Alerta Total |
- Recado dos EUA contra Venezuela vale para o Brasil
- Braço engessado, Mão Boba
- Corporativismo e Extrativismo
- Antropofagia Institucional
- Aleluia!
- Sinto Vergonha de Mim
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Posted: 18 Jul 2017 04:55 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Corruptos da politicagem tupiniquim, tremei! O governo dos Estados Unidos da América deu um recado severo à Venezuela. Donald Trump mandou avisar a Nicolas Maduro que a ditadura bolivariana sofrerá sanções econômicas, se não for suspensa a convocação de uma assembléia constituinte para desautorizar o Congresso dominado pela oposição. Quem sabe ler a diplomacia nas entrelinhas entendeu que a Casa Branca não quer mais tolerar a bandidagem do Foro de São Paulo governando países estratégicos da América Latina.
A ofensiva norte-americana contra a esquerda revolucionária do nosso continente apavora os participantes do 23º Encontro do Foro de São Paulo que acontece até quarta-feira, na Nicarágua, sob patrocínio da Frente Sandinista de Libertação Nacional. Reunindo representantes de 118 partidos latino-americanos de canhota de 26 países, o evento tem dois objetivos imediatos: solidariedade à Venezuela e a Luiz Inácio Lula da Silva (o fundador da entidade, com Fidel Castro, em 1990).
A preocupação real dos EUA com a esquerdice no continente não é meramente político-ideológica, mas sim geoeconômica. Na guerra para cumprir o compromisso de campanha ("fazer a América grande novamente"), os estrategistas de Trump querem barrar o avanço de negócios bilionários prometidos e já iniciados pelos chineses, sobretudo com o Brasil (a maior economia que reflete nas outras). A China Capimunista é parceira dos regimes esquerdistas sulamericanos.
A Casa Branca não está preocupada se Michel Temer sai ou fica até o fim do mandato. Os EUA não querem é que Temer facilite negociatas com os chineses. Por isso, os norte-americanos farão de tudo para que Luiz Inácio Lula da Silva não retorne ao poder na eleição prevista para 2018. O recado é insistentemente transmitido por agentes de inteligência. O "sistema" tem muita bala na agulha para usar contra $talinácio – cujo retorno ao Palácio do Planalto seria estratégico por dois motivos: dar sobrevida ao Foro de São Paulo e consolidar os negócios que os comunas chineses tocam com apoio da nata da corrupção de Bruzundanga.
Não será fácil para os EUA barrar o avanço chinês – que já está bem adiantado na área do agronegócio, pretende ganhar espaço no setor financeiro e já tem como alvo imediato o programa de "privatização" e parcerias público-privadas dirigidos por Wellington Moreira Franco. O Gato Angorá, na juventude, foi um "maoísta" – apreciados das idéias de Mão-Tse-Tung. Agora, We-ling-Tong só pensa em negócios bilionários com os capimunistas da terra onde vale o ditado ultrapragmático: "Não importa a cor do gato, desde que ele pegue o rato".
É por isso que a inteligência dos EUA, por debaixo dos panos da mais fina arapongagem, dá todo apoio logístico, tecnológico e financeiro ao combate aos gatunos e ratazanas do Brasil sob domínio do Crime Institucionalizado. Não adianta a turma de Michel Temer sabotar a Lava Jato e outras operações afins. Por interesse estratégico, geopolítico e econômico, a turma do Trump infernizará nossos corruptos profissionais.
Ninguém se surpreenda se, de repente, a Águia não der uma bicada na bunda da nossa bela onça adormecida, para obrigá-la a entrar com tudo na operação limpeza. Lula que se cuide, porque o jogo é muito mais brutal do que ele pode imaginar, no início da caravana pelo retorno ao Palácio do Planalto. O bicho vai pegar ainda mais...
Abusando geral
Indo longe demais
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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 18 de Julho de 2017. |
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Posted: 18 Jul 2017 04:51 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Um macaco velho, codinome efecagácê, vem tentando bolinar dona Onça.
Vender-lhe-á, por fim, as ilusões de que estão funcionando as instituicâes.
Mais Seu objetivo é desmoralizá-la perante os outros habitantes da floresta.
Aplicar-lhe-á o manjado golpe Boa Noite Cinderela?
Duvido; a felina tem mau hálito, mas bom ouvido.
Prevenida por um grupo de rinocerontes, sabe dos ardis do ramapiteco de maneiras gentis.
Primeiro, tentará convencê-la a deixar entrar em nossas matas um bando de gambás.
Depois buscará acalmá-la sobre a porcada das mamatas.
difícil será explicar que é melhor comer somente pães.
Já pensaram a desmoralização sacana de tornar a dita vegana?
Aviso aos amáveis leitores que, não podendo ser mais enfático, recolher-me-ei a um tempo onçabático.
Falarei de outras obviedades, sem piedades.
Irmãos, oremos!
Nada é real naquilo que vemos.
No reino animal, a Cãorrupção é infernal.
Repetindo: É tempo de murici; cada um cuide de si.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
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Posted: 18 Jul 2017 04:48 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque
O grande problema brasileiro é a predominância de uma elite inculta e extrativista, disseminada em todo o quadrante da vida nacional. Está presente e determinando rumos na condução do Estado nacional. Na política, na economia, no sindicalismo e até nos chamados movimentos sociais. Não tem interesse e formação, por conveniência, para enxergar as potencialidades de desenvolvimento do País. Enxergam unicamente a árvore dos seus privilégios corporativos.
Reformar o estado, modernizando-o, é defendido demagogicamente por quase todos os segmentos da sociedade. Desde que essas reformas não atinjam os seus mais diretos interesses. Assim é na política, na economia e amplos setores sociais. Não é portando paradoxal que nos últimos anos o poder econômico tenha controlado e financiado os poderes do executivo e legislativo. A captura do Estado pelo poder econômico produziu a crise vivente, onde a grande vítima é o povo brasileiro.
A manipulação da sociedade pelas diferentes corporações é a estratégia que unifica os vários interesses. No mundo político, empresarial, no sindical e afins, consolidando original aliança do capital e do trabalho. Usando um vetor ideológico, as corporações de direita, como definiu o economista Renato Fragelli, "querem um Estado grande para que ele seja saqueado pelo patrimonialismo." E continua: "enquanto a esquerda quer um Estado grande, para que seja saqueado pelo corporativismo". É essa poderosa aliança de patrimonialismo e corporativismo que impedem a Reforma do Estado. A inoperância das elites brasileiras em enfrentar essa realidade, tem nas instituições do Estado, em todos os níveis, formidável aliada. A maioria dos integrantes dos três poderes republicanos são resistentes às reformas estruturais do Estado.
A "pilhagem" do Estado, as iniquidades sociais e ineficiência econômica tem nessa esdrúxula aliança o grande núcleo de sustentação. Impedindo a construção de um Brasil desenvolvido e solitário. Gerando a desigualdade social, a cidadania incompleta e a personalização das relações das suas elites. No livro "Arcaismo como Projeto", o historiador e professor Manolo Florentino, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, constata: "Os países são aquilo que suas elites querem que sejam. Logo, embora fruto de muita adaptação ao imponderável, reproduzir-se por meio de imensa diferença social parece ter sido um projeto exitoso no Brasil".
O lúcido empresário Pedro Luiz Passos, pensador do futuro, diagostica: "Na estrutura da economia brasileira, constata-se que o setor extrativista, dedica-se a extrair renda da sociedade à custa de artifícios". Realidade traduzida pelo economista Rogério Werneck, da PUC-Rio: "O segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se do patrimônio do estado, receber doações do Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado." Não sendo único exemplo, a JBS é um retrato sem retoque dessa realidade. É um capitalismo atrasado e fecundador da corrupção que alimenta as elites do poder e dos negócios, ignorando a opinião pública.
Em 1989, o saudoso amigo e senador Mário Covas, candidato à presidência da República, em histórico pronunciamento à nação, proclamava que o Brasil precisava de um "choque de capitalismo moderno". Quase três décadas depois a sua convocação continua atualíssima. Naquela eleição o candidato que dizia ser "caçador de marajás" e o outro que combatia as "maracutaias do poder", polarizaram o debate nacional.
As questões estruturais dos gargalos que impedem a decolagem do País, para um desenvolvimento sustentável com justiça social, foi remetida para as calendas gregas. Agora, às vésperas das eleições gerais de 2018, resta indagar: "O governo a ser eleito será diferente e melhor do que os de passado recente?" A resposta deve ser dada pela mobilização da sociedade.
Ante esse cenário, recorro ao sociólogo e pesquisador em Ciências Sociais, Zander Navarro: "A inacreditável indigência que caracteriza as nossas elites, seja no tocante ao seu minúsculo estojo cultural ou, então, em relação a sua própria incapacidade decisória. Todas elas, da política à empresarial, da educacional à estatal, da Justiça à científica". É nessa conjuntura adversa que os brasileiros irão às urnas em 2018. Alimentado a esperança de mobilização da sociedade consciente para reverter essa realidade. Ou não?
Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.
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Posted: 18 Jul 2017 04:45 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli
Correremos o sério risco de não encontrarmos um candidato à altura do Brasil e dos desafios do Estado Democrático, se continuarmos nessa desenfreada luta hilária entre tucanos e petistas a qual se arrastou há décadas e levou o País até o fundo do poço. Encontraremos políticos
honestos e competentes? Muito dificilmente.
A República está esfrangalhada e a Federação desossada, pelo enorme rombo das contas públicas. Com isso o fogo amigo se espalha e convivemos com um modelo de antropofagia institucional. Ninguém pensa no bem comum, na situação do Brasil, mas em queimar as fogueiras das vaidades e mostrar à sociedade que todos estão contaminados e enlameados pela corrupção.
Quantas quadrilhas estão funcionando hoje no Brasil? Acreditamos que o maior estudioso não conseguirá responder, na medida em que se
proliferam nas hostes do Estado e nas periferias e em todas as direções a macrocriminalidade a fustigar o estado de direito e fazer repensar qual o motivo para chegarmos numa absurda situação de mesquinharia e falta de controle na separação de poderes.
Direita e esquerda nos submeteram ao conflito às brigas menores e`as intrigas do poder, mas não foram suficientemente capazes de criar um modelo em prol do Brasil. Somos mais de 33 partidos políticos, mas o zigue zague conflui há mais de 20 anos no período pós democrático entre o PSDB e PT, logicamente essa dialética levou à ruptura e a quebra com a fragmentação entre os males praticados e uma sociedade apática para buscar as transformações.
A famigerada corrupção é o legado que recebemos de uma política claudicante, animada pela demagogia e alimentada pelo clientelismo com uso e abuso das estatais e mistura dos fundos de pensão. Voltamos ao momento de um tempo de disputa e discussão a maioria revestida de conteúdo inócuo. Aproveitam-se os plantonistas que saem a cata de votos e já mostram suas caras, sem programa, o que nos adverte para a falta de opção.
Somos mais de 210 milhoes de brasileiros, e não temos o sadio e salutar rodízio por causa da forma dos poderes políticos e como se estruturam. Não há se cogitar de outra alternativa, exceto para que nos dediquemos à construção de uma sociedade livre e responsável. Precisamos incutir o orgulho da boa política em milhares de jovens e pessoas que se interessam pelo Brasil.
O convívio com a antropofagia institucional nos direciona para o verdadeiro abismo. O mundo moderno espelha o final de uma época da fortaleza de líderes políticos,eis que a globalização tornou as corporações superiores ao Estado que se curva aos interesses e vontades dos desmandos da concentração e dos cartéis. A correção de todas estas falhas passa pelas mãos do BNDES que terá papel relevante em destinar recursos para que micro e pequenos empresários possam sobreviver e aumentar o empreendedorismo.
Bastaria que o banco praticasse o dobro da taxa selic para pequenos e médios empresários por ano e o triplo para grandes empresas para uma boa seletividade. Se jorrasse 30 bilhoes em torno de grandes projetos e apoio ao capital de giro e renovação dos equipamentos e maquinários, poderíamos crescer de 2 a 3% ao ano e aumentar o nível de contratação em até 15% da retomada da carteira assinada, a qual passa a ser coisa do passado com a reforma trabalhista aprovada.
Os que estudam e se preocupam com o Brasil infeliz e lastimavelmente são poucos. A maioria dos imbecis só pensa no mundo atual no próprio umbigo e nas vantagens advindas de grandes negociatas. Não é sem razão que chegamos ao desemprego recorde, sucateamento do Estado, lei de recuperação fiscal e mais pesaroso ainda um momento de macrocriminalidade acentuada na qual se mata por violência incontida e a má formação delinquencial sem punição exemplar.
Criminosos desse jaez jamais poderiam ostentar uma simples tornozeleira, mas submetidos ao trabalho e ficando em regime fechado pelo menos dez anos, sem contato algum com visitas e demais regalias ,única forma de chegarmos a um ponto de uma sociedade civilizada. No Brasil a carestia chegou antes do enriquecimento da Nação e temos o risco - como disse Claude Levi Strauss - de sairmos de um bagunça generalizada sem passar pelo momento de pacificação direto para proliferação de conflitos sociais extremados.
A antropofagia institucional nos carcome e nos dá pouca chance de vitória. Que o Brasil a ser descoberto e reconstruído jogue fora todas as maledicências e o papo estreito de tucanos e petistas que só se aproveitaram do que acontece para manter as amarras dessa ignara sociedade que não ostenta a mínima liberdade de se ver autoconfiante em soluções apartidárias e fora dos fundos que carreiam recursos para serem desviados pelos nossos políticos.
Temos fome do novo, de políticos a la Macron que coloquem a Nação para caminhar liberta, democrática e acima de tudo fora da ideologia neoescravagista que polui o Brasil e nos entrega de braços abertos nos grilhões do retrocesso de nenhuma competência e honestidade no meio político.
Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.
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Posted: 18 Jul 2017 04:43 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Clovis Purper Bandeira
Aleluia significa Louvem Deus Javé ou Adorem Deus Javé. É um termo de origem hebraica – "Halleluyah" – que do judaísmo passou para a liturgia cristã e ficou ligado especialmente ao tempo da Páscoa. Trata-se de expressão ou cântico de louvor ou de ação de graças ao Senhor.
A condenação de Lula em um dos vários processos a que responde perante a Justiça, em consequência de seu envolvimento em diversas manobras de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e gatunagem em geral, lava a alma dos brasileiros honestos e, até então, desiludidos.
Não adiantou o Sr. Janot, a serviço do PT & Cia, tentar desviar os holofotes da imprensa para as acusações que atingem o presidente Temer. Teve êxito fugaz, logo ofuscado pela esplêndida notícia de que Lula, finalmente, começa a ser condenado por seus crimes.
É claro que falta muito para chegarmos ao fim do processo, há dezenas de cambalhotas jurídicas e legais que o dinheiro pode comprar, e dinheiro é o que não falta ao chefe da quadrilha que assaltou e arruinou o Brasil em treze malfadados anos.
É possível, mesmo, que o condenado seja candidato a Presidente da República em 2018. O TRF/4 já declarou que o julgamento dos recursos à segunda instância deverá ocorrer em agosto do próximo ano, já com a campanha eleitoral em pleno andamento. Até lá, porém, muita coisa pode acontecer, inclusive novas condenações em outros processos em que o mafioso ex-presidente está envolvido.
De qualquer maneira, só poderá espernear e dizer, como sempre fez, que é vítima de um complô das elites que não suportam ver um operário no poder.
É verdade que há pedras no caminho. Embora tenha confirmado dezenas de condenações proferidas pela primeira instância, o tribunal de Porto Alegre começa a apresentar preocupantes sinais de mudança de entendimento, inclusive anulando a sentença que condenava notório extesoureiro do PT a uma pesada pena em um dos processos em que está envolvido. A alegação é que não pode haver condenação baseada apenas em denúncias de delatores, mesmo que esses delatores sejam dezenas e, em sua delação, também se incriminem. A parte das denúncias que prejudicam os delatores é válida, mas a que incrimina os delatados não vale? Espera-se recibo assinado de operações de corrupção?
Muita água vai rolar sob a ponte, haverá avanços e recuos, novos processos serão concluídos com novos recursos, mas, no momento, a inédita condenação de um ex-presidente criminoso, nunca antes ocorrida neste país, nos enche de satisfação e orgulho.
Quem sabe até nos volte a esperança no futuro brasileiro.
Por enquanto, alegremo-nos e digamos: Aleluia, Deus seja louvado!
Clovis Purper Bandeira, General, é Editor de Opinião do Clube Militar.
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Posted: 18 Jul 2017 04:41 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O Texto abaixo foi escrito por Cleide Canton, em setembro d 2006.
Mas continua mais atual que nunca. E lembra Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem- se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
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Sinto vergonha de mim
por ter sido educadora de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra. Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo. Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro. Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer... Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro! |
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