Boletim IPCO - Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Dois modos de ver da vida do campo
Posted: 22 May 2016 07:48 AM PDT
Se Deus permitisse aos anjos embelezar a terra e a vida, eles o fariam no sentido de tornar mais freqüentes, mais duráveis, mais belos os aspectos que Millet procurou observar e reunir. Se Ele permitisse aos demônios desfigurar os homens e a criação, estes formariam, na alma e no corpo, e nos aspectos das coisas, personagens e ambientes como os do quadro de Yves Alix.
O artigo Dois modos de ver da vida do campo apareceu primeiro em Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.
To stop receiving these emails, you may unsubscribe now.
Email delivery powered by Google
Google Inc., 1600 Amphitheatre Parkway, Mountain View, CA 94043, United States
MAPA DO SITE
Pesquisa
HOME
Ação
Blogs
Brasil
Cultura
Família
Mundo
Psicose Ambientalista
Questão Agrária
Religião
Vídeos
Livros em PDF
Carrinho
Quem somos
Fale Conosco
Sala de Imprensa
O que você pode fazer
Cadastre-se
Divulgue!
DOAÇÃO
Home » Ação » Plinio Corrêa de Oliveira » Ambientes, Costumes, Civilizações » Dois modos de ver da vida do campo
Dois modos de ver da vida do campo
Por Plinio Corrêa de Oliveira em 22 de maio de 2016Sem comentários
Se Deus permitisse aos anjos embelezar a terra e a vida, eles o fariam no sentido de tornar mais freqüentes, mais duráveis, mais belos os aspectos que Millet procurou observar e reunir. Se Ele permitisse aos demônios desfigurar os homens e a criação, estes formariam, na alma e no corpo, e nos aspectos das coisas, personagens e ambientes como os do quadro de Yves Alix.
Seis horas da tarde. A faina diária está terminada. A nobre tranqüilidade da atmosfera envolve a vastidão dos campos, convidando para o repouso e o recolhimento. Um crepúsculo cor de ouro transfigura a natureza, fazendo brilhar em todas as coisas um reflexo longínquo e suave da inexprimível majestade de Deus. Ouve-se o tilintar do Ângelus, amortecido pela distância. É a voz cristalina e material da Igreja, que convida para a oração. Rezam os camponeses. São dois jovens cujo físico manifesta a um tempo saúde e hábito já antigo de trabalho manual. Seus trajes são rústicos. Mas em todo o seu ser transparece a pureza, a elevação, a natural delicadeza de almas profundamente cristãs. Sua condição social modesta é como que transfigurada e iluminada por sua piedade, que incute respeito e simpatia. Em suas almas refulgem os raios dourados do sol, mas de um sol muito mais alto por todos os títulos: a graça de Deus.
Verdadeiramente, sua beleza de alma é o centro do quadro, o ponto mais alto da emoção estética. É linda a natureza, mas ela não serve senão de ambiente paro a manifestação da beleza dessas almas reunidas pelo Filho de Deus.
Nada nestes camponeses indica desassossego ou mal-estar. Eles são inteiramente conformes a seu meio, a sua profissão, a sua classe. Que outra dignidade, que outra ventura poderia desejar este casal?
Millet (Jean-François Millet – 1857-1859) reuniu admiravelmente em sua tela ( L’Angélus – Musée d’Orsay – Paris ), os elementos necessários para que se compreenda a dignidade do trabalho manual na atmosfera plácida e feliz da verdadeira virtude cristã.
* * *
Nem todos os momentos da vida do campo são assim. Millet apanhou, no que chamaríamos um instantâneo feliz, um momento culminante de beleza material e moral. Mas seu quadro tem o mérito de ensinar os homens a ver, dispersos na rotina da existência rural quotidiana, os lampejos genuínos e freqüentes desta fisionomia cristã das almas e das coisas num ambiente verdadeiramente vivificado pela Santa Igreja.
A atitude de espírito de Millet, que ele comunica a quem contempla sua obra prima, está toda voltada para Deus, e para os reflexos de beleza espiritual e material que Ele projeta na Criação.
Numa crítica psicológica do quadro, para ser exato, deveria deplorar apenas algum excesso de sentimentalismo.
* * *
Poder-se-ia fazer o mesmo elogio do quadro de Yves Alix (1890-1969), também inspirado na vida dos campos, “Le Maitre des moissons”?
O autor não percebeu, não sentiu, não aceitou em sua visão do trabalho agrícola nada daquilo por onde ele se torna digno de ser praticado por um filho de Deus.
Neste quadro, não foi o espírito que dominou a matéria e a enobreceu; foi a matéria que penetrou o espírito e o degradou. Nos corpos, o trabalho material imprimiu uma brutalidade por assim dizer facinorosa. As fisionomias exalam um estado de espírito que lembra o botequim e o campo de concentração. Se os personagens do segundo plano não parecessem de tal maneira endurecidos, se fossem capazes de chorar, suas lágrimas seriam de fel; se fossem capazes de gemer, seus gemidos seriam como o ranger de engrenagens. A tristeza, a maldade, a cacofonia das cores, das formas e das almas se exala pela voz do personagem do primeiro plano. Não se sabe bem o que exclama, se uma ameaço ou uma blasfêmia.
Yves Alix reuniu e exagerou e deformou até o delírio os aspectos por ande o trabalho é uma expiação e um sofrimento, e a terra um exílio; exprimiu com uma fidelidade meticulosa – e como que entusiasmada! – o que na alma humana há de mais atroz e mais baixo, para apresentar o conjunto como aspecto real e normal da vida quotidiana, espiritual e profissional do trabalhador.
E por isto, enquanto da obra prima de Millet se evola uma prece, do pesadelo de Yves Alix se desprende um bafo de revolução.
Se Deus permitisse aos anjos embelezar a terra e a vida, eles o fariam no sentido de tornar mais freqüentes, mais duráveis, mais belos os aspectos que Millet procurou observar e reunir. Se Ele permitisse aos demônios desfigurar os homens e a criação, estes formariam, na alma e no corpo, e nos aspectos das coisas, personagens e ambientes como os do quadro de Yves Alix.
Publicado originalmente em “Catolicismo” Nº 09 – Setembro de 1951 na seção“Ambiente, Costumes, Civilizações”
“Le Maitre des moissons”, Ambientes Costumes e Civilizações, Ângelus, Jean-François Millet, Musée d’Orsay, Yves Alix
Avalie (5 Votos)
Sobre Plinio Corrêa de Oliveira
Homem de fé, de pensamento, de luta e de ação, Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) foi o fundador da TFP brasileira. Nele se inspiraram diversas organizações em dezenas de países, nos cinco continentes, principalmente as Associações em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização Cristã. Ao longo de quase todo o século XX, Plinio Corrêa de Oliveira defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente Cristão contra os totalitarismos nazista e comunista, contra a influência deletéria do "american way of life", contra o processo de "autodemolição" da Igreja e tantas outras tentativas de destruição da Civilização Cristã. Considerado um dos maiores pensadores católicos da atualidade, foi descrito pelo renomado professor italiano Roberto de Mattei como o "Cruzado do Século XX".
- Links Sociais
- Ver todos os artigos deste autor
- Website
Artigos Relacionados
-
Explicitar: significado e importância para a vida intelectual – Como fazer? “Ambientes, Costumes, Civilizações”: exemplo de explicitação
Seu e-mail não será publicado
Sim, gostaria de receber as atualizações do IPCO e fazer parte de um grupo atento e mobilizado em defesa do Brasil!
Artigos Mais Votados
Na véspera do centenário de Fátima, Pe. Amorth avi...
162 Votos
Quem foi Maomé, segundo São João Bosco
136 Votos
Manifesto: O Brasil em Histórica Encruzilhada
135 Votos
Quilombo dos Palmares e as falsidades da Consciênc...
132 Votos
Itália: muçulmanos acossam e insultam procissão de...
110 Votos
Powered by RatingWidget
Artigos
Recentes
Populares
Comentários
Dossiês
Venezuela à beira do abismo
10 razões pelas quais o “casamento” homossexual é prejudicial e deve ser combatido
Para onde conduzem as manifestações que abalaram o Brasil?
Análise do Novo Código Penal
PNDH
Blogs Políticos
Agência Boa Imprensa
Agudas e Crônicas
Blog de D. Bertrand de Orleans e Bragança
Flagelo russo
GPS do Agronegócio
Nobility and Analogous Traditional Elites
O que está acontecendo na América Latina?
Pela Legítima Defesa
Pesadelo chinês
Radar da mídia
Return to Order
Sou conservador sim, e daí?
Verde: a cor nova do comunismo
Blogs sobre Catolicismo
A Aparição de La Salette e suas Profecias
Associação Apostolado do Sagrado Coração de Jesus
Associação Devotos de Fátima
Ciência confirma a Igreja
Frente Universitária e Estudantil Lepanto
Leituras Católicas
Lourdes e suas aparições
Luz de Cristo x trevas da irracionalidade
Padre David Francisquini
Pro Christianis
Revista Catolicismo
Blogs sobre Família e Cultura
As chamas do lar católico
Blog da Família
Familia Uruguaya Cristiana
Valores inegociáveis
Blogs sobre Idade Média
A cidade medieval
As Cruzadas
Castelos medievais
Catedrais Medievais
Contos e lendas da Era Medieval
Heróis medievais
Idade Média * Glória da Idade Média
Jóias e símbolos medievais
Orações e milagres medievais
Links de associações afins
Quem somos
Principais artigos
Na véspera do centenário de Fá...
Quem foi Maomé, segundo São Jo...
Manifesto: O Brasil em Históri...
Quilombo dos Palmares e as fal...
Itália: muçulmanos acossam e i...
Católicos protegeram a catedra...
Powered by RatingWidget
RUA MARANHÃO, 341
BAIRRO HIGIENÓPOLIS
SÃO PAULO – SP
CEP 01240-001
Últimos comentários
Sobre a Igreja Católica na China « Associação Rumos em Católicos “clandestinos” da China desafiam prisão e emocionam-se vendo o catolicismo no Brasil
lenício alves da silva em Plinio Corrêa de Oliveira
Alvaro Orozco Carballo em Política Indigenista – Vergonha do Brasil
Alvaro Orozco Carballo em Ecologia e tribalismo — nova face do comunismo
Alvaro Orozco Carballo em Produtos chineses trazem escondidos apelos desesperados
© 2016, ↑ Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Fazer login - Fornecido por WordPress - Gabfire Themes
AddThis Sharing Sidebar
Share to Facebook
, Number of shares18Share to TwitterShare to ImprimirShare to Google+Share to Mais...
, Number of shares
AddThis What's Next
Artigos recomendados
Na véspera do centenário de Fátima, Pe. Amorth avisa: Nossa Senhora p...ipco.org.br
AddThis














Nenhum comentário:
Postar um comentário