revolução, foi nomeado "Chefe da Plaza Militar", em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país.
É neste momento que seu rosto é pego por câmeras fotográficas pela primeira vez, mostrando sua barba vermelha e revelando a razão do apelido que lhe foi dado pelas tropas rebeldes.
Ele foi, então, transferido para Havana, onde exerceu várias funções na criação das agências de inteligência e Segurança do novo regime de Castro. Durante a tentativa de invasão da praiaGirón por um grupo de norte-americanos, Piñero foi elevado à posição de vice de Ramiro Valdés Menéndez , chefe do G-2 (Seguridad del Estado).
Em 6 de junho de 1961, foi nomeado Vice-Ministro do Interior e chefe do chamado Vice-Ministério Técnico, o órgão que seria, mais tarde, responsável pela coleta de informações e desenvolvimento de estratégias para expandir ocomunismo na América Latina.
Em 1965, ascendeu ao cargo de membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, cargo que ocupou até 1997.
Nesse mesmo ano, em Havana, ele recebeu a visita de Markus Wolf, diretor da polícia secreta - Stasi – da Alemanha Oriental. Wolf, cuja verdadeira identidade só seria conhecida pelos Serviços de Inteligência ocidentais em 1979, tinha ido a Cuba para assessorar o regime comunista de Fidel Castro, e bem como configurar a nova Direção-Geral de Inteligência (DGI), na ilha.
No início de 1975, Piñero era chefe do "Departamento América" do Comitê Central do Partido Comunista Cubano.
Em 1997, ele renunciou a todas as suas posições governamentais ativas e começou a escrever e editar livros dedicados a uma análise retrospectiva da Revolução Cubana.
Em 11 de março de 1998, depois de receber uma homenagem pelos 40 anos da criação da Frente Oriental, ele teve um acidente de carro, ao dirigir-se para sua casa, falecendo.
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Em 1962 ocorreu o primeiro caso que implicava Manuel Piñero Losada em empreendimento revolucionário fora de Cuba: o foco guerrilheiro em Salta-Argentina, dirigido por Ricardo Masseti que, juntamente com Gabriel Garcia Marques, fundara a agência de notícias Prensa Latina, em1960.
Apesar de uma série de conflitos - desde os atritos com os soviéticos, e com o velho aparato do Partido Socialista Popular (PSP), passando pelos desentendimentos com Carlos Rafael Rodriguez, em razão do controle das Relações Exteriores, até o choque, no início dos anos 90, com o novo e rapidamente defenestrado herdeiro de Fidel, Carlos Aldana Escalante, Piñero, com sua equipe e seus recursos, saiu ileso e perseverou em sua própria política, pois sabia escutar, aprender e mudar, quando necessário. Ainda assim, sem o enérgico apoio de Fidel, jamais teria sobrevivido, pois seu peso burocrático era insuficiente. Embora tenha sido, desde 1965, membro do Comitê Central do Partido, nunca foi eleito para o Birô Político, não ocupou nenhum cargo ministerial e nem um alto posto militar. O fato de ter sido destituído da chefia do Departamento América, em março de 1992, deveu-se, em grande parte, a que sua missão – promover a revolução – havia chegado ao fim.
A força de Piñero era também a sua fraqueza. Na medida em que as atividades políticas e diplomáticas do regime tornavam-se mais óbvias e inevitáveis, o apoio à Revolução foi minguando. Em 1974, quando Cuba fez as pazes com a União Soviética e estava a ponto de fazer o mesmo com muitos partidos comunistas e governos centristas da região, Piñero e seus camaradas foram afastados do Ministério do Interior. Nasceu, então, o Departamento América do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, oue ficou conhecido por várias pessoas, como o "Ministério da Revolução". A partir de então, o Departamento América foi o lugar de onde Piñero exportou a revolução e colocou seus agentes em embaixadas e órgãos de imprensa. Seus vínculos com a esquerda latino-americana passaram a ser extensos, intensos, estreitos e decisivos.
A década de 70 não foi boa para o Departamento América, pois a revolução na América Latina parecia condenada à morte e a normalização dos vínculos diplomáticos entre Cuba e muitos governos da região, impôs à Ilha uma atitude de não interferência nos assuntos internos de outros países. Além disso, após a derrota chilena, em 1973, a esperança de difundir a revolução pelo hemisfério afora foi se desvanecendo. Nesse ínterim, Piñero casou-se com a escritora chilena Marta Harnecker, que se transformou na autora mais vendida da América Latina depois de Gabriel Garcia Marquez.
A experiência de Allende foi importante para Piñero, que na época passou uma longa temporada no Chile, e vários de seus auxiliares mais próximos deslocaram-se para lá. Ainda assim, Piñero não foi o responsável pelas operações cubanas no Chile durante aquele período. Tal tarefa coube às Tropas Especiais do Ministério do Interior cubano. Antonio de la Guardia cuidou da segurança de Allende, e seu irmão gêmeo, Patrício de la Guardia, preparou a estada de Fidel Castro no Chile em 1972 e lá permaneceu até a queda de Allende, dirigindo a presença cubana no país. Em 1989, o mesmo Antonio de la Guardia seria fuzilado sob a acusação de tráfico de drogas, e Patrício condenado a uma pena de 30 anos de prisão.
Piñero teve pouca coisa a fazer durante aquele período. A revolução latino-americana estava em recesso em quase todas as partes, enquanto Cuba voltava seu entusiasmo insurgente na direção de países africanos.
Quando, em 1974, melhoraram as relações entre os cubanos e os partidos comunistas latino-americanos, a militância de Piñero reduziu-se ainda mais, pois não se havia dado bem com os burocratas stalinistas. Porém, seu raio de ação não se restringia à esquerda armada e nem à extrema esquerda. Apesar de suas rivalidades com outros funcionários cubanos e de sua predileção pela esquerda revolucionária, Piñero era, também, o encarregado das relações com s partidos comunistas ortodoxos, com os social-democratas, com os intelectuais e os movimentos de base que compunham a esquerda na América Latina. Seria, portanto, um equívoco, supor que Piñero só se interessava pela luta armada ou, como eram conhecidos seus integrantes na esquerda latino-americana, pelos "ferreiros". A raison d'être de Piñero estava nos movimentos guerrilheiros e na luta armada, pois isso é o que ele conhecia e fazia melhor, e nisso residia sua vantagem na competição pelos favores e pelo poder de Castro em Havana.
Nisso tudo, havia um elemento subjetivo. Sem as guerrilhas, Piñero ficava fora da jogada (...). A manutenção de um Departamento inteiro, com uma estrutura secreta só para manter relações com o PRD, do México, ou com o Partido Comunista Argentino, era um absurdo. Piñero poderia fazê-lo com dez homens. O Departamento América era uma super organização. "Sem as guerrilhas já seria demais ter um homem para cada país, e na realidade tínhamos um especialista e 5 funcionários para cada Nação".
Em 1978, Piñero e Cuba desempenharam um triplo papel na vitória sandinista na Nicarágua. Cuba facilitou o contato dos sandinistas com outras organizações revolucionárias e proporcionou aos nicaragüenses serviços de informações e comunicações, além de garantir a segurança pessoal de muitos dirigentes da Frente Sandinista de Libertação Nacional. Também treinou diretamente parte da liderança sandinista.
Cuba enviou armas, através do Panamá e de Libéria –cidade fronteiriça entre Costa Rica e Nicarágua -, pessoal militar capacitado e uma valiosa assessoria para unificar as facções sandinistas.
Nessa época, Piñero havia perdido o controle de três aspectos fundamentais da exportação da revolução: não dispunha de tropas armadas sob seu comando; não tinha capacidade operacional nem logística para fornecer armas e equipamentos de comunicação; e toda a documentação era manejada pelo Departamento de Operações Especiais (DOE) cubano. Apesar de tudo, foi mantido na função de treinar politicamente os revolucionários latino-americanos, na Escola Nico Lopez, em Cuba, mas com certeza não era responsável pelo treinamento militar como um todo.
Piñero e seu Departamento transformaram-se simplesmente no braço político da ingerência de Cuba no exterior e viram-se obrigados a depender, cada vez mais, de terceiros para implementar as decisões tomadas por ele e pelo próprio Fidel Castro. Isso levou a repetidos atritos de Piñero com o DOE e com outros departamentos a respeito do apoio – ou falta dele – às suas atividades. Em conseqüência disso, tratou de realizar por conta própria tais atividades, ou recorreu aos grupos guerrilheiros latino-americanos para que o fizessem. Diante da resistência cada vez maior do DOE, Piñero passou a investir mais tempo na documentação, logística e "arrecadação de fundos" para adquirir armas.
Apesar dessas limitações e obstáculos, a vitória dos sandinistas foi uma espécie de vingança de Piñero, que permaneceu na Nicarágua durante os primeiros meses após a revolução, e conseguiu que um membro do Departamento América fosse nomeado embaixador de Cuba na Nicarágua: Fernando Ravelo Renedo.
Piñero, Ramiro Valdez e "Ibrahim" concentravam as decisões políticas estratégicas relacionadas ao apoio cubano, à transferência de armas, ao treinamento e as táticas para a FMLN salvadorenha. Sua verdadeira interferência, sem contar o que os rebeldes salvadorenhos já sabiam, ultrapassa a imaginação de qualquer um. Enquanto havia possibilidade de vitória em El Salvador e algo a ser definido na Nicarágua, Piñero estava garantido. As derrotas –Jamaica, 1980, Guatemala, 1982, Granada, 1983, Nicarágua, 1990 – não foram diretamente atribuídas às estratégias de Piñero. Embora o péssimo trabalho de Inteligência nesses países, seja atribuído a Piñero, ele não sofreu as conseqüências do desmoronamento de seus projetos favoritos.
A política e as atividades de Piñero seguiram normas simples e freqüentemente não escritas, e podem ser sintetizadas em três premissas teóricas: armas, unidade e massa, e um princípio tácito: a participação de Cuba. O primeiro pressuposto significava que a luta armada era crucial para a revolução latino-americana. Sem ela, nada seria possível. Num dos poucos textos de Piñero que foram publicados, ele afirma claramente:
"As armas são indispensáveis para fazer triunfar qualquer Revolução libertadora no continente, para preservar sua continuidade e plena realização".
Na medida que foram minguando a base do Poder e a organização de Piñero em Cuba, a única fonte de força e de prestígio que lhe restou estava em seus vínculos com a esquerda latino-americana. Desprovido de armas, tropas, dinheiro e atividades de espionagem e contra-espionagem, além daquelas diretamente vinculadas às revoluções latino-americanas, a Piñero só restou seus contatos e seus seguidores no exterior.
A segunda premissa teórica era a unidade. Sempre que a unidade prevaleceu, a revolução triunfou. Quando isso não ocorreu – Chile e Granada – ela foi derrotada.
São inúmeras as histórias que contam como Piñero escolhia seus favoritos entre as diferentes organizações que constituíam a FMLN de El Salvador, a URNG da Guatemala e os diversos grupos guerrilheiros da Colômbia. No caso de El Salvador, comenta-se que os cubanos sempre favoreceram o Exército Revolucionário del Pueblo devido, em boa parte, ao fascínio de Fidel por Joaquim Vilalobos. Como Piñero queria afetar o curso dos acontecimentos, e podia fazê-lo, - pois a esquerda, afinal de contas, acabava permitindo tal situação – os cubanos tornavam-se parte integrante de muitas organizações armadas e civis, moderadas e extremistas, diretamente políticas e "parapolíticas", jornais, imprensa, grupos estudantis e acadêmicos.
Na fase crítica da Revolução Cubana, após a derrocada do bloco socialista e o fim da União Soviética, em pleno isolamento total da Ilha e concomitantemente ao abandono gradual da luta armada na América Latina, era natural que o papel de Piñero fosse diminuindo. O lendário conspirador ficou reduzido a usar sua influência e seus agentes para reforçar o apoio a Cuba na América Latina. Seus agentes, e às vezes até sua esposa, conspiraram em todas as reuniões da esquerda latino-americana – o Foro de São Paulo, o Congresso de Sociólogos Latino-Americanos e Caribenhos. Posteriormente, o Departamento de Piñero foi absorvido formalmente pela Secretaria Internacional do PC cubano, e seus enviados ao exterior perderam a cobertura do Ministério das Relações exteriores. Piñero foi afastado do Departamento, conservando apenas seu cargo no Comitê Central.
Mas Piñero deixou intacta uma organização destrambelhada que continuou atuando na América Latina. Segundo Jorge Masetti, e outras fontes o confirmam, quando deixou de receber dinheiro suficiente para armar e apoiar a esquerda revolucionária, e, portanto, para manter sua posição em Cuba, Piñero recorreu a outras medidas e às próprias organizações revolucionárias. pedindo-lhes que falsificassem documentos, recebessem e enviassem mensagens e, logicamente, arrecadassem fundos para a compra de armas. Os funcionários do Departamento América selecionavam indivíduos pertencentes às várias organizações – sobretudo chilenas, uruguaias e argentinas, mas também centro-americanas – e lhes sugeriam que realizassem seqüestros, assaltos a bancos e a outras operações similares, nos países mais ricos da região.
O Departamento América planejava as operações, transferia as armas ao país em questão por mala diplomática, e enviava o dinheiro a Cuba pela mesma via. Masetti, que permaneceu na cidade do México como funcionário de nível médio do Departamento América, de 1980 até ser expulso do país, em 1983, é categórico a respeito de suas próprias experiências. As armas chegavam ao México de avião, realizavam-se os assaltos a bancos, seqüestros e outros delitos, e o produto era entregue à custódia do Departamento América.
Depois, este distribuía o dinheiro aos movimentos revolucionários a fim de que conseguissem armas. Foi assim que o pessoal de Piñero conseguiu tornar-se independente em ralação ao Tesouro cubano, ao DOE e a outros órgãos estatais. Poder-se-ia falar de autofinanciamento e autogestão. É factível supor que foram operações do Departamento América uma série de roubos na cidade do México, e vários seqüestros de empresários no México e no Brasil,como o de Abílio Diniz, dono do Supermercado Pão de Açucar, realizado em 1989, na época atribuído a revolucionários do Cone Sul, que atuavam em causa própria.
Em certo sentido, esses procedimentos não foram diferentes dos adotados pelas Tropas Especiais do Ministério do Interior, da CIMEX ou do Departamento MC, aparatos de importação e exportação criados por Antonio de la Guardia, e que acabaram envolvidos no narcotráfico.
A Revolução cubana marcou a esquerda latino-americana com outro acontecimento. Tratava-se de "uma revolução na revolução". Pela primeira vez na história da região tiveram lugar, ao mesmo tempo, três processos: um regime revolucionário; em segundo lugar, a partir de 1961, o regime abraçou abertamente o marxismo-leninismo, aderindo ideologicamente ao bloco soviético e designando-se a si mesmo como principal inimigo dos EUA. Por fim, em terceiro lugar, a Revolução Cubana nasceu com uma ambição latino-americana e proclamou exaustivamente a sua intenção de atiçar o fogo da revolução em todo o continente, revolução que durou até à derrota eleitoral dos sandinistas, três décadas depois.
Depois da queda dos sandinistas e do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, a revolução desapareceu do léxico da esquerda. Em nenhum país sul-americano a esquerda local deixou de ser influenciada por Cuba. A esquerda, como um todo – partidos comunistas, intelectuais, dirigentes sindicais e ex-caudilhos populistas –, converteu-se à linha cubana ou dividiu-se entre pró-cubanos e o resto: ortodoxos, comunistas pró-soviéticos, defensores de governos locais e partidários da noção de uma aliança com a "burguesia nacional".
Fidel Castro e os cubanos não inventaram a luta armada na América Latina e no Caribe, mas os cubanos redefiniram uma tradição e converteram-na em política de Estado e de Partido.
Alegou-se, na época, que a descontinuidade entre a Revolução Cubana e a teoria e prática dos partidos comunistas tradicionais da América Latina, foi amenizada por uma afinidade leninista fundamental: o entendimento do socialismo como "ditadura do proletariado" e do predomínio de um partido único, a expropriação total dos meios de produção e as aspirações de homogeneidade social.
Recorde-se que os principais grupos de guerrilheiros urbanos, foram os de Carlos Marighela, no Brasil, sobretudo pela redação e distribuição do Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano, os movimentos na Argentina e, sobretudo, o Movimento Tupamaros, no Uruguai.
Finalmente, a esperança de uma revolução continental desvaneceu-se. A União Soviética passou a exigir mais ordem e disciplina para ajudar Cuba e, diante de sua crescente dependência de Moscou, Cuba viu-se obrigada a pôr fim a seus atritos com os soviéticos, tanto em matéria de política econômica como em assuntos internacionais. Diante dessa reviravolta dos acontecimentos, Cuba também passou a estreitar laços com muitos governos latino-americanos, mas recorde-se que Fidel Castro, que começou a apoiar a revolução latino-americana logo que chegou ao Poder, nunca deixou de fazê-lo, porém a era do foco guerrilheiro finalmente chegou ao fim.
Cuba não fez a revolução na América Latina, e sempre que tentou forçar as coisas ela fracassou...
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
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Da Justiça a clava forte