Boletim IPCO - Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Encenação confrangedora
Posted: 23 Feb 2016 08:24 AM PST
Infelizmente, o governo petista é useiro e vezeiro em grandes shows publicitários no lançamento de programas que depois são executados na bagunça e na irresponsabilidade, com farta roubalheira, haja vista os vários PACs.
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Retrospectiva 2015 – Bolivarianismo: “estrela cadente” no firmamento latino-americano – Parte III
Posted: 23 Feb 2016 05:00 AM PST
Continuação do post: Retrospectiva 2015: Conflito análogo a uma "guerra civil" na Igreja? – Parte II Bolivarianismo: "estrela cadente" no firmamento latino-americano Luis Dufaur Venezuela 2015 foi um "annus horribilis" do socialismo bolivariano, cujo naufrágio na Venezuela tornou-se patente já nos primeiros meses. À insatisfação causada pela carência de produtos básicos — alimentares, hospitalares, de higiene […]
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Home » Brasil » Situação Nacional » Encenação confrangedora
Encenação confrangedora
- Por Péricles Capanema em 23 de fevereiro de 2016
- Sem comentários
Infelizmente, o governo petista é useiro e vezeiro em grandes shows publicitários no lançamento de programas que depois são executados na bagunça e na irresponsabilidade, com farta roubalheira, haja vista os vários PACs.
Por volta de abril de 1964 no mensário Catolicismo li “Pensando, criticando, matizando e esperando na borrasca do século XX”, coluna ou artigo, não sei bem, de Plinio Corrêa de Oliveira. O título, fácil de gravar, esboçava programa de vida intelectual, mais ainda, de vida. Ficou na memória.
Até hoje, a todo propósito, a frase me volta ao espírito. Alguma coisa digna de nota caiu debaixo dos olhos? Não a deixe passar em branco. Sobre ela reflita com calma, critique com severa objetividade, mas sem amargor, examine até o fundo as circunstâncias, elas podem mudar em 180 graus seu juízo a respeito e, mesmo na borrasca, sob a luz da Fé e com esteio no que naturalmente possa existir de bom naquela realidade, não desanime, menos ainda desespere. Com prudência, olhar esperançoso.
Voltou hoje quando lia sobre o dia contra o Aedes aegypti. Todos juntos no sábado, sob as ordens da presidente Dilma Rousseff. Até Alexandre Trombini, presidente do Banco Central, calça jeans e camiseta polo, meio perdido, circulou por umas duas horas por Brazilândia no Distrito Federal. Depois, sumiu. Elivaldo, funcionário público, chutou: — Não conheço. Ele é o ministro da Saúde, né? — D. Rita, ali por perto, garantiu: — Sei quem é. É o ministro da Saúde. — Irmanado no mesmo combate, Sérgio Danese, ministro interino das Relações Exteriores deixou Brasília e chegou a São José dos Campos no final da manhã, já nas ruas as equipes. Acompanhado do prefeito, ele também foi agente de controle e visitou algumas casas, ensinando o pessoal a combater o mosquito. No Rio de Janeiro, depois da visita a algumas residências da comunidade Zepelin, a Presidente iniciou com estudada solenidade a entrevista que marcava o dia com estas palavras: — “Nós estamos, a Presidente, o Governador do Rio de Janeiro, o Prefeito do Rio de Janeiro, e as Forças Armadas, os agentes de saúde, enfim, todos mobilizados nessa grande mobilização que nós estamos fazendo no dia de hoje […] que é o início da campanha mais presencial que o governo federal fará para a questão do mosquito. — É isso aí”.
Cenas assim se repetiram Brasil afora. Presidente, vinte e oito ministros, altos funcionários, a maior parte jejuna do assunto, acompanhados sempre da imprensa, varando o Brasil no jato presidencial ou de jatinho para evidenciar a determinação do governo em acabar com os três cavaleiros do Apocalipse que, todos percebem, por desleixo de décadas do governo, vão tomando conta do País: dengue, febre chikungunya e zika vírus.
É modo sério de combater epidemia? País quebrado, dinheiro torrado a rodo num show de triste realização? Como evitar a penosa sensação do disparate?
Houvesse seriedade, uma primeira medida saltaria de imediato: para o ministério da Saúde nomear grande especialista, com prática de gestão, suprapartidário, com carta branca para comandar todos os esforços no combate à epidemia; um outro dr. Adib Jatene, enfim. A situação no público mudaria instantaneamente da água para o vinho. Óbvio ululante, teria impacto maior que a fuzarca toda do Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Mosquito Aedes Aegypti (nome oficial da peça publicitária).
Claro, dessa medida não se fala, as prioridades são outras. O ministro não é o roliço Alexandre Trombini, como achavam transeuntes interessados na movimentação rara em Brazilândia. O esguio Marcelo Castro é o autêntico titular. Médico psiquiatra, três mandatos de deputado estadual e cinco de deputado federal, é membro antigo do baixo clero, pinçado para o cargo para garantir votos do PMDB em eventual processo de impeachment.
Apesar da escolha fisiológica, o ministro teve, dias atrás, o mérito inegável de pôr o preto no branco no grave assunto, proclamando que o Brasil estava perdendo a guerra contra o mosquito. Completou: — “Não podemos correr o risco de termos no futuro uma geração de sequelados, de retardados mentais. O problema é alarmante porque está acontecendo no Nordeste, vai acontecer no Brasil inteiro, vai acontecer nos países tropicais inteiros. É uma epidemia de perspectivas mundiais, temos 30 anos de convivência com o mosquito. Não quero culpar ninguém, mas houve uma contemporização com o mosquito”.
Sei, ainda não está provado que o zika vírus causa a microcefalia. A Organização Mundial de Saúde prometeu para as próximas semanas a confirmação (ou o contrário). De qualquer maneira, é urgente o combate ao mosquito e é sensato o temor do dr. Marcelo. Em 2015 tivemos 1,6 milhão de casos de dengue no Brasil, 836 mortes (só considerando a dengue). E, nesse sentido, a gigantesca movimentação propagandística do sábado último ajudou muita gente a tomar medidas saneadoras. Avanço positivo num objetivo fundamental, o aumento da conscientização, mas executado de maneira abusiva, por alguns vista até como inescrupulosa.
Marcelo Castro falou em geração de sequelados, de retardados mentais. Linguagem dura, evidencia que o assunto exige a maior seriedade. Por respeito, em especial às mães de bebês atingidos pelas sequelas do zika (admitida a relação de causa e efeito) é urgente poupar ao povo brasileiro novos e custosos espetáculos midiáticos como o que o Brasil presenciou consternado no último dia 11. Infelizmente, o governo petista é useiro e vezeiro em grandes shows publicitários no lançamento de programas que depois são executados na bagunça e na irresponsabilidade, com farta roubalheira, haja vista os vários PACs.
Pensar, criticar, matizar, esperar. O chocante Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Mosquito Aedes Aegypti me relembrou o “pensar, criticar, matizar, esperar”. Reconheço, para todos nós, teria sido melhor a ausência da ocasião.
Aedes Aegypti, Dilma Rousseff, PAC, PT, Zika Vírus
Até hoje, a todo propósito, a frase me volta ao espírito. Alguma coisa digna de nota caiu debaixo dos olhos? Não a deixe passar em branco. Sobre ela reflita com calma, critique com severa objetividade, mas sem amargor, examine até o fundo as circunstâncias, elas podem mudar em 180 graus seu juízo a respeito e, mesmo na borrasca, sob a luz da Fé e com esteio no que naturalmente possa existir de bom naquela realidade, não desanime, menos ainda desespere. Com prudência, olhar esperançoso.
Voltou hoje quando lia sobre o dia contra o Aedes aegypti. Todos juntos no sábado, sob as ordens da presidente Dilma Rousseff. Até Alexandre Trombini, presidente do Banco Central, calça jeans e camiseta polo, meio perdido, circulou por umas duas horas por Brazilândia no Distrito Federal. Depois, sumiu. Elivaldo, funcionário público, chutou: — Não conheço. Ele é o ministro da Saúde, né? — D. Rita, ali por perto, garantiu: — Sei quem é. É o ministro da Saúde. — Irmanado no mesmo combate, Sérgio Danese, ministro interino das Relações Exteriores deixou Brasília e chegou a São José dos Campos no final da manhã, já nas ruas as equipes. Acompanhado do prefeito, ele também foi agente de controle e visitou algumas casas, ensinando o pessoal a combater o mosquito. No Rio de Janeiro, depois da visita a algumas residências da comunidade Zepelin, a Presidente iniciou com estudada solenidade a entrevista que marcava o dia com estas palavras: — “Nós estamos, a Presidente, o Governador do Rio de Janeiro, o Prefeito do Rio de Janeiro, e as Forças Armadas, os agentes de saúde, enfim, todos mobilizados nessa grande mobilização que nós estamos fazendo no dia de hoje […] que é o início da campanha mais presencial que o governo federal fará para a questão do mosquito. — É isso aí”.
Cenas assim se repetiram Brasil afora. Presidente, vinte e oito ministros, altos funcionários, a maior parte jejuna do assunto, acompanhados sempre da imprensa, varando o Brasil no jato presidencial ou de jatinho para evidenciar a determinação do governo em acabar com os três cavaleiros do Apocalipse que, todos percebem, por desleixo de décadas do governo, vão tomando conta do País: dengue, febre chikungunya e zika vírus.
É modo sério de combater epidemia? País quebrado, dinheiro torrado a rodo num show de triste realização? Como evitar a penosa sensação do disparate?
Houvesse seriedade, uma primeira medida saltaria de imediato: para o ministério da Saúde nomear grande especialista, com prática de gestão, suprapartidário, com carta branca para comandar todos os esforços no combate à epidemia; um outro dr. Adib Jatene, enfim. A situação no público mudaria instantaneamente da água para o vinho. Óbvio ululante, teria impacto maior que a fuzarca toda do Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Mosquito Aedes Aegypti (nome oficial da peça publicitária).
Claro, dessa medida não se fala, as prioridades são outras. O ministro não é o roliço Alexandre Trombini, como achavam transeuntes interessados na movimentação rara em Brazilândia. O esguio Marcelo Castro é o autêntico titular. Médico psiquiatra, três mandatos de deputado estadual e cinco de deputado federal, é membro antigo do baixo clero, pinçado para o cargo para garantir votos do PMDB em eventual processo de impeachment.
Apesar da escolha fisiológica, o ministro teve, dias atrás, o mérito inegável de pôr o preto no branco no grave assunto, proclamando que o Brasil estava perdendo a guerra contra o mosquito. Completou: — “Não podemos correr o risco de termos no futuro uma geração de sequelados, de retardados mentais. O problema é alarmante porque está acontecendo no Nordeste, vai acontecer no Brasil inteiro, vai acontecer nos países tropicais inteiros. É uma epidemia de perspectivas mundiais, temos 30 anos de convivência com o mosquito. Não quero culpar ninguém, mas houve uma contemporização com o mosquito”.
Sei, ainda não está provado que o zika vírus causa a microcefalia. A Organização Mundial de Saúde prometeu para as próximas semanas a confirmação (ou o contrário). De qualquer maneira, é urgente o combate ao mosquito e é sensato o temor do dr. Marcelo. Em 2015 tivemos 1,6 milhão de casos de dengue no Brasil, 836 mortes (só considerando a dengue). E, nesse sentido, a gigantesca movimentação propagandística do sábado último ajudou muita gente a tomar medidas saneadoras. Avanço positivo num objetivo fundamental, o aumento da conscientização, mas executado de maneira abusiva, por alguns vista até como inescrupulosa.
Marcelo Castro falou em geração de sequelados, de retardados mentais. Linguagem dura, evidencia que o assunto exige a maior seriedade. Por respeito, em especial às mães de bebês atingidos pelas sequelas do zika (admitida a relação de causa e efeito) é urgente poupar ao povo brasileiro novos e custosos espetáculos midiáticos como o que o Brasil presenciou consternado no último dia 11. Infelizmente, o governo petista é useiro e vezeiro em grandes shows publicitários no lançamento de programas que depois são executados na bagunça e na irresponsabilidade, com farta roubalheira, haja vista os vários PACs.
Pensar, criticar, matizar, esperar. O chocante Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Mosquito Aedes Aegypti me relembrou o “pensar, criticar, matizar, esperar”. Reconheço, para todos nós, teria sido melhor a ausência da ocasião.
Aedes Aegypti, Dilma Rousseff, PAC, PT, Zika Vírus
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