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Cristãos com Piercing e Tatuagem: #QueimaElesJeová?
- Por A Catequista em 24/09/2012
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CNS foto / Paulo Haring
O irlandês Ferghan McGrath, de 33 anos (foto), mostra sua tatuagem de Deus Pai, durante o 50º Congresso Eucarístico Internacional, em Dublin. Ele disse que a tatuagem era a sua maneira de dizer obrigado a Jesus depois de passar por uma grande conversão. Curti milhões!!! Mas sei que, em vez de se comover com o testemunho, muita gente tá torcendo o nariz por causa dos piercings e da tatuagem do cara.
Afinal, fazer tatuagem e usar piercing é mesmo pecado? Depende. Não há consenso entre os membros do clero sobre o assunto. Alguns dizem que não há problema, desde que não seja nada bizarro; outros orientam fortemente os fiéis a evitarem essas coisas. Porém, são recomendações baseadas na doutrina da Igreja sobre a MODÉSTIA, e não uma lei.
Esta é uma questão muito mais ligada ao BOM SENSO do que à obediência a uma regra. Então, temos que deixar um pouco de lado nossa a dependência de manuais com regrinhas comportamentais, e botar a cabeça pra pensar sobre o sentido que as coisas têm.
A doutrina da Igreja não fala nada sobre piercing e tatuagem, porém, ela nos ensina que a aparência de um cristão deve ser modesta, ou seja, é preciso ter simplicidade, moderação. Você pode ter vaidade e gostar de ficar bonito, mas com equilíbrio, temperança. Tudo o que é excêntrico, obviamente, não é modesto. Quem gosta de tirar onda de esquisitão, exibindo roupas, acessórios e corte de cabelo mais apropriados pra um habitante de Marte ou pra Lady Gaga, demonstra duas coisas:
- intenção de CHOCAR as pessoas;
- REVOLTA contra algum aspecto da vida (a família, os valores da sociedade ou da religião, ou tudo isso junto).
E aí? Isso combina com alguém que se diz cristão?
O “interior” é a única coisa que importa?
Diante do que foi dito acima, muitos podem pensar: “Ah, nada a ver… . Eu tenho aparência de punk e drogado, mas sou bom filho, bom aluno e católico praticante. Não fumo nem bebo. O importante é o interior”. Tudo bem, amigo. Na minha próxima aula de catequese, ou numa entrevista de emprego, vou com um look piriguete. Chegando lá, direi: “Não me julguem pela aparência, isso é muito retrógrado! Basta de preconceito. Eu sou uma boa cristã/profissional, e isso é o que importa!”. Sinceramente, você acha que essa é uma boa ideia?
“A roupa de um homem, o seu modo de sorrir e o seu modo de andar revelam aquilo que ele é.” (Eclo 19,27)
É verdade que não devemos julgar as pessoas pela aparência; por outro lado, também não podemos desconsiderar o fato de que a sociedade possui determinados códigos de conduta. E nos acharmos “acima disso”, como se vivêssemos fora da realidade, é tolice e imaturidade.
O fato é que sinalizamos muita coisa com o nosso visual, por mais que nos façamos de inocentes e desentendidos. E, historicamente, a tatuagem e o piercing são mais ligados aos costumes de tribos pagãs ou de gente que acha bonito ser anárquico, liberal e rebelde.
O piercing, especialmente, muitas vezes passa a ideia de masoquismo, de deformação e de automutilação (francamente, não há como não sentir aflição ao ver um mamilo ou uma língua perfurados, ou uma orelha mega “arrombada” por um piercing com alargador). Então, ainda que não seja esta a intenção, é muito comum que a aparência de quem usa piercing ou tatuagem remeta a essas referências negativas.
Muita gente também utiliza a tatuagem como forma de destacar as regiões mais erógenas do corpo, como os seios, o cóccix e a região pubiana. Nestes casos, ainda que a imagem tatuada seja “singela” (fotos acima), a intenção da pessoa está clara: ela quer que os outros reparem muito nas partes do seu corpo que, por pudor e amor à castidade, deveria velar.
A CAUTELA é fundamental. É preciso considerar alguns fatores:
- o que me motiva a fazer este piercing ou tatuagem? Esta intenção contraria os valores cristãos ou não?
- se eu colocar um piercing ou fizer uma tatuagem, vou ficar com um visual imodesto ou grotesco?
- isso poderá ser um obstáculo para que eu consiga determinados trabalhos ou objetivos profissionais?
- daqui a algum tempo, poderei enjoar desta tatuagem?
Reflita sobre estas questões, e considere honestamente se a sua consciência te acusa ou não.
Mas é importante notar: nem sempre conseguimos tomar a melhor decisão sozinhos. Então, se você está pensando em fazer uma tatuagem ou piercing – ou tem um piercing e tem dúvidas se é adequado mantê-lo ou não – o mais seguro é bater um papo com um bom diretor espiritual, que conheça a sua vida e o contexto em que você está inserido. Na sua viagem apostólica ao Líbano, o Papa disse aos jovens:
“Procurai bons mestres, guias espirituais que saibam indicar-vos o caminho para a maturidade, pondo de lado o que é ilusório, aparência e mentira.”
(Papa Bento XVI. Fonte: News.Va)
É isso. Tatuado ou não, com ou sem piercing, ore e se mantenha alerta, para que você tenha a graça de perseverar como um servo fiel e amoroso de Jesus Cristo.
*****
UPDATE:
Tem muita gente vindo aqui nos comentários dizer que a Bíblia condena a tatuagem. Ora, o Antigo Testamento condena a tatuagem pelo mesmo motivo que condena a confecção de imagens para culto: na verdade, o que se quer proibir é IDOLATRIA, e naquele contexto a proibição de fazer tatuagens ou imagens era apenas circunstancial, e não lei eterna.
Reparem: o capítulo do 19 Levítico que proíbe o uso de tatuagem também proíbe que os homens cortem o cabelo em redondo e que aparem a barba. Se não interpretamos essas coisas dentro do contexto em que foram escritas, teremos que dizer que aparar a barba dos lados é pecado!
O fato é que, naqueles tempos, os povos idólatras que viviam nas regiões ao redor do povo hebreu se tatuavam. Então, os hebreus precisavam se diferenciar deles; se se tatuassem, estariam se identificando com os idólatras, assim como se aparassem os cantos da barba.














