Alerta Total |
- Cármen Lúcia evoca o papel constitucional do povo
- Mar e Cela – em tempos de carne fraca
- Marvada Carne
- Nomenklatura – Embrião da Nova Classe
| Cármen Lúcia evoca o papel constitucional do povo Posted: 18 Mar 2017 04:55 AM PDT Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net Carne fraca, corrupção fortíssima: até quando engoliremos? Eis a questão de resposta nada fácil. A percepção é que a maioria das pessoas parece um barril de pólvora prestes a explodir, alternando desânimo com a situação e vontade de agir (mesmo sem saber como) para mudar as coisas erradas. O debate se amplia nas redes sociais, e força um posicionamento das autoridades que atuam nas instituições em crise – afetadas ou corrompidas pelo crime e suas organizações. Embalados pelo "Efeito Lava Jato", membros da máquina judiciária – promotores e magistrados – assumem a ofensiva das discussões. Ontem, no dia em que a Polícia Federal realizou a maior operação de sua História para iniciar o desmonte de facções do crime institucionalizado especializadas em esquartejar produtores do agronegócio, a presidente do Supremo Tribunal Federal aproveitou uma entrevista à Rádio CBN (Grupo Globo) para falar de Política. A ministra Cármen Lúcia defendeu a realização de um referendo ou plebiscito para definir pontos da reforma política: "O sistema brasileiro precisa mesmo ser repensado, não tenho dúvida nenhuma. Mas a lista fechada e o financiamento fazem com que haja provavelmente pessoas que vão arvorar-se quase como donos, proprietários de partidos, Esse tipo de matéria precisa de ser esclarecida ao povo, dito exatamente o que significa - porque a maioria dos cidadãos, dos eleitores brasileiros, sequer sabe como é e quais as consequências de se votar numa lista aberta ou fechada de candidatos". A suprema magistrada Cármen Lúcia reproduziu um raciocínio jurídico que tem sido amplamente difundido nas redes sociais, sobretudo pelos defensores da Intervenção Institucional: a legitimidade da livre atuação popular, com base constitucional, para aprimorar e mudar o Brasil. Cármen Lúcia pregou: "Talvez seja a hora de a gente cumprir o artigo 14 da Constituição. Afinal, o artigo 1º da Constituição estabelece que o povo é soberano, o povo é que é titular da soberania, logo ele é que deve decidir em última instância. O artigo 14 da Constituição de 1988 prevê esses mecanismos. Talvez já tenha passado da hora de a gente começar a adotá-los para que o povo se manifeste". Cármen Lúcia defendeu que a consulta à população impõe uma educação cívica, no sentido de estabelecer claramente "quais são as bases de cada mudança que é feita". "Vota-se em quem, vota-se como, sistema de lista aberta ou fechada importa em que, como vai acontecer, e quais são as consequências, e isso seria oferecido ao povo em referendo ou plebiscito". Ressaltando que o brasileiro tem o direito a um governo honesto, Cármen Lúcia condenou, previamente, as manobras articuladas no Congresso Nacional para perdoar crimes de financiamento de campanhas eleitorals usando dinheiro ilegal de caixa 2 de empresas: "A apuração dos crimes está em curso, qualquer tentativa de obstaculizar medidas punitivas que são necessárias no caso de cometimento de crime não é bem-vinda evidentemente à sociedade, menos ainda à comunidade jurídica". Só faltou Cármen Lúcia constatar que o Brasil sob hegemonia do crime já afundou, e que agora precisa ser refundado. Ela não poderia chegar a tanto... O importante é que a Presidente do STF deixou claro que cabe ao povo, constitucionalmente, tomar as providências para mudar as coisas para melhor, com base na lei e na ordem. As pré-condições para uma inédita Intervenção Institucional vão amadurecendo. Um atalho pode ser a ampliação do debate para a efetiva implantação do Federalismo no Brasil, implantando uma estrutura estatal correta e adequada à realidade do século 21. O assunto ganha impressionante destaque nas redes sociais. O debate federalista tem uma vantagem: fica acima das paixões ideológicas das "torcidas" extremistas e radicais. Os EUA debateram por 13 anos e implantaram o Federalismo (em vigor desde 1776). Alguns brasileiros tentaram com Tiradentes e os "inconfidentes" (no século 18). Falhamos novamente com os golpes da República (1889) e do Estado Novo (1937). Os movimento militar-civil de 1964 não mexeu na estrutura errada. A Nova República, a partir de 1985 e com a Constituição de 1988, ignorou a necessidade federalista e ampliou o poder centralizador-autoritário da União Federal, em detrimento dos Estados e municípios. A desejável Intervenção Institucional tem de promover uma Repactuação Constitucional e implantar de fato o Federalismo, definindo o tamanho ideal que a máquina estatal brasileira deve ter. As mudanças estruturais ocorrerão com a adoção do Voto Distrital, do Imposto Justo e da Transparência na Gestão Pública (pela fiscalização direta de cidadãos-eleitos para tal fim). Tudo tem de ser feito com investimentos consistentes em Educação e Infraestrutura – com prioridades definidas, sem perda de tempo, nas consultas populares diretas. As mudanças acontecerão quando a maioria do povo brasileiro acordar para cumprir seu papel constitucional (obrigações e direitos). Democrata, a ministra Cármen Lúcia faz parte do seleto grupo que já percebeu que não basta ficar defendendo corporativismos nos poderes. Fica a torcida para que Cármen Lúcia e outros tantos brasileiros de bem apóiem a Intervenção Institucional com base Federalista. Pressão nele Carne Podre... Musiquinha de ocasião, em tempos de carne fraca e muita podridão... Colabore com o Alerta Total Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente com o Alerta Total poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades. Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções: I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil. Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão. II) Depósito em Conta Poupança da Caixa Econômica Federal ou em agências lotéricas: 2995 013 00008261-7, em favor de Jorge Serrão. OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim. III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito). IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior. Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai! A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 18 de Março de 2017. |
| Mar e Cela – em tempos de carne fraca Posted: 18 Mar 2017 04:39 AM PDT "País Canalha é o que não paga precatórios". Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos Maurício Mantiqueira A classe polititica está se afogando no mar de lama e se encaminhando para a lavajatense cela. Assim, em tempos de carne fraca, não podemos ficar segurando vela. A musa da pantomima obtusa não brinca mais e se escusa. Biquini de oncinha nem pensar. Até um de camuflado vá lá: lembra a onça que não quer atuar... Entediada a não mais poder quer que o vampiro vá se f. (vocês sabem). Mas deixemos a lindona de ladinho, para falar da corrupção que come nosso dinheirinho. Não há nada mais brochante que uma lista estonteante. Chega de contar lorota. Quem escapa do janota? Parece que ele está sendo "bonzinho"... Até agora, nenhum urubuzão nem urubuzinho. Surgirá alguém do time do judas? Ou acochambrar-se-á tudo? Por mais que te iludas não espere milagres. Serão fisgados só pequenos bagres. Pegarão uns apenas como bodes expiatórios. Para que os chefões continuem agindo tranqüilos em seus escritórios. Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador. |
| Posted: 18 Mar 2017 04:37 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli Em tempos de quaresma sinalizar sobre a marvada da carne parece conspirar contra a fragilidade humana, reclamando jejum, oração e esmola, mas ao contrário o Brasil vive talvez um dos seus piores momentos nos cenários econômico, político e principalmente cultural da globalização massacrante e da falta de escrúpulos das macroempresas. Com efeito, quando um setor da economia de escala é pilhado mediante práticas irregulares, anômalas, causando repercussão internacional os efeitos são deletérios, e quem perde somos todos nós, o conjunto da sociedade e a primariedade do lucro fácil e da propina para os agentes públicos facilitarem a desabrida corrupção. Condutas dessa natureza,de venda e comercialização de produto vencido com rótulos adulterados e embalagens reaproveitadas deveriam conduzir a longos anos de solitária e o pagamento de um multa milionária a fim de que os empresários se conscientizassem do que fizeram. E no momento conturbado da vida do País notícias desse jaez provocam desconfiança da população que passa a consumir menos ou nenhuma carne e ficará de olho em grandes frigoríficos que até agora não emitiram qualquer nota de esclarecimentos à população. Recentemente alguns estados da federação voltaram a tributar a carne para o consumidor final, o que provocou um aumento inelástico do preço em razão da própria demanda. E a partir do novo padrão de comportamento todos perdemos, o pecuarista, o exportador, o importador, o consumidor final, fornecedores e toda a cadeia que levará algum tempo para se recuperar e consolidar dentro dos perfis de moralidade e ética que guarnecem qualquer atividade considerada séria. Qual a diferença do fato no Brasil e por que não acontece em países desenvolvidos? Fácil pressupor que os agentes públicos padecem de dois graves defeitos, ao menos,o primeiro tem indicação política os cargos de direção e os que ganham menos se submetem ao vexam incogitável da propina,se caso assim acontecesse em Nações do primeiro mundo, o primeiro ministro e até o presidente da república poderiam cair, renunciar e sofrer represálias internas e externas. Mas no País jabuticaba quando se espera que o acontecimento não mais cresça, o que assistimos e vemos perplexos e estarrecidos é que a República não se faz em prol da cidadania e a Federação consome mediante impostos a paciência e a resilência da soberania nacional. E a crise nos abalada frontalmente, pois que sempre adotamos práticas comerciais censuráveis e buscamos no lucro a causa única e exclusiva, mesmo maquiavélica,dos comportamentos ilícitos. Tempos atrás algumas dessas empresas apostaram em derivativos e conseguiram destruir a atividade produtiva, ou foram apoiadas por bancos públicos ou se viram necessitadas de processos societários a fim de se evitar a debacle. Pouco mais a frente e não resistindo à marvada da carne se conduzem marginalmente, adulterando o produto e colocando em risco a saúde do consumidor. A longa tradição do Brasil em megaescandalos preocupa e chama a atenção, concentrações de oligopólio e monopólio e a falta completa de qualquer medo ou temor pela repressão ou o papel da Justiça na condenação desses maus cidadãos. A lição que se extrair parece muito semelhante as demais, sempre o público se relacionando com o privado numa promiscuidade crescente e falta de impessoalidade, já que visam a finalidade específica do dinheiro fácil,mediante o suborno e facilidades muitas geradas para que a vida desses grandes conglomerados não seja, em qualquer tempo, cravada de insucessos. Demoramos anos a fio para a abertura do mercado para Países e Nações importantes e agora com essa desastrosa notícias aumentam e muito as chances de não termos compras de grandes parceiros comerciais. Muito cedo ainda para se conhecer o impacto da operação carne fraca mas de uma coisa podemos estar absolutamente certos, a influência do Estado,o dinheiro emprestado pelo BNDES e a leniência da fiscalização tudo isso motivaram comportamentos que agora devem ser rigorosamente apurados e severamente punidos. A maldade vai a tal ponto de serem utilizadas substâncias químicas com o escopo de impedir o funcionamento regular do paladar e com grande probabilidade do agente cancerígeno espalhado pelo organismo. Enquanto não prezarmos por um capitalismo de vanguarda e de um lucro justo e não abusivo e procurarmos as facilidades que compram as dificuldades navegaremos entre o subdesenvolvimento marginal e a intolerância generalizada. O centro nervoso de tudo indica que a corrupção metamorfoseou o País em grandes doses de metástases espalhadas pelo tecido produtivo,financeiro em movimentos constantes e permanentes. Dizem os leigos de plantão que operações rigorosas e de espetacularização desse viès podem levar as empresas à quebra,então é preferível que alojemos da cadeia produtiva setores que agem às escuras do que comprometamos a saúde da população. Chegou o tempo de darmos um basta na corrupção, nas maracutaias e refrearmos os desejos inconfesssáveis da marvada da carne, sob pena de nos transformarmos, em pleno tempo da quaresma, em contumazes pecadores da podre luxuria,e do avarento lucro pecador e de sabores que contagiam e contaminam a saúde de qualquer Nação que pretende ser desenvolvida. Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laercio Laurelli (aposentado) são desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. |
| Nomenklatura – Embrião da Nova Classe Posted: 18 Mar 2017 04:35 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos I. S. Azambuja O texto abaixo é outro capítulo do livro "A Nomenklatura – Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética". O autor, MICHAEL S. VOSLENSKY, nasceu em 1920, na União Soviética. Foi tradutor no processo de Nuremberg e no Conselho de Controle Aliado da Alemanha. A partir de 1950 trabalhou em Moscou, em contato estreito com o aparelho do Comitê Central do Partido, tendo sido enviado a Praga, depois a Viena, para o Conselho Mundial da Paz. De volta a Moscou, assumiu responsabilidades diversas na Academia de Ciências. Professor de História na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou, e membro do Conselho da Academia de Ciências Sociais, junto ao Comitê Central. MICHAEL VOSLENSKY é considerado, no Ocidente, um dos mais eminentes especialistas em política soviética. ---------------------------- Uma organização de revolucionários profissionais seria um bom meio de reparar uma revolução? Sim, sem dúvida alguma, se se trata de derrubar a ordem vigente e tomar o Poder. Os revolucionários profissionais representam o interesse da classe dos operários? Em que consiste esse interesse? Não é nem o aumento de salários e nem melhoria das condições de vida – isto seria sindicalismo -. Seu interesse é a vitória da revolução proletária. Mais qual serão resultado dessa vitória? Segundo Lenin, o mais importante, na Revolução, é o problema do Poder, pois após a Revolução o Poder passará para as mãos do proletariado, representado pela sua vanguarda. E qual é essa vanguarda? Segundo Lenin, é o Partido, cujo núcleo é a organização dos revolucionários profissionais. Todavia, assim que os tais revolucionários profissionais subirem ao Poder vão dizer que representam os interesses da classe operária, sob o pretexto de que a tomada do Poder é do interesse da classe operária. Por que a classe operária deveria lutar pela melhoria das condições dos revolucionários profissionais em lugar de lutar pela melhoria de suas próprias condições? Lenin confessa abertamente que a classe operária, pelo fato de ser a classe social mais mais homogênea e mais disciplinada, é a melhor para tornar-se o exército político da revolução. Vamos encontrar essa tese se Lenin em todos os manuais de História do PCUS. Sem a classe operária, os revolucionários profissionais não conseguiriam "fazer" a Revolução, porque esse punhado de profissionais não tinha possibilidade de tomar o Poder sem a ajuda do proletariado. Os populistas haviam se apoiado na classe majoritária em número – os camponeses – e tinham fracassado. Por isso, os revolucionários profissionais, segundo Lenin, deveriam apoiar-se em uma minoria bem organizada e disciplinada, no caso os proletários, e tomar o Poder por seu intermédio. Reside nesse ponto o laço que liga, em todos os países, a classe operária aos partidos comunistas. Pode-se,como faz a propaganda dos comunistas, repetir, de todas as maneiras, as palavras de Lenin para fazê-las penetrar bem na mente das pessoas: o Partido é o Partido da classe operária, o Partido luta pelos interesses da classe operária, Na realidade não há um mínimo de verdade nessas palavras. Elas são e continuarão a ser uma mentira. Nem o Partido leninista no seu conjunto, nem seu núcleo – os revolucionários profissionais – jamais foi, nem a vanguarda e nem uma simples parcela da classe operária. Então, a que classe de sociedade russa pertencia essa organização de revolucionários profissionais? A nenhuma. Desde o início, Lenin colocou essa organização além da sociedade da época: ela deveria constituir um organismo social independente e obedecer a suas próprias regras. Dessa organização nasceu um grupo muito fechado que não pertencia a nenhuma classe. Seu papel, no sistema de produção soclal, consistia em derrubar esse sistema de produção, bem como a ordem social existente. Esse pequeno grupo não tinha outro papel senão esse. No sistema de produção existente e na ordem social existente, não havia lugar para ele. Por outro lado, esse pequeno grupo tinha um futuro bem preciso: se a revolução que preparava fosse vitoriosa, tornar-se-ia, automaticamente, uma organização de dirigentes profissionais. Foi assim que Lenin criou o embrião da nova classe dirigente. Mais tarde, os bolchevistas se contentariam em repetir que a Rússia daquela época estava grávida da Revolução. No entanto, seria mais exato dizer que a Rússia estava grávida de uma nova classe dirigente que só poderia chegar ao Poder pela Revolução. Mas, afinal, quem foi para o Poder? Os operários ou os camponeses? Uma velha fotografia nos mostra o primeiro Conselho dos Operários do Povo: estão todos lá, sentados em volta de uma mesa, olhando para nós. Entre eles há nobres... Lunatcharski, o próprio Lenin... há intelectuais, florões da burguesia... Mas, onde estão os operários e os camponeses? Não os há. Todos os comissários bolchevistas do povo têm apenas um ponto comum: independentemente de sua origem ou de sua situação social, são todos dirigentes da organização de revolucionários profissionais criada por Lenin. Foi essa organização que tomou o Poder do Estado. Que classe representava essa organização? Já o dissemos: Ela representava ela própria. E ela é o próprio embrião de uma nova classe dominante. |
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