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Acidente com guindaste mata 107 na Grande Mesquita de Meca
11/09/2015 às 14:40 - Atualizado em 11/09/2015 às 22:05
19Um acidente com um guindaste na Grande Mesquita, na cidade sagrada de Meca, matou pelo menos 65 pessoas, disseram autoridades da Arábia Saudita, nesta sexta-feira (11) (Foto: Ozkan Bilgin/Anadolu Agency/Getty Images)
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Um acidente com um guindaste na Grande Mesquita, na cidade sagrada de Meca, matou 107 pessoas, segundo autoridades da Arábia Saudita. A tragédia ocorreu dias antes do início da peregrinação anual do Hajj, quando dois milhões de turistas religiosos devem seguir até o país. Vários vídeos e fotografias divulgados nas redes sociais mostram vários corpos ensanguentados estendidos no chão da mesquita, que estava muito movimentada, como é habitual, no momento do acidente.
Ao menos 238 pessoas ficaram feridas, segundo a Defesa Civil saudita. A cidade de Meca foi castigada nos últimos dias por fortes tempestades acompanhadas de vento, o que poderia ter provocado o acidente. As autoridades formaram uma comissão para investigar a queda do guindaste.
A peregrinação a Meca é um dos cinco pilares do Islã, junto à 'shahada' (profissão de fé), a esmola, a oração, e o jejum no mês do Ramadã. A Grande Mesquita é o local que abriga a Caaba, a 'Pedra Negra' que é a principal relíquia do Islã. O templo está passando por uma grande reforma e o governo saudita quer expandir a área para receber mais turistas e modernizar instalações do entorno.
(Da redação)
O Islamismo e suas subdivisões
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1 de 7(Foto: Omer Saleem/EFE/VEJA)
Muçulmanos ou islâmicos
São os seguidores do Islã ou Islamismo, a segunda maior religião do mundo, com mais de 1,6 bilhão de adeptos (atrás apenas do Cristianismo, com 2,2 bilhões de fieis). O Islamismo é uma religião monoteísta que tem o Corão como livro sagrado e Maomé como o principal profeta. O Corão é considerado a palavra revelada de Deus e os ensinamentos de Maomé, chamados de ‘suna’, são exemplos da conduta muçulmana. A população muçulmana se divide entre sunitas, 85%, e xiitas, 15%. Essas duas correntes, contudo, contêm diversas subdivisões.

2 de 7(Foto: Reprodução/VEJA)
Divisão entre sunitas e xiitas
Maomé morreu no ano 632 d.C. sem deixar sucessor. Os califas (líderes espirituais) que o sucederam foram escolhidos por aclamação entre os fiéis. Porém, muitos muçulmanos queriam que a sucessão respeitasse os laços consanguíneos do profeta, o que apontava para Ali bin Abi Talib, primo e genro de Maomé, que também insistia na sucessão dentro da linhagem imediata da família.
A expressão Shi’atu Ali – “partido de Ali”, em árabe – deu origem ao termo “xiita”. Ali só foi aclamado califa em 656 d.C., depois que os três líderes religiosos anteriores morrerem. Sua ascensão deu origem a uma guerra civil e acabou com a unidade entre os muçulmanos.
Os xiitas seguem uma forma mais interpretativa da suna, a compilação dos ensinamentos de Maomé, adaptando seus preceitos aos dias atuais. Os sunitas acreditam que se deve seguir a suna à risca, por isso, consideram os xiitas heréticos e os tratam como cidadãos de segunda classe nos países onde são minoria.

3 de 7(Foto: Sayed Mustafa/EFE/VEJA)
Subdivisões entre os xiitas
Alauitas: Os alauitas veneram santos cristãos, comemoram o Natal e a Páscoa e não usam véu. Para eles, Ali é mais importante que Maomé. Consideram-se xiitas, mas, para muitos muçulmanos, não passam de uma seita peculiar.
Duodecimanos: maioria entre os xiitas. Para eles, existiram doze descentes de Ali com direito a guiar o Islã. O mais novo deles teria desaparecido no século IX e retornará um dia para liderar o povo muçulmano.
Ismaelitas: Distanciaram-se dos duodecimanos no século VIII e reconhecem apenas sete descendentes de Ali (o último deles se chamava Ismael).
Zaiditas: Reconhecem apenas os cinco primeiros imãs e divergem quanto à identidade do último deles. Não acreditam na infalibilidade dos imãs nem que eles tenham inspiração divina.
4 de 7(Foto: Mohammed Jalil/EFE/VEJA)
Subdivisões entre os sunitas
Hanafitas: Membros da primeira escola jurídica, que estabeleceu o Corão, as tradições de Maomé e a analogia como bases para a lei islâmica. Apesar de se apoiarem na unidade da comunidade muçulmana mundial, aceitam os costumes locais como fonte secundária de aplicação da lei.
Malikitas: Para eles, a legislação se baseia principalmente nos costumes das comunidades que viviam na Medina antiga, priorizando as opiniões tradicionais e a analogia em um julgamento legal. A hadith (conjunto de narrações tradicionais de palavras e atos de Maomé) não deixa de ser utilizada, mas isso é feito mais arbitrariamente.
Shafitas: Fazem o julgamento legal com base principalmente no Corão e na suna e são mais rígidos em relação a decisões pessoais sobre temas que não estão no Corão. O consenso e a analogia são vistos como secundários, utilizados apenas para resolver possíveis ambiguidades.
Hanbalitas: Aceitam como guias apenas o Corão e a suna. Somente um imã tem autoridade para opinar, e, caso haja discordância entre dois imãs, a posição daquele que estiver mais de acordo com as escrituras prevalecerá.
Wahabitas: O wahabismo é uma forma puritana do sunismo que acredita que os livros sagrados devem ser seguidos literalmente. A interpretação dos sábios não é aceita. Os wahabitas mais conservadores consideram os xiitas e demais muçulmanos hereges.
Ibaditas: Não são considerados nem sunitas nem xiitas, apesar de terem mais semelhanças com os primeiros. Para eles, o líder muçulmano deveria ser escolhido pelos chefes das comunidades com base em sua sabedoria e piedade. Não deveriam ser consideradas a raça nem a ascendência do candidato.
5 de 7(Foto: Khaled Desouki/AFP/VEJA)
Salafistas
São adeptos de uma corrente mais radical do islamismo político. Entre os salafistas são comuns os casamentos arranjados e a poligamia. Alguns compram suas mulheres. Conhecidos por impor sua ideologia, almejam a restauração do Império Islâmico do século VII, cujo domínio se estendia por todo o Oriente Médio até a Espanha.
6 de 7(Foto: EFE/VEJA)
Drusos
São uma pequena facção islâmica muito fechada e com ritos secretos. Eles habitavam a região das Colinas de Golã, território no sul da Síria ocupado por Israel na guerra de 1967. Em árabe, Golã significa ‘a montanha dos drusos’. Hoje, os drusos encontram-se espalhados no Líbano, Israel, Síria, Turquia e Jordânia.
7 de 7(Foto: Divulgação/VEJA)
Bahais
Ex-xiitas que elaboraram uma nova religião monoteísta juntando conceitos islâmicos, judaicos e cristãos. Foi fundada por Bahau Lláh na Pérsia do século XIX, região que hoje abriga o Irã. Estima-se que existam entre cinco a seis milhões de bahais espalhados por mais de 200 países. Os bahais não possuem dogmas, clero, nem sacerdócio. Incluem entre seus mensageiros sagrados Krishna, Abraão, Buda, Jesus e Maomé. Hoje há cerca de 300 000 bahais no Irã, onde são perseguidos pela maioria muçulmana que os considera hereges. TAGs:
Arábia SauditaIslamismo
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Augusto Cesar Ribeiro Vieira
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Edição 244316 de setembro de 2015Choque de realidadeO Brasil perdeu o atestado de economia sólida. Recuperá-lo exigirá reformas profundasÍNDICEASSINE VEJA
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