Alerta Total
Judiciário não quer mexer com Temer?
Voltando à Vaca Fria
Lamentavelmente a política prejudicou o ritmo de queda da Selic
O que é a Hegemonia Cultural?
Posted: 12 Jun 2017 03:45 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
No Dia dos Namorados, os tucanos farão uma reunião completamente inútil para ratificar que continuarão no desgoverno de Michel Temer. Desistiram até de qualquer votação para confirmar a previsível decisão. O clima é de "discussão de relação". Uns farão críticas, outros analisarão a crise sob a mesma ótica cega de costume. O PSDB persistirá na péssima fama de ficar em cima do muro, com base na "tese" cínica-pragmática de que é ruim com Temer, porém pior com ele fora. Será?
Os mais interessados no "fica" tucano são o senador afastado Aécio Neves (pronto para ser triturado pela Lava Jato) e o governador Geraldo Alckmin (que sonha em comandar a candidatura ao Palácio do Planalto em 2018 – seja a dele mesmo ou a do João Dória). Mesmo interesse dos temerários ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades) e Luislinda Valois (Direitos Humanos). Aécio só pensa em sua complicada sobrevivência política. Alckmin deseja que Temer siga desgastado, avaliando que isso é melhor do que entrar no lugar dele um presidente que possa se tornar um sério concorrente em 2018.
Michel Temer é um Presidente completamente desmoralizado. Se houvesse realmente uma tão propagada "normalidade institucional", ele seria alvo fácil de um processo por crime de responsabilidade. No entanto, Temer ainda conta com amplo apoio parlamentar para evitar que seja atingido por qualquer pedido de impeachment ou para impedir que seja aceita uma denúncia que a Procuradoria Geral da República sinaliza que fará contra ele. O Supremo Tribunal Federal torce, envergonhadamente, para que não precise intervir em tamanha confusão...Rodrigo Janot promete ir com tudo para cima de Temer... E o MPF deseja que o STF reveja a decisão do TSE que salvou a chapa Dilma-Temer...
Navegamos no nevoeiro em um mar que promete ficar ainda mais agitado e revolto. A sociedade segue desnorteada, porém com cada vez mais bronca de classe política. Não se sabe até quando Temer sobreviverá sob pressão de um noticiário que o descreve como um grande corrupto. Enquanto isso, o Brasil segue no mais do mesmo. Tão deplorável quanto a situação de Temer (sem legitimidade para permanecer claudicante e na própria defesa) é o silêncio de Luiz Inácio Lula da Silva...
Parece que a deputada petista Benedita da Silva tem plena razão (cínica): Mudança de verdade só ocorrerá se houver "derramamento de sangue" no Brasil... Do contrário, seguiremos na tal "normalidade" sob hegemonia do Crime Institucionalizado...
Duro é o dilema temerário: suportar amigos malas (como os tucanos em cima do muro) ou viver sob suspeita de ser o real destinatário da mala que ferrou com o amigo. Triste sina de quem chama urubu de meu loures... O consolo é que hoje é dia de namorar a bela loura... A vida podia ser pior, não é, Presidente?
Releia o artigo de domingo: Batman e 007 morreram, porém arapongas seguem vivos no Brasil onde o Crime compensa e se reinventa
Colocado de ladinho
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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 12 de Junho de 2017.
Posted: 12 Jun 2017 03:22 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Avacalhada pela mesma porcada, está a ré pública.
A novilha segue da vaca véia a mesma trilha.
Muja ou rumine não terá escapatória; entrará pro lixo da história.
A faxina do próprio é iminente. O bocó nem medinho sente.
Contou com "aceçor" de primeira pra convencer a putada inteira e aprovar a indicação, voando dos "amigos", no mesmo avião.
Agora que se f. vai falar com Zebedeu.
Junto com o janota quis do mixo descalçar a bota.
Jogou pedra no telhado vizinho tendo o seu de vidro, sujinho.
O urubuzário ouvirá cantar como canário gaviões graúdos.
Recebida lembrança polpuda, não se iluda; terá bicada de de tucano, ave papuda.
Rezemos: ó dona Onça acuda antes que atômica bomba expluda.
Quem herda, herda; os outros ficarão na mesma.
A felina está na menopausa? Ou é rebelde sem causa?
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
Posted: 12 Jun 2017 03:21 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto
O BC (Banco Central do Brasil) reduziu na semana passada a Selic (juros básicos da economia) de 11,25% para 10,25 ao ano (1 ponto porcentual), sendo que esta foi a sexta queda consecutiva mas a segunda neste patamar, por unanimidade do colegiado e, sem viés, tornando-se dessa forma, a menor taxa desde novembro de 2013, apesar do ceticismo que os brasileiros estão depositando no futuro do governo Temer. Com isso, o Brasil assumiu a vice-liderança mundial dos juros reais de 4,30%, atrás da Rússia com 4,57% e seguido pela Turquia com 3,63%.
Na realidade, o mercado financeiro já vinha enxergando pouco espaço para uma redução mais acentuada, em função da incontrolável crise política aprofundada pela delação dos irmãos Batista. Só que, além de se mostrar cauteloso agora, no atual cenário político, o BC já sinalizou que é bem provável que venha a promover um corte menor de juros na próxima reunião agendada do Copom (Comitê de Política Monetária) para 26 de julho, quando o ambiente político poderá ter mudado dramaticamente.
Grandes dúvidas levantadas foram estrategicamente discutidas neste último encontro sendo que, a maioria delas está relacionada aos principais fatores de risco com o aumento considerável das incertezas, ocupando todos os espaços das camadas sociais, a velocidade das reformas estruturais e os ajustes importantes na economia. Destaques para as reformas da Previdência e a trabalhista que já se encontram tramitando no Congresso em vários estágios, devido à importância que o equilíbrio macroeconômico exige a partir dos perigos inerentes a uma total desarticulação da base aliada no Congresso e da efetiva permanência de Temer no comando da Nação. Estas foram essencialmente as premissas básicas que nortearam a decisão, talvez uma das mais conservadoras já adotadas pelo BC.
Parece-me que a hegemonia dentro desse conservadorismo não se encontra bem apoiada nos dados conjunturais econômicos que conhecemos, a começar pelo nítido declínio inflacionário que mantém a inflação sem ameaças, muito bem situada abaixo do centro da sua meta; a atividade econômica que não sinaliza uma sólida recuperação mesmo com o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 1% no primeiro trimestre deste ano, após oito trimestres seguidos de retração, puxado basicamente pelo setor agrícola e não garantindo, dessa forma, nossa saída da recessão; o desemprego em nível recorde, próximo a 14% com 14 milhões de desocupados e uma esteira de dramas pessoais; o alto endividamento das pessoas e das empresas mergulhadas em dívidas; uma capacidade ociosa generalizada; a abundante liquidez internacional e o cenário externo razoavelmente favorável ao Brasil que deveriam conceitualmente proporcionar uma maior aceleração no corte dos juros básicos da economia brasileira.
Na verdade, a expectativa maior para o mercado financeiro não era o resultado da reunião, mas o comunicado que foi divulgado logo em seguida. Economistas, empresários e analistas econômicos aguardaram ansiosamente a avaliação feita para a crise política em busca de um rumo nos negócios a partir desse mês.
O BC foi extremamente transparente quanto às incertezas no andamento das reformas, alimentando dúvidas, particularmente, com relação a até quando o Copom pode se estender na sua flexibilização monetária mesmo porque, se não forem realizados os ajustes indispensáveis, a "taxa estrutural" também denominada de "taxa neutra" da economia (ponto de equilíbrio quando a inflação não sofre estímulos nem tão pouco acelera) poderá deixar de ser também uma estratégia da atual equipe econômica. Deverá ser dada uma especial atenção aos efeitos da crise na retomada do crescimento e suas conseqüências na inflação. Tudo porque ela invalidou as projeções realizadas pela autarquia.
Isso aconteceu em função de existir probabilidades de termos cenários que venham a travar esse processo, pela complexidade existente na avaliação dos efeitos provenientes deles sobre os determinantes da inflação.
O efeito da crise estabelece dois aspectos interessantes que são completamente antagônicos: pode elevar a recessão econômica e consequentemente favorecer o corte mais vigoroso dos juros ou aumentar a inflação, inviabilizando uma significativa retração nos juros e também a grande dúvida que passou a persistir - se as reformas continuarão a caminhar no Congresso Nacional, o que dificulta uma avaliação mais percuciente.
Vemos que são dois efeitos que seguem em direções distintas e dois fatores que também se opõem. Uma nova análise deverá ser feita no final deste mês, quando o BC publicar o relatório trimestral de inflação, assim como outras disposições poderão surgir quando o CMN (Conselho Monetário Nacional) estabelecer para 2019 sua meta para a alta dos preços.
Os analistas começam a apostar que o próximo corte em julho será no máximo de 0,75% ponto porcentual, embora ainda mantendo a projeção de que a Selic venha a atingir 8% no final de 2017. À luz dos elementos de hoje, acho muito difícil que seja repetido o corte de 1 ponto porcentual na próxima reunião.
Vejo com naturalidade quando o Copom começar a apresentar mais parcimônia, pois à medida que a taxa básica de juros alcance um dígito, o BC, com certeza, tenderá a fazer cortes bem menores. Ainda mais considerando a amplitude do cenário de incertezas que estamos vivendo, sobretudo no âmbito político, o que, provavelmente, poderá impactar negativamente no câmbio, sendo que uma alta mais saliente do dólar turbinará nossos preços.
Se, por acaso, não se descuidarem com o câmbio, o que julgo um pouco difícil em função do BC hoje contar com uma equipe altamente qualificada, a tendência natural é continuar "podando" os juros, dentro do possível. Infelizmente não sabemos o dia de amanhã, mas até o presente instante, pelo menos, no curto prazo, o cenário não pressupõe inflação em alta. Os números atuais traduzem tranquilamente a conveniência do corte dos juros. A inflação brasileira situa-se em 3,77% nos últimos doze meses, sem nos esquecermos de que nossa meta anual é de 4,5%.
Acontece que o BC admite que seus modelos indicam uma inflação futura um pouquinho mais alta que no passado. Partindo dos exercícios que fazem com as apostas divulgadas pelo mercado, a projeção do Copom situa-se em 4% neste exercício e 4,6% no próximo ano, sutilmente acima da meta estipulada. Dentro desse panorama, todavia pressupõe-se que os juros básicos alcancem 8,5% no final de 2017 e, talvez próximo, em 2018. É importante que se faça uma pequena ressalva: o BC não assumiu, até então, qualquer compromisso em levá-la até esse patamar.
Segundo o BC, a conduta da inflação conserva-se adequada, apresentando uma desinflação disseminada nos componentes solidários aos juros, mas ressalta que é imprescindível estarem sempre atentos aos prováveis impactos na extensão da incerteza sobre a trajetória prospectiva da inflação.
Pelo menos, quanto ao cenário externo, o Copom reconhece que, até o presente momento, ele tem se revelado favorável diante da atividade econômica global mais saudável, suavizando os possíveis efeitos nas mudanças de política econômica nos países centrais.
Evidentemente que a Selic é de extrema importância na retomada mais forte da atividade econômica brasileira. Não quero dizer com isso que reduzir a taxa de juros livrará o país dessa inesquecível recessão, porém a manutenção da política monetária atual, aliada ao arrefecimento da inflação, deverá ser um dos principais vetores para o nosso potencial crescimento econômico.
O ideal para o País atualmente seria uma solução rápida para a crise política, o que viria a facilitar a reforma da Previdência (a essa altura parece que são mínimas as chances de ser aprovada), reforma essa considerada fundamental para que o vertiginoso avanço nos gastos com funcionários públicos de Estados e municípios desacelere nos próximos três a cinco anos.
O macro contexto é que nos massacra, trazendo mais risco para a atividade econômica, compromete igualmente o processo de corte de juros. Além disso, lamentavelmente, a "desesperança" começa a nascer no horizonte dos brasileiros e, da maneira como as coisas vêm se configurando, dificilmente a sociedade brasileira, tão cedo, poderá celebrar o crepúsculo de um ciclo inegavelmente inconseqüente.
Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).
Posted: 12 Jun 2017 03:19 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo foi transcrito da página MARXISMO CULTURAL
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O significado de hegemonia cultural parece estar relacionado com a expressão "domínio cultural", mas esse termo pode ser melhor entendido como imperialismo cultural visto que desta forma o significado se torna mais claro. No sistema de Gramsci, a hegemonia cultural tem o entendimento de lavagem cerebral, e ela obteve uma má publicidade quando eram os Soviéticos e os Chineses a fazê-la. Agora que ela está a ser feita a nós, o termo já não é mais usado. O imperialismo cultural/hegemonia cultural descreve, por exemplo, a forma como a BBC, e os média no geral (bem como a indústria educacional) têm usado a lavagem cerebral para destruir a civilização; definir as palavras que podem ou não ser usadas faz parte disso. A Wikipedia diz:
A hegemonia cultural é um conceito cunhado pelo filósofo marxista Antonio Gramsci. Ele significa que uma cultura diversa pode ser governada ou dominada por um grupo ou ....
Basicamente, isto faz parte da parcela do imperialismo Cultural e do Genocídio Cultural.
A Teoria da Hegemonia Cultural de Gramsci
A análise da hegemonia (ou do "governo") foi formulada por Antonio Gramsci para explicar o porquê das revoluções previstas pelos Comunistas não se terem verificado onde se esperava que elas ocorressem, isto é, na Europa industrializada. Marx e os seus seguidores haviam avançado com a teoria de que a ascenção do capitalismo industrial haveria de criar uma enorme classe operária e gerar recessões económicas cíclicas.
Estas recessões bem como outras contradições dentro do capitalismo levariam a que a esmagadora maioria das pessoas e dos operários desenvolvessem organizações de auto-defesa, incluindo sindicatos de trabalho e partidos políticos.
Outras recessões e contradições levariam então a que a classe operária derrubasse o capitalismo através duma revolução, reestruturasse as instituições econômicas, politicas e sociais segundo modelos socialistas, dando assim início à transição rumo a uma eventual sociedade comunista.
Embora Marx e Engels tenham de um modo notório previsto este cenário escatológico em 1848, décadas mais tarde os operários do mundo industrializado não tinham ainda levado a cabo a sua missão. Gramsci alegou que as falhas por parte dos operários em levar a cabo uma revolução anti-capitalista centrava-se na bem sucedida captura da ideologia, do auto-entendimento e das organizações dos trabalhadores por parte da cultura hegemônica (dominante), isto é, a perspectiva da classe dominante havia sido absorvida pelas massas de operários.
Nas sociedades industriais "avançadas", as inovações culturais hegemônicas tais como a escolaridade obrigatória, os meios de comunicação, bem como a cultura popular, haviam endoutrinado os operários com uma falsa consciência. Em vez de batalharem rumo à revolução que verdadeiramente iria servir aos seus interesses coletivos, os operários das sociedades "avançadas" prestavam atenção à retórica dos líderes nacionalistas, buscavam oportunidades de consumo e estatuto de classe média, abraçando uma ethos individualista de sucesso através da competição, e/ou a aceitar a orientação dos líderes religiosos burgueses.
Devido a isto, Gramsci apelou para uma distinção estratégica entre a "guerra de posição" e "guerra de movimento". A guerra de posição é uma guerra cultural onde os elementos anticapitalistas buscam formas de obter uma voz dominante nos meios de comunicação em massa, nas organizações em massa, e nas instituições educacionais, como forma de aumentar a sua consciência de classe, ensinar a análise e a teoria revolucionária, e inspirar as organizações revolucionárias. Depois do sucesso da guerra de posição, os líderes comunistas ficariam então fortalecidos para dar início à guerra de movimento - a real insurreição contra o capitalismo - com o apoio das massas.
Embora a análise da dominação cultural tenha sido primeiramente avançada em termos de classes econômicas, ela pode ser aplicada de um modo mais geral. A análise de Gramsci sugeria que as normas culturais dominantes não deveriam ser vistas como "naturais" ou "inevitáveis". Em vez disso, as normais culturais, incluindo as instituições, as práticas e as crenças - deveriam ser investigadas [desconstruídas] em busca das suas raízes de dominação e da sua aplicação para a emancipação.
Gramsci não afirmou que a hegemonia era monolítica ou unificada. Em vez disso, a hegemonia foi descrita como uma camada complexa de estruturas sociais. Cada uma destas estruturas tem a sua "missão" e cada uma destas estruturas tem a sua lógica interna que permite que os seus membros atuem de um modo distinto do comportamento levado a cabo pelos membros de outras estruturas. No entanto, e tal como um exército, cada uma destas estruturas assume a existência de outras estruturas e por virtude das suas missões distintas, cada uma é capaz de amalgamar e produzir uma estrutura que tem uma missão mais global.
Esta missão mais alargada normalmente não é exactamente a mesma da missão de cada um dos grupos mais pequenos, mas ela assume-as e subsume-as. A hegemonia opera do mesmo modo. Cada pessoa vive a sua vida de uma forma que é significativa nos seus próprios ambientes, e, para esta pessoa, as partes distintas da sociedade parecem não ter muito em comum com ela. Mas se analisarmos as coisas como um todo, cada vida individual contribui também para a hegemonia mais alargada da sociedade.
A diversidade, a variação e o livre arbítrio parecem existir visto que a maior parte das pessoas observa o que elas acreditam ser uma pletora de circunstâncias distintas, mas elas falham ao não se aperceberem do padrão mais alargado de hegemonia criado a partir da união destas circunstâncias. Através da existência de pequenas e distintas circunstâncias, uma hegemonia em camadas é mantida sem ser reconhecida pelas muitas pessoas que vivem nela. (Ver: Cadernos do Cárcere, págs. 233-38.)
Em tal hegemonia, o senso comum individual, que está fragmentado, é eficiente para ajudar as pessoas a lidar com as pequenas e mundanas atividades do dia a dia. Mas o senso comum inibe também a sua habilidade de se aperceber da mais alargada natureza sistémica da exploração e da hegemonia. As pessoas focam-se nas preocupações e nos problemas imediatos em vez de se focarem nas fontes mais fundamentais da opressão social (...).
A influência de Gramsci
Embora os esquerdistas tenham sido os utilizadores primários desta arma conceptual, as atividades dos movimentos conservadores organizados também se baseiam em tal conceito. Isto foi visto, por exemplo, nos esforços levados a cabo pelos Cristãos evangélicos para obter o poder dentro dos conselhos escolares durante os anos 90, e, como tal, para poderem determinar o currículo. Patrick Buchanan, num discurso amplamente, falado dado em 1992 numa Convenção do Partido Republicano, usou o termo "guerra cultural" para descrever a luta social e política a ocorrer nos Estados Unidos.
A teoria em torno da hegemonia cultural afectou profundamente o Eurocomunismo, as ciências sociais e as estratégias dos activistas. Na ciência social a aplicação do conceito da hegemonia na análise dos tratados mais importantes (tais como os de Michel Foucault) tornou-se aspecto importante da sociologia, da ciência política, da antropologia, bem como de outros estudos culturais.
Na educação o conceito da hegemonia levou ao desenvolvimento da "Pedagogia Critica".
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
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