Boletim IPCO - Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Heresiarcas de hoje e de outrora
Posted: 03 Apr 2016 06:30 AM PDT
Ambientes, Costumes, e Civilizações "Catolicismo" Nº 16 - Abril de 1952
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Heresiarcas de hoje e de outrora
- Por Plinio Corrêa de Oliveira em 3 de abril de 2016
- Sem comentários
Ambientes, Costumes, e Civilizações "Catolicismo" Nº 16 - Abril de 1952
O ângulo de visão doutrinário em que nos situamos no confronto de hoje é o de Leão XIII em sua profunda e luminosa Encíclica sobre a História, intitulada “Parvenu à la vingt cinquième année“.
Ensina o grande Pontífice que todo o progresso do Ocidente cristão jamais teria existido sem a ação sobrenatural da Igreja. Foi Ela que elevou a humanidade ao alto nível moral que atingiu na Idade Media; foi Ela que ensinou aos povos os princípios da sabedoria política e social de que decorreu o aparecimento da civilização justamente dita cristã; foi em Seu regaço que a teologia, a filosofia, as artes e a vida de sociedade floresceram.
A eclosão do protestantismo no século XVI representou a primeira revolta vitoriosa da humanidade contra a Igreja de Deus. A Igreja prega a submissão da razão à Fé; a subordinação do povo fiel à Hierarquia Sagrada; a pureza dos costumes em sua forma mais sublime, isto é o casamento monogâmico e indissolúvel e a castidade perfeita para os que não vivem no estado de casados. O protestantismo ensinou a escravização da Fé à razão, do governo eclesiástico ao povo, aboliu o celibato dos clérigos e instaurou o divórcio. A Revolução francesa foi, no séc. XVIII, o prolongamento do protestantismo. Proscreveu todos os cultos, proclamou a soberania da razão, estendeu o divórcio aos países católicos, e colocou todos os poderes civis na dependência do povo soberano, precisamente como o protestantismo colocara na dependência do povo os órgãos de direção eclesiástica. O comunismo é, nos séc. XIX e XX o prolongamento e o paroxismo desta tendência: igualdade absoluta até no terreno econômico, ateísmo radical, amor livre. Em suma, três revoluções que são apenas três etapas na marcha do mundo para um abismo profundo.
* * *
Como é natural, estas sucessivas catástrofes foram produzindo gradualmente seus efeitos nos ambientes, nos costumes, em todo o transformar-se da civilização. As heresias e os heresiarcas, considerados em ordem cronológica, foram sendo cada vez mais depravados de alma ou de corpo, mais escandalosos, piores. É que à medida que c processo de decomposição se acentua, mais ativos se tornam seus sintomas. E à medida que a impiedade se torna ou se supõe mais estável em seu triunfo, tanto mais livremente vai mostrando sua verdadeira fisionomia.
Aqui temos, pelo pincel de Lucas Cranach Senior, um grupo de homens com toda a aparência exterior da gravidade, da compostura, do recolhimento: da esquerda para a direita, Lutero, João Ecolampadio, Frederico o Magnânimo, Eleitor da Saxônia, Zwinglio e Melanchton, ou seja, os homens que inundaram de sensualidade a Alemanha, a Suíça, o mundo. Mas ainda havia entre os próprios hereges resíduos de moralidade, remanescentes de influência católica: o povo não seguiria lideres religiosos que não conservassem algumas aparências de recolhimento e gravidade.
Estes resíduos de influência católica ao que estão reduzidos atualmente, em certos ambientes? Praticamente a zero. E o espírito dos heresiarcas – que é o mesmo em todos os séculos e para todas as doutrinas – se mostra hoje muito mais cinicamente à luz do sol.
Nosso outro clichê mostra um heresiarca do século XX, o famoso “Father divine”, que obtém os sufrágios entusiásticos do povinho miúdo de nossos dias, como os obtinha do povinho de seu tempo o demagogo astuto que foi Lutero. O rosto do FATHER DIVINE resplandece da alegria de viver. Todo seu corpo parece saturado de bem-estar. Sua jovem e alva noiva dá idêntica impressão.
É que o espírito de revolta da sensualidade vivia a medo e às ocultas no séc. XVI. E no séc. XX tão grande é sua vitória, que se mostra sem rebuços. A fé, a pureza, estas, infelizmente, se imaginam na contingência de viver às ocultas…
Ambientes Costumes e Civilizações, Father divine, Frederico o Magnânimo, João Ecolampadio, Lutero, Plinio Corrêa de Oliveira, Zwinglio e Melanchton
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É que o espírito de revolta da sensualidade vivia a medo e às ocultas no séc. XVI. E no séc. XX tão grande é sua vitória, que se mostra sem rebuços. A fé, a pureza, estas, infelizmente, se imaginam na contingência de viver às ocultas…
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Sobre Plinio Corrêa de Oliveira
Homem de fé, de pensamento, de luta e de ação, Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) foi o fundador da TFP brasileira. Nele se inspiraram diversas organizações em dezenas de países, nos cinco continentes, principalmente as Associações em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização Cristã. Ao longo de quase todo o século XX, Plinio Corrêa de Oliveira defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente Cristão contra os totalitarismos nazista e comunista, contra a influência deletéria do "american way of life", contra o processo de "autodemolição" da Igreja e tantas outras tentativas de destruição da Civilização Cristã. Considerado um dos maiores pensadores católicos da atualidade, foi descrito pelo renomado professor italiano Roberto de Mattei como o "Cruzado do Século XX".
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