Alerta Total
Apesar de novas denúncias, Temer tem apoio parlamentar para barrar denúncias de Janot ao STF
Supremisses
Autoajuda Petista
Rússia – as etapas percorridas pela Revolução de abril e outubro de 1917
Posted: 08 Jun 2017 03:20 AM PDT

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
A classe política, craque no toma-lá-dá-cá, já se articula para uma negociação mais urgente e "lucrativa" que a aprovação das tais "reformas". Será a Câmara dos Deputados quem aceitará (ou não) a denúncia pesada que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, oferecerá contra Michel Temer no Supremo Tribunal Federal. A temporada de negociatas fica mais escancarada que nunca, porque apenas 100 a 110 parlamentares da "oposição" tenderiam a ferrar Temer. É muito pouco. Não dá nem para saída...
O Presidente teria 400 votos para se blindar e ficar onde está, mesmo que desmoralizadíssimo... O Procurador-Geral precisa "encontrar" pelo menos 342 votos do total de 513 da Câmara Federal para conseguir que Temer seja formalmente denunciado ao STF. Apesar da gravidade de "fatos novos" que surgem a cada segundo, Temer teria uma maioria folgada para sobreviver. Tudo dependerá de quanto ainda tem para "investir" na consolidação de apoio parlamentar... Os deuses do mercado torcem, envergonhados, para que ele siga no comando do titanic chamado Palácio do Planalto.
Desenhando, para quem ainda não entendeu que, depois do roubo, é possível conter a "roubada": Michel Temer tem apoio parlamentar de sobra para barrar as denúncias de Janot ao STF. Exatamente por tal "vantagem", assessores próximos de Temer têm certeza de que enfrentarão um tsunami de denúncias nunca antes visto na História desse País desgovernado por canalhas. A tendência é que o Ministério Público Federal deixe vazar para a mídia amestrada todo o arsenal até agora oculto nas graves delações premiadas que enojam os cidadãos de bem. Amigos e ministros queridos de Temer vão sofrer infernalmente. Festa para os advogados – inclusive os do diabo.
Mais focada em negociar com a base parlamentar que aprovará as "reformas meia-boca" e garantirá a blindagem contra Janot, a turma temerária já teme menos o julgamento da chapa PT/PMDB no Tribunal Superior Eleitoral. A previsão realista e otimista é que ocorrerá uma "vitória" apertadinha por 4 a 3 (ou até uma "goleada" de 5 a 2), derrubando a denúncia apresentada pelos tucanos, dois anos atrás (em 2014), para anular o triunfo reeleitoral da dupla Dilma/Temer. Muito provavelmente até sexta-feira à noite ou no máximo até sábado, os sete ministros do TSE tomam a decisão, sob a presidência do supremo-ministro Gilmar Mendes.
A eventual decisão do TSE, deixando tudo do jeitinho temerário, vai ampliar a crise institucional. A guerra de todos contra todos os poderes também vai se agravar com a programada rejeição das denúncias de Rodrigo Janot contra Michel Temer e a turma dele. A caneta dourada que assina tudo que vai parar no Diário Oficial da União parece não ter pleno poder para conter o frenético tsunami de delações premiadas. O poder de retaliação do Palácio do Planalto ainda parece limitado. Cortar o crédito da JBS nos bancos oficiais, por exemplo, ou reduzir a publicidade oficial na mídia amiga do clientelismo, não passam de atitudes infantis e (por que não trocadilhar?) temerárias...
Tem um outro fator de instabilidade que pode ser agravado pela manutenção forçadíssima de Temer no poder. As centrais sindicais preparam seu arsenal radical e profissional de protestos violentos contra a aprovação dos "remendos" trabalhista e previdenciário. A previsão, inclusive no meio militar, é de manifestações mais violentas que a do mês de maio em Brasília. A petelândia fará o diabo para arrasar com Temer e antecipar a campanha reeleitoral. O problema é o que pode acontecer com Lula... E Aécio Neves também tem tudo para dançar... Isonomia...
O decadente chefão da petralhada ainda segue "poupado" até que se defina o destino de Temer. Assim que ficar acertado que Temer continua na Presidência, chegará a hora do "juízo final" para Lula. Já Michel Temer tem tudo para seguir morando com a Marcela no Palácio do Jaburu, apesar da gravação clandestina de conversa com Joesley Batista, apesar dos passeios no jatinho da JBS, apesar dos depósitos de propinas para aliados em suas contas correntes, apesar dos amigos próximos serem alvos dos rigores seletivos e apesar de tudo de ruim que ainda vem por aí contra a figura presidencial.
E assim o Brasil segue no regime Capimunista Rentista e Corrupto, com a maioria da população indignada alimentando a ilusão de que a salvação da Pátria será conquistada na próxima eleição... Luz no final do túnel? Só se for a daquela famosa locomotiva estatal que vem para atropelar os cidadãos de bem...
Dane-se o jatinho

Análises relevantes
- Recomenda-se a leitura do artigo em Defesanet: A Reunião
- E também da análise de Olavo Mendonça: O Brasil está chegando a um beco sem saída?
Segurando o touro na unha

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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 8 de Junho de 2017.
Posted: 08 Jun 2017 03:17 AM PDT

"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Farto gerador de suprimentos para excrementos, onze infelicitam a vida de milhões duzentos.
Sandices, semvergonhices; parece concurso de misses.
Não há mal que não se acabe nem bem que sempre dure.
Que venha dona Onça e nossas feridas cure.
Não há mais patacoadas que silente o povo ature.
Chegará alguém que num poste, cedo ou tarde, os pendure.
Chorando lágrimas de crocodilo perguntarão "Por que fizeste aquilo ?"
Terão como resposta: "Fi-lo porque qui-lo !"
Irão todos pro beleléu ou , ao melhor, prum asilo.
Estarão todos na Ordem do Javali.
"Já vali muito; hoje, em desgraça, pendurar-me-ão no meio da praça."
Ler-se-á então numa singela lápide:
Cãocófatos e Cãovardes: a turma numa fogueira arde.
Pensam que ainda podem escapulir sem alarde.
Ledo engano; já é tarde.
Entrareis todos pelo cano; desde o benjamin até o decano.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
Posted: 08 Jun 2017 03:16 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana
É só para efeito de comparação, que se aponta o que houve com o inimigo favorito dos petistas, o PSDB. O presidente tucano, Aécio Neves, caiu em desgraça: as gravações de Joesley Safadão (como diria Ana Maria Machado) escancararam desvios que nem os desafetos do mineiro imaginavam. No que deu? Aécio largou a presidência do PSDB (ou foi largado).
Já na facção lulopetista a prosa é outra: o partido se une para proteger quem virou caso de polícia. Ao fato mais recente: findo o mandato de Ruy Falcão (presidente do PT); necessário eleger quem comande o partido pelos próximos dois anos; nada mais petista do que eleger alguém que se atolou até os eixos com a polícia! Assim, Gleisi Hoffmann, que responde a mais de um processo, acaba de ser eleita presidente do PT!
Na Lava Jato, ela é acusada de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por pedir e receber R$ 1 milhão desviados do esquema na Petrobras. Três delatores da Odebrecht relataram pagamentos feitos a pedido do marido dela, Paulo Bernardo, quando ele era ministro dos governos Dilma e Lula. Os recursos teriam abastecido as campanhas eleitorais quando ela foi candidata à prefeitura de Curitiba em 2008; ao Senado em 2010; e ao governo do Paraná em 2014.
Fora da Lava Jato, mas perante o STF, ela responde a outro inquérito, por envolvimento em irregularidades em contratos do Ministério do Planejamento com empresa de gestão de empréstimos consignados.
Processada, Gleisi Hoffmann vai defender-se? Sim! Poderá ser absolvida? O tempo dirá... Só que o pessoal do MP e da PF, que reuniu provas contra ela, não é amador! Por que é, então, que o PT não aguardou que tudo se esclarecesse? Por que, sendo uma facção de autoajuda, tinha que dar uma forcinha à senadora! E aproveitar para debochar da Lava Jato.
Não adianta dizer que essas críticas pretendem favorecer o tucanato. Bobagem! Já ninguém defende os indefensáveis mencheviques do PSDB! Ademais, como vão argumentar contra fatos que falam por si? Ora, o PT é o único partido que vai para as ruas defender seus integrantes – tanto os que estão sendo processados quanto os que já foram condenados e puxam cadeia -, tratando seus delinquentes como heróis ("guerreiro do povo brasileiro"). Gleisi Hoffmann é só "mais do mesmo". Há inúmeros casos semelhantes, sendo um dos mais recentes e mais rumorosos a tentativa de Dilma Rousseff garantir "foro privilegiado" a Lula com sua nomeação para a Casa Civil, flagrante ato de "obstrução da justiça". E não dá para esquecer as ameaças, gritos e fanfarronice ideológica das lideranças petistas, quando Lula estava por ser interrogado por Sergio Moro.
Na lógica "nós contra eles", a cabeça petista funciona assim: se é "companheiro", então é inocente (não importam as provas produzidas). Mas se for alguém "dos outros", então será culpado! Não precisa nem produzir provas...
O PT é ou não é "diferenciado"? E ainda tem quem diga "é tudo igual!".
Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.
Posted: 08 Jun 2017 03:13 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo é um dos capítulos do livro "A Luta de Classes na União Soviética", escrito por Charles Betelheim, editora Paz e Terra. Charles Bettelheim (20 de Novembro de 1913 - 20 de Julho de 2006) foi um economista e historiadorfrancês. Fundador do CEMI ("Centre pour l'Étude des Modes d'Industrialisation" - Centro para o Estudo de Modos de Industrialização) na Sorbonne; foi também consultor econômico em governos de vários países em desenvolvimento durante a descolonização. Foi muito influente na Nova Esquerda Francesa, e é considerado "um dos mais notáveis marxistas do mundo capitalista" (Le Monde, 4 de Abril de 1972) em França, mas também em Espanha, Itália, América Latina e Índia.
"Eu continuo a ser uma coisa só: um palhaço, o que me coloca em nível mais alto que o de qualquer político" (Charles Chaplin)
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Para caracterizar a nova etapa em que entrou a Revolução Russa após a Insurreição de Outubro e compreender suas peculiaridades, deve-se partir da situação existente em abril d 1917, marcada pelo entrelaçamento da revolução burguesa e da ditadura democrática revolucionária do proletariado e do campesinato pela "dualidade de Poder" que constitui, então, a particularidade da situação na Rússia.
A "dualidade de Poder", significa que, em abril de 1917, "a ditadura democrática do proletariado e do campesinato" está implantada – pois "o Poder real, em Petrogrado, pertence aos operários e aos soldados" – e, ao mesmo tempo, não está, uma vez que, por intermédio dos SR (socialistas revolucionários), as massas populares apóiam, em sua maioria, a colaboração de classes, de tal modo que "a burguesia está no Poder".
Essa situação de "dualidade do Poder", altamente instável, a Rússia se acha, então, naquele estágio que Lenin de "fase de transição entre a primeira e a segunda etapa da Revolução".
Semelhante particularidade da Revolução Russa é resultante do "entrelaçamento" de dois processos revolucionários: o da revolução proletária e o da revolução democrática burguesa. Após os acontecimentos de outubro, esse entrelaçamento continua, mas assume características inteiramente novas.
Desde abril de 1971, Lenin prevê que "terá início uma nova etapa da revolução democrática burguesa" e que isso ocorrerá quando "o campesinato se separar da burguesia, apoderar-se das terras apesar dela, e tomar o Poder contra ela".
As coisas não se passaram, na verdade, da forma como Lenin havia previsto. Retomando uma expressão que ele mesmo emprega nesse mesmo texto, a vida, ao torna realidade essa previsão, "concretizou-a e, por isso mesmo, a modificou".
O que se observa, de fato, é a passagem da Revolução Russa por duas etapas distintas e complementares:
A) A luta revolucionária dos camponeses pela terra e a nova etapa democrática percorrida pela Revolução durante o verão de 1917.
A primeira dessas duas etapas assemelha-se ao que Lenin havia previsto, embora apresentasse algumas características diferentes: a partir do verão de 1917, o campesinato praticamente se separa da burguesia, pois ela começa a se apossar das terras, entretanto, ideológica e politicamente ela não rompe de modo decisivo com a burguesia. De fato, o campesinato não retira integralmente a confiança depositada nos SR e nem coloca o problema do Poder. Isso só seria viável se ele aceitasse a liderança da classe operária e do Partido Bolchevista, fato que, então, não ocorreu.
Lenin constata isso na noite de 25 de outubro diante do Soviete de Operários e Soldados de Petrogrado, quando levanta o problema de ganhar a confiança dos operários, declarando: "Só conquistaremos a confiança dos camponeses com o decreto eu abolirá a propriedade privada das terras. Os camponeses compreenderão que sua salvação está na aliança com os operáris".
A luta revolucionária travada pelos camponeses a partir do verão e durante o outono de 1917, constitui, portanto, uma nova etapa da revolução democrática burguesa, pois seus objetivos são a repartição das terras e o desenvolvimento da exploração privada do solo, o que permanece inteiramente nos limites da ordem burguesa.
O contexto ao qual tem lugar a divisão das terras, deveria realizar, em princípio, uma redistribuição periódica do solo entre seus membros. Tal redistribuição poderia retardar o desenvolvimento do capitalismo na agricultura, mas não impedi-lo, pois as condições em que ela se realiza são afetadas pelo desenvolvimento do capitalismo fora da agricultura e pelas desigualdades sociais engendradas por esse desenvolvimento.
O Poder Burguês, representado pelo governo provisório, reprime o campesinato durante o verão e no final do outono de 1917, não porque sua ação destrua os fundamentos de um desenvolvimento capitalista, mas porque os interesses imediatos da burguesia russa estão intimamente ligados aos da propriedade fundiária. É para proteger esses interesses imediatos que o governo recorre a uma repressão que ameaça todo o processo revolucionário, embora a intervenção do proletariado se imponha para permitir que a revolução prossiga e se aprofunde.
Em conseqüência dessa intervenção, ou seja, da Insurreição de Outubro, a Revolução atinge uma nova fase: a etapa proletária. Mas isso não significa que todas as tarefas democráticas da Revolução tenham sido realizadas. Pelo contrário, as relações entre as classes são de tal natureza que essas tarefas só poderão ser plenamente concluídas e ligação com o avanço e a vitória da Revolução Proletária. Isso vale também para a realização dos objetivos do campesinato, assim como para a realização dos objetivos nacionais dos povos não-russos do antigo Império czarista.
Em 1917, esses povos entram em luta para conquistar sua independência nacional. Constituindo seus próprios governos, eles se libertam da opressão estrangeira e ajudam o proletariado russo a destruir a dominação estrangeira. Lenin compreendeu prontamente a unidade dialética desses movimentos revolucionários e conseguiu convencer o partido bolchevista que - em nome do internacionalismo proletário – que se pronunciasse pelo direito dos povos à "separação" e à formação de seu próprio Estado. Um dos méritos históricos de Lenin é o de ter compreendido a importância revolucionária do movimento dos povos outrora submetidos à dominação russa e a necessidade do partido bolchevista apoiar esse movimento.
Sabe-se que isso não foi aceito por alguns bolcheviques e nem pela facção revolucionária da social-democracia alemã; Rosa Luxemburgo, por exemplo, viu essencialmente o aspecto burguês dos movimentos nacionais e não compreendeu que o aspecto democrático desses movimentos exigia que fossem apoiados pelo proletariado, da mesma forma que os movimentos revolucionários dos camponeses em luta pela terra.
B) A luta revolucionária dos operários pela derrubada do Governo Provisório e a nova etapa proletária iniciada pela Revolução de Outubro de 1917.
A ascensão do movimento revolucionário camponês – com as características que acabam de ser descritas – e a do movimento revolucionário dos povos não-russos, combinados com um poderoso crescimento das forças proletárias, determinam a possibilidade e a necessidade – para a continuação da revolução – da Insurreição de Outubro.
A vitória desta modificou radicalmente as características da Revolução Russa, as condições do desenrolar da luta dos camponeses pela terra, e o caráter de classe do Poder.
A partir de outubro, o aspecto principal da revolução russa é o proletário. Daí em diante, a luta revolucionária dos camponeses prossegue como revolução democrática, sob a hegemonia política do proletariado, mas não efetivamente dirigida pelo proletariado e por seu Partido. Disso decorrem os traços peculiares que caracterizam o curso posterior da Revolução Russa, e também alguns caracteres específicos da ditadura do proletariado instaurada pela Revolução de Outubro.
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
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