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- Cuidado! O Brasil ainda pode piorar muito!
- Mosca na Sopa
- Fogo ex-amigo
- O Exército Marionete do Presidente?
- Informação e Desinformação – um dos aspectos da Guerra Híbrida
Cuidado! O Brasil ainda pode piorar muito!
Posted: 02 Aug 2017 07:13 PM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Michel Temer venceu por 263 votos de aliados fiéis, comprados ou convenientes. Só não dá para saber como chegará ao fim de um governo que sequer começou. O Presidente sangra, e seus aliados mamam nas tetas do dinheiro público. O desgaste política é imenso, e o desempenho sofredor da economia só anima quem tem dinheiro para viver em outra dimensão. As contas públicas seguem arrombadas. A equipe econômica vai nos impor mais impostos.
A violência sai de controle. As pessoas sofrem com a insegurança. A jurídica, nem se fala. Lula vira réu pela terceira vez na Lava Jato. A segunda turma do Supremo Tribunal Federal segue a rotina de soltar condenados por crimes de corrupção. A blindagem que será dada a Michel Temer consagrará a impunidade e a falta de vergonha na cara da desqualificada classe política. A impressão real é que o Brasil, que está ruim, pode ficar ainda pior. Todo cuidado é pouco!
Toda sociedade "doente pela falta de democracia" é marcada pela completa falta de representatividade do Estado / Governo com a sociedade. Esta doença que aflige os regimes democráticos às vezes gera DITADURAS na prática e em diferentes formatos. Elas podem ser explicitamente sustentadas pelo uso da força, ou seja, das Forças Armadas, sejam as regulares ou nos moldes milicianos lá da Venezuela. Agora em pleno século 21, o século das comunicações instantâneas, das redes sociais, das fibras óticas e da tecnologia da informação o que assistimos é a falta de democracia através do Populismo de Estado.
Os Governos Populistas se apresentam com verniz ora de esquerda, ora de direita. A ideologia é mero instrumento de enganação e dominação. O traço comum é a existência de uma casta que vive "incrustada" na máquina pública. Existe e "prospera" em condições financeiras suntuosas, enquanto o restante da população "paga indefinidamente" a fatura de políticas públicas que prometem melhorar a vida de todos, um dia. Triste Zelite...
Não importa o tamanho do PIB do país. O principal traço do subdesenvolvimento é o baixo nível de renda da esmagadora maioria da população, enquanto uma burocracia estatal / pública se esbalda em altos salários, corrupção generalizada e ausência de mecanismos sociais, políticos e econômicos que permitam a esta sociedade deixar de ser refém desta máquina pública.
As cleptocracias (estado governado por ladrões) da Venezuela e da Coreia do Norte não são tão diferentes como podem parecer no estilo. Baixa qualidade de vida da grande maioria da população, grandes bolsões de miséria, repressão contra a sociedade que tenta se organizar para alterar as políticas públicas, inexistência total ou aparelhamento do Poder Judiciário e por aí vai. As melhores práticas de gestão do aparato público não são aplicadas. São reprimidas.
Vimos nas últimas décadas as oligarquias latino americanas adotarem todas as formas de práticas medievais para permanecerem no poder político e econômico. Oligarquia não tem cor política. A esquerda festiva e infantil da América Latina, firmemente reprimida pelos regimes militares implantados nos anos 60 e 70, se deixou encantar pelos lindos sorrisos das velhas raposas oligarcas. Através de alianças espúrias, chegaram ao poder no início do século XXI.
Pensavam poder controlar a máquina pública e promover políticas públicas historicamente associadas às bandeiras da esquerda socialista internacional.
Para tanto, os fins justificavam os meios. Ficaram parecidas com o regime do oligarca e ditador nicaraguense Anastásio Somoza, que culminou com uma guerrilha que dizimou a economia do país.
No Brasil, a zelite oligarca faz e desfaz alianças políticas e econômicas para se manter a qualquer custo no controle da máquina pública. Fabricam "nomes novos" para disputar as eleições, mas as práticas de corrupção e enriquecimento ilícito às custas do dinheiro público se perpetuam - independentemente do Partido Político que tenha obtido maioria no processo eleitoral, em todas as esferas do poder público.
A população total da Venezuela é menor que a população do estado de São Paulo. A população da Argentina também. Sorte nossa que é bem diferente manter o controle político sobre uma população de aproximadamente 230 milhões de pessoas, em um país de extensão continental como o Brasil. A turma do Foro de São Paulo deve ter descoberto isso, depois da queda do PT, com a continuidade da Nova República implantada pelo PMDB, em acordo de conivência com os partidos que eram situação no tempo dos militares.
Ficou evidente a existência de uma esquerda fraca intelectualmente e inexperiente em termos de controle de uma máquina pública corrompida e tradicionalmente controlada por uma oligarquia medieval. Foi isto que "salvou" o Brasil de passar por experiências como as da Venezuela (de Chaves) e da Argentina (do clã dos Kirchner).
Associado a isso, temos uma grande parcela da população que tem menos de 40 anos e utilizam intensamente as redes sociais. Assim, "velhos" mecanismos de controle da mídia, tão usados pela oligarquia medieval brasileira, passaram a falhar e escancarar o distanciamento entre o padrão de vida das famílias oligarcas e do restante da população.
Nos anos 80 assistíamos horrorizados às guerras na África e víamos depois os ditadores sanguinários mudarem com suas famílias para mansões suntuosas na Europa ou nos Estados Unidos. Enquanto as populações de seus países eram massacradas pelas forças militares ligadas a seus Governos, esses diretores e suas famílias depositavam bilhões e mais bilhões de dólares em bancos no Exterior.
Não, caros leitores. Não estamos falando do Brasil de 2017 revelado a nós pela Lava Jato. Estávamos falando de miseráveis países africanos dos anos 80. Poderíamos dizer que só nos falta mesmo a guerra civil para estarmos iguais a estes países africanos. Acontece que em 2016 ocorreram pelo menos 60 mil assassinatos no Brasil. No ano anterior os números foram parecidos. Só falta anunciarmos que se trata de uma guerra civil, pois os mortos estão aí, lotando hospitais, necrotérios e nas ruas das nossas pacíficas cidades.
Parceiro do Crime Institucionalizado, o chamado "crime organizado" controla nossos presídios e aterrorizam toda a população. Eles não podem ser combatidos apenas pela mera via repressiva armada. Só umamudança estrutural no Brasil pode conter o crime. É preciso que a sociedade assuma definitivamente o controle do Estado no Brasil. Só assim vamos tirar o Crime do Poder.
A máquina pública deve ser totalmente reestruturada para que deixe de ser ferramenta da oligarquia medieval ou deixe de ser laboratório social de uma esquerda festiva e demagógica. Todos usando o Crime Institucionalizado, e servindo a interesses de controladores externos, para manter o Brasil subdesenvolvido - como a mais importante colônia de exploração do mundo globalitário.
Mudar a estrutura estatal brasileira, com a sociedade controlando o Estado e não sendo meramente controlada por ele, é o maior desafio dos brasileiros honestos, de bem e do bem, que só sobrevivem para pagar impostos para sustentar o modelo Capimunista Rentista e Corrupto.
A "ficadinha" de Temer, o desespero da falsa oposição, o agravamento da crise econômica e o descontrole da violência vão acelerar o desejo por mudança. Até o melhor acontecer, o Brasil pode piorar, e muito. Estamos em Guerra Híbrida, de 5ª Geração...
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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 2 de Julho de 2017. |
Mosca na Sopa
Posted: 02 Aug 2017 03:10 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Uma des práticas mais utilizadas pelos implantadores da Nova Ordem Mundial é a relativização de tudo.
A grande imprensa, domesticada e canalha, não dá mais uma única notícia crível. Um bando de pseudo-jornalistas sempre "inventam" desmentidos ou novas versões para o fato, seja ele banal ou grave.
Da mesma forma, nenhuma peça teatral ou filme de cinema pode mais contar uma história de heroísmo e de orgulho nacional.
O "herói" tem que se abastardar para conseguir financiamento de seus projetos culturais.
Mesmo no mundo da ópera, vejam como as montagens modernas de clássicos são feitas , propositadamente, de forma grotesca ou abjeta.
É verdade que ambientar uma obra de Mozart com figurinos do século XVIII custa bem mais caro que uma versão "aggiornata".
Não obstante, a versão de "Il re pastore" levada no festival de Salzburg de 2.006 é simples e inteligente.
Aproveitando-se do fato de o personagem principal ser uma mulher fazendo o papel de homem, Aminta, o diretor de cena deu conotações de lesbianismo ao seu romance com Elisa.
Não era necessário. Foi puro mau gosto. A própria mosca na sopa.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
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Fogo ex-amigo
Posted: 02 Aug 2017 03:08 AM PDT
Luciana Genro
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana
Já se disse por aí: "pior inimigo é o ex-amigo". E a neopetista Luciana Genro confirma isso, dando no rim do PT com suas críticas: acusou Lula e o PT de apenas fingirem interesse na queda de Michel Temer e preferirem prolongar o desgaste do presidente até as eleições de 2018. Entregando os ex-companheiros, falou: "O PT não tem interesse em derrubar Temer agora. Eles querem deixar o governo sangrar e fazer os ajustes para quem assumir depois".
Embora hoje no Psol, saberá o que diz. Originariamente do PT, donde foi expulsa em 2003 ao se opor a uma reforma da previdência que Lula propôs, ela ainda tem uma relação de proximidade com alguns caciques petistas, a começar por seu pai, Tarso Genro. Ninguém duvida dela, que deve ouvir muita coisa nos churrascos dos fins de semana...
Mas em sua "delação gratuita", o mais grave está aqui: "(...) sangrar e fazer os ajustes para quem assumir depois." A raia miúda não sabe nada, mas os graúdos do PT sabem muito bem que reformas são necessárias. Como ministro da Fazenda de Dilma, aliás, Joaquim Levi chegou a propor uma série de reformas - o que, ao menos para alguns, implicaria perdas no presente em favor de um futuro sustentável. Isso não daria IBOPE.
O populismo venceu Levi. Prevaleceu aquela lógica do lulopetismo: pensar reformas é para adultos, enquanto que convém ao projeto bolivariano que o povão permaneça infantilizado, esperando um papaizinho que carregue todo mundo no colo - Dilma não colou como mamãezinha. Ou seja, os figurões do PT sabem que as reformas são necessárias. Mas preferem que outro o faça e suporte o desgaste, para que disso o PT tire proveito eleitoreiro. É o que Luciana Genro está dedurando.
Pois é. Ela pode ser rasa nos debates, defender ditaduras, manter os preconceitos e cacoetes de quando era do PT, mas neste momento tem o mérito de tirar a máscara do lulopetismo. Assim é a política.
Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.
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O Exército Marionete do Presidente?
Posted: 02 Aug 2017 03:05 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira
A recente ordem presidencial para que o Exército intervenha no Rio de Janeiro para "garantia da lei e da ordem" (GLO), até 31.12.2017, tem seu fundamento a partir do artigo 142 da Carta Maior. Esse mandamento, que trata da GARANTIA DA LEI e da ORDEM, também assegura igual direito de convocação das Forças Armadas aos Poderes Legislativo e Judiciário, embora esse tipo de convocação jamais tenha partido de qualquer desses Poderes Constitucionais.
Talvez isso se explique por um errôneo entendimento que se empresta ao artigo 142 da Constituição de 1988, que foi completamente desvirtuado com a edição da Lei Complementar Nº 97/1999,que deveria regulamentar o referido artigo constitucional, mas acabou ferindo-o mortalmente. Ocorre que o parágrafo 1º do art. 142 da CF determina que uma Lei Complementar (LC) estabeleceria "as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas". Essa Lei Complementar, regulamentadora do art. 142 da CF, acabou sendo objeto da Lei Complementar Nº 97/1999. Mas essa LC está cheia de vícios constitucionais.
Começa pelo seu artigo 15: "O emprego das Forças Armadas na DEFESA DA PÁTRIA, NA GARANTIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS, da LEI e da ORDEM, é da responsabilidade do Presidente da República, que determinará ao Ministro da Defesa a ativação dos órgãos operacionais..." Ora, a Constituição (art.142) garante também aos Poderes Legislativo e Judiciário o direito da convocar as FA para garantia da LEI e da ORDEM. Mas esse direito foi SUPRIMIDO pela LC 97/1999,cujo artigo 15 outorga esse direito somente ao Presidente da República, que "determinará ao Ministro da Defesa a ativação dos órgãos operacionais". Flagrante inconstitucionalidade, portanto, "cassando" dos Poderes Legislativo e Judiciário o poder de convocar igualmente as FA.
Enquanto isso o Chefe do Poder Executivo usa e abusa do seu direito de convocação das Forças Armadas, para garantia da lei e da ordem, em qualquer situação que julgue necessário, ou politicamente "oportuna", mesmo que seja para apartar desentendimentos e brigas de cachaceiros em botequins de segunda categoria. Portanto a frequência com que essa "convocação" tem sido feita chega ao ponto vulgarizá-la. Isso porque em tese esse não seria papel próprio das Forças Armadas, treinadas para fins de defesa da segurança nacional e atividades afins , não da segurança pública, que nunca se confundem, e para a qual existem forças de prevenção e repressão próprias.
Essa manifesta falta de treinamento das Forças Armadas no enfrentamento do banditismo, especialmente nas grandes cidades, como agora no Rio de Janeiro, torna a "Inteligência" militar absolutamente impotente e "amadora" frente à "inteligência" (esperteza, malandragem, familiaridade com o próprio território do crime, etc. ) dos criminosos que desafiam acintosamente as autoridades.
No máximo essas intervenções militares irão colaborar com a segurança pública num determinado período ,ocasionando um certo recuo dos criminosos, ao preferirem não entrar em confronto direto com os militares do Exército, aguardando o término da intervenção com prazo certo. Talvez o único efeito psicológico inibidor pela presença militar nos redutos dos criminosos seja igual ao fenômeno que ocorre quando certos animais mudam a aparência física com artifícios variados para representarem ser mais poderosos, maiores ou mais fortes que o potenciais "inimigos". Essa tática funciona na natureza e também nas relações humanas. Com certeza os caminhões lotados de soldados circulando pelas ruas do Rio de Janeiro irão causar uma certo recuo dos marginais. Mas é passageiro. Logo eles voltarão.
Interessante é observar que as regalias do Presidente da República frente ao Poder Militar não são nada "republicanas". O seu poder é DITATORIAL. Basta ler com atenção a LC 97/1999 e isso ficará bem nítido. Nos termos do art. 2º dessa LC," O Presidente da República, na condição de Comandante Supremo das FA, é assessorado: "(I) no que concerne ao emprego dos meios militares, pelo CONSELHO MILITAR DE DEFESA"; Parágrafo 1º: "O Conselho Militar de Defesa é composto pelos Comandantes da Marinha, do Exército, e da Aeronáutica, e pelo Chefe do Estado Conjunto das FA "; Parágrafo 2º: "Na situação do inciso I, o Ministro da Defesa integrará o Conselho Militar de Defesa na condição de seu Presidente".
Posso garantir-lhes que em nenhum país do mundo onde prevaleça o Estado de Direito o Presidente da República tem tantos poderes sobre os militares. E essa LC não foi escrita durante os Governos Militares, e sim no Governo FHC. Se é verdade que o Presidente da República deve compartilhar o comando das Forças Armadas com os Comandantes das Três Forças, com o Chefe do Estado Conjunto das Forças Armadas, e com o seu Ministro da Defesa, menos verdade não é que todos esses são autoridades de sua exclusiva "confiança", demissíveis "ad nutum", jamais assumindo tais cargos sem a sua "bênção". Quem deles iria contrariar a vontade presidencial? Os militares em si mesmos estariam sendo considerados um poder "bundão"?
Ora, se a tropa e a caserna tomassem consciência que o Poder Militar é muito maior do que esse papel de fantoche que lhes reservaram, as coisas poderiam mudar. E para o bem do Brasil e do seu povo.
Se por um lado o que fazem com o artigo 142 da Constituição é um MAL, por outro ele também poderia ser a salvação do Brasil. Tratamos até agora da primeira parte do artigo 142 da CF, que versa sobre intervenção militar para garantia da ORDEM e da LEI. Viu-se que tudo o que se faz nesse sentido está errado. Mas a corrupção de entendimento vai bem mais longe, causando um mal ainda maior.
Preceitua o art.142 da CF: "As Forças Armadas... são instituições nacionais permanentes e regulares... sob autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à DEFESA DA PÁTRIA ,à GARANTIA DOS PODERES CONSTUTUCIONAIS e, por iniciativa de qualquer destes, da LEI e da ORDEM".
Fica muito claro, portanto, inclusive pela colocação da vírgula entre "PODERES CONSTITUCIONAIS" e "por iniciativa", que a convocação das FA para garantia da lei e da ordem é da exclusiva competência de qualquer um dos Três Poderes Constitucionais, apesar de ter sido usado só pelo Presidente da República. Mas esse privilégio não se manifesta quando se trata das hipóteses de DEFESA DA PÁTRIA e GARANTIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS.
A melhor interpretação que se pode dar a esse dispositivo é que a competência para tal nessas hipóteses é exclusiva das FORÇAS ARMADAS, sem qualquer interferência, seja dos Comandantes das Três Forças, seja do Chefe do Estado Conjunto das FA, do Ministro da Defesa ou do próprio Presidente da República, ainda mais que um dos possíveis alvos da intervenção, além de outros, se fosse o caso, poderia ser o próprio. Vê-se, por conseguinte, que as competências mudam, conforme a hipótese constitucional de INTERVENÇÃO.
Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.
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Informação e Desinformação – um dos aspectos da Guerra Híbrida
Posted: 02 Aug 2017 03:02 AM PDT
Imagem – Atividade de Contrainteligência, segundo a ABIN (fonte: http://www.abin.gov.br/atividadeinteligencia/inteligenciaecontrainteligencia/contrainteligencia- acesso em 19 de julho de 2017)
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo é de autoria de Flávio César Montebello FabriBacharel em Direito, Mestre em Ciências de Segurança e
Ordem Pública, Policial Militar (SP). Repassando aos Kamaradas -------------------------------------------------
O DefesaNet têm corretamente não somente alertado mas, principalmente, orientado, a respeito do cenário atual vivido a respeito de Guerra Híbrida. Tema que aparentemente é alusivo (a um leigo) somente como uma atuação militar, vivido por forças singulares, na "terra de ninguém", mais do que nunca tem sido experimentado pelas forças policiais e pela sociedade civil como um todo, sendo extremamente complexo.
Até pouco tempo atrás, em outubro de 2015, vivenciamos em São Paulo (principalmente na capital), a ocupação de mais de 200 escolas, durante a "reorganização" proposta pelo Estado. Poucos se lembraram do evento ocorrido no Chile em 2006, conhecido como Rebelião dos Pinguins (com documentário disponível no site YouTube), com mais de 600.000 estudantes envolvidos, onde se falava muito do "amadurecimento do movimento estudantil". Poucos também leram a obra de Gene Sharp, Da Ditadura à Democracia (ou o documentário "Como Iniciar uma Revolução"), enquanto tentavam olhar um pouco mais atentamente a respeito das grandes manifestações populares que ocorriam, também, em passado recente. Deixemos um pouco de lado conceitos doutrinários a respeito de Inteligência (que segundo a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, é o "exercício de ações especializadas para obtenção e análise de dados, produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país") e Contrainteligência (de uma forma singela, o foco na proteção contra espionagem, por exemplo e produção de conhecimentos, realização de ações voltadas para a proteção de dados, conhecimentos etc.). Passemos a falar sobre a atividade de obtenção de informações e, mais propriamente, da desinformação. Mas antes que pareça algo extremamente atual ou romântico (como em muitos filmes sobre espiões), gostaria de lembrar que, do ponto de vista histórico, a Sagrada Escritura (Bíblia) é rica em assuntos que ainda hoje parecem surpreendentes. Como a Bíblia é praticamente encontrada em todos os cantões do planeta, não é difícil efetuar consulta. A não ser em relação aos meios utilizados e a refinamentos táticos, a primeira ação conhecida com típicas características de emprego de Forças Especiais, se encontra no Livro de Juízes, no seu capítulo 7. Gideão deslocou sob a cobertura da noite e do silêncio uma fração extremamente bem treinada para um acampamento adversário, que possuía um contingente muito maior que a força enviada. Tochas escondidas em cântaros (que foram posteriormente arremessados violentamente ao solo, produzindo som alto) ofuscaram e desorientaram os oponentes, que foram posteriormente abatidos. A vitória de Gideão pouco difere em doutrina, técnica ou tática às operações do LRDG (Long Range Desert Group) britânico na África Saariana ou a equipe SEAL (Sea Air Land - U.S. Navy, sendo que a equipe 6 é denominada como United States Naval Special Warfare Development Group) desdobrada na Operação Arpão de Netuno, no Paquistão, em maio de 2011, que culminou com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Também, a Bíblia menciona a importância do levantamento de informações, precedendo uma ação "ostensiva" propriamente dita. No Livro de Números 13: 1-2 (capítulo treze, versículos de um a dois) se lê: "E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Envia homens que espiem a terra de Canaã...". Sucessor de Moisés, Josué fez uso de "espias" com a finalidade de angariar informações a respeito da situação em localidades, particularmente Jericó. Lemos em Josué 2:1-5 (capítulo dois, versículos de um a cinco) que: "Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro lado, especialmente em Jericó". No versículo 3 que: "São espias...foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem (grifo nosso)". Em Hebreus 11:31(capítulo onze, versículo trinta e um) lemos: "Pela fé Raabe... acolheu em paz os espias". Ressalto novamente que no comparativo entre ações, que se deve levar em consideração fatores como "quando ocorreu" e "com quais meios disponíveis". Também me desculpo com aqueles que são conhecedores a respeito de temas bíblicos, por alguma incorreção de minha parte. Estudar o objetivo, em vários outros pontos, são condições a serem avaliadas pela inteligência, podendo preceder uma ação onde, de uma forma ou de outra, se fará conhecer as reais intenções de um grupo. John Keegan, famoso historiador militar inglês, em sua obra Inteligência na Guerra: conhecendo o inimigo, de Napoleão à Al-Qaeda (Companhia das Letras, 2006), falando sobre a inteligência, cita o pensamento de George Washington de que "A necessidade de obter informações de qualidade é evidente e não precisa ser objeto de debate". Ainda, Keegan ensina que "a conquista da Gália por César decorreu de seu melhor uso de informações...". A arte da observação e dedução também foi sendo desenvolvida com o passar do tempo. As regras de observação mencionavam, inclusive, a análise quando da visualização da poeira e reflexos de luz como indicação de ações de tropas adversárias. Keegan explica que "uma nuvem generalizada de poeira indicava geralmente a presença de saqueadores inimigos...colunas densas e isoladas de pó demonstravam que as hostes estavam em marcha", tão como, citando o Marechal de Saxe, que "nos dias claros, os reflexos de sol nas baionetas e espadas podia ser interpretado a distâncias de até 1600 metros...se os raios forem perpendiculares, significa que o inimigo avança em nossa direção; quando intermitentes e infreqüentes, indicam retirada". Pois bem. Não necessariamente nos cenários de Guerra Híbrida, um objetivo (ou grupo envolvido) fica evidente. Da mesma forma, além de obter informações de interesse (e resguardar as mesmas quando necessário), DESINFORMAR também garante resultados quando se fala em mobilização de grupos, formar opiniões, fragilizar instituições, ocultar fatos etc. Aplicativos como o WhatsApp, Telegram, como tantos outros, feitos para facilitar o contato entre pessoas, podem ser utilizados para propagar em curtíssimo espaço de tempo boatos e informações distorcidas causando comoção, sendo que nem todos os usuários, antes de compartilharem algo que receberam, se preocupam em verificar a veracidade ou contexto. Até que seja esclarecida que a informação recebida não era verídica ou possuía um caráter outro que não o mero esclarecimento a respeito de um fato, a mensagem já produziu seu efeito: DESINFORMAR. O professor Guy Durandin, em seu livro As Mentiras na Propaganda e na Publicidade(JSN Editora, 1997) já alertava que "quanto ao grau de informação, evidentemente é mais fácil enganar uma população pouco informada do que uma bem informada. Para ilustrar, falaremos apenas de duas situações. Nos regimes totalitários, o governo se esforça para controlar totalmente a informação, ao ponto de se tornar impossível distingui-la da propaganda. A população, recebendo tudo da mesma fonte, não tem dados para exercer seu espírito crítico, e corre o risco de acreditar em mentiras, ou então, depois de decepções acumuladas, tornar-se totalmente cética". Na obra, exemplos como Goebbels (um artista da desinformação) e vários outros, são citados. Este livro é de leitura quase obrigatória, principalmente nos dias atuais. Sobre informar e desinformar vi duas circunstâncias totalmente diversas em relação a uma pessoa próxima: meu filho. Um dia, uma de suas professoras comentou a respeito das vantagens de países democráticos. Citou como exemplo... Cuba (!!!). Meu filho recebeu uma informação brevemente, não ocorreu debate ou pesquisa sobre, sendo que ao chegar em casa comentou estar fascinado com o que foi descrito. Conversamos longamente e foi exposto outro ponto de vista pessoal de minha parte. Deixo a convicção a respeito do tema com ele, desde que pesquise, tenha acesso a mais referências e outros posicionamentos. Por outro lado, em outro ambiente (Capítulo DeMolay Sagrada Aliança Nº 791 – São Paulo / SP), testemunhei a pesquisa e debate, sem paixões exacerbadas, a respeito de temas atuais. Informações sobre determinado assunto foram expostas, ocorreram perguntas e, de forma salutar, uma conversa entre os jovens. Felizmente cada um deles tinha um posicionamento pessoal, que foi respeitado, celebrando-se as diferenças. Com uma vantagem: cada um deles, mesmo tendo uma opinião própria, teve acesso a mais informações. Acompanhar o tema Guerra Híbrida, é um assunto mais complexo e de difícil compreensão do que aparenta. Com a velocidade que proporciona a dispersão de informações, é muito fácil, caso não se pesquise, se deixar levar por fatos parciais ou interesses que não são evidentes. Talvez, em outra oportunidade, possamos comentar mais a respeito de desinformação.
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
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