Alerta Total |
- Estado ladrão e vacilão tem solução?
- O Roto falando do Esfarrapado
- As Origens da expressão “Politicamente Correto”
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Posted: 18 Jun 2017 06:13 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
A semana promete... O juiz Sérgio Moro começa a decidir, a partir de terça-feira, o destino de Luiz Inácio Lula da Silva: será inocentado? Condenado? Ou pode acabar preso? Na terça-feira, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal também define o destino imediato de Aécio Neves: são grandes as chances de que seja acatado o pedido de prisão preventiva do neto de Tancredo Neves. Por que será que ele queria ser julgado pelo plenário do STF? – o que foi negado...
Tão ou mais preocupado que Lula e Aécio só Michel Temer. O maridão da bela Marcela foi horrivelmente definido por Joesley Batista como "o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil". Temer tem mesmo de processar o cara, para ele provar o que falou... Independentemente do resultado, ficou muito na cara que está em pleno vigor (marca da JBS) uma ação sistemática para o imediato assassinato da reputação do Michel. A quem interessa a queda imediata dele, merecendo ou não? Eis a pergunta relevante...
Joesley poupou sequer o amigo Lula na entrevista exclusiva dada à revista Época, do Grupo Globo. Pregou que o ex-Presidente e seus aliados consolidaram a corrupção no Brasil. O controlador das empresas J&F (a sigla ganhou um significado atualizado: "Joesley é fodástico") espancou Temer, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Cunha. Contou que a Presidenta, sentadinha na cadeira do Palácio do Planalto, lhe pediu R$ 30 milhões para ajudar a campanha do amigo Fernando Pimentel. Aécinho pediu R$ 35 milhões para comprar o PR (porém o PT chegou antes). Cunha pediu R$ 5 milhões para abafar uma CPI na Câmara dos De-puta-dos.
A corrupção enoja a maioria dos brasileiros. Muitos políticos bem que mereciam uma tatuagem na testa: "Eu sou ladrão e vacilão". A boa nova é que, além de conhecer os corruptos, as pessoas começam a perceber como funcionam os mecanismos da Corrupção Institucional. Já ficou evidente que não basta caçar e punir os bandidos, se verdadeiro inimigo, o sistema estatal, continua viabilizando a roubalheira. Assim, para conter a ladroagem, é preciso secar sua fonte: o excesso de leis e impostos que viabilizam as propinas para os "jeitinhos" na extorsão sistemática contra empresas – que são corrompidas e corrompem (a ordem dos fatores não altera a sacanagem).
Os brasileiros precisam exigir mudanças na estrutura estatal brasileira. A arquitetura das regras e dos tributos excessivos é montada para a roubalheira. Assim, temos de debater exaustivamente e definir qual modelo de Brasil queremos e é possível. Tal discussão e definição nunca ocorreram ao longo de nossa História. A partir daí se redefine a Constituição (o tal Contrato Social), se reduz a quantidade absurda e conflitante de regras, simplifica a quantidade de impostos (hoje noventa e tantos, quando precisamos de quatro ou cinco, no máximo) e se toma a corajosa e imprescindível medida de enxugar a máquina estatal – o monstro voraz que é a essência da corrupção sistêmica e institucionalizada.
Já sabemos o que é preciso e imprescindível fazer. Agora, é preciso convencer a maioria de que mudar é urgente. É aí que nosso problema brasileiro fica mais grave e inquietante. O poder de reação das pessoas comuns – e do eleitorado – é lento e ainda fraco demais para gerar mudanças estruturais. A boa notícia é que, mesmo devagar, quase parando, as coisas começam a mudar, a partir da indignação da esmagadora maioria.
O que não se pode subestimar é a capacidade que o Crime Institucionalizado tem para se reinventar e se readaptar. Por isso, só uma Intervenção Institucional tem plena capacidade de mudar a coisas. Só é preciso ficar claro que não basta promover um mero golpe. As mudanças efetivas só serão possíveis depois de muito debate capaz de gerar, primeiro, uma mudança de consciência e de cultura.
Outro problema: As pessoas ainda reclamam, se ferram, mas ainda ficam na cômoda postura "estadodependente". Muita gente fica aguardando que o "salvador da Pátria" virá resolver tudo na próxima eleição. Tal "ingenuidade" é imperdoável. Trocar apenas de corrupto não resolve. O inimigo verdadeiro – o Estado Ladrão e Vacilão – continua intocável, agindo e se readaptando aos ataques que sofre das Lava Jatos da vida...
Não há espaço para ingenuidades "iluministas" ou para a babaquice canalha que prega a "normalidade institucional". Por aqui, o "normal" é a sacanagem organizada e criminosa. Além disso, a maior dificuldade de vencer o inimigo é que ele conta com apoio transnacional para manter, subdesenvolvido e dependente, o Brasil historicamente subjugado pelo Crime Institucionalizado e pela cancerosa mentalidade rentista – pretensamente produtiva. É por isso que a prioridade das prioridades é debater e conceber o Projeto Estratégico para o Brasil e rompa com o Capimunismo Rentista e Corrupto.
Resumindo: a missão imediata dos segmentos esclarecidos da sociedade brasileira (rezemos para eles realmente existirem) é neutralizar e acabar com o Estado Ladrão e Vacilão. Fechar a "fábrica do crime" depende de inteligência e atitude. É melhor a gente encarar, ou, então, a bandidagem vai tatuar na nossa testa: "Escravo Otário"...
Carnívoro
Desminta se for capaz
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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 18 de Junho de 2017. |
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Posted: 18 Jun 2017 06:10 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Como pode alguém inteligente perder tempo ouvindo mentiras de um bandido confesso?
A tática do desespero é jogar merda no ventilador.
Amoral e debochado, talvez em conluio com altas autoridades, procura desviar a atenção do "respeitável" público: os otários, os idiotas e os tantãs.
O Estado está falido, as instituições idem e não há outra salvação além de dona Onça.
Se a felina também prevaricar aí então será o fim.
Entregue aos apetites mais sórdidos, perecerá o Brasil.
Em vão terá sido o esforço de nossos antepassados e, nós mesmos, teremos vergonha de nossos descendentes.
Ainda estamos num momento que prisão exemplar resolve.
Em breve, só fuzilamento.
Leiam os amáveis seguidores deste blog o livro " O 93" de Victor Hugo.
Como Camões, estejamos prontos a morrer pela Pátria; ou ao menos, morrer na Pátria e com a Pátria.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
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Posted: 18 Jun 2017 06:09 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
Com freqüência, a mera menção de algum episódio que envolva racismo, homofobia, sexismo ou xenofobia é desqualificada com referência ao termo, que estaria nos impedindo de sermos nós mesmos. É como se "politicamente correto" fosse um ser com vontade própria, um movimento, um sujeito dotado de consciência.
O texto abaixo é de autoria de Idelber Avelar e foi transcrito do Blog Fórum
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Se pudéssemos resumir de forma simplificada a grande descoberta dos estudos da linguagem no século XX, o resumo seria: a língua não é um instrumento neutro. Dito assim, parece à toa. Mas quando desempacotamos as premissas e conclusões que se desprendem desse enunciado, algumas conseqüências se impõem para a prática política de esquerda. Não se trata só de que os sujeitos que se utilizam da linguagem não são neutros, mas que os próprios vocábulos, estruturas e entonações da língua trazem consigo uma história carregada de sentidos culturais e políticos. Não é do interesse dos que lutam ao lado dos mais fracos ignorar ou minimizar essa história.
A expressão "politicamente correto" se firmou na língua inglesa como parte de uma ofensiva da direita estadunidense nas chamadas guerras culturais dos anos 1980 e 1990. Embora haja ocorrências da expressão em textos da New Left (a Nova Esquerda), foi naquelas batalhas que o termo passou a funcionar como designação de um suposto autoritarismo policialesco da esquerda no uso da linguagem. A esfera do politicamente correto abrangeria classe, raça, gênero, orientação sexual, nacionalidade, descapacitação e outros marcadores de subalternidade. Mas, sem dúvida, o exemplo paradigmático sempre foi racial.
Enquanto parte significativa dos negros dos EUA passava a utilizar, como autodescrição, o termo "afro-americano" — sob a lógica de que preferiam identificar-se pela cultura de origem, e não pela cor da pele —, o conservadorismo realizava simpósios como "Correção Política e Estudos Culturais", promovido pela Conferência das Humanidades Ocidentais, em Berkeley, em 1990. O colóquio se propunha a examinar "qual o efeito que tem sobre a pesquisa acadêmica a pressão para se conformar a idéias atualmente na moda".
Tomava corpo a bem sucedida estratégia da direita nas guerras culturais. Partia-se de uma premissa jamais demonstrada, a "pressão" para que se adotassem expressões "politicamente corretas". No mundo realmente existente, não se tinha notícia de grandes pressões do movimento negro sobre quem fosse para que se abandonasse o termo "black" por "African-American". Não se tinha notícia de que ninguém tivesse sofrido dano considerável por não usar "ele ou ela" (ao invés de somente "ele") em frases com sujeito de gênero indeterminado.
Mas o mero ato de se explorar a possibilidade de uma nomenclatura alternativa, mais conforme à identidade reclamada pela comunidade, no caso racial, mais inclusiva e menos discriminatória, no caso dos pressupostos sexistas da língua, já oferecia o arremedo de bicho-papão a partir do qual a direita dos EUA desenvolveria sua tática favorita: silenciar o outro enquanto se faz de vítima oprimida. O coroamento dessa tática ocorreu no famoso caso da Universidade Stanford, que marcou a vitória da direita naquele debate e a consolidação da expressão "politicamente correto".
Os currículos universitários norte-americanos incluem um curso de obras-primas ocidentais que percorre, em geral, um trajeto que vai de Homero (ou Platão) a Nietzsche. Esses autores também são lidos numa série de outros cursos que, em Stanford, compõem as grades dentro das quais o aluno pode cumprir os requisitos de humanas. Em março de 1988, o Senado de Stanford decidiu aprovar uma proposta de substituição de um desses cursos de cultura ocidental, em uma das grades, por um curso intitulado "Culturas e valores", de cunho comparativo, no qual se incluíam textos "não-ocidentais" como os do ensaísta antilhano Frantz Fanon e da ativista indígena guatemalteca Rigoberta Menchú.
Dentro de Stanford, a implantação do novo currículo foi absolutamente tranqüila, num debate já informado por anos de reflexão sobre a necessidade de oferecer outras versões sobre a modernidade. A votação no Senado foi normal. A defesa do projeto foi ligeiramente politizada por grupos de estudantes, mas tudo correu dentro da normalidade que se espera de uma revisão curricular como qualquer outra, exceto por um detalhe. As principais fundações da direita, grupos religiosos e o Partido Republicano acompanhavam o debate de perto. A grande imprensa passou a dedicar blocos de seus programas à "eliminação da cultura ocidental no currículo das universidades americanas", ao "assassinato de Shakespeare e Platão" e à "intimidação de ativistas estudantis". Estavam lançadas as sementes das guerras culturais.
Desde Watergate, a queda de Nixon e a conseqüente desmoralização da direita estadunidense, as forças conservadoras do país passaram a dedicar intenso esforço à vitória na luta cultural. Investiram-se milhões de dólares na construção de think tanks como a Heritage Foundation. Os neo-conservadores sabiam que era no terreno da cultura que se jogaria a cartada decisiva. Em 1988, a direita republicana concluía oito anos de controle sobre a Casa Branca, acabava de estrangular a revolução centro-americana, estava pronta para presenciar a queda do comunismo e identificava na cultura a nova guerra que deveria vencer. William Bennett (ex-secretário de Educação no governo Reagan), Herbert London (fundador do Instituto Hudson, um think tank de direita), Allan Bloom, autor de O fechamento da mente americana, e Dinesh D'Souza, autor de Iliberal Education, passariam a acusar Stanford de jogar no lixo a cultura ocidental.
O livro de D'Souza atacava especialmente a incorporação do testemunho de Rigoberta Menchú, ativista guatemalteca de etnia maia-quiché que aprendeu espanhol já adulta e narrou sua história de vida à antropóloga franco-venezuelana Elizabeth Burgos. O relato é indissociável das atrocidades cometidas na guerra civil da Guatemala nos anos 1970 e 1980, de responsabilidade de uma ditadura financiada pelos EUA. O que enfurecia no testemunho de Menchú era que, ao ser incluído num currículo universitário de culturas ocidentais, ele dava uma resposta aos que idealizam o Ocidente ou "os valores ocidentais" como cavalos de batalha. O livro implicitamente dizia: O Ocidente é isto aqui também, é atrocidade também. No entanto, a versão do episódio Stanford apresentada nas redes televisivas, e em revistas como Time e Newsweek, se limitava a replicar as fundações de direita: a universidade estava "eliminando a cultura ocidental" do currículo e "matando" Platão e Shakespeare.
De lá para cá, a expressão "politicamente correto" virou moeda corrente no Brasil. Com freqüência, a mera menção de algum episódio que envolva racismo, homofobia, sexismo ou xenofobia é desqualificada com referência ao termo, que estaria nos impedindo de sermos nós mesmos. É como se "politicamente correto" fosse um ser com vontade própria, um movimento, um sujeito dotado de consciência. No mundo realmente existente, ele é apenas isto: um sintagma sem referente, um balão de ensaio, uma cortina de fumaça. Não interessa às forças de esquerda perpetuar a confusão.
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
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