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- Mesmo impopular, Temer ganha força para resistir
- São Fermin Tupiniquim
- Bandidos acionando a Justiça
- Carlos Lacerda e a Doutrina Udenista
Mesmo impopular, Temer ganha força para resistir
Posted: 09 Jul 2017 05:36 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Lamentamos contrariar o desejo da esmagadora maioria, porém o Presidente Michel Temer tem, ainda, todas as chances de resistir e não cair. Os interesses nos negócios bilionários com o Brasil falam mais alto que a disposição de tirar mais uma marionete do Palácio do Planalto. Quando Henrique Meirelles vem a público anunciar que Michel, ele e a equipe econômica "continuarão", o recado é que o marido da bela Marcela voltou a ficar protegido pelos deuses do mercado que pareciam abandoná-lo, depois da gravação clandestina do Joesley Batista e da denúncia do Procurador-Geral Rodrigo Janot – que tem mais munição contra Temer até sair do cargo, em 17 de setembro.
Não deve ter sido à toa que Donald Trump elogiou a economia brasileira na reunião do G-20. Só não chegou ao exagero de repetir Obama com Lula, chamando Michel Temer de "o cara". A mensagem apenas confirma que, apesar do desgaste gigante de imagem, Michel segue apoiado pelos financistas daqui e de fora. Na verdade, os líderes econômicos obram e andam para ele. O interesse é nos negócios bilionários em andamento. Estes não podem – e nem devem – ser afetados por uma crise político-jurídica sem data para terminar (e que pode ficar ainda mais grave, com novas delações premiadas que vêm por aí).
As "colaborações" de Eduardo Cunha, do doleiro Lúcio Funaro e de Antônio Palocci Filho causam mais frisson que um míssil lançado pelo gordinho maluco da Korea do Norte. Cunha e Funaro atingem Temer e seus fiéis escudeiros Eliseu Padilha e Moreira Franco (que é apenas casado com a sogra do eventual sucessor de Temer, o Rodrigo Maia). Justamente, ambos são os maiores articuladores dos negócios da turma do PMDB, que tem seu presidente Romero Jucá como grande gênio orçamentário e articulador com o resto dos parlamentares beneficiados.
Já a inconfidência de Palocci tem capacidade de atingir os grandes bancos pelas operações que fizeram com a zelite de corruptos da Lava Jato. Sempre permanece uma dúvida no ar se Palocci realmente vai trazer algo novo que compromete o sistema financeiro, ou se ele está apenas fazendo um jogo para deixar alguns poderosos acuados, em troca de uma futura proteção, quando precisar recorrer às instâncias superiores do Judiciário. Afinal, quem foi ministro da Fazenda nunca deixa de ter mais poder que outros reles mortais. Em princípio, Paloccí é "usado" para ferir, mortalmente, Guido Mantega. O efeito seguinte seria Mantega ferrando com a alta cúpula do PT, principalmente a cereja do bolo: Luiz Inácio Lula da Silva.
Voltando a Michel Temer, a tendência é que a Constituição e Justiça da Câmara, por menos votos que o esperado pelos "inimigos", admita que a denúncia de Janot prossiga para apreciação pelo plenário da Casa. O deputado "independente" e influente maçom Sérgio Zveiter cumprirá essa missão. Em seguida, a aposta do Palácio do Planalto, desde o começo, é que uma grande maioria de deputados rejeite a denúncia contra Temer. Além das vantagens que muitos receberam ou receberão, os parlamentares não querem confusão. Desejam apenas terminar o mandato, para tentar uma complicada reeleição, deixando Temer onde está.
A situação brasileira é esquisita demais para uma análise correta feita pelo mais esperto e malandro dos marcianos. A dúvida persiste sobre o tempo que vai demorar a recuperação econômica, com a máquina estatal falida sabotando as forças de um mercado nada livre – aliás, libertino nas suas relações corruptas com o poder público. A maioria da população, conforme diferentes enquetes de opinião, também rejeitam Temer e gostariam que ele saísse. No entanto, a famosa "pressão popular" ainda parece muito pouco intensa para forçar uma derrubada imediata de um Temer sempre blindado pelos banqueiros daqui e de fora. A mídia segue na gangorra: "fica, Temer" ou "fora, Temer" – dependendo das pressões econômicas e outros interesses próximos disto.
Mesmo impopular e desgastado ao limite máximo, Michel Temer ainda tem plenas condições para resistir até o fim do mandato que herdou via golpe na companheira Dilma, até janeiro de 2019. A rotina brasileira é política e juridicamente macabra. Denúncias de corrupção vão e vêm. A precariedade de algumas provas, baseadas no "disse-me-disse" de delatores inconfiáveis, nem sempre com provas materiais objetivas, beneficiam os infratores nos julgamentos em instâncias superiores de um judiciário lento e muito influenciável politicamente. Não foi à toa que o próprio Temer já teria deixado assessores vazarem o comentário de que, se perder agora na Câmara, depois vence no Supremo Tribunal Federal...
O fator imponderável ainda é a pressão popular. A sobrevivência política de Temer depende muito de uma eleição no meio do caminho. A campanha espontânea "#reelejaninguém" em 2018 promete fazer um grande estrago na politicagem. A dúvida persiste: será que ainda é alto o volume de recursos ilícitos para bancar uma caríssima campanha eleitoral, na base da descarada compra de votos.
Muitos políticos apostam nos negócios bilionários, em via de fechamento, para salvar a reeleição. Falta combinar com um eleitorado cada dia mais pt da vida. Infelizmente, o que favorece a bandidagem é a massa gigantesca de eleitores estúpidos ou que aceitam negociar o voto.
A bela Marcela tem grandes chances de continuar primeira-dama. Mas, se houver um problema e o plano temerário falhar, Patrícia Vasconcelos Maia está pronta para ocupar o lugar. Com o "sogro" postiço Moreira (prejudicado pela Lava Jato) ou com outro sogro, o César Maia, prontinho para operar nos bastidores políticos e econômicos, se o Rodrigão herdar a cadeirinha temerária do Palácio do Planalto.
Resumindo: Meirelles tem a força e Janot pensa que tem a forca. Quem vencerá no final? Os corruptos do Congresso responderão, brevemente...
Silêncio comprado
Fidelidade
Sangue ruim
Phodemos...
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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 9 de Julho de 2017. |
São Fermin Tupiniquim
Posted: 09 Jul 2017 05:32 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Tudo tem limite menos a estupidez humana.
Aqui e além mar abundam exemplos.
Soltar touros bravos em plena rua de uma cidade, para que chifrem a seu bel prazer os pedestres idiotas, é um belo espetáculo de idiotice.
Entre nós, aterrorizar a polícia para que assista impassível as depredações de um bando de vândalos (chamados "blackbostas") é um ato de guerra de quinta geração fomentada pelo implantadores da Nova Ordem Mundial.
Espero viver o suficiente para ver o cassetete democrático entrar em ação.
Depois de uma coça exemplar, tudo voltara a entrar nos eixos, sem embargo dos frouxos e dos freixos.
Os moribundos jornais, em desespero, contratam bandidos como colunistas. Com isso perdem milhares de assinantes e leitores.
Quando o inquisidor mor perde a compostura, rebaixando-se à condição de silvícola, é porque estamos às vésperas de canícula na política.
Em lugar de se inspirar em Santo Ignácio de Loyola, segue as ordens de um ignaro pascácio boiola.
A sobrevida da classe polititica deve-se a generosidade de nosso povo ordeiro e trabalhador.
No dia que dona Onça se comover com os apelos desesperados da população, a limpeza terá que ser ampla, geral e irrestrita.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
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Bandidos acionando a Justiça
Posted: 09 Jul 2017 05:30 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira
Na inversão de valores por que passa o mundo ,uns países são mais afetados que outros. Provarei por "a" mais "b" que o Brasil se enquadra entre os segundos. A corrupção em "pindorama", por exemplo, chegou a níveis intoleráveis. Dentre os sintomas mais característicos dessa situação está o fato dos criminosos acionarem na Justiça os não-criminosos, por esses denunciarem publicamente os crimes, notadamente jornalistas, numa avalanche de ações judiciais e extrajudiciais sem fim.
A explicação deve estar na montanha de dinheiro que os bandidos acumularam via corrupção, como fartamente demonstrado no "Mensalão", "Lava Jato", e "filhotes" afins. Dizem uns que o montante total roubado dos cofres públicos desde 2003 até hoje ultrapassaria o "trilhão" de reais. Outros garantem que essa soma seria até superior ao Produto Interno Bruto-PIB, que em 2016 foi de 6,2 trilhões de reais. Porventura não seria essa a principal razão pela qual tanto falta aos brasileiros os recursos necessários para uma vida menos "apertada"?
Ora, com essa quantia extraordinária à disposição, a corrupção estaria apta, ou teria "poder de fogo", para comprar os Tribunais e talvez a OAB inteira para defender seus interesses. A sorte é que nem todos se vendem e respeitam os respectivos códigos de ética. Contudo, essa colocação não está "absolvendo" e período de 8 anos do Governo FHC, onde muita falcatrua também aconteceu, especialmente nas privatizações das estatais. Possivelmente em menor escala, os governos anteriores a FHC também não "escapam".
Situação semelhante ocorreu na Grécia Antiga, no Séc. IV a.C, época em que a filosofia e toda a sociedade grega, inclusive a sua Justiça, caiu no domínio "demoníaco" da Escola Sofista, a partir de Górgias (483 a.C-375 a.C) e Protágoras (492 a.C-422 a.C). Este último imortalizou a máxima: "O homem é a medida de todas as coisas". A mais importante característica dessa escola foi o desenvolvimento das técnicas da argumentação e do convencimento. Os sofistas são considerados por muitos os primeiros advogados.
Esses "filósofos" não tinham grande dificuldade de transformar uma inverdade em verdade, e vice-versa. Bom é lembrar que a construção de um raciocínio verdadeiro constitui o que se chama SILOGISMO, formado ,na sua forma mais simples, por duas premissas (maior e menor), e a conclusão. O exemplo clássico para o silogismo é : "Todo homem é mortal; Ora, Sócrates é homem; Logo, Sócrates é mortal. Mas os sofistas descobriram que se mutilassem uma das premissas do silogismo, o raciocínio ficaria formalmente perfeito ,porém essencialmente falso. É aí que entrava a "argumentação". Usando o mesmo exemplo do silogismo clássico e transformando-o na sua forma corrompida, o sofisma: "Todo homem é imortal: Ora, Sócrates é homem; Logo, Sócrates é imortal". Essa é a "verdade" sofista.
A sociedade grega de então imergiu na mentira, que passou a ser a maior das virtudes. Foi quando surgiu Sócrates, disposto a combater os sofistas e as mentiras que pregavam. Mas eram os sofistas que mandavam na sociedade. E nesse funesto período dizer a verdade era proibido, o maior dos crimes. Muito superior aos outros , como matar, roubar e estuprar. A pena de morte era reservada a quem ousasse falar a verdade. E por não abdicar da verdade , Sócrates foi acionado pelos sofistas, preso e condenado à morte, forçado a beber "cicuta".
Outro momento em que o mundo adoeceu moralmente, onde o mal prevaleceu sobre o bem ,a inverdade sobre a verdade, foi no tempo de Jesus Cristo (2 a 7 a.C- 33 d.C). Jesus ousou desafiar Roma, pregando a verdade da fé. Foi preso , julgado, condenado e crucificado ,por ordem do Governador Pôncio Pilatos.
A INQUISIÇÃO, também chamada "Santo Ofício", foi outra época da qual a humanidade não pode se orgulhar. Era formada pelos Tribunais da Igreja Católica que perseguiam, julgavam e puniam pessoas acusadas de desvio das suas regras de conduta. A Inquisição teve duas fases. A primeira foi a MEDIEVAL (Sec. XIII e XIV) ; a segunda ,chamada MODERNA, se deu na Espanha e Portugal, nos Séculos XV a XIX. Começou com o Papa Gregório IX, que estava preocupado com o crescimento das seitas religiosas, criando um órgão especial para investigar e punir os suspeitos de heresia, que era qualquer prática religiosa diferente das consideradas cristãs. Na fase medieval da inquisição as punições eram mais brandas que na segunda fase.
Mas o período mais cruel da Inquisição ocorreu na Espanha ,em 1478. Os principais alvos eram os judeus, os cristãos-novos, os protestantes, os iluministas, os homossexuais e os bígamos. As penas eram severas, sobressaindo-se a morte na fogueira, a prisão perpétua e o confisco de bens. "Graças" a essa última pena,a Igreja acumulou grande riqueza. E tudo aconteceu sob cobertura da "Justiça" da época. Por conseguinte, a história comprova que em muitos lugares e tempos diferentes o banditismo preponderou e se confundiu com a AUTORIDADE, política, judicial, ou eclesial.
Também outubro de 1917 deve entrar nessa "lista negra". As consequência da "Revolução Bolchevique", liderada por Lenin, sob pretexto de implantar o marxismo, ou socialismo científico, deixou um rastro de destruição na sua esteira ,onde se estima terem sido mortas mais de CEM MILHÕES de pessoas. E se os Czares antes da revolução tinham a Justiça inteiramente à mão, como narrado por Maximo Gorki , no romance "A Mãe", a situação não mudou depois da vitória comunista. Mais tarde os bolcheviques, que buscavam o poder pela violência ,cederam lugar aos seus antigos concorrentes, os mencheviques, mais "políticos" e menos violentos, que depois se misturaram ao socialismo " fabiano" (aquele do FHC), à Escola de Frankfurt e ao socialismo desenvolvido pelo italiano Antônio Gramsci, este o mais influente no Brasil ,cuja principal estratégia é a dominação cultural e a infiltração paulatina em todas as instituições públicas e privadas ,prioritariamente nos estabelecimentos de ensino.
Essa "salada-de-frutas" de correntes socialistas deu origem no Brasil ao que antes se denominara na Rússia NOMENKLATURA, e que lá havia se adonado do poder após a revolução de outubro, formada pelos burocratas do Estado, dotados de todos os privilégios ,poder e riqueza. Por essa simples razão os nomenklaturistas russos distanciaram-se econômica e socialmente do povo muito mais que a distância que antes separava o dono do capital do trabalhador.
A perfeita acomodação entre a Nomenklatura, "versão" brasileira, e o ESTAMENTO BUROCRÁTICO (a que se referia Raimundo Faoro), uma herança de Portugal, "importada" especialmente com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808,e sua Corte de inúteis almofadinhas, que covardemente fugiam da invasão de Napoleão, germinou de tal modo que daí nasceu a pior escória política que se tem notícia no mundo. Os resultados dessa tragédia, e do "azar" que teve o Brasil, hoje estão mais visíveis que nunca ,especialmente após a posse de Lula na Presidência em 2003.
Com toda a dinheirama que os corruptos roubaram dos cofres públicos, logo sentiram-se no direito de silenciar os que estavam enxergando as suas falcatruas e as denunciavam publicamente. Muito dinheiro rolou nessa tentativa de silêncio. Os alvos prediletos foram os jornalistas que viram-se na obrigação ética de denunciar o que estava acontecendo.
O Jornal da Cidade Online, do RS, por exemplo, foi alvo de ações judiciais estúpidas. Uma delas movida pela Senadora Gleisi Hoffmann, Presidente do PT, notificando o jornal a retirar a matéria "Jornalista revela amante de Gleisi", no momento em que essa notícia já estava "batida"e "surrada" na imprensa ,e que surgiu após a delação premiada de Alexandre Romano, com detalhes "sórdidos", referindo-se ao que constava na "planilha da Odebrecht", nos autos de um processo da "Lava Jato".
O Ministro Gilmar Mendes, do STF, fez o mesmo, processando esse mesmo jornal, num atentado à liberdade de imprensa. Não deixando por menos, o médico Roberto Kalil, Diretor do Hospital Sírio Libanês, aquele mesmo hospital que sempre socorre os endinheirados do Governo, também aciona o mesmo jornal para que retire matéria do ar. Mais parece que esse cidadão quis agradar a seus clientes ricos.
Por seu turno Lula já processou o Juiz Federal Sérgio Moro, o Procurador da República Deltan Dallagnol, a quem chamou de "moleque", e outros, sempre pedindo "danos morais" em torno de um milhão de reais, talvez imaginando que esses trabalhadores ganhem dinheiro tão fácil como ele que nunca trabalhou de verdade. O que ele esquece é que por não ter mais foro privilegiado essas suas ações tramitarão perante os juízes de primeira instância e não pelos Ministros que um dia ele nomeou para o Supremo. Mas se chegar até "eles", talvez....
Além do mais, dito cidadão recorre à ONU para fazer as suas queixas sem fundamento com mais frequência do que vai ao banheiro. Parece até que estaria muito seguro que a "cumpanheirada" tenha tomado conta também da ONU. Não teria sido esse o motivo pelo qual Donald Trump deu um chute no traseiro da Organização das Nações Unidas?
Sérgio Alves de Oliveira é advogado e sociólogo.
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Carlos Lacerda e a Doutrina Udenista
Posted: 09 Jul 2017 05:28 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo foi transcrito do livro "GUIA BIBLIOGRÁFICO DA NOA DIREITA", escrito por LUCAS BERLANZA, com prefácio de RODRIGO CONSTANTINO, editado pela Resistência Cultural.
Palavras do Autor: "O conceito com que trabalho em meu livro de estréia é exatamente esse que ele formula. A Nova Direita é todo mundo: liberais e conservadores, monarquistas e republicanos, misesianos, hayekianos e burkeanos. É uma expressão TEMPORAL, fazendo referência a um marco histórico no Brasil Contemporâneo em eu uma movimentação de maior densidade se efetivou em torno dessas idéias que andaram profundamente ausentes do grande debate público. É uma expressão interessante para nos dar o senso do lugar histórico que estamos tentando ocupar".----------------------------
No interregno democrático – combalido por uma estrutura herdada de mais de uma década de ditadura personalista – entre o Estado Novo e o regime militar iniciado em 1964, o Brasil passou, depois do governo "emergencial" de Dutra, pelas mãos de um mineiro boa-praça e querido por boa parcela do povo, mas com uma política econômica desenvolvimentista que gerou bastante dor de cabeça;um lunático" que imos uma agenda "moralista" piegas – ao mesmo tempo em que condenava um guerrilheiro comunista assassino -, não soube governar com o Congresso, renunciou na esperança de retornar com amplos poderes e se frustrou miseravelmente; e um esquerdista inábil que tomou medidas desesperadas, cometeu graves erros de cálculo, mergulhou o país de vez no desastre e sinalizou perigosamente par alas radicais, terminando por ser deposto por uma articulação civil-militar.
Fica nítido que, desde aquela época – desde, alias, o golpe que derrubou a elite política monárquica – adotamos as opções mais lamentáveis. Entretanto, tínhamos escolha. Uma voz valente não se acovardava diante da adversidade e fazia virulenta oposição a esse estado de coisas. O deputado, vereador e governador do Estado da Guanabara, jornalista – dono da Tribuna da Imprensa – e intelectual CARLOS FREDERICO WERNECK DE LACERDA, detentor da oratória mais impressionante da política brasileira, aturdia os adversários sem descanso.
LACERDA era o principal expoente da União Democrática Nacional (UDN), o partido que congregava um pensamento mais genuinamente liberal-conservador no Brasil, muito embora essa não tenha sido sua regra. Houve desde socialistas no Partido, quando ele começou como uma espécie de "frente ampla" contra as legendas de herança varguista, até a ala "bossa nova", que procurava levar o Partido na direção da esquerda. Além disso, também havia a influência de oligarquias pouco afeitas ao liberalismo econômico. Nada disso evitou que as idéias de matrizes, liberais e conservadoras, de LACERDA e seus apoiadores, que construíram um movimento de força popular – sobretudo no Rio de Janeiro –, prevalecessem na memória geral como identificadas com a tocha acesa da UDN, vinculada ao seu lema, extraído das palavras de Thomas Jefferson: 'o preço da liberdade é a eterna vigilância". O Brasil teve em Lacerda uma oportunidade de, ao menos, promover uma mudança de tônica em seus rumos, oportunidade que se viu perdida, embora acreditemos firmemente que ainda sirva de experiência positiva aos brasileiros de hoje.
Na hora de se definir, LACERDA chegou a expressar admiração por Konrad Adenauer e pelos democratas cristãos europeus, preferia evitar rótulos, como "direita" e "esquerda", nebulosos hoje, mais ainda naquela época. Dizia que "o submundo tosco das idéias e refinadamente intuitivo dos caudilhos não conhece direita e nem esquerda, senão como rótulos". Sua idéia era defender uma concepção política que preservasse a ordem "como único meio de preservar a liberdade". Diante do populismo e do estatismo sistemáticos no cenário brasileiro. Lacerda defendia a necessidade de uma "liberdade fundamental – que é a de construir cada qual a sua vida em harmonia com a sociedade, mas não sob a tirania do Estado. O Estado deve ser sempre contido. No caso brasileiro, deve ser ainda mais, temido; porque ainda por cima, ele é incapaz, por falta de pessoal em condições de dirigi-lo". Do comunismo, que abraçou na juventude, dizia ser uma ditadura "pior que as outras, mais difícil de derrubar", encerrada em seu totalitarismo e em seus apelos emocionais.
A obra "O Poder das Idéias" (1963) reúne textos que sintetizam as idéias que LACERDA adotou em sua fase madura. Católico e influenciado pelas idéias de Gustavo Corção e Alceu Amoroso Lima, bem como pelo norte-americano Fulton Sheen – as idéias de LACERDA possuíam alguns traços que seriam rejeitados por liberais mais estritos. Contudo, associando as virtudes em seu pensamento com o brilho estupendo de sua personalidade e seu talento, ele foi uma preciosidade a ser estudada e melhor conhecida pelos que, hoje, procuram defender, de maneira a alcançar a consciência do brasileiro, os valores da ordem liberal.
Um dos seus propósitos era dar ao seu Partido um cabedal doutrinário que o fizesse de fato representar uma corrente de idéias. Em resumo, a UDN seria destinada a "preservar e sustentar, levando-os à prática, certos valores e princípios que se costuma resumir, chamando-os princípios da civilização cristã, como tal denominada a liderança da cultura, do estilo de vida, pensamento e comportamento que recebemos da cultura judaico-greco-latina através de nossos formadores, a religião cristã e a colonização portuguesa".
A partir desse legado, o udenista deveria entender que "as divergências os conflitos de interesses, que existem e sempre existirão, podem e devem ser resolvidos pelo entendimento e não pela força, pela compreensão e não pela intolerância". Em relação à Pátria deve se ser patriota e não nacionalista, pois o nacionalismo é "a ideologia que visa colocar a Nação acima de tudo, uma noção totalitária", enquanto o patriotismo "não é fanático, é lúcido". Apeando-se aos ideais liberais-democráticos, ele defendia que o fato de estes ainda não terem sido capazes de "assegurar a todos os homens os meios materiais e culturais para sequer saber o que vem a ser a dignidade da sua condição humana" não nos deve levar a nada diferente de um "esforço de propagação da liberdade e difusão dos meios de bem usá-la".
Não devemos "negá-la aos que já a alcançaram e, a pretexto d que nem todos conseguiram obtê-la, negá-la a todos, fazendo do Estado, da Nação, do Partido ou da Classe o mito de uma nova idolatria". Ou, ainda, ter ciência de que, "a pretexto de que é necessário dar pão aos que não o têm ainda, não se pode suprimir a liberdade dos que já ganham o pão, e não querem perder a sua liberdade", mesmo porque, "todo o governo que suprime a liberdade em nome do pão, acaba por não devolver a liberdade que tomou, e não distribuir o pão que prometeu". Tudo isso com base na convicção em que "não existe liberdade política sem liberdade econômica, assim como não existe liberdade econômica sem liberdade de conhecer, compreender e concorrer'.
Começando por combater a ditadura getulista, o fascismo e o integralismo, em nome do comunismo, LACERDA depois combateu o populismo e o próprio comunismo em nome da democracia liberal e de uma concepção da sociedade que dava ênfase a uma forte base moral e a uma retração necessária do Estado com vistas à eficiência e à valorização da livre iniciativa. Bandeiras que, ainda mais quando defendidas com a paixão e a contundência com que ele o fazia, necessariamente atraem amores e ódios em intensidades semelhantes.
No momento em que novos ares se desenham no "mercado político-ideológico" brasileiro e os cidadãos, em suas reflexões, procuram por alternativas mais sólidas, CARLOS LACERDA está entre a constelação de homens públicos do passado que podem oferecer aos brasileiros um referencial de esperança.
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