Alerta Total |
- Investidor Lula calcula até índice de corrupção
- Mudança de Rótulo
- Livre convicção e indícios
- Bolsonaro e a Andorinha do Verão
- A Dispersão da Quarta Internacional
| Investidor Lula calcula até índice de corrupção Posted: 21 Jul 2017 03:56 AM PDT Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net Uma dúvida crudelíssima: Luiz Inácio Lula da Silva ficou mais triste com a morte repentina do amigo Marco Aurélio Garcia ou mais deprimido com o bloqueio judicial de seus bens (incluindo salários, imóveis e aplicações financeiras milionárias)? A petelândia enlutada acha melhor acreditar mais no sentimentalismo que no materialismo (nada Histórico) do companheiro $talinácio. No entanto, é compreensível a tristeza de quem fica com R$ 606 mil transferidos para uma conta judicial, junto com o bloqueio de R$ 9 milhões em planos de Previdência do previdente ex-Presidente (ou Presimente). Lula já sabe que terá de depor, novamente, ao titular da 13ª Vara Federal Criminal em Curitiba. A diferença é que o evento judicial marcado para o dia 13 de setembro (uma quarta-feira) será por videoconferência. O juiz Sérgio Moro não quer jogar dinheiro público no lixo, com segurança necessária a um depoimento presencial. Lula deve explicações sobre ter recebido R$ 12 milhões da Odebrecht para comprar um prédio maior para o Instituto Lula (cuja compra não se efetivou) e a aquisição de uma cobertura vizinha ao apartamento no prédio onde mora, em São Bernardo do Campo (SP). Lula deverá negar tudo, como sempre faz... Lula agora merece o título de Rentista Emérito ou Investidor Profissional. Afinal, mostrou ontem que sabe até calcular o percentual de corrupção praticado por seu PT – sigla também conhecida como "Perda Total". Em entrevista ao jornalista José Trajano, Lula comprovou ser o homem que calculava: "O PT errou porque tinha nascido para mudar o jeito de fazer política neste país, ao aceitar o jogo de fazer campanha nos moldes que os outros partidos faziam, mas não cometeu 10% dos erros que falam. Não tem ninguém mais honesto que o PT aqui". Ontem à noite, em protesto esvaziado em frente ao Museu de Arte na Avenida Paulista, batizado pela CUT como "Eleição sem Lula é Fraude", o decaído líder Lula investiu no mantra de desafiar o juiz Sérgio Moro e os integrantes da Força Tarefa da Lava Jato: "Como não conseguem me derrotar na política, querem me derrotar com processo. Nenhum deles é mais honesto do que eu neste país. Se o Ministério Público e o juiz Moro tiverem um prova de que eu desviei cinco centavos, apresentem e me desmoralizem e me prendam. Eu não sei se vou estar vivo para ser candidato, mas eles querem impedir que eu seja indicado pelos partidos de esquerda para ser candidato". O papo furado de Lula é compreensível. O que não dá para entender é como e por que, em tempos de transparência judicial forçada pela Lava Jato, ainda se consegue manter o vergonhoso segredo de justiça em torno daquele escândalo envolvendo a super amiga de Lula, Rosemary Noronha, ex-Secretária da Presidência da República em São Paulo. Este sim, o Caso Rose, é um assunto capaz de matar Lula do coração... Acha nada Colabore com o Alerta Total Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente com o Alerta Total poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades. Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções: I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil. Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão. II) Depósito em Conta Poupança da Caixa Econômica Federal ou em agências lotéricas: 2995 013 00008261-7, em favor de Jorge Serrão. OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim. III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito). IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior. Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai! A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 21 de Julho de 2017. |
| Posted: 21 Jul 2017 03:53 AM PDT "País Canalha é o que não paga precatórios" Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos Maurício Mantiqueira Os implantadores da Nova Ordem Mundial seguem, obstinados, a mesma cartilha no mundo inteiro. Fotografado durante a campanha recebendo as bençãos do controlador, o novo fantoche galo, logo de início, reduziu os recursos orçamentários de suas forças armadas. Não contava com a reação imediata e corajosa de um alto chefe militar que sabe dos planos globalistas de enfraquecer as defesas de todos os países. No Brasil, essa política é adotada há muito tempo. O arqui-traidor, efecagácê é o grande feitor dos inconformados com a nossa grandeza. Outro tocador da NWO no Brasil cantou para subir ontem: Top-top, coração leviano... Felizmente, a grande maioria dos chefes está ciente do perigo. Por lealdade a um enfermo seduzido pelo canto da sereia, guardam silêncio obsequioso. De inegáveis qualidades pessoais, o iludido personagem, procura refugiar-se atrás de uma Constituição fracassada e suas instituições moribundas. Ao tentar a todo transe antecipar eleições, diretas ou indireta, o inimigo externo mudará o rótulo de seus títeres. Agora são de "centro" e não mais da esquerda, esmerdeada até o pescoço. Num país de memória curta (logo, logo ninguém mais saberá quem foi Pelé) é nosso dever cultuar nossos heróis. Em Guararapes e na Itália, muitos brasileiros deram a vida para garantir um futuro melhor para nós todos. Antes de ser pacificador, nosso maior herói, restabeleceu a Ordem. O Progresso virá por onde. Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador. |
| Posted: 21 Jul 2017 03:52 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Fernando Mottola Quando digo que para um velho não há medo maior do que o do "alemão aquele", estou exprimindo uma opinião pessoal da qual, sei, muitos dos que, como eu, passaram dos 70, compartilham. Fui juiz criminal por mais de 20 anos. Num tempo em que "jurista" era quem havia branqueado a cobertura debruçado sobre os livros e tinha seu nome reconhecido por qualquer estudante de Direito, pois suas obras enchiam prateleiras nas bibliotecas especializadas. Ultimamente, tenho visto a imprensa homenagear com esse título pessoas mal saídas dos bancos acadêmicos, e imagino que o erro não esteja nelas, nem na imprensa, mas em mim, que sou antiquado! Também sou de um tempo em que se aconselhava o sapateiro a não ir além das chinelas. Pelo número de amadores que hoje vejo se lançarem à análise de atos judiciais complexos sem o menor constrangimento, percebo que essa é uma máxima de sabedoria que deve ter perdido o prazo de validade. Por que estou escrevendo isso? Porque nos últimos dias esses "analistas" me deram um susto! Tenho lido e ouvido que uma condenação penal exige "provas concretas", e que um juiz criminal não pode julgar "por convicção pessoal retirada apenas de indícios". O refrão tem sido repetido por tantos, que receei estar emburrecendo por força de algum tipo de esclerose... A lei mudou, pensei, e eu nem me dei conta! Bem, fui às edições recentes e, voilà!: os artigos 155 e 239 do Código de Processo Penal continuam dizendo o que aprendi na Faculdade de Direito e apliquei ao longo de quase 30 anos de magistratura: "Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Art. 239. Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias". Vou repetir, até porque os velhos são repetitivos: indícios constituem um tipo de prova, assim como tipos de prova são os depoimentos de testemunhas, as perícias e os documentos, todos incluídos no Título VII do Código de Processo Penal. Não sou eu quem diz, é a lei! A mesma lei que assegura ao juiz o direito de formar convencimento pelo livre exame do todo, inclusive através do processo indutivo descrito no artigo 239. Com os leitores compartilho o meu alívio: não estou senil, nem desatualizado! No fim e ao cabo, o ignorante não sou eu!... Fernando Mottola é Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Originalmente publicado no jornal Zero Hora. |
| Bolsonaro e a Andorinha do Verão Posted: 21 Jul 2017 03:50 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Sérgio Alves de Oliveira "Uma andorinha só não faz verão" se constitui num provérbio surgido da genialidade humana, e que acabou traduzindo com extrema fidelidade uma situação comum na vida. Sem dúvida ele é um dos provérbios mais conhecidos e invocados no mundo. Todos passam por determinadas situações em que essa frase se ajusta com perfeição. Frequentemente as pessoas o invocam, segundo a visão de que uma pessoa sozinha em muitos casos dificilmente consegue mudar algo que supõe errado. O uso de um conjunto de forças sempre funciona melhor. Segundo esse princípio, a autossuficiência é inimiga dos bons resultados. Sua origem se liga a um grande pensador da Antiguidade. É do filósofo grego Aristóteles, discípulo de Platão e fundador da escola do "Liceu", em Atenas. Faz parte do seu livro "Ética a Nicômaco", que era seu filho e a ele foi dedicado. Com essa afirmação, o filósofo pretendeu expressar que para provar que o verão efetivamente começou seria preciso mais de uma andorinha chegando ou mais de um dia quente. Se trouxermos a história da "andorinha" de Aristóteles para a política em curso no Brasil de hoje muitas "afinidades" serão encontradas. E surgirão com certeza na polêmica candidatura de Jair Messias Bolsonaro à Presidência da República, nas eleições de 2018, ou antes, se porventura antecipada essa data, como quer insistentemente o Partido dos Trabalhadores - PT, buscando com essa medida uma nova vitória eleitoral para o seu "deus", Lula da Silva, apesar de todos os estragos que ele e a sua sucessora Dilma Rousseff já fizeram ao Brasil, desde 2003, durante os 13 anos contínuos em que governaram. Pouco se sabe sobre Bolsonaro. Se um eventual governo dele seria bom ou mau ninguém pode garantir. Os pontos positivos que o recomendariam ao eleitorado são poucos. Talvez os principais estejam no fato dele não estar vinculado a NENHUM dos partidos políticos que desastraram o Brasil, desde a "Nova República" de Sarney (1985),mais precisamente ,ao PMDB,PSDB ou PT, e partidos coligados ,do mesmo "sangue ruim". Outro ponto positivo que estaria recomendando essa candidatura é que Bolsonaro não responde a nenhum dos processos que envolvem corrupção governamental ,alvos das operações da Polícia e Ministério Público Federais, como "Mensalão", "Lava Jato", etc. Seria o típico cara "mãos limpas", resumidamente. Nos "outros" grandes partidos dá para se contar nos dedos das mãos os que não têm algum envolvimento criminal de corrupção. Mas Bolsonaro também tem pontos negativos . Talvez o principal deles se constitua na incógnita que ele estaria representando. Outro ponto que particularmente não gosto nele é a sua maneira de ser que muito lembra aquele tipinho ordinário de politico demagogo que sempre mandou na política ,agradando o povo e recebendo o voto de um eleitorado que para "burro" falta pouco. Mas esse problema já resolvi. E se permanecer o quadro atual com as candidaturas presidenciais já cogitadas, é evidente que "vou de Bolsonaro", sem dúvida alguma. Vejo nele uma grande chance de recuperar os estragos feitos no Brasil após o término do Regime Militar em 1985,e principalmente de 2003 até agora. E isso só vai depender dele. Talvez a coragem que ele aparenta ter - se de fato de confirmasse - possa ser decisiva. É exatamente nesse ponto que entra a figura da "andorinha". As pesquisas eleitorais indicam que Bolsonaro tem chances concretas de vencer o pleito presidencial em 2018, ou antes, apesar de não contar com o apoio dos grandes partidos, provavelmente não por seus méritos próprios, mas pela "oposição" que ele representa ao crime organizado com formato de partidos políticos, e que manda no Brasil desde 1985. Também o "demérito" dos seus adversários está dando uma "forcinha". Muitos nem objetivariam votar "nele", e sim "contra" os outros ,que ele estaria representando. Mas, independentemente da vitória, ou não, de Bolsonaro, com certeza os grandes partidos que infelicitaram o país durante todo esse tempo elegerão a maioria das casas legislativas. E se Bolsonaro eleito não ceder aos seus interesses ele certamente não conseguiria governar nem fazer tudo o que vem prometendo, notadamente moralizar a política. E se "teimar" ,irá fazer o papel da andorinha voando sozinha. Não conseguirá governar, em síntese. Veja-se o que está acontecendo com Donald Trump, lá nos "States", que apesar de ter a maioria parlamentar republicana, não está conseguindo governar a contento. Bolsonaro teria que ter mais peito "aqui" que Trump "lá". Seria necessário, por conseguinte, que desde logo Bolsonaro tivesse um "Plano 2",um plano alternativo, para que o seu governo tivesse o sucesso que ele prometeu.´É absolutamente certo que ele não conseguiria governar tendo que compartilhar o seu governo com as politicas dos outros Dois Poderes: o Legislativo e o Judiciário. O Legislativo pouca alteração deve sofrer com as eleições, como sempre foi, e a maioria deverá ser reeleita. Já o Judiciário ,através não só do Supremo Tribunal Federal, mas também de todos os outros Tribunais Superiores, fica absolutamente inalterado, pois os cargos ali são "perpétuos". E todos sabem que as instituições públicas e privadas são feitas pelos homens e mulheres que as compõem. Mas o citado "Plano 2" (alternativo) de governo não poderia ser "discursado" antes de Bolsonaro vencer e tomar posse no dia 1º de janeiro de 2019. Esse plano deveria ficar guardado a "sete chaves" no cofre até que as questões de governo se agravassem e exigissem o seu desengavetamento e uso. E com certeza isso aconteceria rápido. Na montagem do seu possível governo, Bolsonaro deveria reservar exclusivamente para si a prerrogativa de escolha do Ministro da Defesa, dentre outros, e participar diretamente da nomeação dos Comandantes das Três Forças Militares. Teria que ser gente de total confiança. Também não poderia desprezar uma assessoria jurídica independente e descompromissada com o "status quo" político e jurídico reinantes, com capacitada para estudar a alternativa da eventual necessidade de acionar a prerrogativa presidencial contida no artigo 142 da Constituição (intervenção cívico-militar do poder instituinte e soberano do povo - art. 1º, parágrafo 1º, combinado com o 142 da CF)), evidentemente se esse se tornasse o preço único da governabilidade e da reimplantação da decência política prometida por ele na sua campanha. Trocando tudo em miúdos, o que se pretende deixar bem claro é que provavelmente Bolsonaro não conseguiria governar com decência se tivesse que se indispor com o Legislativo e o Judiciário, por não ceder às suas pressões ilegítimas, naquele mesmo regime de "troca-troca" de interesses que sempre caracterizou antes as relações entre os Três Poderes Constitucionais. Nesse regime imaginário e funesto, Bolsonaro seria a "andorinha" voando solitária ,cercada por urubus (uns até já usam vestimenta preta) ,e nunca conseguiria governar como deveria ,ou "fazer verão", ao passo que usando a alternativa colocada na mesa de discussão, o Presidente conseguiria "fazer verão", bem governar, cercado pelo vôo livre dos pássaros da sua espécie, das andorinhas que "fazem verão". Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo. |
| A Dispersão da Quarta Internacional Posted: 21 Jul 2017 03:43 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por Carlos I. S. Azambuja Segundo a Esquerda, de modo geral, a necessidade do princípio do centralismo democrático decorre do fato de que as pessoas ainda não pensam uniformemente. Desde a sua fundação, em 3 de setembro de 1938, em um Congresso realizado em Paris, França, sempre foram inúmeros os grupos, tendências, frações, cisões e fusões no âmbito da Quarta Internacional, em todos os países bem como em nível de coordenação internacional, todos reivindicando a primazia da construção do Partido Mundial da Revolução, tarefa central da Internacional, desde que foi criada. No Brasil atuam – ou atuaram - 21 grupos trotskistas, pelo menos: Ação Popular Socialista Corrente Socialismo Internacional Corrente Socialismo Revolucionário Corrente Socialista dos Trabalhadores Democracia Socialista Fração Trotskista Grupo Práxis Grupo Revolução Permanente Liga Bolchevique Internacionalista Liga Estratégia Revolucionária Liga Estratégica Revolucionária Liga Quarta-Internacionalista do Brasil Movimento de Esquerda Socialista O Trabalho na Luta pelo Socialismo Partido da Causa Operária Partido Operário Revolucionário Trotskista Partido Operário Revolucionário Trotskista-Posadista Partido Socialismo e Liberdade Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado Socialismo Revolucionário Tendência pelo Partido Operário Revolucionário E, em nível internacional, cerca de 20 centros coordenadores, todos reivindicando interpretar a pureza dos ensinamentos de Leon Trotsky. Embora exista esse amplo espectro reivindicando a Quarta Internacional, ela nunca chegou a existir como organização centralizada, pois o movimento é muito amplo e disperso, bem como são divergentes as formas de interpretar os escritos de Trotsky. Após a II Guerra Mundial desenvolveu-se o processo revolucionário mais poderoso desde a Revolução Bolchevique. Esse processo, todavia, resultou no fortalecimento do Stalinismo, que os trotskistas sempre consideraram "um aparato contra-revolucionário", e da Social-Democracia, que passou a governar diversos países na Europa. Ambos - Stalinismo e Social-Democracia - após a II Guerra, passaram a dirigir o movimento de massas em nível mundial. Em virtude disso, o trotskismo desapareceu por muitos anos do cenário europeu. Posteriormente, a partir dos anos 1960, a Revolução Cubana trouxe ao trotskismo outro tipo de controvérsias: uma divisão entre os que reconheciam que em Cuba havia ocorrido uma grande revolução, e que o novo Estado era uma conquista que deveria ser defendida dos ataques do imperialismo, e os que não a encaravam como um fato revolucionário. Essas controvérsias persistem até os dias atuais. Como conseqüência, vários grupos trotskistas, em nível internacional, se reunificaram, em 1963, em torno do apoio à Revolução Cubana, dando origem à construção do Secretariado Unificado da Quarta Internacional. Essa reorganização, no entanto, foi efêmera e novas diferenças voltaram a surgir em torno desse mesmo tema e, logo depois, a partir de 1979, da Revolução Sandinista na Nicarágua. Essas diferenças deram origem a dois setores: um que opinava que a direção dessas revoluções era pequeno-burguesa e burocrática. e que, por esse caráter de classe, iria levá-la à derrota, e outro que sustentava que o Castrismo e oSandinismo eram grandes direções revolucionárias e que, por conseguinte, não se poderia construir partidos apartados delas. Entre esses dois setores logo surgiu outra diferença: os que defendiam os métodos de luta através da classe operária e os que optavam pelo guerrilheirismo foquista. A partir de meados da década de 90, todavia, um outro grande fato da luta de classes provocou novos realinhamentos: o desmantelamento do socialismo real, que os trotskistas sempre denominaram de "aparato stalinista". Essa queda provocou uma primeira diferença entre os que opinaram ter sido um fato revolucionário fundamental, apesar de suas contradições, e os que opinaram ter sido uma grande derrota, que afastaria, por longo tempo, a possibilidade de uma revolução. Os acontecimentos do Leste-Europeu na década de 1990, onde o Stalinismo foi erradicado, criaram ainda outras diferenças em outros grupos contrários ao revisionismo. São grupos que opinam em favor da construção de partidos e de uma Internacional Revolucionária, porém consideram que isso deverá ser feito tendo por base princípios totalmente diversos dos da Terceira e Quarta Internacionais. Opinam que os acontecimentos no Leste-Europeu questionaram tudo: o centralismo democrático, a ditadura do proletariado, a utilização do terror vermelho, as estatizações e os grupos que se intitulavam dirigentes da classe operária. Opinam, em verdade, que devem ser construídos partidos revolucionários, porém que a tarefa central desses partidos deverá ser a propaganda do programa e a luta pela construção de uma nova sociedade. As diferenças, todavia, não terminam aí. Entre os setores favoráveis à construção de partidos revolucionários leninistas de combate, regidos pelo centralismo democrático, e que sejam seções de uma Internacional, que defendam a classe operária como sujeito social da revolução e a participação na luta de classes através de um diálogo permanente com essa mesma classe operária, existem também importantes divergências que envolvem diferenças programáticas e de princípio e que provocam políticas contrapostas nos centros coordenadores da luta de classes em nível mundial. Existem, por exemplo, diferentes interpretações da política leninista em relação às nacionalidades oprimidas. Isso acarretou que, ante um fato central, como a guerra na ex-Iugoslávia, um setor trotskista apoiasse os Bósnios e os Croatas e outro os Sérvios, e ainda outro defendesse a neutralidade. Outros ainda, no Oriente Médio, defendem a palavra-de-ordem de um Estado Palestino único, o que implica na destruição do Estado de Israel, enquanto outros defendem o direito dos palestinos a seu Estado, ao lado de um Estado de Israel socialista. Também existem diferenças na forma de como interpretar o nacionalismo de uma Nação oprimida e o nacionalismo da Nação opressora. Isso provoca distinções programáticas quando ocorrem guerras envolvendo esses tipos de países. Isso ocorreu, por exemplo, na Guerra das Malvinas, onde existiram setores do marxismo revolucionário (leia-se trotskismo) que centralizaram sua política em chamamentos à derrota das tropas inglesas, enquanto outros clamavam em favor da paz; outros ainda denunciaram a guerra, e ainda outros defendiam o direito de autodeterminação dosKelpers, habitantes das Malvinas. Existem também diferenças em relação a que tipo de Internacional construir. Uns defendem que se deva reconstruir a Quarta Internacional, por considerarem que seus aspectos programáticos centrais, expressos no Programa de Transição e na Teoria da Revolução Permanente, mantêm sua vigência, e outros que, partindo dos desvios programáticos que ocorreram em importantes dirigentes e correntes que reivindicavam, e ainda reivindicam, a Quarta Internacional, defendem que deve ser construída uma Internacional diferente. Todas essas divergências explicam o grau de dispersão dentro da Quarta Internacional em todo mundo, demonstrando que a luta para construir o Partido Revolucionário Mundial e assumir o lugar do Stalinismo desmantelado não está sendo uma tarefa simples. Porém, além dessa série infindável de divergências políticas, existe ainda outra, de caráter metodológico, talvez mais difícil de superar. É a que considera que o processo de degeneração stalinista não foi apenas político, mas também metodológico e moral, e conseguiu infestar, com seus métodos, importantes setores do movimento operário, inclusive o marxismo revolucionário. Em face de tudo isso, hoje existem setores que se reivindicam marxistas revolucionários, e que apelam para os métodos do vale tudo para dirimir suas diferenças, valendo-se de insinuações, mentiras, difamações e até ataques físicos - como já ocorreu com diversos grupos atuantes no Brasil -, ou que utilizam suas relações com outras correntes revolucionárias para infiltrar (entrismo, segundo o dialeto trotskista) seus membros, no sentido de desenvolver um trabalho fracional, a fim de ganhar militantes para suas fileiras. Esses métodos impedem a aproximação fraternal entre os diversos grupos porque, ao destruir a confiança recíproca, cria barreiras mais difíceis de transpor do que as simples diferenças políticas. Esses são considerados métodos stalinistas que prostituem a atividade revolucionária. Malgrado toda essa enorme série de diferenças, deve ser levado em conta que, segundo a doutrina, todo e qualquer partido, para ser considerado revolucionário, deve ser um organismo vivo que reflita os distintos aspectos da luta de classes, bem como as diferentes interpretações sobre ela. Em seu seio sempre existirão diferenças e polêmicas que, em última instância, serão - ou deveriam ser - dirimidas pela realidade e pelo chamado centralismo democrático. Por outro lado, essas diferenças, no entanto, vivificam o partido e favorecem seu fortalecimento. Segundo a Esquerda, de modo geral, a necessidade do princípio do centralismo democrático decorre do fato de que as pessoas ainda não pensam uniformemente... |
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