Alerta Total |
- Temer vai empurrar reformas com a barriga?
- Torquato Tasso e outros Tassos
- Intervenção das Forças Armadas da Segurança Pública
- A Agenda – Modernizadora ou Conservadora – do Futuro Presidente do Brasil
- O Manifesto Comunista – A Face Transparente do Mal
Temer vai empurrar reformas com a barriga?
Posted: 04 Aug 2017 03:25 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Depois da queda da Dilma Rousseff e da salvação de Michel Temer ficou claro que "situação e oposição" são meras figuras de retórica no Brasil que precisa ser passado a limpo por uma Intervenção Institucional. Só uma profunda mudança estrutural na máquina estatal vai eliminar vícios insanáveis da politicagem.
Uma observação feita ontem pelo Presidente da República confirma como o clientelismo e a dependência estatal uma tendência perversa do nosso sistema Capimunista Rentista: "As emendas parlamentares foram igualmente pagas, oposição e situação. Agora, quem apoia o governo vota com o governo. Quem não apoia o governo vota contra o governo".
É por tal vício no relacionamento político que o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, acaba ganhando razão ao afirmar que o placar de 263 votos a favor de Temer não tem nada a ver com os 308 votos necessários para aprovar as reformas, sobretudo a previdenciária. A orientação do governo é que Temer alivie a pressão sobre parlamentares para colocar em pauta e aprovar medidas impopulares e polêmicas.
Ficou combinado que Henrique Meirelles e outros ministros farão uma maratona de convencimento junto aos congressistas. O esquema toma-lá-dá-cá não deve funcionar desta vez, já que o governo, com rombo fiscal recorde, não tem moeda de troca a oferecer. É com este papo que o time de Temer espera aprovar, até dezembro, "alguma coisa" na Previdência Social. Assim, em função do prazo limite, qualquer "mudança" só passaria a valer depois de 2019.
Assim caminha o Brasil. Empurrar com a barriga é a orientação. Até lá o jeito é aguardar para ver o quanto mais a Lava Jato pode atingir membros do governo e da base aliada. Coisas do País que tem políticos que não valem nada, mas que custam uma fortuna...
Festejando
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A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. © Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Julho de 2017. |
Torquato Tasso e outros Tassos
Posted: 04 Aug 2017 03:24 AM PDT
"País Canalha é o que não paga precatórios"
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
Num país de cão egresso devasso, pouca confiança faço.
Talvez seja um sonho insano imaginar uma Brasília Liberata.
Nada como ver um tucano entrar pelo cano (rimazinha mixa, mas fazer o quê?).
Cansei de tentar imitar a grandiloquência de um Camões. Acabo metendo os pés pelas mões! (ou seria mães?).
Decidi emburrecer-me; como na peça de Ionesco, O Rinoceronte.
Caso contrário fico suprimido como cavaleiro Templário.
Restar-me-á o papel de Quixote. Sempre em busca de imaginário mote.
É, por assim dizer, o que nos leva a capim comer.
Em lugar de Rocinante transformar-me-ei em ruminante.
Outro flatulento Tasso, aplicar-lhe-á ursídeo abraço?
Termino por aqui as mal traçadas linhas, com mais penas que angolanas galinhas.
Que não transformem suas culpas em minhas; e tome polka e tome imposto.
Lembrem-se ser de cachorro louco o mês de agosto.
Tenham em mente: Rei morto, rei posto.
Obrigue-os à contradança a contragosto. Dona felina, mostre seu rosto.
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
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Intervenção das Forças Armadas da Segurança Pública
Posted: 04 Aug 2017 03:23 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Alberto Pinto Silva
A intervenção das forças armadas na segurança pública deve obedecer a um requisito fundamental: a fidelidade ao princípio de que o instrumento militar somente deverá ser empregado quando todas as outras modalidades do Poder Nacional para o setor tenham se exaurido, ou quando o jogo político requerer o emprego da força, como última instância, para proteger ou assegurar os direitos da sociedade. A importância do objetivo político determinará o objetivo militar e definirá o nível de esforço requerido.
Se, em função da magnitude e do tipo da crise, o Estado decidir utilizar suas Forças Armadas, a ameaça que motivou tal decisão deverá ser considerada um problema de Defesa, levando à necessária decretação do Estado de Defesa para amparar legalmente tal emprego e dar segurança jurídica à tropa empregada.
Ocorre que a destinação básica de nossas Forças Armadas é a defesa da Pátria e, nesse ofício, sua preparação deve estar, principalmente, voltada para o conflito bélico, para a guerra, ambiente no qual imperam a violência e a destruição. É por isso que o seu emprego na segurança pública deve ser evitado, a não ser que a sociedade como um todo esteja preparada para a possibilidade do uso da força de forma violenta e letal, pois a intervenção militar gera violência e a violência nunca se sujeita ao controle absoluto.
O que vemos hoje no Brasil é uma fusão de táticas terroristas, de conexões com traficantes de drogas, de insurgência urbana e de fuzis AK-47. Os atores das ações de violência são caracterizados por grupos armados, terroristas, milícias e organizações criminosas. Estes grupos veem no conflito a única maneira de alcançar seus objetivos e utilizam violentas e criminosas ações, que perduram por um longo período, buscando atingir um controle coercitivo sobre a população, acuar as autoridades de segurança e defesa, e desmoralizar poder político (Governos Federal e Estadual).
No planejamento e na execução da Defesa, tanto como na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), normalmente numerosos tomadores de decisão intervêm. É preciso que cada um deles tenha a noção correta do tipo de ação que lhes compete resolver, podendo assim, de um lado serem tomadas decisões políticas e estratégicas sem ingerência na estratégia militar, operacional ou na tática, e de outro lado ocorrer o assessoramento oportuno à autoridade superior sem que cada nível deixe a perder nada que é de sua competência. Isto demanda pensamento flexível, especialmente na chegada de conclusões lógicas ao testar qualquer experiência de algo novo.
O nível político deve escolher seus objetivos com cautela e cuidado e ordenar com precisão ao Poder Militar suas modalidades de emprego. Um sucesso militar sobre um objetivo mal selecionado ou onde haja um Poder Militar empregado erroneamente é capaz de acarretar uma derrota final, pois ele pode ser suscetível de gerar novos inimigos ou descontentamentos e, então, inverter o balanço do efeito.
Algumas imposições que os chefes políticos e militares devem considerar antes de uma intervenção:
- entender claramente o resultado político desejado;
- o chefe político deve definir claramente objetivo político da intervenção[1];
- visualizar o resultado antes de intervir;
- conduzir as ações por uma cadeia de comando simples e direta.
Caso a intervenção implicar em combate (uso violento da força):
- usar forças de elite em primeiro lugar (deixar de empregar meios para economizar transporte, alojamento, alimentação e etc.);
- planejar e executar um assalto inicial esmagador (nunca ter de se arrepender por deixar de empregar o poder máximo disponível);
- facilitar a desistência do oponente;
- parlamentar com o oponente;
- restaurar a paz e a ordem tão rápida quanto possível.
Por fim é necessário ressaltar dois Princípios:
- Princípio da Subsidiariedade: sustenta que um organismo superior não deve assumir responsabilidades que podem, e devem ser exercidas por um organismo subordinado. Na situação de "subsidiariedade" o controle vem depois do fato.
- Princípio do uso do Poder Eficaz: é de grande importância o uso inteligente, eficaz e integrado do conjunto completo de ferramentas à disposição do Poder Nacional, e ainda a seleção da ferramenta ou da combinação de ferramentas adequadas para cada situação que se dispõe para enfrentar as novas ameaças, o emprego na Segurança Pública.
[1]Para a Estratégia Militar: os objetivos militares são fixados pela Política; um conceito estratégico pode ser definido como a linha de ação militar resultante do estudo de situação estratégico, podendo combinar um largo espectro de linhas de ação; e recursos militares referem-se a efetivos, material de emprego militar, recursos orçamentários, logística, e outros, e determinam as possibilidades do cumprimento da missão. Esta ideia é aplicável aos quatro níveis da guerra, político, militar, operacional e tático.
Carlos Alberto Pinto Silva. General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul e do Comando de Operações Terrestres; Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.
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Posted: 04 Aug 2017 03:21 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Guilhermina Coimbra
Os brasileiros não têm problema quanto ao fato de futuros candidatos à Presidência da República do Brasil representar agenda modernizadora, ou, agenda conservadora.
A agenda conservadora é aquela contra, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc.. Os referidos temas, afetos à vida privada de cada um, como tais devem ser respeitados, independentemente de agendas políticas - é o entendimento da população brasileira.
No Brasil, a "direita" não é bloco único. Co-existem diversificadas "direitas" sobressaindo-se:
- a direita liberal - aquele entendimento segundo o qual, o Governo não tem que se intrometer e deixar que sejam geridos pelos interessados os negócios públicos e privados;
- a direita entreguista – a que entende que o Governo do Brasil deve entregar as fontes geradoras de energia (hidrocarbonetos/petróleo, gás e nucleares/urânio, nióbio, tório, lítio, berilo e outros) É a que pretende se locupletar intermediando péssimos negócios públicos e ótimos negócios privados;
- a direita conservadora ou, também conhecidos como os feitores da população brasileira – são considerados aqueles que representam os interesses de fora do Brasil, intermediando os bons negócios públicos dentro do Brasil com os de fora do Brasil, como se fossem negócios privados;
- a direita nacionalista: o entendimento da direita nacionalista é o de que primeiro têm que ser supridas as carências dos residentes no Brasil e depois, somente, depois, as carências dos residentes fora do Brasil. Vale dizer: exportar somente o excedente;
- e outras de diversas formas disfarçadas.
O entendimento da população brasileira alerta é o de que tanto a direita nacionalista quanto a esquerda mais a "esquerda e direita volver", tem que unir cada vez mais forças, obrigando-se a dar prioridade a uma agenda de segurança pública, alertando contra os interesses da direita conservadora, aliada a interesses de fora do Brasil.
Defender intransigentemente o uso e gozo das fontes esgotáveis de energia - em benéfico dos residentes desta e das futuras gerações - que jazem no território brasileiro: solo, subsolo, mar territorial e outros.
A população brasileira observadora e perceptiva fecha - e não abre - com a direita e a esquerda nacionalista, quando se trata da segurança pública do Brasil.
Os exemplos históricos não recomendam descuidar da segurança pública.
O Brasil - atualmente - está vivenciando as mesmas situações forjadas pelos interessados em se apropriarem das fontes de energia do Oriente Médio.
A população brasileira há muito vem observando os exemplos históricos recentes do Oriente Médio.
Uma das táticas e estratégias, o modus operandi daqueles que têm "know how" em se apossar das fontes geradoras de energia de territórios alheios inicia-se com o patrocínio da disseminação da violência urbana.
A segurança pública é o mais importante interesse público da população brasileira.
A população brasileira não abre mão de dar importância maior e prioritária à agenda da segurança pública em detrimento da agenda econômica. Até e porque, sem segurança pública não pode haver segurança da agenda econômica e nem de nenhuma outra agenda.
O Governo do Brasil - com mais de 60.000 homicídios por ano tem que entender que essa tem que ser - na ordem correta das prioridades: "a" prioridade.
O Ministro brasileiro repetiu o óbvio, quando constatou... "estamos vivendo uma guerra...," – porque, desde o início, o estado de guerra foi percebido pela população brasileira , confiantemente aguardando providências para abortá-lo.
E não é difícil não.
A história recente de um país asiático pequeninho botando para correr forças poderosas - ávidas por se apoderarem das fontes de energia e paralisar o desenvolvimento do referido país - deve e tem que ser lembrada repetitivamente, como exemplo de agir.
No Brasil, a população observa que tática e estratégia utilizada pelos vietnamitas estão sendo utilizadas ao contrário.
A população já entendeu que as forças poderosas ridiculamente interessadas em se apossar do território fértil de fontes geradoras de energia brasileiras - se uniram aos atualmente combatidos pelas Polícias do Brasil, contataram e estão patrocinando a violência urbana em todo o país, objetivando forçar o Governo brasileiro a entregar as fontes geradoras de energia do Brasil.
A defesa das fontes geradoras de energia que jazem no território fértil de um país é uma causa justa – reconhecida pela ONU, como direito de autodeterminação.
O Plenário da ONU pode e deve ser utilizado se as pressões e a violência continuarem no território do Brasil. Enfatizar o fato inconteste de que se o Brasil for obrigado a se fechar não vai ser bom para as grande empresas que remetem do Brasil os seus maiores lucros, todas naturais dos países ora opressores do Brasil.
Desistam Sirs, de utilizarem essas táticas e estratégias ridiculamente repetitivas e aceitem Sirs, a vontade firme e férrea do Brasil – aceitando, Sirs, como aceitaram a vontade do Canadá e a vontade da Austrália, de não permitir – nem mesmo para a comunidade da qual são Membros – a exploração dos minerais esgotáveis geradores de energia.
No Brasil, é questão de inteligência e de sobrevivência da população brasileira, o entendimento da direita e da esquerda, ambas nacionalistas, sobre a questão das fontes dos minérios geradores de energia.
Políticos e politiqueiros do Brasil, independentemente de Partidos Políticos, têm concordado e fechado questão quando se trata de não entregar as fontes de energia do Brasil.
E nem poderia ser o contrário. São mais de 200 milhões de seres humanos residentes no Brasil que necessitam e necessitarão, em ordem geometricamente crescente, das fontes geradoras de energia que abastecem o Brasil.
Os minerais estratégicos esgotáveis geradores de energia, encontrados no território do Brasil são um pedaço do Brasil, ... "que não tem medo de fumaça e não se entrega, NÃO!" - nos dizeres de Gonzaguinha, poeta brasileiro.
Melhor é reconhecer a derrota, levantar, sacudir a poeira, dar a volta por cima e trabalhar junto - devotando ao inestimável parceiro comercial Brasil – o respeito que o Brasil merece.
A população brasileira amiga, hospitaleira, bem humorada e atenta, agradece.
O Brasil merece respeito.
Guilhermina Coimbra é Pesquisadora CNPq/CAPES/FAPERJ/FGV-Rio, desde 1989.
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Posted: 04 Aug 2017 03:20 AM PDT
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
O texto abaixo foi publicado no livro "Para Compreender o Fenômeno Brasileiro", escrito pelo jornalista LUCAS BERLANZA. O livro propõe a apresentação do processo de ressurgimento de uma nova direita no Brasil por um compilado de ensaios sobre alguns dos clássicos do pensamento político ocidental, de autores já consagrados pelo tempo, mas também de outros em plena atividade criadora, num diálogo entre os mortos, os vivos e os que estão para nascer, dentro da lição fundamental do conservadorismo. Um antídoto contra a insanidade mental dominante, dos que odeiam a divergência e sequer imaginam que a Verdade é patrimônio de todos e de ninguém.--------------------------------
O marxismo figura entre as filosofias mais influentes da História. Poucos sistemas de pensamento produziram uma influência tão concreta sobre um período da trajetória humana. Os seus resultados, porém, são invariavelmente nefastos. Onde quer que as teses de Marx, Engels e seus seguidores foram implantadas, um rastro grotesco de sangue foi deixado. Os seus defensores insistem em desvincular os efeitos práticos dos fundamentos teóricos em que se baseiam.
"Marxismo? Socialismo? Isso nunca existiu na União Soviética. Não tem nada a ver com Pol Pot. Nada a ver com Mao. Todos são traidores da teoria original!". Forçamo-nos a concordar, relativamente a alguns aspectos, que as experiências práticas tiveram algumas deformações em relação à formulação original. O maoísmo, por exemplo, apostou mais nos camponeses que na imaginária "revolução proletária". O marxismo-leninismo dos bolcheviques inflou a relevância de um partido revolucionário, que, substituindo-se ao sistema burocrático do czarismo, fez muito pior.
No entanto, a despeito dessas transformações, todos os movimentos ainda são frutos de uma mesma árvore. Não é preciso muito esforço pra ver a face do mal, de forma transparente, exposta no pensamento dos fundadores desse sistema macabro. Está tudo lá, no texto introdutório dessa filosofia: O MANIFESTO COMUNISTA, lançado em 1848.
O marxismo se dirige ao mundo, nas primeiras páginas desse pequeno panfleto, mostrando nada mais, nada menos que as balizas nucleares da História. Tamanha era a pretensão que esses homens acreditaram ter encontrado a força motriz dos eventos que se sucedem no tempo: a luta de classes. As civilizações se movem pelo confronto de classes. Pouco importam a pluralidade e a subjetividade. O que tem relevância é se sou "proletário" ou "capitalista", "rico" ou "pobre", "senhor" ou "escravo". A posição, o lugar, a classe, carregam consigo uma serie de condicionantes inescapáveis, reduzindo a criatura a quase um autômato. O marxismo já faz a sua saudação aos leitores com uma depreciação poucas vezes equiparada da dignidade humana.
Sobre a "burguesia", a "classe" que instala o período capitalista, ela "afogou os êxtases sagrados do fervor religioso, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês nas águas gélidas do cálculo egoísta. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e em nome das numerosas liberdades conquistadas, estabeleceu a implacável liberdade de comércio.
Em suma, substitui a exploração encoberta pelas ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, única, direta e brutal". Fica claro que, se os burgueses sepultaram o "sentimentalismo pequeno-burguês", Marx fez nascer o "melodrama socialista". Com suas tintas emocionais extremadas aplicadas a um cenário em que a escravidão e a servidão deram lugar a uma troca simples de serviços, em que recebemos o retorno financeiro pelos nossos esforços e estamos legalmente protegidos do açoite das chibatas ou do castigo das espadas.
Marx e Engels descrevem, em tom de estarrecimento, o processo de alastramento do capitalismo e do modo de vida burguês. Admiram-se de como a burguesia "arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização", e de como os preços de suas mercadorias "formam a artilharia pesada com que destrói todas as muralhas da China, co que obriga à capitulação os bárbaros mais hostis aos estrangeiros". Admiram-se de como ela força "sob pena de extinção, a adotarem o mundo burguês de produção: força-os a adotarem o que ela chama de civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem".
Admiram-se tanto do sucesso do capitalismo que chegam a exagerar suas implicações "revolucionárias", como se ele fora um sistema de trocas econômicas incompatível com a existência de valores ou qualidades transcendentes ao material. Mas Marx não se admirou o suficiente para evitar que sua cabeça enxergasse um suposto declínio.
Viu o advento dos trabalhadores do sistema industrial o augúrio do ocaso capitalista. Acreditou que os operários já nasciam destinados a decretar esse fim; que a existência de ma hierarquia no funcionamento de uma empresa é análoga à escravidão, e uma escravidão muito mais ampla, pois faria dos proletários "escravos da máquina, do contramestre e, sobretudo, do próprio dono d fábrica"., em um despotismo que é "tanto mais mesquinho, mais odioso e mais exasperador quanto maior é a franqueza com que proclame ter no lucro seu objetivo e seu fim".
Investir em algo que gere valor par determinado público e contratar pessoas para realizarem o projeto – é isso uma tirania mais terrível do que aquela que reduzia as pessoas a mercadorias, sem que elas próprias nada ganhassem. Os marxistas esquecem que os escravos enchiam os bolsos daquele que o vendia, enquanto o trabalhador assalariado, ao exercer se nobre esforço, recebe, ele próprio, o de que precisa para seu sustento.
Sua idéia de que o proletariado "não tem propriedade; suas relações com sua mulher e seus filhos não tem nada em comum com a família burguesa; (...) a lei, a moral, a religião são para ele preconceitos burgueses", se podia ser produto de uma miopia compreensível a quem pusesse os olhos sobre uma fase ainda incipiente do sistema capitalista, não tem qualquer sustentação na realidade se observarmos os operários e pessoas de menor renda de hoje. Não existe nenhum canto do mundo em que a maioria dos trabalhadores esteja consciente da necessidade absoluta de "abolir a forma de apropriação que lhes era própria e, portanto, toda e qualquer forma e apropriação", muito menos que possa assentir ao saber que sua missão "é destruir todas as garantias e seguranças da propriedade individual". O que querem é sempre melhorar de vida, aumentando as suas propriedades privadas.
Gênio retórico e ficcionista, Marx inventou um operário ideal, um mundo ideal, regido pelo que seria a sua lei ideal.Em esforço vão, tenta ainda estabelecer uma diferença entre a "propriedade pessoal" que seguiria existindo nas mãos do proletário em um mundo comunista, e a "propriedade privada" burguesa, fruto supostamente de um abuso. Isso acontece porque, ao contrário da totalidade dos autores liberais, como Hayek e Mises, ele ignorava o valor do trabalho individual do empresário, e acreditava que o retorno material de um produto dependeria, apenas. do esforço "explorado" da série dos envolvidos nos labores manuais que o constroem, e não no interesse que ele pode despertar em seu público, percebido de forma perspicaz por quem investe no negócio. Este último, detentor de uma certa idéia, arrisca seus recursos para implementá-la, gerando, com isso, o emprego que vai sustentar famílias inteiras. É curioso que Marx fez muito pouca coisa na vida mais do que desenvolver uma "grande idéia", que serve até hoje par sustentar lunáticos.
A receita de Marx par atingir seus objetivos em países desenvolvidos não é mais sensata: 1) expropriação da propriedade territorial e emprego da renda em proveito do Estado; 2) imposto fortemente progressivo; 3) abolição do direito de herança; 4) confisco da propriedade de todos os emigrantes e sediciosos; 5) centralização do crédito nas mãos do Estado e com o monopólio exclusivo; 6) centralização dos meios de comunicação e transporte nas mãos do Estado; 7) multiplicação das fábricas e meios de produção possuídos pelo Estado; o cultivo das terras improdutivas e o aprimoramento do solo em geral, segundo um plano; 8) trabalho obrigatório para todos; estabelecimento de exércitos industriais, especialmente para a agricultura; 9) combinação da agricultura com as indústrias manufatureiras e a abolição gradual entre a cidade e o campo; 10) educação gratuita par todas as crianças.
Como podem hoje os tolos, diante de governos e partidos que concretizam uma agenda reproduzindo a maioria dos pontos nesta lista, rir dos "paranóicos" que lhes apontam os dedos e lhes chamam de comunistas? Ler O MANIFESTO e comparar com o que ocorre hoje, implica fazer a si mesmo a grande pergunta: a partir de que momento nos submetemos a essa criminosa anestesia moral e nos cegamos paa as verdades mais óbvias?
Só não somos mais ingênuos dos que aqueles que acreditam, como diziam Marx e Engels, que "quando, no curso do desenvolvimento, desaparecerem todas as distinções de classes e toda a produção concentrarem-se nas mãos d associação de toda a Nação, o poder público perderá seu caráter político" e "se o proletariado em sua luta contra a burguesia é forçado pelas circunstâncias a organizar-se em classe; se se torna, mediante uma revolução, em classe dominante, destruindo violentamente as antigas relações de produção, destrói com essas relações as condições dos antagonismos de classes em geral e, com isso, extingue a sua própria dominação como classe".
Quis dizer o barbudo alemão, irado e implacável com a dominação dos patrões, que o 'proletariado" – novamente esse personagem coletivo difuso – saquearia suas posses "ilegítimas", pilharia suas realizações através de um inchaço de poder inimaginável da máquina do Estado e, depois disso, como por mágica, ele não tria mais poder. Provável que uma criança em idade pré-escolar não conceba estupidez tão singular. Mas o "maior filósofo do século XIX" conseguiu.
Em ação destinada à literatura socialista e comunista, Marx e Engels se dedicam a fazer um passeio enviesado pelo passando, elencando outros teóricos sociais que eles veriam como precursores da sua doutrina. Começam alvejando os aristocratas que esbravejaram conta as modernidades do capitalismo, apontando-lhes o obscurantismo que eles próprios ressuscitavam.
Depois, atingindo os chamados "utópicos", taxaram-nos de "socialistas conservadores ou burgueses". Economistas, filantropos, humanitários, os que procuram melhorar as condições da classe operária, os organizadores de beneficências, os membros de sociedades protetoras de animais, os fanáticos das sociedades de temperança, enfim, os reformadores de gabinete de toda categoria, são nada mais que agentes de alienação e "estupidificação", que diriam eles hoje, diante da "esquerda festiva" de que falava Nelson Rodrigues e da "esquerda caviar" admiravelmente denunciada por Rodrigo Constantino em seu best-seller?
Marx e Engels terminam definindo suas posições a respeito de todos os movimentos e partidos de oposição, alegando que não vêem problema em formalizar alianças circunstâncias, desde que não se perca de vista o objetivo maior: despertar no proletariado sua consciência de classe revolucionária.
É impossível passar os olhos sobre o Manifesto Comunista, saber que é lido em coleios do país inteiro e do mundo, e não se questionar como as pessoas não conseguem ler nessas linhas o horror que elas preconizam? O texto inteiro nada mais é que um pretexto para cuspir a revolta mais infantil. Falta ao marxismo, de cientificidade, e substância de ele tem de irracionalidade. Em tempo algum, desde que surgiu, ele conquistou as pessoas pela lógica que lhe é inerente, pois não há nenhuma. Seduziu, apenas, pelo apelo que faz aos sentimentos mais nefastos eu caracterizam a afobação humana.
Carlos I. S. Azambuja é Historiador. |
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