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Cubanos elegem no domingo 612 deputados entre 612 candidatos
Nas eleições tampouco há campanhas, pesquisas ou candidatos da oposição
Por Geraldo Casoaccess_time 1 fev 2013, 15h51 chat_bubble_outline more_horiz
O presidente de Cuba, Raúl Castro: as eleições conduzirão certamente à reeleição do presidente. (Ernesto Mastrascusa/AFP)
Havana – Os cubanos se dirigirão no domingo às urnas para eleger os 612 membros do Parlamento, em eleições sem surpresas nas quais o número de candidatos é idêntico ao número de deputados que serão escolhidos e que conduzirão certamente à reeleição do presidente Raúl Castro.
Nas eleições, nas quais tampouco há campanhas, pesquisas ou candidatos da oposição, também serão eleitos os 1.269 membros das 15 assembleias provinciais de igual número de candidatos, e não estará em jogo o domínio exercido pelo Partido Comunista (único) sobre a sociedade.
A partir das 07h00 e até as 18h00 funcionarão 29.957 colégios eleitorais para que os cubanos emitam seu voto direto e secreto em urnas protegidas por “pioneiros” (crianças), “no que constitui um dos momentos transcendentais do processo democrático cubano”, destacou nesta sexta-feira o jornal oficial Granma.
Embora não sejam esperadas surpresas, pela primeira vez a votação desperta algumas incógnitas, já que os dirigentes históricos do regime entraram em contagem regressiva por sua avançada idade e devido ao limite de 10 anos para ocupar um cargo introduzido por Raúl Castro, que, com seu irmão Fidel, é um dos 612 candidatos ao Parlamento.
O limite de 10 anos é inovador em um país onde alguns funcionários de alto escalão ocuparam o mesmo posto durante décadas, e foi aprovado pelo Partido há um ano. Segundo esta regra, Raúl Castro pode ser presidente apenas até 2018.
Em outubro, nas eleições municipais, primeira etapa do processo em curso, 92% dos eleitores votaram, número superior ao de outros países, mas os dissidentes questionam o sistema eleitoral em um país onde toda a oposição é ilegal e todos os meios de comunicação são controlados pelo Estado.
“Isto é uma farsa”, disse à AFP o economista dissidente e ex-preso político Oscar Espinosa Chepe.
“As chamadas eleições em Cuba, como disse o prêmio Nobel Oscar Arias, são uma corrida de um só cavalo”, declarou à AFP o dissidente Elizardo Sánchez, que dirige a ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos.
Também expressou suas críticas o escritor e acadêmico governista Guillermo Rodríguez Rivera, que afirmou que “as eleições não são plenas quando a população deve eleger o mesmo número de candidatos propostos”.
Além disso, “a maior parte deles (os candidatos) são funcionários do governo” e “não se pode ser juiz e parte”, escreveu Rodríguez em um artigo intitulado “Minhas objeções às eleições que se aproximam”, publicado no site do famoso cantor cubano Silvio Rodríguez (segundacita.blogspot.com).
Rodríguez, que é professor da Universidade de Havana, também criticou o fato de metade dos candidatos serem escolhidos por uma “Comissão de Candidaturas” formada por líderes de organizações sociais oficiais.
A outra metade é escolhida pelos delegados municipais eleitos em outubro. O Partido formalmente não apresenta candidatos, embora boa parte deles sejam militantes.
Nas semanas anteriores, a imprensa e a televisão publicaram fotos e breves biografias dos 612 “candidatos do povo”, que participaram de mais de 5.300 encontros com eleitores em bairros e centros de emprego, segundo o Granma.
Apenas um terço dos candidatos é membro do Parlamento, segundo o jornal.
Quando o novo Parlamento for constituído, ele deverá eleger entre seus membros trinta integrantes do Conselho de Estado, presidido por Raúl Castro (de 81 anos), processo realizado normalmente no dia 24 de fevereiro, data de início da guerra de independência contra a Espanha em 1895. Notícias sobre América LatinaCubaEleiçõesPolítica
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