A Aparição de La Salette e suas Profecias: A Mediação Universal de Nossa Senhora na obra de São Luís Grignion — comentários de Plinio Corrêa de Oliveira 31
Posted: 12 May 2016 07:30 PM PDT
Nossa Senhora do Carmo tirando almas do Purgatório. Até grandes santos podem ter passado por ele, para pagar alguma culpa. Se até eles passaram é porque o homem tem tendências para o mal. Pintura anônima da escola de Cuzco, Peru no Brooklyn Museum
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
continuação do post anterior: Por que ser escravo de Maria, que é escrava de Deus? — comentários de Plinio Corrêa de Oliveira 30
Cap. II – Continuação
Comentaremos a seguir a parte do "Tratado da Verdadeira Devoção" em que São Luís Grignion trata mais a fundo da Mediação Universal de Nossa Senhora.
Mostra-nos São Luís Grignion que o homem necessita constantemente das graças de Deus. O Antigo e o Novo Testamento são abundantes em textos nos quais se mostra que a graça de Deus, os favores naturais e sobrenaturais que Ele nos concede, devem ser pedidos até com insistência pelos homens.
Quem pede graças, obtém-nas; quem não as pede não as obtém.
A eficácia do pedido, por sua vez, está na razão das disposições da pessoa que pede. As boas disposições têm como consequência a deferição dos pedidos. As más prejudicam-nos.
É necessário tomar-se bastante cuidado com as palavras, para não simplificar a questão. O que ficou dito não significa que, sempre que uma pessoa não esteja em disposições convenientes, o seu pedido não é atendido.
As disposições más, em si mesmas, são condições que tornam o pedido mais difícil de ser atendido. A misericórdia de Deus, entretanto, é tão grande que vemos no Evangelho até um pedido do demônio – que aliás não é oração – ser atendido por Nosso Senhor.
Estavam os demônios sendo por Ele expulsos de uma pessoa, e pediram para entrarem nuns porcos. O desejo foi atendido, e a manada precipitou-se nas águas (cfr. Mc. V, 1-20). Até um pedido desses pode ser atendido.
O que queremos deixar claro, no entanto, é que o êxito do pedido está muito intimamente ligado com as disposições de quem pede.
Por isso mesmo há um trecho do Eclesiástico que nos manda, antes da oração, prepararmos o nosso espírito (cfr. Ecli. XVIII, 23).
Sendo esta a doutrina, formula-se o seguinte problema: possuímos nós as disposições mediante as quais nossos pedidos possam ser atendidos?
Considerada a perfeição infinita de Deus – consideradas, portanto, a pureza e a santidade infinita de Jesus Cristo e, de outro lado, nossas fraquezas, misérias e imperfeições – que condição temos para sermos atendidos?
Altar pelas almas do Purgatório. Igreja de São Francisco, Pontevedra, Espanha.
Há um fundo de maldade em nós que nos leva a pecar. O Purgatório é o local
onde as almas bem-aventuradas são purificados por penas que tinham a pagar.
Isto, por sua vez, se prende a um outro problema: se considerarmos que os homens são habitualmente ruins, que seu fundo é mau, e que o homem muito dificilmente se torna bom, chegamos à conclusão de que suas disposições lhe devem inspirar a maior desconfiança, no que diz respeito ao deferimento de seus pedidos.
Mas se tivermos a ilusão de que o homem é habitualmente bom, e de que seu fundo também o é, pois a maior parte dos homens é boa, devemos concluir que a maioria dos homens tem as condições necessárias para que seus pedidos sejam atendidos.
Nosso fundo de maldade e a doutrina da mediação
A necessidade de haver mediadores entre Deus e os homens está intimamente relacionada com este ponto fundamental: o homem, em sua natureza, é habitualmente mau ou bom? Costuma proceder bem ou mal?
O purgatório é uma das respostas. Poucas coisas são tão ricas em sabedoria, e tão dignas de serem analisadas, quanto a doutrina católica a respeito daquele lugar de expiação.
Nela há uma como que contradição: a alma que morre, e que vai para o purgatório, é uma alma justa, de uma pessoa boa, para a qual Deus prepara a felicidade eterna numa mansão de delícias perfeitas; mas a estes justos faz Deus passar pelo banho purificador de tormentos terríveis, inexprimíveis.
As revelações privadas mais dignas de crédito, de almas que têm manifestado o que sofreram no purgatório, nos dão ideia de sofrimentos por vezes terríveis e de duração extraordinária.
Tanto isso é verdade, que a Igreja nos manda rezar insistentemente pelas almas do purgatório. Como elas sofrem muito, devemos conseguir, com nossas orações, que sejam libertadas dos sofrimentos que as afligem.
Como se compreende que Deus, tão bom, tão misericordioso, que ama essas almas que até já estão salvas, as sujeita a tais tormentos purificadores?
Só podemos compreendê-lo se admitirmos, nos bons ou mesmo nos ótimos, defeitos que ferem a vista infinitamente pura – mais bem poderíamos chamar de vista infinitamente exata, infinitamente precisa, infinitamente intransigente – de Jesus Cristo.
Por isso Deus, antes de receber estas almas, quer purificá-las.
continua no próximo post: Fatos que mostram a necessidade de protegermos de nosso fundo de maldade — comentários de Plinio Corrêa de Oliveira 32
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