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terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Aparição de La Salette e suas Profecias: O mistério do retorno de Elias e Henoc

A Aparição de La Salette e suas Profecias: O mistério do retorno de Elias e Henoc


O mistério do retorno de Elias e Henoc

Posted: 23 Oct 2017 12:30 AM PDT

Santo Elias raptado num carro de fogo diante de Santo Eliseu.  Juan de Valdés Leal  (1622 - 1690), igreja de Nossa Senhora do Carmo, Córdoba, Espanha.
Santo Elias raptado num carro de fogo diante de Santo Eliseu.
Juan de Valdés Leal  (1622 - 1690), igreja de Nossa Senhora do Carmo, Córdoba, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior: Beato Palau: Deus dispôs uma missão extraordinária para nos libertar



Elias e Henoc: dois profetas do Antigo Testamento ainda vivos

De acordo com as Escrituras, o profeta Elias foi raptado aos Céus num carro de fogo na presença de seu discípulo e sucessor Santo Eliseu:

"eis que de repente um carro de fogo com cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão. Vendo isso, Eliseu exclamou: Meu pai, meu pai! Carro e cavalaria de Israel! E não o viu mais." (II Re, 2, 11-12)

O arrebatamento do profeta teria acontecido no ano 914 a. C., quando Elias tinha não menos de 46 anos.

É doutrina líquida entre os Padres e Doutores da Igreja que Santo Elias não morreu mas que se mantém em vida por disposição divina, aguardando para voltar no fim dos tempos e lutar contra o Anticristo.

Junto com ele, se encontraria Santo Henoc (escreve-se também: Enoc e Enoque), do qual a Bíblia ensina igualmente que foi levado vivo da Terra:

"Após o nascimento de Matusalém, Henoc andou com Deus durante trezentos anos, (...) Henoc andou com Deus e desapareceu, porque Deus o levou." (Gen, 5, 22-24) e

"Henoc agradou a Deus e foi transportado ao paraíso, para excitar as nações à penitência" (Eccl, XLIV, 16).
Henoc teria sido levado da Terra por volta do ano 3.019 a.C., 987 anos após a criação de Adão, quando tinha 365 anos (viveu antes que Deus diminuísse a duração da vida dos homens).

Mistérios da vida deles

Onde se encontram? Como vivem? Têm contato com a Terra? Em quais condições vão regressar?

O assunto tem apaixonado a doutores e santos da Igreja. O eruditíssimo e famosíssimo comentarista das Sagradas Escrituras, Pe. Cornelio a Lapide S.J., resume as opiniões de maior peso e conclui:

"o lugar onde se encontram Elias e Henoc é incerto. Em qualquer caso, seja um local terrestre ou etéreo, Elias leva una vida quieta e santa, na contemplação de Deus, (...)

Elias e Henoc, ícone do século XVII, Museu Histórico, Sanok, Polônia
Elias e Henoc, ícone do século XVII, Museu Histórico, Sanok, Polônia
"São Gregório Magno diz: "Elias foi elevado ao céu aéreo, para ser imediatamente levado a uma região secreta da terra, e ali viver numa grande quietude da carne e do espírito, até que volte no fim do mundo e pague o débito da morte" (Hom. 29, in Evang.).

"Elias e Henoc já são candidatos à eternidade, habitantes do paraíso (...) e estão confirmados em graça, segundo Suárez.

"E embora não vejam a Deus, nem gozem da beatitude celeste, recebem muitas luzes e consolações divinas, pois estão como que "no átrio da casa do Senhor". Pelo que são visitados pelos anjos com muito maior frequência que os outros homens, e com eles conversam.

"Vivem da palavra divina, sem alimento nem bebida para o corpo, porque Deus lhes conserva incorruptos (assim como suas roupas, como conservou as vestes dos judeus durante quarenta anos no deserto), sãos, alegres, ágeis, gozosos, exultantes com sua situação, estado e missão.

"E dão graças a Deus, porque só eles dois – entre muitos milhões de homens – foram escolhidos para lutar por Nosso Senhor no fim do mundo contra o Anticristo, converter as nações e os judeus e ser coroados com um martírio glorioso.

"E, por causa de seu rapto, incorruptibilidade e longevidade, comunicar aos homens a fé e a esperança na ressurreição" (R. P. Cornelio a Lapide SI, Commentaria in Scripturam Sacram, Ludovicus Vivès Bibliopola Editor, Paris. In Librum IV Regum, Cap II, 11).

Santo Tomás de Aquino também conclui: "Henoc foi levado para o paraíso terrestre, onde se crê que, juntamente com Elias, viverá até que ocorra a vinda do Anticristo". (Suma Teológica, Parte III, questão 49, artigo 5, objeção 2).

Elias e Henoc se encontram com a idade que tinham na Terra quando foram levados.

Segundo o Génesis, Henoc tinha 365 anos quando deixou a Terra.

Segundo Cornelio a Lapide, Elias tinha 46 anos pelo menos quando foi arrebatado (id. ibid.). Em 20 de julho de 2017, a Igreja comemorou o 2931º aniversário do rapto de Elias.

Presença e intervenção de Elias nos eventos humanos

Santo Elias, século XVIII. igreja do Santo Anjo, Sevilha, Espanha.
Santo Elias, século XVIII. igreja do Santo Anjo, Sevilha, Espanha.
O segundo livro de Paralipómenos (XXI, 12) narra que Joram, rei de Judá, recebeu uma carta de Elias, que naquela data já tinha deixado a Terra. Como, quando e de que modo foi enviada essa missiva do além?

O próprio Pe. Cornelio a Lapide, após analisar abundantes opiniões de teólogos e doutores, conclui:
"Elias, portanto, escreveu a carta no paraíso, para increpar mais rigorosamente o ímpio e convertê-lo, assim como para tornar patente quanta solicitude têm ele e os santos pelos homens fiéis, ainda depois desta vida" (Cornelio a Lapide, id. ibid, In Librum II Paralipomenon, Cap. XXI).

E acrescenta: "Vemos que Elias, pese a ser morador do paraíso, mantém acesso seu prístino zelo por Deus, cuidando dos assuntos dos homens mortais, solícito pela salvação de seu povo" (Cornelio a Lapide, id. ibid., In Ecclesiasticum, cap. XLVIII, 1-12).

Aplacar a cólera divina e reacender o amor de Deus

O Eclesiástico também diz de Elias: "Tu que foste escolhido pelos decretos dos tempos para amenizar a cólera do Senhor, reconciliar os corações dos pais com os filhos, e restabelecer as tribos de Jacó" (Eclesiástico, 48, 10) .

Sobre isso comenta Cornelio a Lapide: "Deus decretou com juízo justo e sapiencial que, após muitos milhares de anos, num tempo determinado, num certo ano, mês e dia, Elias voltará para lutar por Cristo contra o Anticristo. (...)

"É como se dissesse: 'está prescrito e predito que, num determinado tempo previsto e decidido por Deus, tu voltarás para Lhe aplacar a ira'." (Cornelio a Lapide, id. ibid).

Anúncio divino da vinda de ambos os profetas

As duas testemunhas Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek
As duas testemunhas lutarão contra o Anticristo. Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek
No Apocalipse, Deus anuncia para os últimos tempos: "incumbirei às minhas duas testemunhas, vestidas de saco, profetizarem por mil duzentos e sessenta dias. São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra" (Ap, XI, 3 e 4.).
Após avaliar grande número de opiniões, Cornelio a Lapide fornece a interpretação mais recorrente:

"essas duas testemunhas indicam aqueles dois varões que lutarão por Cristo contra o Anticristo. Todos concordam que um deles será Elias. (...) se depreende das palavras de São João que eles aparecerão na terra de modo súbito e inopinado.

"Sem embargo, como virão, se transportados visivelmente pelos ares por um carro de fogo, ou por uma nuvem, ou por qualquer outro meio; como aparecerão imperceptível e subitamente em Jerusalém, ou em algum outro local, nem a Escritura, nem os Padres explicam".

"(Cornelio a Lapide, id. ibid. In Apocalypsin, cap XI, 3-19).



"Fim do mundo presente e mistérios da vida futura" (Pe. Arminjon)

Numa conferência célebre transcrita em livro que impressionou profundamente a Santa Teresinha do Menino Jesus, o Pe. Charles-Marie-Antoine Arminjon (1824-1885) imaginou a aparição desses dois profetas no auge das trevas – ou luzes enganosas – da iniquidade.

"No momento em que a tempestade é mais violenta, diz ele, quando a Igreja estará sem piloto, onde o sacrifício sem sangue cessará em todos os lugares, onde tudo parecerá desesperador humanamente, veremos, diz São João, duas testemunhas.

"Essas duas testemunhas serão dois homens estranhos, aparecendo de repente no meio do mundo, sem que ninguém possa contar de onde eles vieram, seu nascimento, sua origem ou família. (...)

"Nenhuma língua pode expressar a estupefação de que os homens são tomados à vista desses dois homens, estranhos às nossas paixões e assuntos, que tendo vivido um por seis mil anos, o outro trinta séculos, em alguma região etérea, sob firmamentos e esferas inacessíveis aos nossos sentidos e à nossa compreensão.

As duas testemunhas, Emetrius, Maestro da Escola de Távara, Gerona, século X.
Archivo Histórico Nacional, Madri
"Nenhuma dessas testemunhas é estranha para a família humana.

"Uma dessas tochas e dessas duas oliveiras é Henoc, o bisavô de Noé, o antepassado direto de toda a raça humana.

"O outro é o profeta Elias, que, como o Salvador disse, está destinado a restaurar todas as coisas.

"Ele vem pela segunda vez para reprimir o dilúvio de impiedade, mais impetuoso e mais transbordante do que no tempo de Acab. É também a hora da redenção de Israel.

"O grande profeta convencerá os descendentes de Abraão da vinda do Messias, para tirar a banda de ignorância e escuridão que tem habitado nos seus olhos durante dezenove séculos.

"Qual será o exterior e a atitude desses fantasmas de outra era?

"Que majestade antiga brilhará em suas pessoas?

"Que acentos inspirados surgirão de seus lábios?

"Isso é o que a Escritura não nos diz. Ensina-nos que profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, recobertos de saco como vestimenta e com a imagem da humildade e da penitência em seus traços".

"(Pe. Charles-Marie-Antoine Arminjon (1824-1885), "Fin du monde présent et mystères de la vie future", Office Central de Lisieux, 1970).




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