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domingo, 8 de maio de 2016

Alerta Total



Alerta Total

























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sábado, 7 de maio de 2016



O tapete da Dilma é mais embaixo






Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net


Ninguém duvida que Dilma Rousseff será afastada por 180 dias da Presidência da República, a partir do próximo dia 11, com o voto de pelo menos 41 senadores. Diferentes enquetes com senadores apontam que 50 deles votarão a favor da admissibilidade do processo de impedimento de Dilma. A esperança da petelândia é que, daqui a alguns meses, quando o plenário do Senado for sacramentar o impedimento, em julgamento presidido pelo Supremo Tribunal Federal, Dilma consiga um milagre de barrar o mínimo de 54 votos necessários ao afastamento definitivo.


A numerologia da politicagem é bem doida. Dilma contaria hoje com 20 ou 21 votos "imutáveis" a seu favor. No momento, ainda existem 10 senadores que não revelam como pretendem votar. A conquista desta turma em cima do muro é fundamental para Dilma e para a "oposição". Cresce o risco de o aliado Renan Calheiros sofrer uma pancada jurídica idêntica à imposta a Eduardo Cunha, a fim de eliminar qualquer chance de Dilma vencer no voto. Aposta-se que, assim que sentar provisoriamente na cadeira de titular do Palácio do Planalto, Michel Temer conquistará "poder de convencimento" para negociar com os fisiológicos indecisos que serão decisivos para mandar Dilma para "debaixo do tapete".


Dilma aproveitou ontem a visita a um canteiro de obras da transposição do rio São Francisco, em Cabrobó (PE), para insistir no esquema de mobilização política que a apresenta como "vítima de um golpe". A atriz Dilma deu até uma improvisadinha em seu script sempre escrito previamente para ser lido: “Eles sempre quiseram que eu renunciasse. Sabe por que eles queriam que eu renunciasse? Sabe o tapete? Você levanta o tapete e esconde a sujeira debaixo do tapete. Se eu renunciar, eu vou pra debaixo do tapete. E eu não vou pra debaixo do tapete. Eu vou ficar aqui brigando, brigando... porque eu sou a prova da injustiça. Eles estão condenando, nesse impeachment, uma pessoa inocente. E não há nada mais grave do que condenar uma pessoa inocente”.


A tendência é que Dilma seja derrubada pelo crime tecnocrático das tais "pedaladas fiscais" - aparentemente menos grave que outros escândalos ligados ao Petrolão (revelados na Lava Jato) e ao aos atos temerários de gestão cometidos na Petrobras, quando Dilma presidiu o Conselho da Administração. O Alerta Total repete por 13 x 13: A crise estrutural brasileira, em ritmo de ruptura institucional, não tem solução pelas atuais regras do jogo. Só uma inédita Intervenção Cívica Constitucional poderá redesenhar o Brasil. Eis o grande drama que não se resolve com a mera saída de Dilma, ou a queda dos Cunhas e Renans da vida...


Pequeno apoio





No Paralelo





Rotos e esfarrapados





Medíocre igualdade





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Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!



O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 7 de Maio de 2016.

Postado por Jorge Serrão às 07:18:00
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Vai ter merda






Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira


De lulvinha a lulia , a esperança morreu de bom dia. Pensou que o bonde vinha, mas o bonde ia. Pá nela!


Ministério do jaburu, fadado a tomar na rima. Não f. nem sai de cima. Não caga nem desocupa a moita.


Pra segurar cavalo não usa poita, nem pra ansiedade mais afoita.


O ambiente anda tenso desde que o cara tomou gancho.


Veremos agora se é Quixote ou Sancho.


Quem com ferro fere, com ferro será conferido.


Onze beatos iluminados no encalço de outros tarados.


Se algum pisar em falso, irá pro cadafalso.


O povo está propenso a deixar o grupo suspenso. Em poste.


Há quem duvide; há quem aposte.


“Onde pode acolher-se um fraco humano,: Onde terá segura a curta vida,: que não se arme, e se indigne o Céu sereno: contra um bicho da terra tão pequeno? “


Camões: Os Lusíadas, canto I, 106, segunda parte.



Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Postado por Jorge Serrão às 07:13:00
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Reconstrução do Brasil






Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão


Considerado o País do Futuro com grande oportunidade de figurar entre as dez maiores economias globalizadas do mundo, o Brasil perdeu o rumo e deixou de caminhar rumo ao desenvolvimento como espelha o noticiário de famoso jornal americano.


A decisão do STF, ao afastar o presidente da Câmara Federal, açodada ou demorada, nos dá bem uma noção do quanto as instituições estão fragilizadas e distantes da representatividade da sociedade civil. Esse total embaralhamento no qual um cassa o outro e depois de algum tempo também é cassado pela justiça inspira a reconstrução do Brasil de forma acelerada e tudo passando inexoravelmente pela classe política.


Propusemos a extinção de todos os partidos políticos e a refundação deles,
no qual os candidatos não tenham profissionalismo, caixa dois, ou sobrevivam de propina de empreiteiras e outras entidades. Assim nasceriam apenas 3 e no máximo 5 representações político partidárias, as quais se encarregariam de granjear pessoas de boa índole, com ficha limpa, sem vinculação com o passado e lavando a escória da corrupção.


Os cidadãos poderiam se candidatar aos cargos sem qualquer interligação com o partido, livre e autonomamente, de igual para igual, desde que tivesse a idade mínima, bons antecedentes, comprovado grau de conhecimento e se possível diploma superior, os parlamentos deveriam sofrer uma limpeza a começar pelo tamanho da federação.


Os Estados membros seriam agrupados em apenas 15 e as comunas de mais 5 mil reduzidas para mil, gradativa e paulatinamente em tempo curto, administrando-se os recursos públicos e os gastos da administração. Com dez estados não haveria corte e muito menos funcionários sem concurso, todos eles admitidos por meio de prova de títulos e documentos.


As prefeituras voltariam para as funções precípuas de suas atividades e serviços públicos essenciais. Os impostos deveriam permanecer mais nos Municípios e ESstados, evitando repasses e bloqueios por parte da União. Extintos os partidos, refundidos os estados e diminuídos em numero de 1000 as prefeituras, os parlamentos estariam enxutos, o congresso teria 250 deputados federais e o senado 50 senadores, totalizando 300 parlamentares, ao contrário de hoje quase o dobro.


Mais de trinta mil cargos de vereadores seriam automaticamente extintos com a redução de 5500 para 1000 Municípios e a União teria impostos e tributos notadamente o imposto de renda, de importação e exportação,
lucro de empresas, os quais não feririam a tripartição e autonomia de estados membros e comunas.


O desenho novo desse modelo seria muito tranquilo se houvesse vontade política e um tanto de sacrifício de nossos dirigentes que não enxergaram a
grande falha na representação, a decisão do STF demonstra que não temos nos cargos certos pessoas corretas e isso desencadeia uma séria de problemas afetando a própria cidadania.


Reformas tributários e previdenciárias seguidas de um tranquilo programa social dentro da receita da União sem despesas supérfluas, contingenciamento dos gastos dos bancos públicos, em especial do BNDES, e rigoroso controle de contas que deveria ser feito mensalmente e não apenas em períodos anuais, além do que as justiças eleitorais examinariam nossos políticos mediante apresentação de documentos para acompanhamento dos respectivos patrimônios, despesas com os cartões corporativos e redução drástica das mordomias.


O Brasil de hoje está estagnado, paralisado, amorfo, sem qualquer perspectiva de sair do fundo do poço,e os estrangeiros nos olham como o pior dos mundos. A cada dia sofremos uma nota negativa de rebaixamento e passamos a ser ao invés de um País de risco outro com a possibilidade de dar calote, e a respeito a nossa dívida pública é um mato se cachorro. A negociação dela é inadiável e deve passar por uma longa conversação, a fim de sua rolagem não identifique juros capitalizados e estratosféricos,os setores que muito ganharam no passado devem ceder no presente, a fim de que toda sociedade se privilegie no futuro.


A nossa economia está cambaleante e as isenções dadas para determinados setores são cíclicas e não funcionam, muitas empresas e
indústrias fecharam,com o galopante desemprego que logo chegará ao numero de 12 milhões de brasileiros, e insistem os destruidores de sonhos, esperanças e da vida de milhões em querer continuar pois representam o que de melhor há para o povo e os de baixa renda.


Exploram a ignorância e miséria alheia, a exemplo de centena de pseudo igrejas neopentescostais que deixam seus pastores ricos e as ovelhas desgarradas. As concessões de televisão precisam mudar e acabar com o feudo e a presença de quase século de desanimadores de plantão. O País precisa de um choque de gestão, qualidade, supremacia da democracia, de ética, moral e sobretudo de decência. As gerações estão comprometidas.


A maioria quer viver no Brasil, mas sem essa triste realidade que tanto nos assusta e nos desencanta, o tempo é agora se perdemos o futuro temos que reconstruir o presente para não decepcionarmos a ordem e muito menos o progresso escancarados na Bandeira brasileiras.


A Nação perplexa, atônita e vivendo a pior crise de todo o século não tem alternativa ou se lança para apoiar e ajudar ou se afoga nas diatribes dos poderes corruptos e destruidores da Nação.



Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Postado por Jorge Serrão às 07:10:00
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Impureza Jurídica contra o Estado Democrático de Direito






Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Laércio Laurelli


A Carta Magna da República Federativa do Brasil assegura o Estado Democrático de Direito, firmado nos Poderes da União, independentes e harmônicos entre si: Legislativo, Executivo e Judiciário. Portanto, se todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes, observados os princípios da legalidade e legitimidade, o Poder Legislativo, que ostenta a investidura e permanência de deputados federais, não depende da vontade das demais instituições, “que, no exercício das atribuições que lhes sejam próprias, não precisam os titulares consultar os outros, nem necessitam de sua autorização” (José Afonso da Silva—Comentário Contextual à Constituição), devendo prevalecer as “normas de cortesia no trato reciproco e no respeito às prerrogativas e faculdades a que mutuamente todos têm direito” (autor citado).


Penso, mas não devo acreditar, pelo respeito de sempre, dada a capacidade intelectual jurídica que ostentam os Senhores Ministros da Suprema Corte, criar decisão que afasta o Presidente da Câmara dos Deputados contrariando e ferindo sim, um dos alicerces da democracia, constituída pelo Estado Democrático de Direito, invadindo a Soberania funcional da tão desgastada Câmara dos Deputados, dada a ingerência contumaz.


A válvula de escape encontrada pelos nobres julgadores, à justificar a desconstrução da separação dos poderes, aplicando a aparência do bom direito, notadamente, omitiram a obediência no tocante ao desenvolvimento técnico à independência do Poder Legislativo, não retratando o devido amparo constitucional, pelo fluxo da diretriz fluida na fundamentação escolhida pela via obliqua da “excepcionalidade”.


Tempos difíceis estes, em que o “todo o poder emana do povo” deixa de ser significativo, perdendo sua identidade constitucional. Do jeito que as autoridades constituídas respondem aos assuntos maiores, preterindo o direito que busca a realização da justiça, há sim que se tomar muito cuidado, sobretudo quando se observa revelação conspiradora no conteúdo do excelente artigo publicado pelo Estadão do dia 05/de maio de 2016, sob o título: “Desarmando a bomba”, pela consciente jornalista Eliane Cantanhêde, a quem presto reverência.


Referida peça intelectual, aponta a “Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, proposição de autoria da Rede de Sustentabilidade, que além de pedir o afastamento de Eduardo Cunha, determinava simultaneamente, segundo interpretação de outros Ministros, a anulação de todos os seus atos no cargo e, por conseguinte, o acatamento do impeachment de Dilma” (verbis).



Laercio Laurelli – Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ( art. 59 do RITJESP) – Professor de Direito Penal e Processo Penal – Jurista – articulista – Idealizador, diretor e apresentador do programa de T.V. “Direito e Justiça em Foco”.

Postado por Jorge Serrão às 07:09:00
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O Golpe






Muitas vezes, um pequeno retrocesso nos garante que não caiamos no buraco


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Claudio Belodi


Se em 1964 os políticos da época tiveram a consciência que um mal maior não rompesse as instituições democráticas para implantar-se um desastrado regime comunista, os atos institucionais serviram para garantir ao país e ao povo anos de reconstrução - o problema do golpe atual tem o mesmo fim: não perpetuar nas instituições brasileiras um populismo degradado, inconsequente e apátrida de socialistas ruidosos, cujos projetos não tem nenhum efeito social.


A reconstrução não será imediata, levará anos, até porque os saudosistas e aproveitadores tudo farão para permanecerem no status. Embora de características diferentes, que os golpistas vençam para que o sacrifício presente se transforme na esperança de um futuro melhor. O Brasil precisava experimentar esse desastre político, para que melhores dias sejam projetados e erguidos, pois o legado atual é desastroso.


O impedimento de um governante não deve avançar apenas e somente se cometeu delitos em benefício próprio, mas e, principalmente, se a gestão da coisa pública sai fora dos eixos (digamos sem controle) permitindo que muitos se apoderem daquilo que não lhes pertence. A permissividade do crime é uma forma grave de delito.


O golpe anterior, antologicamente não foi numa ditadura como querem passar para os anais da história, foi um rearranjo austero, necessário, de forma a retirar de cena bandilheiros (hoje quadrilheiros) e permitir que a sociedade de bem prosperasse livremente. Para quem quis trabalhar e progredir não houve cerceamento da liberdade.


A ditadura dos chamados anos de chumbo foi severa, sim, aos pragmáticos, àqueles que sempre quiseram potencializar e deflagrar mazelas. Foi dura sim, à meia dúzia de covardes que não quiseram se enfileirar para construir um país melhor. Desde lá queriam facilidades para a libertinagem política.


Pós golpe de 64 assegurem-se de quanto o país cresceu, o quanto nos industrializamos e lavramos a terra, tornando o Brasil um real celeiro do mundo. O quanto o Brasil despontou no cenário internacional. Tudo graças à liberdade da expansão social, de um horizonte promissor, livre de intrigas e politização ideológica.


Todos somos contrários a golpes, mas se for o remédio de ocasião havemos de entender que é melhor que o veneno. Se hoje há clima de golpe ele ocorre dentro das fileiras dos mesmos que no passado o quiseram e jamais aceitaram a perda. Isto é próprio de perdedores: antes de se reinventarem para vencer, querem derrubar o vencedor para, sem esforço, proclamarem-se absolutos vencedores.



Claudio Belodi é Empresário no setor de Tecnologia e Arquitetura Ambiental.

Postado por Jorge Serrão às 07:07:00
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Movimento de Izquierda Revolucionária (MIR)





Salvador Allende - assim como Prestes em 1935 - foi um "funcionário" remunerado do KGB desde os anos 50. Após ter sido eleito presidente do Chile, quem recebia as informações e efetuava os pagamentos era o kamarada Svyatoslav Kuznetsov. Portanto, en castellano: un traidor de su patria!


Os que tiverem dúvidas cliquem em:


http://translate.google.com/translate?hl=pt-R&sl=en&u=http://en.wikipedia.org/wiki/Salvador_Allende&sa=X&oi=translate&resnum=4&ct=result&prev=/search%3Fq%3Dallende%252Bkgb%26hl%3Dpt-BR%26lr%3D


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja


Na história política do Chile, no ano de 1956 foi a primeira vez que se constituiu um bloco político de caráter revolucionário a partir de uma formulação estratégica coerente. Esse bloco, constituído com base na luta de classes e de conformidade com os postulados do marxismo-leninismo, era integrado pelo Partido Democrático Popular (PDP), Partido Socialista Popular (PSP) e pelo Partido Comunista Chileno (PCCh), e passou a atuar politicamente sob a forma de uma Frente de Trabalhadores, denominada Frente de Ação Popular (FRAP).

A linha política da FRAP propunha abertamente a tomada do Poder e considerava a classe trabalhadora como a única capaz de desempenhar o papel de forçamotriz do processo, e com capacidade para alterar ostatus-quo nacional.

Apesar disso, o Partido Socialista (PS), doutrinariamente, negava a composição de Frentes com partidos tidos como burgueses, sob a alegação de que esses só serviam aos interesses opostos aos das massas e contribuíam para a sua exploração e isolamento.

Já o Partido Comunista (PC), apesar de integrar a FRAP e de apoiar sua linha política, insistia na necessidade de ampliação de alianças com as chamadas camadas médias da burguesia, como condição para o êxito do processo revolucionário.

Como o PC, nessa época, encontrava-se há cerca de 8 anos na clandestinidade, da qual só emergiria em 1958, por gestão do então presidente da República Carlos Ibanez, seu nome não figurava publicamente entre os partidos que constituíram a FRAP.

Uma vez constituída a unidade política da classe operária através dessa Frente, a unidade sindical foi também estabelecida através da constituição da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A dicotomia acima mencionada, entre as posições políticas do PS e do PC, a respeito do caráter da revolução chilena, tinha por origem a linha política que prevalecia, então, nos círculos do marxismo-leninismo, que teorizavam a existência de duas fases no desenvolvimento do processo revolucionário nos chamados países dependentes: a etapa democrático-burguesa, à qual se seguiria a etapa socialista. Na primeira etapa caberia à burguesia o papel decisivo. Essa, na época, era também a linha política do Partido Comunista Brasileiro, ditada por Moscou, evidentemente.

O PS, conforme acima descrito, negava à burguesia chilena, como classe, qualquer possibilidade real de condução da luta antiimperialista e antifeudal, face à sua profunda ligação com o imperialismo, do qual dependia, e com as oligarquias nacionais, tornando-se, portanto, impotente para enfrentar as estruturas semifeudais.

Na concepção do PS, unicamente os trabalhadores, os explorados e as camadas médias sociais não comprometidas, estariam em condições de desenvolver o processo no sentido de uma revolução popular e democrática.

O PC, por seu lado, resistia à concepção política do PS e buscava, através de sua linha de Libertação Nacional, a incorporação à FRAP dos radicais do Partido Radical (PR), bem como do Partido Democrata Cristão (PDC).

Em julho de 1957, o XVII Congresso do Partido Socialista definiu com clareza a nova linha política a ser seguida pelo partido, já concretizada quando do lançamento da FRAP. Com esse Congresso, a política do PS adquiriu características definitivas.

Na época, a Convenção Nacional do Povo, inspirada na FRAP, proclamou a candidatura de Salvador Allende às eleições presidenciais de setembro do ano seguinte, 1958.

Em 1958 a crise econômica e social que se apresentava no final do governo do presidente Ibanez, impulsionou a unidade dos grupos socialistas, comunistas e outros setores da FRAP, com vistas à luta pela presidência da República.

A mudança provocada quando do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), em fevereiro de 1956, com o famoso discurso de Nikita Kruschev, que denunciou os métodos stalinistas, influenciou, sem dúvida, um melhor entendimento do PC com as forças socialistas.

A FRAP esteve a ponto de triunfar com a candidatura Allende, tendo obtido votação que alcançou estreita diferença em relação ao candidato vencedor, do PDC, Jorge Alessandri.

O ano de 1963 foi, para os socialistas chilenos, um período de enormes possibilidades revolucionárias. Esse estado de ânimo influenciou na criação de uma impaciência entre os militantes que viam o PS adotar uma postura defensivista, deixando de levar à prática a linha político-partidária.

Começaram a surgir, então, as facções divisionistas no seio do partido, levando-o a viver um clima de intranqüilidade e dissenso. A partir de maio de 1963, a Juventude Socialista, alegando motivos doutrinários, passou a uma aberta resistência à direção do partido. Em fevereiro de 1964, quando do XX Congresso do PS, a dissidência interna, surgida no ano anterior, achava-se sob a influência da onda guerrilheirista na América Latina. Inspirada na crise sino-soviética, os dissidentes passaram a ameaçar a direção do PS com a criação de um terceiro partido operário, que disputaria o lugar até então ocupado pelo PS e pelo PC. A dissidência também aprovava a linha política contrária à colaboração com classes sociais antagônicas, opondo-se à constituição de uma Frente Antiimperialista que englobasse a burguesia nacional.

O movimento popular continuou, assim, a caminhar para as eleições presidenciais de setembro, procurando fortalecer a Frente de Trabalhadores, núcleo da FRAP.

Enquanto isso, ganhava impulso a dissidência no PS, passando os dirigentes juvenis do partido a afirmar que a linha aprovada no Congresso representava o “pacifismo” apregoado pelo PC, linha muito diversa da adotada pela Frente de Trabalhadores. Para os dissidentes, o PS havia substituído uma linha política revolucionária autêntica por outra, de caráter oportunista, liquidando, dessa forma, a ala esquerda do partido.

A nova derrota, em setembro de 1964, de Salvador Allende, candidato do movimento popular, criou um refluxo político no movimento de massas desenvolvido pela FRAP, trazendo, como conseqüência, uma perda de terreno do PS na luta política.

Uma ala do partido responsabilizou o apoio da direita, e o terror psicológico contra o candidato Allende, como tendo contribuído decisivamente para a vitória de Eduardo Frei, candidato da Democracia Cristã. Outros teóricos do partido apontavam o tipo de alianças formalizado durante a campanha como responsável pelo abandono da plataforma de lutas do PS, então arrastado pela falsa visão do caminho pacífico e da institucionalidade burguesa, levando o candidato das forças populares, Salvador Allende, à derrota.

Nesse mesmo ano de 1964 as forças anti-partido lançaram um manifesto de rompimento público com o PS, definindo que passariam à luta pela restauração da “pureza revolucionária do marxismo-leninismo diante da traição aberta do PS e do PC”. Esse grupo, contando com a adesão de uma ala dissidente do PC, passou a proclamar o Partido Comunista Chinês como seu guia e deu conhecimento ao povo de sua intenção de criar uma organização de vanguarda proletária, revolucionária, que teria a missão de dirigir o processo revolucionário chileno. Como conseqüência, foi organizado, no ano de 1965, o Movimiento de Izquierda Revolucionária (MIR).

Todos esses acontecimentos refletiram-se na vida partidária do PS, indicando, já no ano de 1966, a necessidade de uma reformulação organizativa do partido.

Em novembro de 1967 foi realizado o XXII Congresso do Partido Socialista, conhecido como “Congresso de Chillan”. Nesse Congresso, que contou com a presença de delegações dos partidos comunistas da URSS e Romênia, o PS definiu-se, formalmente, como um partido marxista-leninista.

O “Congresso de Chillan” formulou e aprovou uma nova estratégia para o PS. Essa nova estratégia preconizava a destruição do aparelho burocrático militar do Estado-Burguês como forma de consolidar a revolução socialista, com base na premissa de que as formas políticas legais de luta, somente por si, não conduziriam ao Poder.

O destaque no Congresso de Chillan foi a posição política de uma fração partidária que se pronunciou em favor da tomada do Poder através da luta armada. Todavia, a aplicação da linha revolucionária aprovada defrontava-se com a proximidade das eleições parlamentares. Nesse contexto, o PS entendeu que uma total fidelidade revolucionária não significaria repelir a via eleitoral de forma definitiva, para não cair no isolamento anarquista, e passou a propor a subordinação da campanha eleitoral à estratégia revolucionária, ao fortalecimento e amadurecimento do movimento popular e à tomada do Poder, objetivo irrenunciável do socialismo.

O PC Chileno, por sua vez, aprovou também uma nova estratégia com vistas à consecução da unidade popular, valendo-se da via eleitoral para esclarecer as massas, numa primeira etapa, através de um governo multipartidário. Em novembro de 1969, o PC lançou a candidatura de Pablo Neruda à presidência.

Em resposta a essa articulação, a FRAP, também em um Congresso, rechaçou as tentativas feitas com o objetivo de forçar a aceitação de uma aliança com as forças democrático-burguesas para as eleições presidenciais de 1970. Todavia, malgrado as resistências da FRAP, na realidade, essa Frente vinha perdendo forças, dinamismo e propósitos revolucionários no que diz respeito ao estabelecimento de uma República Democrática, com representação exclusiva de trabalhadores.

Após março de 1969, a invasão da Checoslováquia pela União Soviética – ocorrida no ano anterior – complicou as relações entre o PC Chileno e o Partido Socialista, sem, todavia, influenciar os pactos eleitorais já feitos.

Em meados de 1969, o PS e o PC formularam um apelo a diversos outros partidos de esquerda, propondo a constituição de um bloco político como alternativa nacional, primeiro passo para a constituição da Unidade Popular. O próprio Salvador Allende, então deputado, retornando de uma longa viagem a diversos países comunistas, lançou a idéia de constituição de uma Frente Patriótica.

Tudo isso confirmava que o Partido Socialista caminhava em direção à linha política de Unidade Popular, diversa da aprovada no Congresso de Chillan.

Na Democracia Cristã, parte qualitativamente importante da juventude se separou do PDC, dando origem ao Movimento de Ação Popular (MAPU), que, de imediato, se vinculou ao bloco dirigido pelos partidos operários.

Em junho de 1969, o PS fez a apresentação formal da proposta de uma nova linha política popular de ampla aliança, em conformidade com as condições sociais e políticas do País.

Em razão disso, em dezembro de 1969, os partidos de esquerda aprovaram a constituição do bloco Unidade Popular, bem como um programa básico para servir de bandeira para as eleições presidenciais de 4 de setembro de 1970.

Em janeiro de 1970, dentro do espírito da Unidade Popular, o Partido Comunista admitiu a retirada da candidatura de Pablo Neruda a fim de apoiar Salvador Allende, do PS, que logo depois foi proclamado candidato da Unidade Popular.

Na esfera do MIR, a partir de 1966, a criação, em Cuba, da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), sugerida pelo então deputado Salvador Allende e patrocinada por Cuba, e o início da campanha guerrilheira de Che Guevara, na Bolívia, passaram a exercer uma decidida influência em favor da luta de guerrilhas em toda a América Latina, baseada no “Foco Guerrilheiro”.

Nesse período, o MIR, passando para a clandestinidade, iniciou uma série de ações espetaculares de assaltos a bancos, a título de expropriação, para financiar suas atividades. Suas ações terroristas e paramilitares estenderam-se até o ano de 1968.

A constituição da Unidade Popular, em 1969, foi objeto de crítica do MIR, em declaração pública, segundo a qual a Unidade Popular representava uma nova tentativa revisionista de desmobilização das massas, de antemão condenada ao fracasso, e que os partidos marxistas-leninistas que integravam a UP assumiam uma posição reformista e não revolucionária.

No campo teórico, persistiam entre o PS e o PC as discussões que, na realidade, poderiam ser definidas como questiúnculas sobre o que poderia ser definido como “divergências táticas”. Tais discussões referiam-se ao entendimento das diferenças entre a via armada e o caminho insurrecional, e a via armada e o caminho político-institucional.

O emprego da expressão “via pacífica” tendia a ser abandonado pelos dois partidos (PS e PC), para evitar deixar a impressão de que, durante a implantação do socialismo, em nenhum momento se recorreria à violência.

O PS e o PC concordavam com a idéia de que a violência das lutas sociais se processa com armas ou sem elas. O caminho utilizado pelas vias políticas para expressar os interesses e objetivos dos trabalhadores, assim, não negava que, no período de transição para o socialismo, em algum momento deixassem de surgir fatores capazes de determinar a adoção do caminho armado.

Os teóricos marxistas-leninistas sempre afirmaram que os choques e as confrontações que necessariamente devem ocorrer em algum momento dessa trajetória, exigiriam que as forças socialistas contassem com uma estrutura defensiva de caráter armado. Sustentada por uma correta política militar, essa estrutura deveria preocupar-se permanentemente com a preparação de quadros com formação militar, tendo à sua disposição aparelhos paramilitares, de forma a estar preparada para mudar as formas de luta no momento oportuno.

Essas são as leis gerais da revolução e da passagem do capitalismo ao socialismo, conforme ensinam a teoria e a experiência do marxismo-leninismo.

Em julho de 1970, atendendo a apelos do candidato Salvador Allende, o MIR concordou em suspender as ações militares que vinha empreendendo contra quartéis, bancos, casas comerciais e delegacias de polícia.

Em 4 de setembro, vencendo a eleição presidencial pela diferença de apenas pouco mais de 1%, Salvador Allende foi eleito e, por não ter obtido maioria absoluta, teve sua eleição confirmada pelo Congresso, com os votos de toda a esquerda e do próprio PDC, partido com o qual Allende fez uma composição, sob a condição de cumprimento das garantias constitucionais. A eleição de Allende, com apenas 36% de votos, representou o ponto culminante de uma luta que durou 14 anos.

Um parêntesis para um breve relato sobre as principais medidas de cunho social, postas em prática, e sobre o desempenho da economia no governo da Unidade Popular.

Uma das primeiras medidas de Salvador Allende foi a de anistiar os militantes do MIR que se encontravam cumprindo pena por suas ações criminosas. Assim, o MIR recuperou sua total legalidade, com seus quadros indultados e os que estavam no exílio retornaram ao Chile. Em contrapartida, o MIR passou a oferecer um apoio tático, embora crítico, à experiência de transformação pacífica a que se propunha a coalizão de esquerda.

Na campanha política, Allende havia anunciado enfaticamente as “primeiras 40 medidas” de efeito popular que iria pôr em prática. Entre essas medidas, além da já tradicional eliminação do desemprego, fim da inflação, educação, assistência médica, moradia, luz e água, e previdência social para todos, havia algumas medidas curiosas: restrição de viagens de funcionários do governo ao exterior; controle do uso de automóveis oficiais; fim dos reajustes de prestações e dívidas com a Corporación de Vivendas; e dissolução do Grupo Móvil, aparelho policial semelhante à Rota, em São Paulo.

O objetivo básico do novo governo era a construção do socialismo com democracia e pluralismo. Para tanto, tornava-se necessário transformar as grandes empresas de mineração, o sistema financeiro e as grandes empresas nacionais e estrangeiras em propriedade social. A reforma agrária, que já estava em curso no País, seria acelerada, com o anúncio de expropriação de mil latifúndios, somente no primeiro ano de governo.

A política econômica de curto prazo tinha por objetivo aumentar a disponibilidade de bens e serviços de consumo. Para isso, dizia Allende, era preciso redistribuir a renda. Nesse sentido, logo no início do governo, foram tomadas as seguintes medidas:

  • aumento de 100% do IPC para todos os trabalhadores e aumentos acima do IPC para os salários mais baixos (IPC mais 5% até um salário-mínimo e IPC mais 3% até dois salários-mínimos);


  • para deter a inflação e assegurar ganhos reais para os trabalhadores foi iniciada uma inflexível política de controle de preços. Foi determinado que os aumentos de salários não poderiam ser repassados aos preços, e os produtores deveriam buscar os seus lucros no aumento da produção. Nos setores onde não houvesse capacidade ociosa suficiente para atender ao incremento da demanda, o abastecimento seria garantido pelo aumento das importações. Os preços dos diversos produtos foram congelados ao nível de outubro de 1970 (mês anterior ao da posse de Allende). Foi criada a “Oficina Coordinadora del Consumidor, Difusión y Denuncias”, especialmente dedicada a receber denuncias do povo sobre a especulação e problemas de abastecimento, o que provocou em todos um importante afã de cooperação. A referida “Oficina” logo elaborou e distribuiu listas de preços e disposições legais de caráter geral a que passariam a se submeter os comerciantes, para orientação dos consumidores;


  • objetivando evitar o aumento dos custos, a taxa cambial foi congelada e anunciou-se que a política de desvalorizações periódicas e sistemáticas da moeda chilena seria abandonada. Segundo Allende, ao terminar com a prática das desvalorizações cambiais, deveria ser entendido que o Chile reivindicava o direito de dirigir sua política monetária de acordo com seus próprios interesses, sem nenhum tipo de sujeição aos organismos internacionais (FMI e Banco Mundial);


  • foram adotadas Medidas de Redistribuição Direta: entrega gratuita de meio litro de leite, diariamente, a cada criança; assistência médica gratuita em todos os postos de saúde e hospitais; supressão do pagamento de matrículas no Ensino Básico e congelamento no Ensino Médio; suspensão dos reajustes nas prestações devidas à CORVI e outros organismos previdenciários; e construção de balneários populares;


  • a taxa de juros “máxima”, que estava tabelada em 24% ao ano desde o governo anterior, foi reduzida para 18%, o mesmo ocorrendo com as taxas referentes às linhas de crédito especiais, concedidas pelo sistema bancário, com refinanciamento do Banco Central do Chile. Em alguns casos, as taxas caíram para a metade;


  • a política fiscal foi reorientada, no sentido de aumentar os impostos das grandes empresas, dos grandes proprietários e dos produtos consumidos pelas classes média e alta, com o objetivo de aumentar a arrecadação e promover a redistribuição de renda. O imposto sobre o patrimônio das pessoas físicas foi aumentado e estendido também às sociedades anônimas chilenas e às empresas estrangeiras. O imposto de renda nacional sobre as sucursais ou agências de empresas estrangeiras foi aumentado. Com relação aos automóveis, foi aumentado o imposto sobre a venda de veículos novos e o imposto anual foi também aumentado e tornado progressivo para os automóveis de maior valor.


Além dessas medidas de impacto, o presidente Allende propôs ao Congresso a aprovação de um “Fundo Nacional de Capitalização”, com o objetivo de aumentar a poupança pública e prover uma fonte de financiamento para investimentos nos setores básicos da produção (empresas estatais). Esse “Fundo” seria formado com contribuições obrigatórias de todas as empresas industriais, comerciais, mineradoras, pesqueiras e outras, cujo capital efetivo fosse superior a dois milhões de escudos em 31 de janeiro de 1970, na base de 15% sobre os lucros anuais.

Os resultados obtidos no primeiro ano de governo foram espetaculares: o PIB cresceu 9% em 1971 (contra 2,1% no ano anterior). A indústria de transformação cresceu 13,6% (2% no ano anterior) e o comércio cresceu 15,8% (-1,5% no ano anterior). A inflação caiu de 34% em 1970 para 22,1% em 1971 e o salário médio mensal cresceu 16,3% (de 87,8% para 102,1%).

A prosperidade econômica dos primeiros 6 meses combinada com a total abertura política levou muitas pessoas, especialmente de baixa renda, a votarem nos candidatos da Unidade Popular nas eleições municipais de abril de 1971, fazendo com que os partidos da coalizão política de Allende recebessem cerca de 50% dos votos, em comparação com os 36,2% de seis meses antes.

Mas nem tudo corria às mil maravilhas. Problemas de abastecimento e mercado negro logo começaram a surgir, e alguns dos resultados macroeconômicos do primeiro ano de governo indicavam que as medidas econômicas haviam lançado as sementes do desastre.

As exportações caíram e as importações aumentaram, reduzindo o superávit da Balança Comercial para apenas US$ 95,7 milhões em 1971 (contra US$ 200 a 300 milhões anuais nos três anos anteriores). O movimento líquido de capitais foi negativo em US$ 111 milhões, contra um saldo positivo de US$ 194 milhões no ano anterior, levando o Balanço de Pagamentos a um saldo negativo de quase US$ 300 milhões em 1971, contra um saldo positivo superior a US$ 100 milhões em 1970. Com isso, as reservas internacionais do Chile caíram para a metade.

Também, com os aumentos reais de salários, congelamento de preços, nacionalizações, educação e assistência medica gratuita, distribuição de leite, etc, as despesas do governo aumentaram brutalmente, quadruplicando o déficit público, que passou de 2,7% para 10,7% do Produto Interno Bruto.

O segundo ano de governo (1972) foi marcado por um incremento das dificuldades. Em dezembro de 1971, o governo havia realizado a primeira desvalorização da moeda (33%). Os problemas de abastecimento se intensificaram, a inflação começou a subir, os investimentos continuavam em declínio, as reservas internacionais se reduziam e os credores internacionais passaram a não aceitar a renegociação da dívida externa sem o monitoramento do FMI.

Os problemas de abastecimento eram particularmente graves, levando o governo a criar, em abril de 1972, as “Juntas de Abastecimento e Preços (JAP’s)”, em nível local, com as seguintes atribuições:

atender aos problemas de desabastecimento dos comerciantes varejistas e respaldar suas denúncias contra os intermediários inescrupulosos;
cooperar com o controle de preços, tendo sempre atualizadas em cada “Unidade Vecinal”, as listas de preços oficiais e exigindo dos comerciantes seu cumprimento, mediante a persuasão ou mediante as respectivas denúncias.

As JAP’s eram formadas por organizações de trabalhadores que tivessem sua sede na localidade, tais como juntas de vizinhos, centros de mães, sindicatos, associações de moradores, centro de estudantes, clubes esportivos e outras organizações similares.

No caso específico da carne, o governo, já no ano de 1971 havia tomado a seu cargo o abastecimento e distribuição, através da “Sociedade de Construciones y Operaciones Agropecuárias (SOCOAGRO)”. Para atingir o objetivo de controlar integralmente o comércio de carne e de gado em pé, a SOCOAGRO proibiu o transporte de gado em pé sem licença especial, centralizou o abate nos matadouros da chamada rede nacional e fechou paulatinamente os pequenos matadouros municipais. Centralizou também o controle de importação.

Os funcionários do governo e os trabalhadores das empresas produtoras recentemente estatizadas logo descobriram que atenderiam melhor a seus interesses individuais se desviassem a produção para o mercado negro – esse desvio foi estimado em 70% da produção nas 535 empresas estatais -, o que agravou ainda mais o abastecimento aos preços tabelados e generalizou a corrupção no País. O governo, naturalmente, explicava o problema pelo aumento da demanda das classes de mais baixa renda que antes estavam marginalizadas e acusava a oposição de manobras especulativas com óbvias intenções políticas.

A verdade é que o mercado negro expandia-se vigorosamente. Com a inflação e a recusa do governo em reajustar os preços oficiais pagos aos agricultores, a produção de alimentos dirigia-se cada vez mais para o mercado negro. Na área industrial, por exemplo, o preço de um automóvel no mercado negro chegava a ser dez vezes maior do que no mercado oficial. O resultado foi o surgimento de dois sistemas de preços: um, subsidiado, através do sistema de distribuição estatal e dirigido principalmente para a população de baixa renda, e outro, o do florescente mercado negro, dirigido às classes média e alta.

Paralelamente à corrupção, começou a reinar no campo a mais completa anarquia, pois os grupos esquerdistas, especialmente o MIR, faziam invasões de terras para apressar a reforma agrária, o que acabou por conduzir à violência.

Em meados de 1972, um ano e meio após a posse de Allende, a situação econômica do País era alarmante. O déficit público tornou-se insustentável, principalmente devido aos subsídios destinados à chamada área social; as reservas internacionais haviam caído a quase zero e a produção industrial declinava. O presidente Allende substituiu os ministros da Economia e da Fazenda.

Em agosto de 1972, a nova equipe econômica desvalorizou novamente a moeda em 56,2%, aumentou os preços dos setores nacionalizados e permitiu aumentos de preços limitados na agricultura. O resultado foi um brutal aumento da taxa de inflação: 22,7% em agosto, 22,2% em setembro e 15,2% em outubro. Em 12 meses, a inflação, que estava no patamar de 20% a 40%, pulou para 142,94 nos 12 meses terminados em outubro.

O déficit público, em 1972, aumentou para 13% do PIB, a base monetária cresceu 185,7% e a inflação atingiu 163,4%. O salário-médio real caiu 19,6% (de 102,1 para 82). A Balança Comercial apresentou um déficit superior a US$ 130 milhões e o Balanço de Pagamentos fechou o ano com um déficit semelhante ao do ano anterior, que foi coberto pelo endividamento externo.

O ano de 1973 começou já com o País em situação caótica e em meio a uma radicalização política e às ações armadas de autoria do MIR (do qual um dos dirigentes era Andrés Pascal Allende, sobrinho do presidente Allende). Esse ano iria encerrar-se com uma queda de 10,3% na produção agrícola, -2,3% na indústria, - 6,4% no comércio e –5,6% no PIB. Ao final do ano de 1973, o déficit público representou 24,7% do PIB, a inflação chegou a 508,3% e o salário-médio real caiu mais 46,3% (de 82,1 para 44,1).

Em 11 de setembro de 1973, Salvador Allende foi deposto.

___________________________

OBSERVAÇÃO: Espero que os atuais governantes do País, pós-impechement, leiam e meditem sobre a matéria acima.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Postado por Jorge Serrão às 07:04:00
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sexta-feira, 6 de maio de 2016



Quem será o próximo a tomar no Cunha?






Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net


Perguntinha idiota que não quer calar: Por que o Supremo Tribunal Federal não promove o julgamento célere das polêmicas envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva com a Lava Jato, empregando a mesma velocidade e a mesma unanimidade suprema usadas contra o Malvado Favorito Eduardo Cunha? O ministro Ricardo Lewandowski, publicamente tido como amigo de Lula, indiretamente, já deu ontem uma resposta, ao ressaltar que "o tempo jurídico é diferente do tempo político"...


Intrigantes de plantão lançam a suspeita de que o jurista Nelson Jobim foi um dos principais articuladores da derrubada de Eduardo Cunha, nos bastidores do Supremo Tribunal Federal. Se tal versão for verdadeira, o quase Presidente Michel Temer foi um grande interessado na retirada de cena do "Malvado Favorito" da condução da Câmara e da linha sucessória. No pragmatismo cínico da politicagem brasileira, pouco ou nada importa que Cunha tenha sido o "construtor da ponte" que viabilizou a abertura do impeachment da Presidenta Incompetenta.


Embora possa parecer à primeira vista, a queda de Eduardo Cunha não representa um revés para Michel Temer - que monta a escalação de um ministério para tomar o lugar da Dilma caída. Tendo Cunha fora da jogada, Temer se livra de pressões políticas para nomear, favorecer ou atender a pleitos imediatos dos vorazes aliados do deputado "afastado". Temer e seus assessores mais próximos, providencialmente, fizeram questão de nada declarar sobre a queda do poderoso companheiro do PMDB - que ainda teria uns 130 fiéis aliados no Congresso Nacional. Temer terá a complicada tarefa de repactuar com deputados fisiológicos e patrimonialistas...


Se Jobim ajudou a derrubar Cunha ou não, o certo é que o "Coringa da República" continua agindo a pleno vapor nos bastidores. Uma versão nada confiável dá conta de uma "desavença" entre ele e Temer. Tal papo, com jeitinho diversionista, cai por terra quando Temer sugere que uma grande amiga de Jobim, Ellen Gracie (ex-ministra do STF), possa virar ministra da Controladoria Geral da União... Outro fato certíssimo é que Jobim não tem interesse em figurar como titular na equipe de Temer. A prioridade dele é fazer o papel que cabia ao falecido Márcio Thomaz Bastos, articulando a defesa da turma da Lava Jato... O poderoso Jobim, que já vestiu todas as casacas da República (até farda de general quatro estrelas), é uma figura de prestígio globalitário, em um nível igual ou pouco abaixo de um Henrique Meirelles.


As suspeitas sobre as articulações ocultas de Jobim para ferrar Cunha ganham verossimilhança pelo fenômeno judicial da derrubada de Cunha. O longo voto da unanimidade dos 11 ministros do STF indica que as sustentações para detonar Cunha já estavam prontas há bastante tempo. Na entrevista em que prometeu "recorrer da decisão" (sem explicar como fará tal milagre), Cunha chamou a atenção para a velocidade e o tamanho dos votos contra ele.


A partir de agora, uma grande dúvida persiste: Eduardo Cunha terá condições de dar alguma espécie de "troco" por ter sido detonado de forma inédita - e até proclama e festejada como "corajosa" - pela cúpula do Poder Judiciário? O potencial ofensivo de Eduardo Cunha é real ou apenas uma lenda? Cunha teria informações bombásticas sobre muita gente, nos três poderes...


Outra enorme dúvida também salta aos olhos de qualquer cego, surdo e mundo como a famosa estátua da Justiça: Renan Calheiros, presidente do Senado que posa de aliado do Palácio do Planalto, não estaria em condição igual ou pior que Cunha, também enroladíssimo na Lava Jato?


No caso de Cunha, afastado judicialmente em alta velocidade, na hora em que foi conveniente, cabe outra indagação: o STF praticou Justiça ou cometeu Vingança contra o "Malvado Favorito" do desqualificado parlamento tupiniquim?


O certo é que a queda judicial de Cunha cria um grande problema político e institucional. O comando da Câmara caiu no colo do Waldir Maranhão, lá da terra do Sarney. O nome dele não agrada... O regimento da Câmara prevê que novas eleições só podem ocorrer se o presidente da Casa renunciar, perder o mandato ou em caso de morte. Nem politicamente Cunha morreu ainda... Por isso, parlamentares da oposição, com apoio de Michel Temer, estudam recorrer à Comissão de Constituição e Justiça para que ela declare vago o cargo de presidente da Câmara. O plenário terá de descascar tal pepino.


O próprio STF já deixou claro ontem que Eduardo Cunha só pode perder definitivamente o mandato por decisão soberana da Câmara dos Deputados. Só no Brasil da Piada Pronta um parlamentar afastado pelo STF continua com foro privilegiado, residência oficial, carro oficial da Presidência da Câmara, equipe de segurança e jato da Força Aérea, salário de R$ 33.763, auxílio-moradia (embora tenha onde morar), cota parlamentar para custear passagens aéreas, gasolina, telefone e escritório político, além da verba de gabinete de R$ 92 mil).


A crise política está muito longe de ser estancada... Um dos pontos principais das 73 páginas da bem elaborada tese de Teori Zavascki contra Eduardo Cunha, acatado pela unanimidade suprema, pode se transformar em um argumento jurídico irrefutável para a necessária promoção de uma limpeza nos poderes republicanos: "Em situações de excepcionalidade, em que existam indícios concretos a demonstrar riscos de quebra da respeitabilidade das instituições, é papel do Supremo atuar para cessá-los, garantindo que tenhamos uma república para os comuns, e não uma comuna de intocáveis".


Em resumo, basta invocar uma "situação de excepcionalidade" e apertar o botão. A temporada de jagunçagem judicial contra a politicagem está escancarada. Os bandidos e picaretas do Congresso que se cuidem... O problema é que a mesma "tese", em um ambiente de segurança jurídica duvidosa, pode ser usado para detonar qualquer um. O esquema bolivariano funciona deste jeitinho bem brasileiro que a unanimidade festiva do STF ontem consagrou na degola do Malvado Eduardo...


A crise estrutural brasileira, em ritmo de ruptura institucional, não tem solução pelas atuais regras do jogo. Só uma inédita Intervenção Cívica Constitucional poderá redesenhar o Brasil. Eis o grande drama que não se resolve com a mera saída de Dilma, ou a queda dos Cunhas e Renans da vida...


Enquanto nada se resolve - pelo contrário, se complica e pior fica -, permanece a pergunta no ar:


Quem será o próximo a tomar no Cunha?


Te cuida, Temer...


O Ministério Público Eleitoral recomendou ao Tribunal Superior Eleitora que rejeite o pedido do vice- presidente Michel Temer para que a Corte analise de forma separada as responsabilidades dele e da presidente Dilma Rousseff nas ações que pedem a cassação da chapa que os elegeu, em 2014.


O vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, produziu um parecer ressaltando que “o ilícito que beneficia a titular, acarretando em seu êxito nas urnas, logicamente também beneficia o vice”.


Uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo contra Dilma-Temer segue em "segredo de justiça" - mas pode ser acelerada quando Gilmar Mendes assumir a presidência do TSE...


Nem ao Papa...





O Malvado Favorito Eduardo Cunha tentou ser otimista na entrevista que concedeu logo após a confirmação de sua degola pelo STF:


“Não renuncio a nada, nem ao mandato nem à Presidência, e vou recorrer e espero obter sucesso no meu recurso”.


Perguntinha idiota: a quem Cunha pretende recorrer, já que é quase impensável acreditar que o STF venha a rever uma decisão tomada pela unanimidade suprema dos seus 11 deuses.


A situação do evangélico Cunha ficou tão feia que ele (principal dirigente da Sara Nossa Terra que teria migrado para a Assembleia de Deus) que nem adianta ele recorrer ao hermano Francisco, lá no Vaticano. para obter um "perdão divino"...

Bomba do Impeachment


Ninguém duvida que Dilma Rousseff será afastada por 180 dias da Presidência da República, a partir do próximo dia 11, com o voto de pelo menos 41 senadores.


O problema é que, daqui a alguns meses, ela tem chances de retornar ao poder, porque nada garante que Michel Temer consiga juntar os 54 votos necessários para sacramentar o impedimento, no julgamento que será presidido pelo Supremo Tribunal Federal (mais judicialização da política?!).


Como Dilma tem 20 votos "imutáveis" a favor dela, o fiel da balança será o Presidente do Senado, Renan Calheiros, que não está muito a fim de embarcar no PTitanic reformado pelo Temer...


Por esse motivo, ninguém se surpreenda se, do mesmo jeitinho com que detonou Cunha, o STF retire do caminho o "obstáculo" Renan Calheiros...


Bomba do Orçamento


A saída de Eduardo Cunha e a confusão reinante na Câmara pode inviabilizar o futuro governo provisório de Michel Temer...


A tão necessária alteração da meta fiscal, pregada por Michel Temer, teria de ser feita até o dia 22 de maio.


Se isso não ocorrer, haverá interrupção do pagamento de despesas básicas do governo, como luz e telefone.


Chegando a hora










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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 5 de Maio de 2016.

Postado por Jorge Serrão às 07:31:00
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Calmaria?






Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira


Maio é o mês de Maria. Pá de cal, Maria ! A Anta já viu que ia.


Maria vai com as outras.


Que vantagem Maria leva?


Maria do rosário.


Maria das dores.


Maria da conceição.


Maria do socorro.


Maria da graça.


Maria desata nós.


Maria do carmo.


Maria de Lourdes.


Maria pia.


E agora José Maria?


Outrora se pensava que a Onça não faria.


Fez e fará outra vez.


Sem embargo do pérfido inglês.


Ou do rei das casacas da república...



Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Postado por Jorge Serrão às 07:27:00
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