Alerta Total |
- A hora e a vez do Federalismo no Brasil
- A Onça do “Toupeira do Mantiqueira”
- Uma chance de renovação
- A violência que a Lei protege (6)
- Desarmamento e massacre da população civil
- A República refém
- Assim tropeça nossa Pátria...
- O fim da hipocrisia
| A hora e a vez do Federalismo no Brasil Posted: 19 Mar 2017 06:30 AM PDT Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net Repetir custa nada... A desejável Intervenção Institucional Brasileira tem de promover uma Repactuação Constitucional e implantar de fato o Federalismo, definindo o tamanho ideal que a máquina estatal brasileira deve ter. As mudanças estruturais ocorrerão com a adoção do Voto Distrital, do Imposto Justo e da Transparência na Gestão Pública (pela fiscalização direta de cidadãos-eleitos para tal fim). Tudo tem de ser feito com investimentos consistentes em Educação e Infraestrutura – com prioridades definidas, sem perda de tempo, nas consultas populares diretas. As mudanças acontecerão quando a maioria do povo brasileiro acordar para cumprir seu papel constitucional (obrigações e direitos). A Intervenção Institucional com base Federalista é a solução mais politicamente civilizada para o Brasil. Segmentos esclarecidos da sociedade já constataram que não adianta ficar bancando o torcedor a cada eleição. Não importa que candidato você escolha – por melhor e mais honesto que ele seja -, o mecanismo do Crime Institucionalizado continua o mesmo. A corrupção sistêmica tem a hegemonia, porque ela não serve apenas aos objetivos criminosos primários. Só otários não percebem que a função criminosa é estratégica. Seu papel principal é subjugar o Brasil, mantendo-o como permanente colônia de exploração. Pode reparar: a empresa corrupta se destrói e seu rico espólio acaba assimilado por algum esquema do grande capital transnacional. Desunidos pelo crime, e pelas paixões ideológicas, os brasileiros não conseguem cultivar um saudável sentimento de Nação que pode se desenvolver, servindo de exemplo para o resto do mundo, com o qual deveria se integrar de forma soberana, sem babaquices xenófobas. Felizmente, começa a avançar em grupos de discussão nas redes sociais a importância do Federalismo como solução viável. Ajuda a enriquecer o debate a leitura imprescindível do "Livro de Tiradentes". Coordenada pelo historiador norte-americano Kenneth Maxwell (Penguin & Companhia das Letras, 2013), as 458 páginas da obra retratam a História da Inconfidência Mineira. Vale entender por que fracassou a tentativa de alguns conspiradores de uma rebelião republicana e anticolonialista para acabar com o domínio português no Brasil. Lá no Paraná, terra da tal "República de Curitiba" tão criticada e temida pelo companheiro $talinácio, funciona o Instituto Federalista. A entidade formulou uma proposta de uma nova Constituição para implantar a República dos Estados Federados do Brasil". A proposta trabalha a autonomia dos estados em matéria tributária, legislativa, judiciária e administrativa. Vale a pena estudar o pensamento organizado por Thomas Korontai, no livro "Cara Nova para o Brasil" (Multideia Editora, 2011, 222 páginas). Nada custa uma visita ao site www.federalista.org.br Semana passada, o geralmente chatíssimo "horário eleitoral gratuito obrigatório dos partidos políticos" trouxe uma grata surpresa para alimentar o debate sobre mudanças no Brasil. O programa do pequeno PSL – agora denominado "Livres" (nas redes sociais) – também apontou o federalismo como solução prática para o Brasil. A boa novidade é a grande quantidade de jovens, sobretudo empreendedores, envolvidos com a proposta federalista - que o movimento Avança Brasil Maçons Br também tem abordado muito bem. O mais bacana e importante é que todas as propostas federalistas, das diferentes linhas políticas, convergem para a necessidade e o compromisso democrático (a segurança do Direito, através do exercício da razão pública). Todas entendem que é imprescindível o aprimoramento institucional no Brasil, com transparência, fiscalização e controle direto pelos cidadãos-eleitores-contribuintes. Enfim, ganha força a chance de rompermos com o modelo capimunista rentista em vigor no Brasil. Conhecer e debater o Federalismo – focando nas características, forças, fraquezas, ameaças e oportunidades brasileiras – é um caminho sem volta a ser trilhado por aqueles que desejam promover mudanças estruturais no Brasil. Só o Federalismo, via Intervenção Institucional, pode derrotar o Crime Institucionalizado. O resto é ilusão e enxugamento de gelo no inferno. PS – É oportuníssimo ler, com olhares estratégicos, o artigo de Rodrigo Tavares, originalmente publicado na revista Época, que republicamos abaixo: Uma chance de renovação Suprema Star Wars Comentário engraçadinho nos bastidores do Judiciário, falando em um código hollywoodiano fácil de perceber: "Viram como a Princesa Leia consegue dar um pau no Darth Vader?" Será que o pessoal se referia à pregação republicana da Cármen Lúcia contra a reunião de Gilmar Mendes com Michel Temer, Eunício de Oliveira e Rodrigo Maia? Releia o artigo de sábado: Cármen Lúcia evoca o papel constitucional do povoIlustre presa de luxo do Leblon Comentário pertinente da jornalista Cristina Serra, no Facebook, sobre a estranha alegação usada para o regime de "prisão domiciliar de luxo" concedido a Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral Filho: "Quantas mulheres estão presas sem julgamento, no Brasil, e tem filhos pequenos, sem pai para cuidar deles na ausência da mãe? Se esse critério vale para soltar uma, tem que valer para todas as outras. Não fico feliz com a prisão de ninguém. Não torço pela desgraça de ninguém. Justiça tem que ser Justiça e não vingança. Mas, só a presa do Leblon tem filhos para criar?" O Ministério Público Federal entra, nesta segunda-feira, com um recurso para que Adriana continue presa no complexo de Gericinó, em Bangu, igualzinho como acontece com outras presas menos famosas e muito mais pobres... No freezer... Marvadeza com a carne Comentário pertinente no Facebbok da advogada Ester Eliísa Addison, de Florianópolis, sobre as conseqüências estruturais da repercussão sobre a "carne fraca" para a economia brasileira: "Absurdo o linchamento que estão fazendo com todas as marcas de produção de carne. A operação da PF ainda nem divulgou quais as marcas que contém adulterações e quais são essas adulterações e todas já estão sendo satanizadas e linchadas. As ações caíram vertiginosamente, as exportações cairão e o consumo diminuirá, fomentando o consumo clandestino. Com isso, o desemprego será inevitável. Como diz o meu amigo Pedro Sérgio Torres, serão mais alguns milhões de desempregados na cadeia de produção, do campo ao porto, em especial na avicultura familiar, já a partir da semana que vem, quando pipocarão as rescisões de contrato de fornecimento. E serão décadas para retomar os mercados que perderemos para os concorrentes internacionais". Emergência! Boi hits... No Youtube, sucessos (ou nem tanto) para os tempos de carne fraca e corrupção forte... #gordinhofdpforever Missa de 7° dia pelo falecimento do inesquecível amigo Emilio Bocha Perez será realizada dia 21/03/2017 (terça - feira) às 18h30, na Basílica Santa Teresinha do Menino Jesus - Rua Mariz e Barros, n° 354, na Tijuca, Rio de Janeiro. Colabore com o Alerta Total Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente com o Alerta Total poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades. 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Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 19 de Março de 2017. |
| A Onça do “Toupeira do Mantiqueira” Posted: 19 Mar 2017 05:47 AM PDT A juma já morreu atochada pela ignorância... "País Canalha é o que não paga precatórios". Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos Maurício Mantiqueira Procuro sempre colocar-me na posição dos amáveis leitores, para melhor fazer uma autocrítica. Aceito o desaforo (desaforo privilegiado?). Já ouvi de amigos, que a obstinação em defender dona Onça, é fruto de minha enorme teimosia; sinal de burrice. Mas tudo tem limite. Talvez com exceção da estupidez humana. Assim, impávido, prossigo em minha quixotesca campanha. Como no futebol, quem não bate... apanha... Quem não faz... leva... A merda das instituições está funcionando tão bem, que todo dia temos um escândalo; novinho em folha. Pode ser que o carnívoro apetite da se atice pelo conjunto da obra. De cretinice vemos exemplos de sobra. Volto a insistir. Se não aparecer nenhum do judas ciário, a listagem será coisa de otário. Se começar a sarabanda, poderemos dormir em paz. Sobrará algum ladravaz? Cheios de circunstância e pompa, surgirá alguém que dos polititicos, a arrogância rompa? São, mais ou menos, uns mil a serem mandados a PQP. Nossa paciência se esgota. Quando a felina vestirá a bota? |
| Posted: 19 Mar 2017 05:43 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Rodrigo Tavares A classe política brasileira tem reagido com um cauteloso silêncio à lista que o procurador-geral Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal. Foi também com um longo silêncio que Laura Oller, de 28 anos, estudante brasileira na Harvard Kennedy School of Government, reagiu quando lhe perguntei sobre as lideranças políticas brasileiras que admira. Na verdade, a maioria dos cerca de 50 alunos brasileiros na universidade – muitos de classe média e querendo voltar ao Brasil para poder "contribuir" – também não se reconhece nas atuais coroas que reinam os destinos do país, ela me disse enquanto tomava um café perto da Harvard Square, o coração do campus universitário. A turma que sonha e faz O Brasil tornou-se um país acéfalo, sem lideranças nacionais respeitadas. O recente êxodo de políticos para os cárceres, motivado pela Lava Jato, veio simplesmente expor um problema antecedente. A política brasileira é dominada pela mesma geração há 40 anos. Com algumas exceções, a maioria destes representantes políticos, hoje entre os 60 e os quase 90 anos de idade, é esvaziada de talento, de compromisso público e de honestidade. Barricados dentro de suas próprias cidadelas, não contribuíram para a revitalização gradativa do sistema político. Todos já foram ciclicamente tudo, de vereadores a prefeitos, de deputados a ministros, de senadores a governadores. Se surgiram novas lideranças, foram sobretudo aquelas geradas dentro das mesmas dinastias ou cumplicidades. É absolutamente surpreendente que um brasileiro de 45 anos encontre na urna eletrônica praticamente os mesmos rostos de quando votou pela primeira vez. Opinião pública frágil, falta de treino democrático e população ainda pouco qualificada permitiram que esses castelos se fossem erguendo. A geração abaixo dos 40 anos é diferente. Investimentos feitos em educação na última década e o envolvimento ativo de organizações do Terceiro Setor, como a Fundação Lemann, o Centro de Liderança Pública ou a Fundação Estudar, têm incubado novas lideranças. Grupos ativistas como Meu Rio/Minha Sampa ou a Bancada Ativista têm mobilizado as bases. Não são só jovens com sobrenome. É uma geração de talentos representativa do sortimento brasileiro. Mas entre essas duas gerações existe um alarmante vazio de poder. É como se uma geração inteira, hoje entre os 40 e os 65 anos, tivesse sido dizimada. O Brasil precisaria de alguns milhares de quadros políticos para abastecer o topo das suas administrações públicas durante a próxima década. Mas, com os erros cometidos, poderão sobrar apenas algumas dezenas de bons homens e mulheres. E, pelo silêncio da geração da Laura, são poucos os que geram empolgação. E agora? Tal como na física não é possível atingir o vácuo perfeito, também na política os espaços vazios serão sempre ocupados. Para os próximos cinco ciclos eleitorais, de 2018 a 2026, vários cenários, liderados por grupos distintos e sobrepostos, poderão surgir: Os políticos vitalícios: na ausência de convulsões sociais ou despachos judiciais, é possível que a velha geração política, com mais de 65 anos, se mantenha no poder. Seria a gerontocracia que Platão defendia, o governo dos velhos. Estudos indicam que, quanto maior o fosso entre a idade média dos membros de um governo e a idade média da população, maior a tendência para a autocracia. No Brasil, muitos políticos sobrevivem eleitoralmente à custa de elos históricos de vassalagem e de transferência de favores, que dificilmente se quebram. É possível que o presidente da República eleito em 2022 seja um político profissional há pelo menos 40 anos. O Brasil seria uma Índia dos trópicos, país conhecido por sua classe política analógica. Os perigosos: num cenário normal, a competição e o voto popular servem de freio de mão. Mas, sem eles, a política poderá atrair um conjunto de seres indesejados, com agendas radicais, populistas e autocentradas. Despontariam para emitir uma mensagem patriótica, antipolítica e bipolarizada e para manipular medos (falta de emprego, segurança pública, imigração), estimulando a empatia. Celebridades e radicais de esquerda ou de direita entram nessa categoria. O Brasil tem um exército deles prontos a dar as caras. Na Itália, os vazios criados nos anos 1990 pela Operação Mãos Limpas, que combateu a corrupção, foram aproveitados pelo populista Silvio Berlusconi, primeiro-ministro intermitente de 1994 a 2011. Os empresários: no Brasil, a relação entre a política e o setor privado sempre foi de camas separadas. São poucos os exemplos de empresários de sucesso que singraram na política e mantiveram sua respeitabilidade intacta. Mas, num cenário de apagão de lideranças, poderão surgir nomes independentes, alguém que esteja disposto a aplicar em sua vida pessoal as regras do mercado de capitais, tomando um risco alto para um retorno proporcional. Falei com algumas dessas lideranças, que pediram para não ser citadas. A mera especulação de seus nomes poderá retirar o efeito surpresa ou gerar uma contaminação indesejada. No exterior, são muitos os exemplos de empresários que viraram políticos. Em 2015, a Croácia elegeu um empresário radicado no Canadá para primeiro-ministro. Os jovens: ainda que incomum no Brasil (com exceção de Collor), várias democracias elegem chefes de governo jovens. David Cameron, do Reino Unido, e Justin Trudeau, do Canadá, foram eleitos com 43 anos. Matteo Renzi, da Itália, com 39. Emmanuel Macron, atual candidato a presidente da França, nasceu no final dos anos 1970. A média etária dos presidentes brasileiros, no ano da tomada de posse, descontando Collor, é 62. Mas o Brasil tem um celeiro de centenas de novas lideranças com qualidade para irrigar a administração pública, muitos deles globalizadas, bem formadas e com genuína vocação pública. Estão agregadas em redes e movimentos. O Agora! junta cerca de 50 notáveis com menos de 45 anos em torno do objetivo de atualizar a política brasileira e desenvolver uma agenda para o país. A Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), financiada por Guilherme Leal, principal acionista da Natura, seleciona políticos diferenciados, de todos os partidos e em torno dos 40 anos, oferecendo-lhes formação em campanhas políticas, gestão pública e sustentabilidade conduzida por especialistas oriundos de prestigiosas universidades como Harvard e George Washington. Em troca, os formados precisam se comprometer com um código de ética. O Nova Democracia, outro movimento que reúne cerca de 60 pessoas com diferentes vocações ideológicas, mas mobilizadas pela necessidade de oxigenar a política, será lançado em breve. Hoje os desincentivos para esses jovens entrarem na máquina pública são inúmeros, desde a dificuldade em perfurar as estruturas cristalizadas de controle interno dos partidos até os possíveis abalos de reputação. Mas é essa geração que daqui a uma década começará a tomar as rédeas do país. Se for mais cedo, melhor. Os novos velhos políticos: é a geração dizimada, entre os 40 e 65 anos. As conversas que tive com movimentos sociais e políticos e com os alunos que encontrei em Harvard e na Tufts indicaram que, ainda que sejam poucos e pouco consensuais, os políticos sobreviventes que podem ter ambições políticas maiores são Eduardo Paes, ACM Neto, Fernando Haddad, Paulo Hartung e João Doria. Os Ainda Sobreviventes Encontrei Paes no dia de Carnaval em Nova York, cidade onde vive há alguns meses. "Deprimido" por assistir, pela primeira vez em muitos anos, aos desfiles da Sapucaí à distância, contou que seu maior desejo, depois da "fase de reflexão", é retornar ao Brasil para ser candidato a governador em 2018. Mas, em meio a tanto descrédito pela classe governativa, perguntei, por que voltar ao poder o deixaria animado? Paes falou do Rio de Janeiro com empolgação, carregou nos adjetivos e sentou-se na beira da cadeira para poder gesticular com mais largueza. "Eu sou um bom gestor político." Para liderar uma cidade, reforçou, "não se pode ser apenas gestor nem apenas político. É preciso ter metas e planos estratégicos, mas é preciso circular bem na imprensa, na sociedade civil, interagir com outros governos". Sem querer discutir política com o queixo no peito, perguntei-lhe sobre o futuro. Como é que ele está olhando o Brasil à distância? Será que o Brasil tem lideranças suficientes na mesma faixa etária? "É uma geração dizimada", reagiu com prontidão. "O Brasil tem poucos líderes políticos na minha geração, dá pânico, é um vácuo." E em 2018, quem serão os candidatos, alguém novo? perguntei. "Duvido", respondeu. Em sua bolsa de apostas estão Alckmin, Ciro Gomes, Ronaldo Caiado, Bolsonaro e Lula. "E Lula vai ganhar do Bolsonaro no segundo turno", sentenciou. Haddad acha que é um bom palpite, mas a conversa num café perto da Avenida Paulista, uma semana depois, foi mais universitária. Nesse dia, recomeçaria seu trabalho como docente na Universidade de São Paulo. Ao discorrer didaticamente sobre os bloqueios que impediram a regeneração da classe política – desde a frustração com um presidente jovem como Collor até o domínio econômico de São Paulo, o que dificulta a nacionalização de candidatos de outras regiões –, acabou vaticinando que o "país está virando uma roleta, o vácuo preocupa". Até citou uma dezena de políticos de sua geração que tiveram cargos de destaque, desde Arthur Chioro a Alexandre Padilha ("Lula sempre falava da importância de renovar quadros"), mas acabou aceitando que não são nomes presidenciáveis. Para ele, 2017 e 2018 vão ser decisivos para o Brasil. Quando provocado sobre sua participação política no futuro, desconversou: "Como professor universitário, terei sempre participação na vida pública", disse com um sorriso encriptado que só sua mãe teria conseguido decifrar. João Doria, no dia seguinte, fez uma avaliação ainda mais preocupante. Numa conversa entre dois compromissos matinais, marcados pela tietagem de centenas de pessoas, o prefeito de São Paulo me relatou, ao entrar no carro, que o "vácuo de lideranças no Brasil" é visível no setor público, tanto quanto no privado, como no nível comunitário. Sem ser político, frase-chavão que continua repetindo copiosamente (dita pelo menos quatro vezes até metade daquela manhã), toureia nessa arena ao acusar o PT de ter criado um projeto ideológico e de favorecimentos que inibiu novos líderes de emergir na política. No privado, também apontou a carência de líderes que possam seguir as pisadas de decanos como Antonio Ermírio de Moraes ou Mario Amato. Em nível comunitário, as lideranças, em sua opinião, são mais motivadas por questões partidárias ou ideológicas do que por uma verdadeira consciência de cidadania. Por isso, é possível que a partir de 2018 a política brasileira seja dominada pelo populismo, concluiu. Numa semana em que começou a ser especulada uma candidatura presidencial, eu lhe disse que preferiria ouvi-lo sobre o Brasil daqui a dez ou 15 anos. Qual a visão dele para o país? Ele espera continuar na vida pública? Pegou a resposta da vitrine e me mostrou segurando com as duas mãos. Disse que não será candidato à reeleição na prefeitura, porque no atual contexto brasileiro não seria positivo para a democracia a eternização no poder, adiantou que não será candidato a governador ou a presidente em 2018 e que daqui a uma década poderá estar fora da vida pública. Doria tem 59 anos, Haddad 54 e Paes 47. Todos tiveram ou têm cargos de poder. Se tiver razão Ian Robertson, professor do reconhecido Trinity College na Irlanda, que demonstrou que o poder é viciante, principalmente nos homens, porque desencadeia um aumento de testosterona que conduz a uma sensação de bem-estar e autoconfiança, todos deverão ser candidatos nos próximos ciclos eleitorais, se não estiverem impedidos de fazê-lo. Mas o problema de escassez de lideranças no Brasil não se resolve com a eleição desta meia dúzia de candidatos. Todas as reformas sucessivamente adiadas – da Previdência, trabalhista, tributária, a política – só serão concretizadas quando houver uma renovação de quadros e quando todos os brasileiros puderem participar. O impeachment de Dilma Rousseff e as eleições de 2018 deveriam servir para inaugurar um novo ciclo na República brasileira, tal como fez a Itália em 1992 ou a França em 1958. Se continuarmos no ciclo atual, o Brasil será sempre desproporcional ao seu tamanho. Rodrigo Tavares é presidente da Granito & Partners, consultoria na área de economia de impacto. Acaba de ser nomeado Líder Jovem Global pelo Fórum Econômico Mundial. Originalmente publicado na revista Época, edição 978, de 20 de março de 2017. |
| A violência que a Lei protege (6) Posted: 19 Mar 2017 05:28 PM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Renato Sant'Ana Não é bom armar todo mundo: poucos estão preparados. Mas a vítima poder exercer seu direito à autodefesa é a exceção que precisa virar regra. Madrugada de 09/03/17, um guarda municipal de Novo Hamburgo, RS, ao chegar em casa foi emboscado por dois bandidos que usavam toucas-ninja, coletes à prova de bala e luvas cirúrgicas, armados com pistolas 9 milímetros e farta munição. Como já havia sofrido outro ataque no ano passado, ele tinha autorização para usar arma de fogo. Reagiu: matou um bandido de 38 anos, foragido do regime semiaberto; e acertou um tiro na boca do segundo, de 20 anos, que foi levado com vida ao hospital. Havia um terceiro aguardando num automóvel, que Fugiu. Na noite de 12/03/2017, um agente da Polícia Federal dirigia seu Renault Fluence na avenida Protásio Alves, em Porto Alegre, quando foi abordado por dois bandidos que tentaram levar-lhe o carro. Armado, ele reagiu: matou um bandido; e feriu o segundo, um rapaz de 21 anos, com antecedentes criminais por tráfico e posse de entorpecentes, receptação e roubo de veículo, e foragido do Instituto Penal de Monitoramento Eletrônico desde 02/03/17. Na tarde de 13/03/17, um ladrão tentou assaltar os passageiros do ônibus da linha Ipiranga/PUC, Porto Alegre. E teve uma surpresa: havia no coletivo um soldado da Brigada Militar, que cumpriu com o seu dever, reagindo e matando o criminoso, garantindo a segurança dos demais. Nos três casos havia uma vítima apta a reagir. Para os bandidos, uma surpresa e, sobretudo, uma exceção que eles não levam a sério: sabem que a lei proíbe a autodefesa. Flagrante exemplo de lei que viola direito. Além de incentivar a violência. Ora, a ditadura do crime tem história. No plebiscito de 2005, o povo disse "não!" ao desarmamento. Mas, para a arrogância petista, o povo não sabe decidir. E o governo Lula, atraiçoando a decisão do povo, desarmou a população civil, dando um sinal verde à bandidagem. Claro, assaltantes adoram o Estatuto do Desarmamento. E agradecem a Lula e a todos os petistas que, unidos, favoreceram o crime. Até quando? Leia o post anterior: http://www.alertatotal.net/2017/03/a-violencia-que-lei-protege-5.html Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito. |
| Desarmamento e massacre da população civil Posted: 19 Mar 2017 05:40 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Percival Puggina O mundo do crime declarou guerra ao mundo do trabalho. Nós produzimos e eles tomam nosso ganho - o dinheiro do bolso, o automóvel, a carga do caminhão, o gado no pasto. Guerra na cidade e no campo. Guerra sem dia ou hora de armistício. Não se trava contra o Estado de Direito, que bandido não é doido. Em muitos casos, formam um estado dito paralelo, mas não andam por aí atirando contra quartéis, porque sabem que lá dentro há bala e, de lá, vem bala. Não, eles querem o trabalhador da parada de ônibus, descendo do carro, entrando em casa, saindo do banco. E, não raro, tomam-lhe a vida. É uma guerra desigual, assimétrica. Enquanto o mundo do crime tem armas, o pessoal do trabalho árduo não dispõe de meios de defesa. Na tese oficial, esse seria encargo prioritário do Estado, mas ele, há muito tempo, jogou no tablado a toalha e a própria vergonha diante de sua impotência. O mesmo Estado, que tornou impeditiva a posse e o porte de armas pelos cidadãos, apresenta-se à sociedade como um impotente, "mãos amarradas" pelas próprias leis, decisões judiciais, carência de recursos humanos e materiais. Vendo e ouvindo o Estado, dá vontade de parafrasear João Bosco e cantarolar: "Tá lá o Estado estendido no chão... Em vez de reza uma praga de alguém". Estatisticamente está comprovado: esse Estado não consegue defender o mundo do trabalho. Em tais condições, quando um lado está armado e o outro indefeso, toda guerra vira massacre. É como ataque de força armada hostil contra população civil desarmada. Deu para perceber a semelhança com as ações do Estado Islâmico? Temos a mesma coisa aqui, de modo fragmentado, mas tão ou mais letal, com 60 mil homicídios anuais e um número várias vezes milionário de "expropriações" ou butins levados a cabo, todo ano, pelas forças vitoriosas do mundo do crime. Se você reclamar, se cobrar o direito ao uso e porte de armas, imediatamente se insurgirão as falanges opiniáticas da esquerda, acusando-o de ser um sanguinário irresponsável, militante pró bancada da bala, uma espécie de Comando Vermelho com sinal trocado. O massacre das vítimas, a impossibilidade prática de promoverem a própria defesa, deveria ser objeto de escândalo como escandalizam as ações do ISIS. Mas aqui é o Brasil e estamos habituados aos necrológios da sociedade nas páginas policiais. Como escrevi outro dia, ao direito natural da pessoa humana à própria vida corresponde o direito de defendê-la. A proibição do Estado retira-lhe a efetividade, mas por ser ele natural, ele está ali, inerente à condição humana. É direito recusado, mas persiste sendo da pessoa. Se a legislação me permitisse ter e portar armas, eu até poderia, livremente, renunciar a isso. Mas não digo o mesmo do dever de proteger a vida dos meus familiares! Eu, ao menos, não sinto que possa dele abrir mão. É um dever moral, que considero inerente à condição de homem de família, com mulher e filhos sob seu zelo. Por isso, em nome disso, mais e mais persistente deve ser o clamor nacional por um novo estatuto sobre a matéria. Danem-se as carpideiras de bandidos, os adversários de toda repressão sobre as práticas criminosas e as atitudes suspeitas, os sócios do clube da maconha e otras cositas mas; danem-se os eternos fiscais da polícia, os censores das opiniões alheias, os esquerdinhas militantes de todas as causas erradas. Quem assina este artigo é pacífico mas não é pacifista, não está a soldo de nenhuma indústria de arma, não é homicida em potencial e está indignado, sim, com o que fizeram do Brasil. N.A. - Neste domingo, dia 19/03, às 15 horas, no Parcão, em Porto Alegre, ato pelo Direito de Defesa. Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+. |
| Posted: 19 Mar 2017 05:36 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Cristovam Buarque A Fundação Joaquim Nabuco realizou um seminário sobre o Segundo Centenário da Revolução de 1817 em Pernambuco. Durante os 75 dias, o Brasil foi uma República; cinco anos antes da Independência, quase 70 anos antes de adotarmos a República hoje sequestrada. Sequestrada pelo corporativismo que divide a sociedade: cada grupo e classe social tentando abocanhar o máximo do produto da economia, sem um sentimento comum, sem respeito aos demais segmentos, sem um destino coletivo que empolgue o conjunto da sociedade, aprisionando o país ao seu presente, formando uma República sem coesão social e sem rumo histórico. Refém de associações de classe e sindicatos. A República está sequestrada pela burocracia de sua máquina estatal e pelo emaranhado de leis que não permitem seu funcionamento eficiente. As decisões tomadas esbarram na vontade de burocratas do sistema administrativo ou dos inúmeros representantes do sistema legal. Está sequestrada na baixa produtividade de sua economia, que condena a sociedade à pobreza, agravada pela má distribuição da renda que divide o país em dois países; amarrando a República, no peso da exclusão de mais de cem milhões de brasileiros. Nossa República está sequestrada pela corrupção que contamina a política em todos os níveis; refém da violência urbana que pode ser caracterizada como uma guerra civil que provoca o peso de 600 mil prisioneiros. Também pela falência da lógica e da falta de diálogo nos debates políticos que não levam a entendimentos para realizar a causa comum dos brasileiros. Há décadas o sistema bancário atende à voracidade por empréstimos tanto para financiar gastos e desperdícios do Estado quanto para financiar o consumismo, criando o trágico endividamento que sequestra nossa economia, cobrando o resgate por juros absurdos e altos superávits primários. O sistema previdenciário que, para atender a pressão de cada grupo, assumiu gastos que não lhe competia e ofereceu benefícios que não tinham como serem concedidos, agora amarra o futuro da República exigindo reformas que não têm o apoio da população, dividida entre os que desejam manter os direitos e privilégios atuais e aqueles que precisam de direitos no futuro. A República está sequestrada pela falência das finanças públicas e pela falta de investimento na infraestrutura, pelo Estado descomprometido com a causa pública, pela tragédia das "monstrópoles" em que foram transformadas nossas cidades. Sequestrada, sobretudo, pelo indecente e insano quadro de uma população onde 13 milhões são analfabetos adultos, e 60% de jovens não terminam o Ensino Médio, deixando raríssimos brasileiros em condições de compor uma elite intelectual compatível com as exigências do "Século do Conhecimento". Duzentos anos depois da ousada aventura de um grupo de patriotas pernambucanos, quase todos fuzilados, enforcados e esquartejados, o Brasil tem uma República incompleta porque está sequestrada por seus erros e por cada uma das minirrepúblicas em que sua população se divide. Cristovam Buarque é senador (PPS-DF). Originalmente publicado em o Globo em 18 de março de 2017. |
| Posted: 19 Mar 2017 05:34 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos I. S. Azambuja O texto abaixo, de autor desconhecido, está rolando na Internet. Qualquer semelhança é pura coincidência ------------------- Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz. O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora. A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas. O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida. Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões! O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial… A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada. A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer uma pesquisa de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as finanças, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa! E adivinha quem o marimbondo mandou demitir? A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida. Carlos I. S. Azambuja é Historiador. |
| Posted: 19 Mar 2017 05:33 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Paulo Nogueira Batista Júnior 'A hipocrisia é a homenagem do vício à virtude", dizia La Rochefoucauld. Bem, a hipocrisia certamente não figura entre os defeitos do novo presidente dos EUA, Donald Trump. Em contraste com muitos dos seus antecessores e vários líderes do mundo ocidental, Trump se destaca pela clareza e pela sinceridade. Para bem e para mal, ele desconhece o valor e a utilidade da hipocrisia. A sua declaração, no discurso de posse, de que em seu governo o lema seria "America first", foi recebida com uivos de indignação em diversos países e mesmo dentro dos EUA. Ora, ora, em que Trump é diferente dos seus antecessores nesse particular? Para os americanos, o lema sempre foi "America first". E, por isso, aliás, chegaram aonde chegaram. A única diferença é que Trump proclama esse princípio em alto e bom som. Outra declaração típica: "Os EUA estão outra vez preparados para liderar" (no primeiro discurso de Trump ao Congresso). Nada de novo. Todos os presidentes americanos, inclusive Obama, sempre repetiram esse mantra. Faz parte da psicologia básica dos líderes políticos americanos a necessidade, diria, compulsiva, de declarar liderança — quando, evidentemente, a liderança tem que ser reconhecida e aceita pelos candidatos a liderados, e não anunciada urbi et orbi pelo candidato a líder... Mas, enfim, Trump tem toda a razão quando diz ao Congresso: "A minha tarefa não é representar o mundo. A minha tarefa é representar os Estados Unidos da América". Em todo o planeta, inclusive aí no Brasil, sempre existiu um grande número de iludidos que olhavam para o governo dos EUA como referência e fonte de orientação. A esses, Trump explica: "A América respeita o direito de todas as nações de definir o próprio caminho". Em outras palavras: cuidem dos seus próprios interesses; eu fui eleito para cuidar dos interesses dos Estados Unidos. No discurso de posse, ele foi ainda mais longe ao reconhecer que "é direito de todas as nações colocar os seus interesses em primeiro lugar". Isso tudo é de uma obviedade constrangedora, eu sei, mas o fato é que durante décadas fomos alimentados pela ideia de que, num mundo "globalizado", as nações estariam desaparecendo e que todos seríamos, de alguma forma, participantes de uma "sociedade mundial". Os Estados Unidos sempre foram grandes propagadores dessas ilusões. Posso imaginar a desorientação dos que acreditaram na hipocrisia anterior. Não quero aqui discutir se a franqueza de Trump serve aos interesses dos EUA como grande potência. A hipocrisia tem as suas funções, afinal. Não é por acaso que o vício homenageia a virtude. Mas os americanos que cuidem dos seus interesses. O Brasil é que nos interessa, em primeiro lugar. Aos brasileiros caberia, no meu entender, observar bem o que está acontecendo no resto do mundo. E, sem cair na xenofobia, na aversão ao estrangeiro e na hostilidade irracional para com outros países, reconstruir o sentimento de nação — sentimento que vem sendo profundamente abalado pela polarização cretina que tomou conta do nosso país nos anos recentes. Desculpe, leitor, se resvalei para uma linguagem agressiva. É que, mesmo estando aqui do outro lado do mundo, é difícil não se exasperar com o rumo que o Brasil vem tomando de uns tempos para cá. |
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