Aborto e microcefalia: mais uma discussão estúpida | Felipe Moura Brasil | VEJA.com
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Felipe Moura Brasil
Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".
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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.
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Aborto e microcefalia: mais uma discussão estúpida
Epidemia deveria gerar reflexão sobre decisões de engravidar e de eleger governo corrupto
Por: Felipe Moura Brasil 15/02/2016 às 21:05
As discussões no Brasil já começam erradas, dizia eu em maio de 2014.
Repito a frase, agora que a militância abortista aproveitou a epidemia de Zika entre as mulheres para articular uma ação pedindo ao Supremo Tribunal Federal a legalização do aborto para os supostos casos de microcefalia do feto em decorrência do vírus – ou, de um modo mais geral, de má-formação do feto.
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É o mesmo grupo que propôs a ação para o aborto de anencéfalos, acatada pelo STF em 2012.
Grávidas brasileiras com diagnóstico de infecção pelo vírus da zika já estão recorrendo ao aborto ilegal antes mesmo da confirmação se o feto tem ou não a microcefalia, que vem sendo diagnosticada em média na 28ª semana de gravidez. Há também casos de aborto em fetos com microcefalia já confirmada, ou seja, com seis meses de gestação!
O aborto de fetos supostamente doentes é uma espécie de recall de produtos com supostos defeitos de fábrica. Descartam-se filhos como peças aparentemente defeituosas, até que venha um mais condizente com as expectativas do cliente.
É a lógica do consumo difundida para alívio de mulheres desesperadas, desinformadas e/ou avessas ao papo “careta” de direito à vida – aquele direito constitucional inviolável até o dia em que ministros como Luís Roberto “Minha Posição” Barroso decidirem violá-lo, com base em diagnósticos médicos nada confiáveis.
Para todas as mulheres que ainda não foram picadas pelo vírus da militância abortista, no entanto, a discussão deveria ser outra – na verdade, uma reflexão individual sobre as consequências práticas da decisão de correr o risco de engravidar em um período de epidemia nacional que pode resultar na contaminação do próprio filho.
No nosso mundinho de gente “careta”, a simples decisão de correr o risco de engravidar implica a aceitação da hipótese de dar à luz um filho doente, que deverá ser criado e amado tanto quanto seria qualquer outro filho saudável.
O que a epidemia de Zika faz é aumentar as chances já pré-existentes de doença do filho e, portanto, os motivos para a reflexão individual sobre estar ou não preparada para os riscos inerentes a qualquer atividade sexual, com ou sem proteção (porque a proteção também pode falhar).
“Sou capaz de ter e criar um filho, mesmo que ele nasça doente?”
Essa é a reflexão que deveria ser estimulada entre as mulheres sexualmente ativas em idade fértil, especialmente num período de crise na Saúde como o atual, consolidada pelo uso político do respectivo Ministério como moeda de troca para manter a suposta presidente Dilma Rousseff no cargo.
Outra reflexão óbvia, portanto, é sobre as consequências desastrosas e limitadoras de o povo eleger – e não se esforçar o bastante para destituir legalmente – um governo que o coloca em último lugar.
No Brasil, no entanto, a militância de esquerda pauta a imprensa com mais uma medida que transfere a responsabilidade do indivíduo para o Estado – este corpo gigantesco que assim vai se alimentando das crises que gerou para então crescer e destruir os valores e parasitar ainda mais os pagadores de impostos, que terão de pagar não apenas por aqueles que não trabalham para se sustentar, como também pelo aborto dos filhos daqueles que não se responsabilizam por suas escolhas sexuais.
É a epidemia da irresponsabilidade: sempre a mais grave – e mortífera – para qualquer país.














